domingo, 14 de dezembro de 2008
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01:11
1 risco(s) alheio(s)
Temática(s): Eu sinto muito
sábado, 13 de dezembro de 2008
Aprender a beber
- Porque ninguém gosta de cerveja de cara. Tem-se que aprender a beber. Tipo... café. É, tem-se que beber cerveja tipo café.
- Com leite e açucar?
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19:06
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Temática(s): Diálogos
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Depois de Woody Allen
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01:56
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Temática(s): Diálogos
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Final de semana III (ou: Praça da República)
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23:36
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Temática(s): Colecionando Causos
Final de semana II (ou: Casamento)
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23:34
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Temática(s): Eu sinto muito
Final de semana I (ou: A Foto)
E quando eu acho que todas as idéias já foram tidas, vem alguém e me surpreende:
- Aquele cara ali é muito gato!
- Qual deles?
- O de calça jeans e camisa branca.
- Qual deles?
- Vem cá ver...
- Não dá, ainda tá fora do meu campo de visão.
- Olha pra trás discretamente.
- Não tem como ser discretamente.
- Peraí. Vira pra cá, eu vou bater uma foto sua e você olha pra lá.
É muita imaginação!
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23:31
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Temática(s): Diálogos
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Crenças e descrenças
Cá entre nós, eu devo confessar que sou totalmente cética quanto à existência de algo místico em algo como 25% do tempo. Em 30% eu estou dormindo, em outros 40% pensando em outra coisa, e em 5% acontece algo realmente curioso, ou alguém que eu amo morre (ok, isso felizmente acontece pouco), ou tenho um papo cabeça com um amigo espírita ou bruxo, ou minha prima surge com o tarô, ou alguém surge com uma simpatia engraçada que não exige muito material ou tempo e por falta do que fazer ou mudança de ano eu entro na brincadeira. Eu não faço o tipo chato que fica pondo falha na crença dos outros (mesmo porque o único efeito disso é se indispor com os outros) e sempre agradeço quando alguém diz que está rezando por mim, porque é no mínimo uma grande prova de bem-querência. Fui criada como católica não praticante (expressão que hoje acho estranhíssima, diga-se de passagem – como as pessoas declaram ser parte de uma religião e não praticá-la?), fiz primeira eucaristia e tudo; adoro visitar igrejas porque as acho lindíssimas e gosto de festas religiosas pelo espírito familiar e toda a tradição envolvida, mas realmente não compartilho dessa fé, mesmo nos momentos em que creio em algo. Quando eu creio em algo, é algo bem cômodo e alternativo. E eu prefiro pensar que Deus, ou o deuses, ou os anjos, ou os espíritos evoluídos, ou os gnomos, ou o cosmo, ou qualquer outra entidade existente tenha(m) mais o que fazer do que ficar pondo problemas na minha vida. Nada pessoal, por favor; é só que é um universo muito grande e existem bilhões de pessoas. Acho que eu consigo viver e me machucar sozinha, muito obrigada.
PS: Mas, a seu modo, a minha amiga estava certa. Eu realmente acho que eu tenho algo a aprender com o ocorrido. Não pelos deuses ou pelo cosmo, mas por mim. Tenho que aprender a ver as pessoas como elas são, não como eu queria que elas fossem. Para poder manter uma visão positiva da vida e não perder a fé nas pessoas de um modo geral. Menos ilusão, menos decepção; segue-se a vida.
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11:17
2
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segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Uma imagem vale mais do que mil palavras (II)
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03:57
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Temática(s): Viagem
Uma imagem vale mais do que mil palavras (I)
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03:46
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Temática(s): Viagem
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Um mundo onde objetos voam, porque não há gravidade. Não sei se é grave, mas não faz mesmo sentido. Não há cima nem baixo, mas há lados. Tantos lados! Tanta coisa, tanto gosto!
E o que eu tinha de certeza ganhou prefixo “in”. Talvez seja algo na moda, mas sempre fui uma antiquada.
A moça ruiva no espelho é uma estranha. Tudo é estranho. Tão estranho que até acalma, porque não haveria como fazer o contrário. Está tudo igual, mas ao contrário.
E há frio na espinha de novo. E eu gosto.
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00:04
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Temática(s): Eu sinto muito
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Reciclando posts
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09:38
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Temática(s): Comentando
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Pippo e eu
- É coisa de cachorro pequeno. – Eu disse. – O meu roia as minhas barbies.
Pois é.
E como todo senhor, meu animalzinho de estimação agora precisa de cuidados especiais com a saúde. Recentemente, adoeceu terrivelmente; e eu tive de levá-lo ao veterinário freqüentemente. Acontece que meu adorável vira-lata acredita ser a rua seu enorme banheiro, e não me refiro apenas à marcação de território habitual de machos. Ele gosta mesmo é de construir esculturas marrons e fedorentas no meio da calçada; decorador de sapatos de desavisados.
E eu, chata metida a politicamente correta, tinha esquecido o bendito saco plástico.
No meio do ir e vir de gente sob o terrível sol de Belém, parei e abaixei a cabeça, vermelha. Abri minha bolsa; podia recolher a sujeira com papel, mas... Onde eu iria jogá-la? Por que minha cidade tem tão poucos lixeiros? Seria lindo: recolher e ficar andando com aquilo na mão. Ou, melhor ainda, entrar em uma loja e perfumar o ambiente atirando o papel ao cesto de lixo e sair com a maior cara de inocente.
Estava quente demais, eu suava. Meu cachorro feliz, língua à mostra. E aquilo. O que fazer com aquilo?
Eu já estava parada há tempo suficiente para ganhar trocados de estátua humana. Desisti e, com uma tonelada nas costas, segui ao veterinário sem fazer absolutamente nada. E quando voltei, vi uma bem delineada pegada sobre a arte canina; uma pisada tão determinada e certeira que deixava um pequeno rastro.
Que merda.
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14:52
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Temática(s): Colecionando Causos
terça-feira, 21 de outubro de 2008
O monstrinho e o castelo
A mulher legal tinha muitos amigos, a menininha palerma tinha pavor de solidão, mas se escondia atrás da porta. A mulher legal poderia conquistar o universo; a menininha tinha medo do escuro. As duas tinham o mesmo namorado, que era o cara. A mulher se orgulhava dele; a menininha temia perdê-lo. Engraçado que era a menininha quem nada tinha; mas tinha tanto medo do monstrinho! E se escondia ao lado dele, debaixo da cama e longe do mundo; e conseguia ver seus olhos enormes e ouvir sua respiração, apesar dele ser de mentirinha.
A mulher levantava, lavava o rosto e passava batom. Ficava bonita. A menina lá, amuada. E o monstrinho... Por que pensar tanto em um monstrinho que nem existe?
A mulher recolhia tijolos pesados para seu castelo. Ele também era de mentirinha, que nem o monstrinho.
É complicado ser mulher e menina e ter que construir um castelo e aturar um monstrinho.
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21:36
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Temática(s): Eu sinto muito
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Entre contos de fada e de Machado
Devo logo admitir que o ato de pequena e admirável honradez não partiu de mim, e sim do cavaleiro intrépido e justo desta historinha. Que, ao ver-se tentado pelo errado, virou-se para o outro lado:
- Talvez tenha outro carro que tenha chegado antes da gente e tenha dado a volta. Não é certo. A gente dá o balão, e então estaciona.
Balancei a cabeça, encantada; e demos mais uma volta na floresta de produtores de dióxido de carbono. Não, não havia carros a nossa frente, e a vaga reluzente vaga permanecia. Até faltarem poucos metros. O último trecho antes da vitória.
Foi quando surgiu outro carro, da mesma entrada de onde tínhamos saído. E, sem nenhum pudor (ou talvez simplesmente sem pensar), entrou pela contramão.
Silêncio.
- Isso parece Machado de Assis. - Disse o herói.
Mais rampas e corrida de ponteiros antes de vivermos felizes para sempre até o fim daquela tarde.
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08:35
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Temática(s): Colecionando Causos
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Sobre a tristeza
É mais difícil abrir os olhos quando eles estão inchados.
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Marina
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10:14
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Temática(s): Curtos
sábado, 11 de outubro de 2008
À meia noite
Eu queria paredes rosas
mas elas são simplesmente brancas
e não cinzas como eu insisto em pintar
E depois de horas chorando
eu me sinto estúpida
porque na verdade também tenho bons motivos
para comemorar
Eu deveria ser de verdade quem eu finjo ser
ou uma vez na vida fingir ser quem eu sou
Na verdade eu não deveria fingir
Eu não deveria fugir
Eu deveria reclamar menos
E eu não deveria perder tanto tempo
esperando ansiosamente
o dia em que ficarei ansiosa
esperando o telefone tocar
Nem ficar sonhando acordada
E me deprimindo porque talvez o sonho não venha a chegar
Eu deveria perder menos tempo
Pensando no tempo que eu perco
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Marina
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14:14
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Temática(s): Crescer e alguns outros versos
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Pequenas cenas do tal dever cívico
A linha de gente chegava a enrolar-se. E eu lá, parada, já conformada, pensando em o que fazer para matar o tempo. Só que o tempo, como todos percebem ao tentar matá-lo, é uma desgracinha imortal que sequer aceita apressar o passo. Com um pouco de bom humor, por outro lado, dá para distrair-se em sua companhia. E como não havia nada o que fazer além de esperar, fiquei absorvendo os tipos ao meu redor.
À minha frente havia dois caras, entre si amigos, falando alto e rindo-se da desgraça coletiva. Chovia muito e ao nosso lado formou-se rapidamente uma poça com jeito de riacho. Um deles juntou um dos muitos santinhos de candidatos que estavam no chão e atirou-o à água. Gargalhou; fiquei curiosa. Ao seu amigo, ele disse, apontando o papel que flutuava e escorria:
- Olha só, esse candidato já foi por água abaixo...
Divertindo-se, o outro juntou outro santinho do chão e fez o mesmo:
- E este já afundou!
Imediatamente atrás de mim, uma mulher visivelmente incomodada com o tempo perdido parecia incomodar-se também com o fato de outras pessoas não estarem aproveitando a maravilhosa possibilidade de irritar-se como ela, porque dirigia aos dois amigos olhos de metralhadora. E me dava tapinhas nos ombros sempre que a fila se movia, como se eu fosse um animal conduzindo sua carruagem. Como se o curto espaço percorrido pelas minhas pernas fosse alterar o tempo que a separava da urna; ou como se o meu cérebro não entendesse a dinâmica das filas. Muito mais do que a mais de hora que passei esperando meus segundos diante da maquininha de votar, foi aquela mulher que quase me tirou do sério.
As outras pessoas faziam comentários aleatórios, queixosas da política com o desencanto estereotipado e inerte que não posso criticar porque também me pertence. Assim:
- A gente passa esse tempo todo na fila para votar em político ladrão.
- Não tem fiscal nas eleições? Pois devia ter quem fiscalizasse esses caras também, depois de eleitos...
Não se davam conta que deveriam ser este “quem”. E eu me dei conta que, se voto não fosse obrigatório, a maioria daquelas pessoas iria embora simplesmente por se desanimar com a fila. Eu mesma, provavelmente.
Papai chegou, trazendo-me uma revista, compadecido com o meu esperar. Comentou baixinho sobre outro homem à minha frente, com um molequinho não mais tão inho nos ombros:
- Deve ter trazido ele para tentar ser prioridade. Não conseguiu e vai chegar em casa dez centímetros mais baixo.
Riso. É este o Brasil, minha gente.
E logo foi falar ao celular em um canto; eu fiquei lendo e o tempo resolveu ser-me gentil. A fila avolumou-se até 17h; à minha frente os dois amigos continuavam rindo; a mulher ainda me dava tapinhas. Quase 18h consegui finalmente sair da zona (com duplo sentido) portando meu comprovante de voto. Tinha, pois, cumprido meu dever cívico.
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00:21
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Temática(s): Colecionando Causos
sábado, 4 de outubro de 2008
O efêmero
Uma amiga minha tinha um rato. Não desses de bueiro, mas um branquinho de laboratório. O rato tinha nome de protagonista de filme e duas rações próprias; e vivia solto pela casa, mas tinha escolhido como moradia a parte debaixo da geladeira.
O rato entrou na vida da minha amiga na faculdade. Ele era cobaia de um experimento, e depois de ser condicionado por pequenos choques, foi adotado. Os professores insistiam:
- Se ficarem aqui, os ratinhos vão virar comida de cobra. Levem eles para casa; um rato vive em torno de cinco anos...
Assim nasceu a afeição pelo bicho. Minha amiga sabia como ele gostava ou não de ser acariciado e qual sua ração favorita.
Mas esta é uma história de final infeliz, porque em cerca de um ano o rato adoeceu e ficou fraco, cada vez mais. Morreu na mão da minha amiga, quando ela lhe dava um banho; provocando enorme tristeza e chororô. Passado o fato, ela disse:
- Eu fiquei muito p... com a universidade. Descobri que ratos de laboratório, por serem selecionados para serem iguais, acabam vivendo no máximo 2 anos... Por que não disseram isso para a gente? Se não ficassem dizendo que o bichinho ia ser sacrificado, a gente nem ia pensar nisso, ia ser só mais um material de aula. Mas insistiram para a gente levar, e depois de um ano eu fico triste assim.
E você, se soubesse do desenrolar dos atos, adotaria o rato?
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01:19
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Temática(s): Colecionando Causos
domingo, 28 de setembro de 2008
Rubem Alves
- Muitas vezes me perguntam como se pode fazer para adquirir o hábito da leitura. Eu digo que não pode. Hábito é tomar banho, cortar as unhas, escovar os dentes. São obrigações. Leitura se faz por amor.
- Descrevem a fruta do jardim do Éden como uma maçã. Isto está errado. A maçã não se despe sozinha; é preciso despi-la à faca. E quando a mordemos, ela faz tipo um gemido. Comer uma maçã é quase um estupro. A fruta do Éden deve ser um caqui, que basta a gente olhar que se desfaz.
- Plantar um milhão de árvores? Isso é utopia! Mas é como dizia o Quintana, das utopias... Sö porque as coisas são impossíveis não é motivo para não querê-las, pois o que seria da noite sem o brilho mágico das estrelas?... Alguém precisa acreditar e começar.
- Há coisas absolutamente idiotas na escola, como análise sintática. Aprende-se português lendo, não estudando regras.
- Uma vez, ao fim de uma palestra, uma mulher me perguntou se eu acreditava em Deus. E eu respondi: “Em qual deus?”.
E por aí foi...
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16:33
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Temática(s): Comentando
Para dizer que uma suicida ainda não me matou ao cair em cima de mim
Os dias têm sido longos e ocupados (por estranho que essa informação pareça para aqueles que conhecem minhas atuais ocupações); e os textos parecem piorar na cabeça se não são escritos assim que a idéia ebule. Mas este blog não morreu, fiquem (in)tranqüilos. É só esperar que a inspiração volta. Espero.
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Marina
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16:31
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Temática(s): Editorial
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Quanto vale uma azulzinha?
A cena foi na fila do caixa eletrônico. O senhor na minha frente, cabelos brancos com pinta de aposentado simpático, virou-se para mim e disse, em tom de queixa:
- Você já veio antes nesse caixa aqui?
- Não – Eu respondi, porque era verdade.
- Ele não dá trocado. Se você pede R$ 100, ele te dá uma nota de R$ 100.
Eu acenei com a cabeça, achando que estava apenas usando a função fática da linguagem. Um passo a frente, eu era a próxima da fila; o senhor saca dinheiro e me mostra a nota de cem. Eu quase infarto pensando que devia mandá-lo guardar aquilo, porque não é seguro expor tanto dinheiro; ele diz:
- Sabe o que é isso? A desvalorização da moeda.
E foi-se embora, e eu fiquei pensando que era bem verdade. Há um tempo atrás era muito raro eu ver uma nota de R$100; agora é até freqüente. O tanto dinheiro do senhor não é mais tanto dinheiro quanto era antigamente.
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Marina
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15:08
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Temática(s): Colecionando Causos, Comentando
domingo, 31 de agosto de 2008
Devolve meu prato!
Já ouvi algumas teorias na inútil tentativa de entender tal comportamento. São das mais diversas, de falta de louça na cozinha ao pressuposto de que as pessoas certamente comeram além da conta e o delicioso queijo que gratinava o brócolis agora provoca ânsia de vômito; passando inclusive por conspirações capitalistas para aumentar o consumo (e o que não serve de material para se presumir conspirações capitalistas nestes tempos?). Nenhuma das opções justifica algo ocorrido na época em que a minha irmã ainda era uma criança que colecionava figurinhas e o garçom, angustiado porque não conseguira limpar mais nada, passou na nossa mesa retirando as embalagens dela.
O mais tragicômico da mania é quando o que é retirado não é apenas a louça, e sim o melhor da refeição – aquele último pedacinho, tão cuidadosamente selecionado com o que havia de melhor no prato!; ou aquele último gole, justamente o deixado para depois do último pedaço! Já vi halterofilistas à beira das lágrimas depois de tamanha injustiça.
Nesse mundo árduo e incompreensível, só os brutos sobrevivem. É hora de deixar as boas-maneiras e tudo mais o que é supérfluo de lado, levantar o braço e gritar:
- Devolve meu prato!
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Marina
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10:48
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Temática(s): Colecionando Causos
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Brincando de palavras
Tirando o amor da namorada resta nada (NamorADA).
II
É muito simples entender como naves voam. São singelos enes pendurados em aves (nAVES). E um avião é uma ave bem grande.
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Marina
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17:18
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Temática(s): Crescer e alguns outros versos
domingo, 24 de agosto de 2008
Guerra dos sexos
Dona Maria.
Seu José.
De vez em quando, a língua ganha do idioma.
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Marina
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11:48
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Temática(s): Crescer e alguns outros versos
domingo, 17 de agosto de 2008
A Geladeira
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Marina
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11:54
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Temática(s): Diálogos
Das Olimpíadas – II
Tá. E daí? Gente, é um espetáculo. O coelho estava escondido dentro da cartola do mágico. A magia está em se deixar enganar, entendem? Deixem a geopolítica para as situações em que ela de fato convém!
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Marina
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11:53
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Temática(s): Comentando
Das Olimpíadas – I
Minha irmã diz que ninguém se comove mais do que eu com as emoções dos atletas. A apelação da Globo, com sua narração e trilha sonora para as lágrimas deles, me tira do sério; mas paixão pelo que se faz e superação realmente me deixam bobamente tocada.
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Marina
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11:50
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Temática(s): Comentando
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Uma historinha de criança
Numa galáxia distante, existe um pequeno planetinha roxo, chamado Axpirex. Os habitantes daquele planeta, os axpirexanos, são muito parecidos com os humanos, exceto pelo fato de terem cabelo rosa, dois narizes (um para cada um de seus olhos vermelhos) e uma boca desproporcional para o resto do rosto. Seu corpo era finíssimo, mas extremamente parecido com o humano.
Os axpirexanos estavam de férias, e resolveram passa-las num planeta azul chamado Terra. É aí que eu entro nessa história. Lá estava eu, fazendo brigadeiro, enquanto o preguiçoso do meu irmão só me olhava, e fazia a trabalhosa e cansativa tarefa de pegar o prato. Imaginem como eu me senti quando aquele bando de homenzinhos esquisitos invadiram a minha cozinha! Larguei a panela no fogo e saí correndo, enquanto o panaca, sem-vergonha e despré do meu irmão resolveu “tentar contato”.
Eu tive a brilhante idéia de me trancar no banheiro, o lugar mais espaçoso da casa. de repente, eles começaram a pular pela janelinha! Eram dezenas, centenas, milhares! Uns cinco ou seis. Fiquei apavorada! A luz do banheiro começou a piscar. E a pior parte: meu brigadeiro estava queimando!
De repente, me veio uma coisa a cabeça: meus pais iam me deixar de castigo por deixar matarem meu irmão caçula. Não ia ser a maior perda da humanidade, mas quem entende os adultos? Então, juntei toda a coragem que não usei nos meus doze anos de vida e fui salvar o maninho. Saí correndo do banheiro, e, quando cheguei à cozinha vi, pasma, todos eles, inclusive meu irmão, comendo o meu brigadeiro. Ora, ninguém que gostasse de brigadeiro podia ser tão mal, então resolvi falar com eles.
Ao chegar lá, juntei todo o meu besteirol ciêntifico e soltei um “não se preucupe, eu vim em missão de paz.” Eles deram uma tremenda gargalhada na minha cara, me deixando encabulada. Foi aí que o imprestável do meu irmão me explicou toda a história. Como uma boa terráquea, os deixei hospedados no quintal de casa. foi ótimo ter quem realmente me ajudasse a fazer brigadeiro. Depois, eles foram embora. Sabe de uma coisa? Acho que eles deveriam ter levado meu irmão!
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Marina
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13:41
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Temática(s): Ficção
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Verde
No dia em que eu souber porque respiro
Aí quem sabe encontre um bom motivo
para não me sufocar
Porque plantas nascem plantas
e meninas
nascem aos montes, todos os dias, em todo lugar.
Rabiscado por
Marina
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14:10
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Temática(s): Crescer e alguns outros versos
Espelho
Há tanto sobre mim que desconheço que me sou uma estranha.
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Marina
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14:06
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Temática(s): Curtos
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Os sonhos, o silêncio e o sentir
Rabiscado por
Marina
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00:49
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Temática(s): Eu sinto muito
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
A casa
- Achei engraçado lá ela dizer que achou difícil fazer o projeto porque o quarto era para duas pessoas.
Nisso chega a arquiteta da loja em que estávamos, olha para nós e repete, como se não pudesse acreditar no que tinha acabado de ouvir:
- O quarto é para duas pessoas?
- Sim – respondemos, sem entender o porquê daqueles olhos enormes na nossa direção.
- Para vocês duas? – A arquiteta pergunta para mim e para a minha irmã. A gente acena com a cabeça, ela parece estar diante de alguma aberração circense. Abismada.
- Qual é o prédio? – ela pergunta, sobrancelhas levantadas e meio arqueadas. Como que dizendo “quem teve a coragem...?”
- Ah, não é prédio, é casa. – diz a mamãe.
Os olhos ficaram maiores ainda. A arquiteta fica muda. Parece nunca ter ouvido nada mais incrível na vida. Uma casa! Quem diria que elas ainda existiam? E duas irmãs dividindo um quarto! Acho que na cabeça dela tínhamos galinhas no quintal e uma horta. E uma vaca, e mais uns dez irmãos para justificar dormirmos juntas. Deve ter imaginado nossas lamparinas acesas e a tina onde tomávamos banho, e aposto que só não pediu para bater foto porque teve medo que nós achássemos que o flash ia roubar nossa alma.
Rabiscado por
Marina
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12:02
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Temática(s): Colecionando Causos
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Light, por favor!
- Light, por favor.
E todos os telespectadores caiam na risada. Ou quase todos. Eu não. Talvez simplesmente por eu ser uma gorda que termina pedindo suco com adoçante, acho que o pedido faz sentido. Para se ela não deveria comer tudo aquilo, deveria menos ainda beber o refrigerante também, não acham? Ruim com o refrigerante light, pior com o tradicional (estou aqui falando apenas nas calorias e não entrando na discussão sobre se adoçante dá câncer ou coisas do gênero). O mesmo se aplica a comer depois de fazer exercícios. Certo, eu concordo que o ideal seria ficar no saudável é leve, mas se é para comer gorduroso e cheio de açúcar, melhor que seja fazendo exercício do que só deitado na frente da tv.
Alguém pode ler este texto e achar que se trata apenas da explicação do porque eu sou gorda, mas não é. É uma explicação do porque eu não sou mais gorda ainda e também uma versão saúde da fábula do passarinho – aquele que tentou apagar o incêndio da floresta com uma tigela furada. Talvez você ache o passarinho ridículo, e eu até lhe dou razão se você for daqueles com um caminhão de disciplina e determinação. Caso contrário, o fato da floresta estar pegando fogo não é justificativa para jogar gasolina. Pode até ser ridículo, mas por nada deixo de usar a minha tigelinha.
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Marina
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08:17
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terça-feira, 22 de julho de 2008
Cabeça Quebrada
Não se é um só quebra-cabeça a vida toda, mas não se pode simplesmente trocar uma peça. Pode-se arrancá-la à força, mas fica um espaço incompleto; pode-se forçar outra no lugar, mas o encaixe será falso e tanto a nova peça quanto suas redondezas serão deformadas. Mudanças exigem reconstrução de trechos inteiros, mudanças de formato. Mudar exige se desmontar, e há tanto quem se desmonte ou seja desmontado. Ser desmontado dói mais, desmontar-se exige coragem e dá trabalho, e sempre há o risco de se ficar para sempre despedaçado, ou de o resultado final ser pior que o início. As peças se espalham e fica até difícil saber o que é verdadeiramente seu. A reconstrução exige encarar seus encaixes antes escondidos, suas pontas afiadas, rombadas, seus furos. É o único modo de conseguir o controle das peças.
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Marina
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09:11
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Temática(s): Eu sinto muito
domingo, 20 de julho de 2008
Um ano de blog!
12 meses, 96 posts (97 com este), 1048 visitas desde 23 de novembro (que foi quando eu coloquei o contador), uma meia dúzia de comentários.
Este lugarzinho aqui me fez e me faz muito feliz. Eu, que apesar de nem sempre parecer sou tão absurdamente tímida, vejo aqui uma oportunidade de me expor como nunca. E me sinto ótima. Fico tão feliz quando alguém diz que leu algo que escrevi aqui! Escrever é uma das coisas que mais gosto, e poder compartilhar essa paixão com as pessoas é uma delícia. Eu, que nunca tive um quarto só para mim, vejo neste blog meu canto, decorado com minhas idéias e sempre aberto a visitas.
Entrem e sintam-se à vontade, vale até reclamar da comida.Coloquem seus chapeuzinhos coloridos, peguem uma fatia de bolo! Hoje é dia de festa, e eu sou a anfitriã e todos vocês, meus convidados. Só tomem cuidado ao pegar os guardanapos – alguns podem ter riscos que não consegui esperar para fazer...
Rabiscado por
Marina
às
12:14
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Temática(s): Editorial
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Fazer Amor
Cada vez que eu escuto alguém falando a expressão “fazer amor”, tenho vontade de apontar o dedo, levar a outra mão à barriga e me contorcer em uma risada barulhenta – aquela que, de tão escandalosa, é mais vexatória a quem ri do que ao alvo. É uma expressão tão televisa, novelesca ou Sessão da Tarde! Ouço-a na voz do narrador da Globo, o mesmo que diz “da pesada” e “confusões que até Deus duvida!” com aquele hilário tom de quem está falando sério. Gente de verdade não diz “da pesada” ou “confusões que até Deus duvida!”. Mas não é que eu já escutei dizendo “fazer amor”!?
Como bom eufemismo, a expressão esconde seu significado pecaminoso. O que no caso quer dizer que carece de erotismo. Só que apesar de conter a palavra “amor” ela também carece de romantismo. Porque é uma expressão tão contida! Romantismo exige exagero, o do tipo verdadeiro de quem morreria, largaria tudo, derrotaria o mundo. Daí... “Fazer amor”? O amor já está pronto!
Quem fala “fazer amor” não transa, quem fala “fazer amor” não ama, quem fala “fazer amor” fica em casa assistindo televisão.
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Marina
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09:17
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segunda-feira, 30 de junho de 2008
Teoria da Conspiração
A culpa não é do mundo. É do nosso mundo, um dos muitos que existem. Na gente.
É real, eu garanto. É verdade, a sua. Também.
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Marina
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13:00
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Temática(s): Eu sinto muito
Adeus
No final, a gente sempre descobre que não gosta de despedidas.
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Marina
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12:58
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Temática(s): Curtos
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Floresta
Desistir é tão mais fácil que acaricia
Persistir exige espada e luta
O buraco se abre no chão
Você pula?
A vida é sua; a espada, dos seus pais
E em algum lugar há borboletas cafonamente cor de sonho
E ninguém perde tempo com lenços no chão
Não são meu problema suas borboletas
Elas me são invisíveis
Não sei dar nem receber conselhos
Também estou abismada
(palavra engraçada! Aqui, perto do abismo)
Sou só outra caçadora de borboletas imaginárias
Com lenços demais
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Marina
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16:13
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Temática(s): Crescer e alguns outros versos
terça-feira, 24 de junho de 2008
Barbie Girl
Eu brinquei de Barbie até ter quase 13 anos, na época em que outras meninas já estavam com namorados de verdade; e não me arrependo. Acho que elas, junto com as lembranças das minhas esfoladas de joelho, são a prova cabal de que não fui uma criança de apartamento. O que apesar de tudo não contribuiu muito com minha coordenação motora ou protocepção, mas foi tremendamente divertido. E talvez pudesse ser pior. Talvez, se meus joelhos tivessem ficado inteiros antes dos 13 anos, eu fosse ainda mais descoordenada, sei lá.
Não acho que a loira tenha me deixado com alguma espécie de complexo corporal. Antes de saber da proposta certinha da Suzy, com seu corpo mais realista e parecido com o que eu virei após a puberdade, eu nunca tinha parado para pensar se alguém teria mesmo aquela cintura ou aqueles peitos. A Barbie era minha boneca, mas nunca me preocupei por não ser loira. Embora, pensando bem, eu achasse linda e gostasse de ser a Tereza, que é a amiga morena.
Até hoje eu sempre passo na seção de brinquedos, só para ver as novas roupas, cabelos, acessórios. Dá até vontade de colecionar, mas não ia ter graça. Boneca tem que ser despida, tem que tomar banho de piscina, ter o cabelo cortado. Se não, não tem graça. Boneca tem que ser item de criança, e criança tem que ter áurea de destruição. Com limites, claro; mas ainda com áurea de destruição. Quebrar coisas e se quebrar faz parte.
Outro dia a vendedora me perguntou se eu queria ajuda. Eu corei:
-Ah não, obrigada... Só estava escolhendo um presente...
Mentira, óbvio. Mas como uma mulher de 20 anos vai explicar que está namorando bonecas?
Sobrou para este blog, claro.
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Marina
às
18:22
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Temática(s): Colecionando Causos
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Meio-Tempo
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Marina
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08:14
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quinta-feira, 19 de junho de 2008
Receita
Tudo na vida demanda:
Aquela porção de encanto;
Alguns graus de inclinação;
Dois ou três dedos de pranto;
A força de um empurrão.
Dedicação sempre a gosto
(mas, para evitar desgosto,
capriche e ponha com gosto).
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Marina
às
16:32
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Temática(s): Crescer e alguns outros versos
domingo, 15 de junho de 2008
Junho
E agora dei por mim querendo fazer um poema para junho. Seria um poema cafona, com sardinhas de lápis de olho e gosto de criança. Reparem que eu disse criança, e não infância. Falar em infância é coisa de adulto.
E, veja só, eu também não sou adepta a esses saudosismos infantis! Acho que a gente cresce, e é muito bom. Lembrar é gostoso, mas só. E agora eu queria muito brincar de corrida de saco, e estourar meu joelho no quintal da minha avó.
A culpa é da quadrilha, que me faz pegar minhas saias imaginárias e levantar meu chapéu de palha de sonho pelo meio da casa. E comer bolo de macaxeira, este de verdade verdadeira.
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Marina
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22:41
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Temática(s): Eu sinto muito
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Sentimentos
Trecho de um diário antigo:
Quanto mais eu tento, menos eu consigo explicar ou definir sentimentos. No final, acho que cada um deve chamá-los como quiser e sentí-los como puder.
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Marina
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12:53
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Temática(s): Eu sinto muito
terça-feira, 10 de junho de 2008
Confissão
Era meramente uma de nós,
livre como um passarinho em uma gaiola do tamanho dos seus sonhos.
Até o dia em que seu corpo, máquina humana, fraquejou
e ela se viu encarcerada em uma prisão macia e impecavelmente branca.
Na primeira semana, chorou;
na segunda, resignou-se;
e na terceira, pediu-me ajuda.
Não sabia como, mas a ensinei a voar.
Sinto saudades, mas não remorso.
Minhas grades valem aquele último sorriso.
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Marina
às
20:19
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Temática(s): Crescer e alguns outros versos
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Carta ao Porvir
Digo-te de antemão
(não falo por crueldade)
que busques a perfeição
só não a creias verdade
Não que a vida seja como
os ingênuos fazem crer
pois felicidade é pomo
farto e fácil de colher
É apenas a mania
que se tem de ter razão
tola ingênua fobia
de ser simples e de ser são!
Verdade. simples é a vida
como aos outros animais
morte de rã não é lida
em manchetes de jornais
Nós apenas a tingimos
cinza, azul, rosa ou carmim
e depois cantamos hinos
a nossos fardos sem fim
Oh meu bem, não leve a sério
quem tão sério finge ser
ria, diga um impropério
faça o que quiser fazer
Creia no que achar crível
quem sou eu a dizer não?
Mas sempre faça o cabível
por seu arroz com feijão
Vá e escolha seu caminho
(sim, sei, tem olhos vendados;
todos temos, meu docinho
sonhe tateando os lados)
Então busque a perfeição
tua impossível meta
jamais a terás na mão
mas planeje, aponte a seta!
Então pegue seu pincel
e planeje sua cor
decida qual o seu céu
todo seu, prazer e dor
E como sonharás alto
e como a vida é bela
tu verás num sobressalto
qual incrível é tua tela
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Marina
às
14:25
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Temática(s): Crescer e alguns outros versos
segunda-feira, 5 de maio de 2008
O armário do Fenômeno
Eu sou meio lerda, então alguém poderia fazer a fineza de me explicar porque a fofoca virou escândalo? Ele diz que não e não é da minha conta; mas hã... suponhamos, para seguir minha linha de raciocínio, que o programa tenha de fato acontecido. Que ele tenha transado com um, dois, três, ou sei lá quantos, travestis. Significa que ele não é heterossexual. Ok, aí eu entendo a fofoca: era algo que não se sabia. Tá, mas daí eu não entendo o escândalo: o Ronaldo não é heterossexual. E...?
Na tentativa de entender as manchetes, comecei a ler as notícias. Aí fiquei sabendo que a acusação envolve também o consumo de cocaína. Ok, deixa eu ver se eu entendi: um atleta podre de rico e famoso é acusado de consumir cocaína, e isso vira um detalhe da notícia? A opção sexual dele é mais chocante do que o consumo de drogas? “Ah, tudo bem cheirar uma carreirinha; é o que as pessoas ricas fazem. Pagar por sexo, também. Mas sexo com homem? Ah, não pode. Isso é errado, destrói a imagem.” Heim?
A função de manchete é vender jornal, então o enfoque é dado no que se acha que as pessoas vão querer ler. Se, no lugar de travesti, estivesse escrito “negra”, haveria acusações de racismo para todos os lados. Mas travesti pode. O problema não é a palavra, é o que é: uma negra é uma negra, um travesti é um travesti. Não é homofobia se escandalizar com o craque e o travesti? E agora o Ronaldo, seja ele hetero, homo ou bi, tem o dever de explicar a sociedade, antes de qualquer outra coisa, que achou que era uma mulher. Que diferença isso faz?
Por que faria diferença?
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Marina
às
08:55
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terça-feira, 29 de abril de 2008
Crescer
(não muito tempo)
o Tempo era
in...
...fi...
...ni...
...to...
!!!!
Havia gargalhadas
risinhos, risos, risadas
xis!
chuá...
cheiro de chuva
O mundo era apenas uma bolha de sabão
flutuando...
Eu poderia ser o quê eu quisesse
Eu assoprava
Mas, mais cedo ou mais tarde
as bolhas estouram em nossas mãos
Minhas mãos.
Então...
o xis virou incógnita
a chuva ficou fria
o chocolate tornou-se caloria
a piscina deixou meus cabelos duros
sonhos compartilhados tornaram-se escondidos desejos obscuros
O tempo tornou-se ínfimo
passou a correr
E eu não consigo correr contra o tempo.
Segundos
separam o primeiro do segundo
separam aquela que eu era
daquela que eu sou
Sou?
Crescer...
Crer.
Crec!
Ser...
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Marina
às
17:45
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Temática(s): Crescer e alguns outros versos
terça-feira, 22 de abril de 2008
Caminhos, Mudanças & Praias
Obs: A melhor parte deste texto é a primeira. A segunda é apenas uma reflexão sobre a minha vida, que nem vem tanto ao caso.
Parte I – O caminho da praia
Pare para pensar: que sentido há em ir à praia, afinal? O caminho é longo e cansativo demais. Estressa, angustia. A estrada é esburacada, a gasolina é cara, o engarrafamento na ida ou na volta é quase garantido. As pernas doem, os banheiros são nojentos, e uma grande fração do feriado é gasto só neste ir-e-vir. Por que a gente sai de casa, afinal?
Eu vou dar uma resposta, mas ela é muito minha. Este texto como um todo é muito meu, na verdade. Mas eu deixo vocês o pegarem emprestado, se quiserem. Para interpretarem a comparação a seu modo e responderem as questões do seu jeito. Eu vou à praia pela calma. Pelo prazer de andar na areia e depois me jogar no mar, pela cheiro salino e pelo sol, delicioso apesar do estrago que faz na minha pele. Pelo modo como o céu fica de noite, inimaginável para quem nunca viu. As pessoas não imaginam que lá em cima há tantas estrelas, e que a lua cheia é capaz de clarear a noite. Vou também pelo vento e, principalmente, pelo silêncio. Um dia de silêncio praiano me cura meses de barulho de cidade. Eu nasci para morar perto do mar.
E o que isso tem a ver com mudanças? Tudo, ora! Porque tudo na vida deveria ser encarado como ir à praia: é preciso se descobrir o motivo que nos faz encarar as situações ruins. Por que se não descobrirmos nenhum... Então, obviamente não há sentido. E, se não há sentido, por que prosseguir? Parece um raciocínio óbvio, e é mesmo. Mas o fato de sê-lo não impede de ser também revolucionário. Pode ser tão difícil abandonar uma rotina, mesmo ela trazendo incômodos mil!
*Este é o fim oficial do texto*
Parte II – Ela disse adeus
Sei que já estou bem grandinha, e que não devo explicações a quase ninguém. Ainda assim... ainda assim, quero falar.
Quero falar que não foi uma decisão súbita, como pode parecer. Ela vem me acompanhando desde o início do curso como uma possibilidade, e há quase seis meses como algo perfeitamente plausível. E o problemas não é apenas o caminho. Não se faz (ou ao menos não se deveria fazer) curso universitário pelo curso em si. Faz-se pela profissão vindoura. Ela é a praia. Demorei para me dar conta que estava indo rumo à praia errada. E quando eu digo “praia errada”, quero dizer praia errada para mim, mas certa para muita gente. Ainda estimulo, e muito. O mundo precisa de biólogos.
Quero agradecer por tudo. A biologia me ensinou tanta coisa! Sobre o mundo, e sobre mim. Sem falar nas pessoas maravilhosas que me permitiu conhecer. A questão é que ela é uma ciência de descoberta, e nisso eu sempre me senti meio deslocada. Eu gosto de resolver, criar, projetar. E de números. Nossa, que saudade eu tenho dos números!
Só perde tempo quem não sabe encarar a vida como um grande aprendizado. E é algo para que eu sempre me esforço. E eu não estava nos quarenta e cinco minutos do segundo tempo. O segundo tempo mal tinha começado. E esse era só meu primeiro jogo. Não duvido que trocar de camisa agora é o melhor a se fazer. Para mim.
Agora sim, vou achar minha praia.
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Marina
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00:25
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Temática(s): Sobre a Ciência e a Academia
terça-feira, 15 de abril de 2008
No way
Há dias em que não há setas
e me faltam os clichês.
Pétalas. São apenas pétalas.
Lágrimas? Duas ou três...
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Marina
às
20:11
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Temática(s): Crescer e alguns outros versos
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Pela força das palavras
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Marina
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22:06
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terça-feira, 8 de abril de 2008
Colecionando causos: As placas da UFPA
As primeiras que chamam a atenção são os anúncios dos forrós, que geralmente se chamam “FODE alguma coisa”. “FODE” é um termo derivado de “forró de”, obviamente. A piada perde a graça logo na semana seguinte, quando muda a placa e ela permanece; entretanto, devo dizer que a dos futuros advogados ficou bastante boa, mesmo sendo batida: “Fo De Direito”. Por outro lado, o pessoal de comunicação, quem diria, não foi muito feliz ao colocar um asterisco indicando “piada interna” no seu título.
Outra categoria é a de placas com erros de português. Havia, por exemplo, uma que dizia “Aluga-se casa imobiliada”; já frente de uma cabine de um banheiro feminino lê-se “Descarga com defeito, por favor, não user”. Mesclada coma categoria erros de português vem a de placas comentadas, nas quais algum engraçadinho adicionou, de caneta, sua opinião sobre o assunto. Assim, na casa imobiliada havia uma seta perguntando “não seria mobiliada?”, e o “r” de “user” estava riscado. Em uma placa que uma estudante dizia que se procurava companheira de quarto, alguém riscou “não vá!!!”; já em anúncios de pacotes de congresso frequentemente se lê “tá caro” e “concordo”. Já em um que teve o preço baixado, foi riscado pela própria organização do pacote a parte que dizia “hospedagem em hotel 3 estrelas” e escrito “albergue”. Outro alguém pregou uma placa pedindo a quem tivesse encontrado que devolvesse um celular black safira; e logo surgiu o comentário “se fosse eu, eu devolveria!”. Até hoje não sei se era ou não ironia. Já em uma plaquinha anunciando serviços de tradução de textos em inglês, adicionou-se à caneta: “,chinês, grego, javanês”.
A última categoria, talvez até a mais engraçada, é a de eventos sérios. Nesta, tenho em minha coleção apenas três exemplos: a que creio ser de um grupo evangélico, na qual se lê “Chega de créu, eu quero ir pro céu”; um festival de rock chamado "Rock in Rio Guamá" (para quem não sabe, a UFPA é banhada pelo rio Guamá); e uma de um estudo realizado pelo PET de farmácia, na qual está escrito em letras garrafais: “Exame de Fezes Grátis”.
Não dá para dizer que eu não me divirto na universidade.
PS: As placas, vale ressaltar, são na verdade papeis A4 que em tese não poderiam estar lá sem um ofício (vim descobrir que é necessário um ofício para fazer qualquer coisa quando participei da organização de um evento, mas isso não vem ao caso).
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Marina
às
15:38
0
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Temática(s): Colecionando Causos
terça-feira, 1 de abril de 2008
Normalidade
Não é a vida
a vida é ávida por mais vida
Não é destino
destino é imóvel, inexistente
Será a gente?
A gente vive de fugir de tudo
e ainda finge que é normal
Normal sufoca
Loucura é vida
Fingimos ser sombras do nada
Sequer podemos morrer de desgosto
não temos gosto
Morte é luxo de quem foi
e não fomos
nem mero reflexo do que poderíamos ter sido
Poderíamos?
Somos puro tédio
não há remédio
somos o médio
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Marina
às
14:48
2
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Temática(s): Crescer e alguns outros versos
domingo, 30 de março de 2008
Olá, Drummond!
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Marina
às
23:58
0
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Temática(s): Curtos
terça-feira, 18 de março de 2008
Colha suas flores
Todos os livros já foram escritos
Todas as músicas já foram tocadas
Todos os filmes já foram rodados
Todas as respostas já foram dadas
Todas as mentiras e verdades, pronunciadas
Todas as lágrimas já foram choradas
Todos os risos já foram despejados
Todas as vidas já foram vividas
Toda História já existe
E, ainda assim, há arrepios
Oh, a vida tem fim em si mesma
Colha suas flores
Rabiscado por
Marina
às
20:33
0
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Temática(s): Crescer e alguns outros versos
sábado, 15 de março de 2008
Escondidos atrás dos gigantes
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Marina
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16:23
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Mudando a casa das dezenas
PS: Agora, diante dos meus 20 anos, posso finalmente desmentir o ditado: o tempo não passa rápido dos 15 aos 20.
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Marina
às
16:06
0
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terça-feira, 11 de março de 2008
Conto-de-nada
Era uma vez uma doce e bela princesa
que foi sequestrada por uma cruel bruxa
e ficou esperando o príncipe encantado
na torre, guardada por um dragão alado
Esperou, esperou, esperou
Até o dia em que suas tranças de ouro tornaram-se cabelos
e não se viu mais tão bela ao se olhar no espelho
Enfrentou a bruxa, e ao enfrentá-la
se descobriu não tão doce
Aliás, a bruxa, se bruxa ela fosse
não era má
Era só outra princesa
nem tão bela, nem tão doce
que via nela a bruxa
Eram cara e coroa
Opostas
Complementares
Iguais
E então na hora da fuga
a princesa não temeu rajadas de fogo
não era mais mera peça, era mestra em seu jogo
Rainha no tabuleiro de xadrez
E então do dragão lagartixa se fez
o castelo ficou em ruínas
e sua coroa caiu
Não era mais princesa
Não era mais tão bela
Não era mais tão doce
Não mais viveria para sempre
Não mais seria sempre feliz
Mas ela sorriu
e foi simplesmente
viver
Rabiscado por
Marina
às
20:12
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Temática(s): Crescer e alguns outros versos
domingo, 9 de março de 2008
Colecionando causos: Assaltos
Uma pequena coletânea de historietas tão estranhas quanto em tese verídicas – causos de amigos e amigos de amigos, e...
Porque se a violência urbana é um já habitual mal cotidiano, deve-se ao menos de ter o direito de rir dela.
Quando me contou a história,ela me disse que sua reação foi reflexo impensado. O fato é que virou-se para o homem da mão leve e disse, não em tom de súplica, mas de pedido a vendedor:
- Por favor, devolva meu celular.
E, não se sabe se por surpresa ou constrangimento, ele devolveu.
- Não, cara, somos amigos do Pretinho.
Mais tarde, quando ele e o grupo já tinham saído ilesos e com todos os seus pertences após os assaltantes mudarem de idéia, explicou a tática:
- Toda gangue tem um Pretinho.
- Queria ver se o Pretinho fosse da gangue rival, seu leso!
- Eu não quer esta merda de celular velho! – Disse ele, atirando o aparelho no chão. E foi embora.
- Passa o telefone!
- Peraí, deixa só eu terminar esta ligação...
(Desta vez, a argumentação não funcionou – ele a ameaçou novamente e ela perdeu o celular. Mas ao menos ganhou um causo).
Ele estava indo para a faculdade quando o homem sentou-se a seu lado no ônibus e apontou a arma sem estardalhaço, pedindo-lhe o celular. A ele não restou outra opção além de entregar.
Menos de seis meses depois, na mesma hora e no mesmo ônibus, o mesmo homem sobe e repete a mesma abordagem. Dando origem a um diálogo memorável:
- Pô, cara, tu já me roubaste há menos de seis meses!
- Ah é, né? Achei que já tinhas comprado outro celular...
- Não, ainda não.
- Então tá.
Então o ladrão se levantou, e foi assaltar outrem.
Ela era conhecida pelos amigos por ser ingênua e meiga, e estava passeando mais de 22h pela Praça Batista Campos quando foi abordada com uma arma. Nervosa, desfez-se em lágrimas ao entregar o celular.
- O que tu estavas esperando? - Perguntou o ladrão – Andando por aqui por essa hora! Não sabe que é perigoso, não?
Ligou para a irmã, mas para a sua surpresa foi atendida por uma voz masculina e agressiva:
- Este celular não é mais dela, não! Eu roubei!
Rabiscado por
Marina
às
03:15
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Temática(s): Colecionando Causos
terça-feira, 4 de março de 2008
Cachoeira
Escrevo porque vivo
minha vida é escrever
Escrevidão
Palavras jorram
de dia me despertam
de noite me atormentam
Choro tinta de caneta
rio papela
Rios de papel
Letras-átomos se juntam
em palavras-moléculas
Nascem em mim
Correm em minhas veias
Morrem em meus lábios
a gaguejar
Ou viram água da vida
minha vida e minha morte
Cabe a ti decidir se a queres tomar
em cálices de celulose
Absorve-a
Absorve-me
Absolva-me
Ou condena-me à cruz
Já não mais importa
Antropofagia
Inimigo-amigo
Já tens contigo o melhor e o pior de mim
Rabiscado por
Marina
às
22:58
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Temática(s): Crescer e alguns outros versos
Tirando a poesia do armário
Rabiscado por
Marina
às
22:43
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Temática(s): Crescer e alguns outros versos, Editorial
segunda-feira, 3 de março de 2008
Tomando uma dose de realidade com duas rodelas de limão
Se dependesse de mim, as únicas fossas que teríamos seriam as nasais.
Rabiscado por
Marina
às
21:58
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Temática(s): Curtos
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Um trecho interessante de uma conversa empolgante
Observação: ouvi isso de um professor universitário.
Rabiscado por
Marina
às
18:40
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Temática(s): Diálogos
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Tentando "entrar em contato com meu desejo"
Quanto maior meu medo de jamais me encontrar, mais perdida eu fico.
Rabiscado por
Marina
às
19:15
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Temática(s): Curtos
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
A colecionadora de causos
Os melhores causos são os que flertam com o absurdo – aqueles em que se tem no mínimo uma séria desconfiança que seu interlocutor sofre de excesso de ingenuidade ou imaginação. Quanto mais incomum e inverídico, mais assustador ou divertido.
Guardo minha coleção de causos na minha memória empoeirada. Há lugar melhor? Lá eles podem ser seguidas vezes achados e perdidos, mixados, confundidos... Assim os causos dos outros viram meu causos, as histórias aumentam e mudam, e surgem em versões cada vez mais interessantes. Causos, afinal, são meramente inspirados no que é real.
Rabiscado por
Marina
às
04:30
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Temática(s): Colecionando Causos
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Riscos No Guardanapo Company
“É brilhante. O método Convencimento ou Constrangimento realmente mudou minha vida. Graças a ele, convenci meus amigos!”
- Marina
Rabiscado por
Marina
às
17:15
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
O pato, a velhinha do piano e os malditos acomodados
Foi quarta-feira passada. Eu cheguei para minha aula de piano e lá estava ela: a pessoa que eu quero ser quando eu crescer. Desnecessário descrevê-la; era uma velhinha de clichê - pequena, cabelos brancos, vestido florido e sapatos confortáveis.
- Então minha aula é às 8:30h? – Perguntou ela.
- 9h. – Respondeu minha professora. Que me disse, tão logo a velhinha saiu:
- Ela começou a ter aulas semana passada.
Foi nesse momento que me dei conta que meu ideal tinha passado diante de mim. O que mais se pode desejar dos anos do que virar uma velhinha que começa aulas de piano?
Quero morrer antes de deixar de aprender coisas novas. Uma vida é muito curta para tudo, e ainda assim sempre se insiste em aproveitá-la mal. A eterna desculpa do tempo –o que não se tem e o que já ficou para trás. Minha mãe sempre dizia e acabei por confirmar que tempo é meramente uma questão de prioridades. Não se pode querer tudo ao mesmo tempo, mas se pode arranjar tempo para quase tudo.
Quem quer abraçar o mundo com as pernas deve ter pernas compridas. Que lhes levem onde desejam chegar. Deu para entender? Seu mundo será do tamanho de suas pernas.
O pato anda mal, voa mal e nada mal. E daí? Não se pode ser bom em tudo. Isso é razão para não tentar? Para se acomodar e olhar sempre para frente, quando o mais fascinante da vida está nos lados? Tudo é plural.
A velhinha do piano não dará recitais, mas irá se aprender algo e se divertir. É melhor do que ficar em casa vendo Ana Maria Braga, isso eu posso garantir.
Repitam comigo: QUA QUA!
Rabiscado por
Marina
às
01:36
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domingo, 20 de janeiro de 2008
Exercício de desapego
- Jogar coisas fora é quase tão bom quanto arranjar coisas novas.
Rabiscado por
Marina
às
13:47
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Temática(s): Diálogos
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Vida Gorda
A gordinha da canga realmente acha que a praia toda gira ao redor das suas coxas? Que todos estão se incomodando terrivelmente com sua circunferência? Que alguns quilos a menos iriam lhe trazer toda a felicidade do mundo?
As pessoas se importam menos conosco do que cremos – é um chavão de revista para adolescentes. Mas, veja só, ao se tratar da gordura, as mulheres – dos 10 aos 100 anos – parecem se esquecer disso. É como se crêssemos que uns números a menos na balança fossem revolucionar todos os aspectos de nossas vidas; mas a verdade é que não vão. Com alguns quilos a menos, você compraria roupas menores. Talvez se sentisse mais auto-confiante no início, mas depois... Depois voltaria a ser só você, a mesma você de agora. Só que com alguns quilos a menos.
As celulites, as estrias, os pneus são seus, são meus. E o que vão dizer? E o que isso importa? Quem nunca falou de alguém? E alguém morreu disso? E por que a vida deve girar ao redor disso? E por que a vida deveria mudar com alguns quilos a menos?
Não faço apologia à gordura. A preocupação com o peso é importante pela saúde, mas sempre parece que o importante é a estética. E aí dá tudo errado, com distúrbios alimentares e dietas malucas prometendo 10 quilos em duas semanas. Corte uma perna!
Ok, sempre fui gorda, e como toda gorda não gosto disso. Claro que eu queria acordar num belo dia e, ops, estou atlética. Mas como isso não vai acontecer, fui obrigada a aprender a viver com isso. E foi aí que me dei conta que posso ser linda e feminina e ativa com os meus quilos a mais. E que eu sou tão mais que os meus quilos a mais!
Sim, faço dieta. Quero emagrecer. Mas minha vida não vai mudar com alguns quilos a menos, com exceção do número do manequim. Não é como se eu fosse inválida e vivesse chorando num canto. E adoro me exercitar e tenho mais pique que a maioria das magrelas que conheço.
Gordos do mundo, uni-vos! Façamos exercícios, cuidemos da saúde, e saibamos que emagrecer está ao alcance da nossa vontade.
É doentio encarar o emagrecimento como principal objetivo de vida.
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Marina
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sábado, 5 de janeiro de 2008
Violência Urbana
Rabiscado por
Marina
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22:21
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Temática(s): Diálogos