Aquilo que a gente conta pras pessoas que não conhecem as pessoas envolvidas na história.
(O risco: em pequenas comunidades, todo mundo mais ou menos se conhece. E, antes que se perceba, algum novo amigo está te contando num bar um caso de um amigo de amigo que quem protagonizou foi você)
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Definição de segredo:
Rabiscado por
Marina
às
17:48
1 risco(s) alheio(s)
Temática(s): Colecionando Causos
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
Encanto
(Para Nat)
O apartamento antigo foi o primeiro canto
de quem sai de sua terra fazer barulho na terra alheia
a terra alheia entremeia.
Ela floreceu na terra alheia.
Havia uma árvore na janela há um quarteirão da Avenida Paulista e da Augusta.
não é todo mundo que tem árvore em apartamento de um quarto.
1/4 de século, um quarto de sonho.
A terra não era mais alheia, era dela
assim como as flores e os frutos dos sonhos,
mas não o apartamento.
O proprietário pediu a casa,
morreu a árvore do vizinho,
pequenos ciclos se fecham,
abrem-se novos caminhos.
Aproveite o caminho.
Na árvore da janela, mora um passarinho.
Ela logo irá para outro ninho,
outro voo,
outro canto,
outro encanto.
Rabiscado por
Marina
às
14:34
0
risco(s) alheio(s)
Temática(s): Crescer e alguns outros versos
domingo, 23 de agosto de 2015
Tudo mais que eu trouxe da Bahia
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Na primeira noite, exausta da noite anterior quase virada arrumando mala e da caminhada, eu me perguntei se ainda tinha idade pra dormir em colchonete que mais parecia edredom enquanto a molecada gritava.
Na segunda noite, eu turbinei minha simpatia com álcool (eu sóbria sou legal, mas eu depois de duas latinha de cerveja sou a pessoa mais sociável do mundo) e conversei com o alojamento inteiro; a ponto de no dia seguinte as pessoas me cumprimentarem e eu ter dificuldade de lembrar com exatidão nomes e instituições. Fui uma das últimas a dormir e desabei feito pedra, achando o edredom cama box king size. É claro que ainda tenho idade pra alojamento!
Tanto tenho que na terceira e na quarta noites, um moço com colar de peixe-boi juntou seu colchonete emprestado no meu e dormimos abraçados, suados e ponderando a necessidade de tapa-ouvidos e a ideia de correr sem roupa no temporal.
Na última noite, de novo sozinha, passando mal de tudo depois de um bobó ("Justo hoje que não bebi!", eu disse; e me fizeram ver que não é porque eu não tinha bebido em um dia específico que todo o álcool dos dias anteriores não tinha feitao efeito de me enfraquecer para a intoxicação alimentar), estendi meu edredom no chão do aeroporto, abracei minha mochila e dormi lá, como se fizesse aquilo todos os dias da vida.
Isso explica porque domingo passado para mim não existiu - cheguei em casa 11h e dormi até às 18h; daí fiz supermercado, comi, fiquei à toa e 22h dormi de novo.
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Era muita gente boa reunida.
Conversei com tanta gente com tanta ideia. Anotei tanta coisa no meu caderninho.
E finalmente entendi que o melhor da universidade é o que a gente compartilha dela. Finalmente entendi meu descontentamento com o encastelamento da minha pesquisa e minha paixão pelo cursinho popular onde dou aula. Continuo na luta pela democratização da universidade. Ensino ainda é meu pé favorito do tripé universitário. Mas, mesmo fazendo parte dela há quase três anos, eu nunca tinha olhado direito para a extensão. Eu ainda achava que a salvação estava na pesquisa. Que a gente ia conseguir tornar a ciência acessível e fazer bom uso dela. Bom, esse ainda é um desejo. Mas quem suja a mão não é a pesquisa, quem suja a mão é a extensão. E ninguém muda o mundo de mão limpa, teorizando cenários. Como pós-graduanda, faço ciência. Mas do que eu gosto mesmo é de dar aula no projeto de extensão.
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As mesas foram muito legais.
Eu, engenheira, acostumada a contar nos dedos mulheres e negrxs nos eventos que participo (e conto de verdade; isso não é uma figura de linguagem, infelizmente), achei lindo só de ver que não tinha só homem branco falando lá na frente. Achei lindo ouvir vozes que não costumam ser ouvidas, achei lindo ouvir exemplo de como o conhecimento é repleto de ideologia, como não existe neutralidade, como há um embranquecimento de quem produz o saber. Achei lindo ver alguém gritando ao fundo de um auditório lotado com umas 300 pessoas, quando o palestrante perguntou como se bancaria a educação se não fossem os royalties do petróleo:
- Tira o lucro dos banqueiros!
Fico devendo links e referências aqui no blog. Mas deixo relatada a sensação.
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Claro que teve as coisas ruins também.
Na minha pele, relato o machismo. Primeiro na cantada de rua ouvida no instante em que fiquei sozinha na Bahia - eu estava andando com um moço, e numa esquina que nos separamos, a falta do rapaz ao meu lado foi suficiente para que o cara se achasse no direito de avaliar minhas pernas. Depois no homem que conhecemos num bar e que começou a me tocar demais, falando que eu era linda; e que me fez voltar pro alojamento mais cedo, incomodada, pensando "estou sozinha num lugar estranho, melhor voltar enquanto não é tarde, é perigoso ficar por aí..." O rapaz com quem eu tinha saído ficou no bar até de madrugada, sem medo de ser estuprado.
Houve machismo no próprio alojamento, em músicas inadequadas e discussão descabida; "é só uma música, não sou machista, adoro mulher, tenho até namorada". E na mesa do dia seguinte houve intervenção das meninas, e foi lindo. Mas não impediu de naquela noite eu estar conversando com um amigo e outro rapaz se aproximar de nós e se dirigir a ele:
- Posso chamar ela pra dançar?
Fiquei meio incrédula:
- Cara, você devia perguntar pra mim, não pra ele.
- Desculpa, é que achei que ele fosse seu namorado.
- Mesmo que fosse.
Fui dançar porque gosto de forró. O moço continuou tentando se justificar:
- Desculpa, é que achei que ele tava me olhando feio, não sabia se podia falar com você...
Não me aguentei:
- Cara, você tem que falar comigo, não com ele. Eu só tô dançando com você, naõ vou ficar com você. E eu que decido com quem danço e com quem fico...
E sai do salão, meio chocada. Ainda temos um longo caminho até sermos consideradas pessoas com autonomia. Mas tô na luta.
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No dia que vim embora, amarrei no tornozelo direito uma fitinha roxa de Nosso Senhor do Bonfim e fiz três desejos.
Tá tudo errado, mas não precisa estar.
Voltei com a fé no mundo renovada, e com muita vontade de lutar.
Por mais feminismo - um feminismo inclusivo e revolucionário, e não apenas para nós, moças brancas de classe médias, ganharmos o mesmo que os rapazes e continuarmos a reproduzir outras opressões.
Por mais cooperativas autogestionadas e menos multinacionais.
Por mais educação pública, gratuita e de qualidade.
Por uma engenharia mais bonita, mais justa, mais humana.
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Bônus: mais fotos bonitas que bati no Pelourinho.
E a frase pichada em um muro da UFBA, que não consegui fotografar: "Amanhecendo para não morrer de ontem."
Rabiscado por
Marina
às
16:08
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Temática(s): Foto, Sobre a Ciência e a Academia, Viagem
sexta-feira, 21 de agosto de 2015
Aprendizado
- Se as pessoas não aprendem, o problema é do método, não das pessoas.
Rabiscado por
Marina
às
10:24
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Temática(s): Curtos, Diálogos, Sobre a Ciência e a Academia
terça-feira, 18 de agosto de 2015
Meus vinte e poucos anos
Vamos viver pra sempre. Somos imunes a drogas e a batidas de automóveis.
Queremos tudo pra ontem. Não precisamos de terapia, mas tomamos anti-depressivos.
Não queremos preocupar ninguém, por isso não ligamos. Por isso sumimos.
Trepamos sem amor. Sem compromisso. Preliminar é passar dedo no Tinder.
Queremos mudar o mundo, mas não limpamos o nosso banheiro.
E há tanto tempo, todo o tempo. Podemos tudo. Podemos o mundo.
Menos ver nossos pais ficarem velhos - era gíria deles; chamarem nosso avós de "velhos".
Menos perder a família que de tao longe nem era mais família; eram "aquelas pessoas reaças do watsapp".
Menos ver nossos amigos, tão imortais como nós, morrerem. De droga, de batida de automóvel, de depressão, de tudo isso misturado.
Não temos tanto mundo, não vamos viver pra sempre, e não sabemos mais beijar apaixonadamente.
Quero um abraço.
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Marina
às
13:54
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Temática(s): Eu sinto muito
domingo, 9 de agosto de 2015
"Amor é presença"
- "Amor é presença", me disse alguém uma vez. Fiquei puta. Acredito que haja amor na ausência. Acredito em presença na ausência. O que é ausência, afinal?
(Não sei se é pela minha história de aeroportos; mas achei uma discussão tão pertinente! E que cabia a todo mundo se responder)
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Marina
às
23:43
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Temática(s): Diálogos
Educação
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Marina
às
23:38
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Temática(s): Diálogos
sábado, 8 de agosto de 2015
"A morte é a melhor conselheira"
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Marina
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23:43
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Temática(s): Diálogos
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Sobre muitaquitã e mortes
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Marina
às
14:44
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Temática(s): Colecionando Causos
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Sobre Cotijuba e manas
Rabiscado por
Marina
às
13:19
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