quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sintoma de férias:

Eu subo na balança, vejo o quanto estou GORDA e esse vira o PIOR PROBLEMA da minha vida.

Eu preciso urgentemente de algo para ocupar a cabeça.




(Primeiro foram as provas finais da engenharia, aí veio o Natal e Ano Novo, depois eu fui passa o semestre nos EUA e agora estou de férias... O resultado foram 4kg a mais, um peso que eu não tinha há literalmente mais de uma década; e meu IMC - ah, essa adorável medida arbitrária! - indo do meu tradicional limiar do saudável a quase 26. E cá estou eu, novamente tentando descobrir com quantas saladinhas se faz uma DIETA)

terça-feira, 21 de junho de 2011

Se algum dia eu fosse criar uma igreja, uma seita, uma ordem filosófica, uma empresa ou um carrinho de vender cachorro quente, toda a ética, as normas e preceitos seriam contidos numa frase: Não prejudique as pessoas conscientemente; e lembre que você é uma pessoa. O resto é apenas consequência.



(Mais um rabisco antigo recém-encontrado)

terça-feira, 14 de junho de 2011

O encontro

Marquei um encontro comigo mesma,
mas não fui.
Fiquei com medo de perder o platonismo da situação
e me dar conta que, afinal
sou
meramente
Eu.




~ Poema adolescente achado em meio a anotações antigas (estou em época de revirar velharias; o que sempre traz boas surpresas e muito cansaço); acho que nunca o postei aqui...

domingo, 12 de junho de 2011

Sobre absorventes e sacolas plásticas

E lá estava eu, em um dos programas mais mulherzinha do mundo: batendo perna no shopping com a minha irmã. E aí que eu tinha que comprar um pacote de absorventes, e fiz uma pausa na farmácia do shopping para fazer isso. Na fila, eu percebi que tinha esquecido de levar minha sacola renovável. Droga. Mas... paciência; eu precisava comprar aquele pacote, e embora eu não seja entusiasta de sacolas plásticas, eu as uso quando esqueço a minha e a compra não cabe na minha bolsa (como era o caso). 
Cheguei ao caixa, entreguei os absorventes à vendedora, que os ensacou e então pegou meu dinheiro. Aí ela me deu o troco e... Colocou minha sacola plástica dentro de outra sacola plástica!
- Não precisa, é bem levinho. - Disse eu na minha ingenuidade, achando que por algum motivo bizarro aquela vendedora tinha achado o enorme pacote com 32 absorventes pesado e por isso precisava de duas sacolas para ser transportado.
- Ah não, eu estava escondendo ele... - Ela me disse.
ElA, adultA; vendendo absorventes para mim, adultA; em um ambiente predominantemente feminino que é um shopping.
- Não precisa, obrigada. 
Ela me olhou surpresa e tirou a sacola de dentro da outra, e me deu apenas a sacola de dentro com meus absorventes. E quem saiu surpresa fui eu, que olhei para minha irmã, também surpresa, que disse:
- Nossa, vai ver elas são treinadas para isso, né? Esconder coisas tipo absorventes e tals...
- Mas gente, eu sou mulher! A maioria das pessoas aqui é mulher também! E, como metade da população mundial, a gente sangra uma vez por mês, é normal...
Minha irmã caiu na risada. E eu vi que vergonha de mestruação não é mesmo paranóia feminista (eu mesma me descupei no meu primeiro post sobre absorventes; e femininstas não costumam ter nada de paranóicas). Eu até entendo o desconforto de se ficar falando sobre fluidos corporais de um modo geral, porque não é habitual; mas daí a eu ter que esconder o meu pacote de absorventes, e ainda por cima produzir mais lixo por isso? Juro que quase saí segurando ele na mão depois disso (desisti da ideia porque seria extremamente não prático; e do jeito que eu sou distraída ia acabar o esquecendo).
Eu heim!

PS: Eu já linkei este texto no meu facebook (não sei se alguém clicou), mas ele é bem interessante para colocar as coisas sob perspectiva... Para pensar em menstruação como construção cultural.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Receita: fondue universitário

Ingredientes:
(Os ingredientes nos quais não consta a quantidade devem ser dosados de acordo com o número, vontade e bolso dos participantes do fondue)
- 3 latas de bebibas a escolha
- 1 copo de nutella (vazio)
- 8 velas que a sua mãe comprou há três anos atrás "para caso falte luz" e você nunca usou
- Fio dental
- 1 panela pequena (que era do cara que morava com você, foi embora e esqueceu. O detalhe é que a casa atual de vocês não tem fogão)
- 1 dente de alho
- Fondue de queijo (aquele que compra na caixinha, pra derreter na panela. Compre um decente, nisso vale gastar seus dinheiros)
- Fondue de chocolate (mesma coisa)
- Pão italiano
- Morangos
- Uvas
- Maças
- Limões
- Vodka
- Cachaça
- Açucar (É importante lembrar que casas de universitários são diferentes de casas de seres humanos normais. Em uma casa universitária, não há nada de inesperado em não haver coisas do tipo sal, açucar, fogão ou sala. Por isso, lembre-se de comprar o açucar, ou você terá de voltar ao mercado)
- Licor de cereja
- Sukita (Porque é mais barato que fanta)
- Um jogo de cartas
- Um colchão inflável

Modo de Preparo

No dia anterior:
- Beba o conteúdo das latas. Reserve as latas.

Na noite do fondue:
- Corte as velas na metade.
- Amarre quatro metades de vela com fio dental. Derreta a base das velas para fixá-las dentro do copo de nutella.
- Posicione as garrafas de modo a formar uma base triangular. O copo de nutella deve caber no espaço entre as latas. A panela deve se apoiar sobre as latas.
- Corte o pão em cubos.
- Passe o dente de alho na panela
- Coloque o foundue de queijo (a não ser que você goste de chocolate com alho. Aí você pode colocar o de chocolate) na panela.
- Acenda as velas dentro do copo de Nutella. (Não estranhe quando começar a sentir cheiro de menta; é do fio dental queimando). Quando as velas estiverem acabando, coloque outras quatro velas em cima. É bom porque mais cera derretida vai melhorando a fixação. Ao fim da noite, se você fizer tudo direitinho, seu copo de Nutella será transformado em uma vela.
- Mexa o fondue dentro da panela sobre as velas até ele estar quente e bom pra comer (Dica de otimização: coloque algo pesado dentro das latas, tipo pedrinhas ou areia, para poder apoiar a panela sobre as latas enquanto mexe o fondue). Quando o fondue atingir a temperatura e densidade desejadas, abaixe o fogo apagando uma das velas.
- COMAAAAA!!
- Após o término do fondue de queijo, apague as velas.
- Corte as frutas (exceto os limões. A não ser que você goste de comer limões. Mas aí você vai ter que comprar mais limões) em cubos.
- Lave a panela.
- Coloque o fondue de chocolate na panela. Coloque um pouco de licor de cereja também.
- Repita o procedimento de acender as velas e derreter o fondue.
- COMAAAAA!!!



~ Os limões, menos de um quarto da vodka e da cachaça, e açucar são para fazer caipirinhas antes. E a sukita e o restante das garrafas de vodka e cachaça são para fazer porradinhas depois.

Porradinha: sub. fem. Bebida feita misturando um dedo de vodka ou cachaça com um dedo de sukita em um copo de vidro. O nome da bebida se deve à finalização da mesma, feita batendo na perna o copo totalmente tampado com a mão, gritando "porradinhaaaaa!!!".
Nota da blogueira: É importante tampar o copo todo, porque o impacto faz a bebida espumar e sair voando para o rosto dos seus amigos, chão da casa e mesa caso haja espaço para tal.
E o barman da vez costuma ficar com a perna roxa.

~ O jogo de cartas é para diversão inocente antes do fondue e depois para dar desculpa para os shots.

~ O colchão inflável é para exatamente 22h, quando ninguém tiver bebendo nada ainda e a vizinha chata ligar perguntanto se vocês - que estão em seis, conversando sem música - já ouviram falar da Lei do Silêncio. Neste momento, vocês transferem a mesa para a sala e levantam o colchão inflável, que passa a ser usado de porta da sala e isolamento acústico.

sábado, 4 de junho de 2011

Dos cílios

- Faz um pedido. - Eu disse, segurando o cílio no meu indicador. Havia explicado para ele ontem as regras do jogo (quando eu expliquei que quem ficava com o cílio no dedo o guardava na camisa, ele me gozou perguntando se tinha que guardar para sempre).
Hoje ele ainda olhou meio desconfiado.- Faz como?
- Coloca o dedo aqui.
- Esse dedo? - Colocou seu indicador sob o meu.
- É, pode ser. Agora faz um pedido. Não me diz qual.
- Pera um pouco. Mais. Hm...
Enquanto ele pensava, eu fiz o meu desejo e esperei.
- Tá, já sei.
Separamos os dedos.
- Ficou com você?
- Não. Não ficou com você?
- Não.
- Então nenhum dos pedidos vai se realizar. - Expliquei. - Quer dizer, não agora; podem se realizar depois...
(Eu já tive uma discussão super filosófica com um amigo sobre desejos e cílios - então, se você não ficar com o cílio, o desejo não se realiza nunca? E você arriscaria desejá-lo?)
- Bom, não o meu.
- Não? Por que não?
- Eu tinha desejado ficar com o cílio.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Cócegas no soldado

Sinto-me pena
não leve, nem coitada
apenas desajeitadamente emplumada
dançando sob o nariz do soldado

Ele lindo, vestido de prata
e com o chapeu de uma rainha de virtudes que nem mesmo existem
neste mundo

Mas o heroi é bom e se cobra o mundo

Eu não fui criada para o mundo
Mas quero
ser capaz de limpar seus sapatos
sou dele cria

E nisso o soldado me inspira

não parece sério
Tem o sorriso de quem acha o mundo simples
e o estômago machucado de quem não sabe gritar

Meu bom herói
Adulto desde criança

Eu o chamei para dançar
(ou ele me chamou? Não sei)
mas de certa forma encaixamos
nossas pernas e braços e quadris

e encaixamos tão bem encaixado!
ele soldado, eu pluma
ele pedra, eu espuma

Uma pedra que quer voar

muito fácil ser mocinha,
mas quem salva o herói?

o soldado é bem mais que um soldado
não precisa estar soldado

não precisa segurar o mundo que serpenteia

e agora o que eu quero é lhe fazer cócegas
para arrancar mais um riso sincero e incomodado
(daqueles que fazem chorar, porque chorar é preciso
especialmente para quem tem riso leve e estômago machucado)
para tirá-lo do sentido
sem sentido

Tirar-lhe os sentidos