quinta-feira, 28 de julho de 2011

Aniversário

Meus pais dizem que, quando não se divorciaram na época do meu primeiro aniversário, deram-se conta que o casamento ia durar. Meu pai conta que havia toneladas de doces que demoraram semanas para ficarem prontos e exigirem o trabalho de oito ou dez mãos familiares; e que duas tias minhas que tinham vindo de outra cidade para a festa voltaram com o porta-malas do carro cheio de brigadeiros. Conta também que arrumou mesa com restos para lanches do departamento na faculdade por um tempo que aumenta a cada vez que ele conta a história (desconfio que, do jeito que a coisa vai, até hoje ele ainda serve bandejas de beijinhos e casadinhos daquela festa quando viaja ao Rio de Janeiro).
Mamãe diz que é exagero dele, é claro; mas conta que foi um estresse absurdo e que aquilo a deixou louca. E sorri lembrando do bando de adultos, amigos deles, com chapeuzinhos na cabeça.
Eu obviamente não lembro de nada disso. Festa de primeiro aniversário é para todo mundo, menos para o fofo aniversariante.
***

Lembro de muitas festas grandes quando criança,e de ajudar e comer docinhos de véspera no quintal da minha avó. De encher balão no sopro, ajudar na decoração e encher saquinhos com brindes. Da ansiedade pelo balão enorme entupido de doces. Não lembro qual o primeiro aniversário que não festejei. Mas sei que já há dois anos que apenas saio com a família. Eu nasci em março e honestamente ando angustiada achando que estou velha para a vida universitária que levo; mas estou com vontade de festa de aniversário.
***

E tudo isso para pedir desculpas ao Riscos porque pela primeira vez eu não fiz um post de aniversário. Quatro anos de blog (completos dias 20/7), e estou ficando relapsa! Desculpas aos queridos dez leitores; final de férias divertidamente ocupado para a blogueira aqui. Mas garanto que tudo rende post. Sempre rende.

E minha vó dizia que não se pode comemorar aniversário antes, mas nunca disse nada sobre depois.

Então...

FELIZ ANIVERSÁRIO ATRASADO, RISCOS \o/

domingo, 10 de julho de 2011

Presente para a namorada

Ele brasileiro, ela argentina. Conheceram-se - veja só! - na Alemanha. E depois que o curso acabou passaram um bom tempo sem se ver; e eis que o reencontro se aproximava. Ele quis levar para ela algo da sua terra; a sua mesmo - porque aos estrangeiros o Brazil é homogeneamente lindo e sujo e perigoso e maravilhoso; mas paraense é um bicho que, mesmo com todo o encantamento pelo sudeste, sempre acha que há coisas maravilhosamente maravilhosas que só se acha na estrelinha mais alta da bandeira nacional. Basta ver a quantidade de caixas de isopor que deixam o aeroporto de Belém...
Ele sabia onde procurar - Belém do Pará, domingo de manhã, Praça da República. Mas não sabia o que queria achar, e por isso chamou duas amigas.
- Ela gosta de coisas artesanais? - Uma delas perguntou.
- Eu acho que sim.
- Ela usa vestido? - A outra continuou, e a partir daí as duas se revezaram no interrogatório.
- ...
- Que tipo de roupa ela veste? Calça, short...?
- Bom, estava frio, e ela estava sempre de casaco e calça porque era mais prático...
- Ok. Ela usa brinco?
- Hã... Eu acho que sim...
- Pulseira?
- Hã...
- Colar?
- Não sei...
- Ela tem peitos grandes?
Ele abriu um sorriso sacana a acenou com a cabeça.
- Homem nunca repara no que a gente usa! - Disse uma, meio desiludida com a vida.
E os três foram olhar as barraquinas de artesanato.
- Quanto custa? - Ele perguntou em uma. E não gostou do preço.
- Você tem que barganhar. - Disse uma das garotas.
- E parar de falar que nem paulista. - Disse a outra.
Rodaram, rodaram. Ele gostou de um brinco, e de uma bolsa.
- R$55 é caro? - Ele perguntou.
- Uhum. - Uma delas acenou.
- Chega propondo RS40 - a outra sugeriu.
Mas ele achou R$40 uma ofensa de tão pouco, e perguntou à artesã:
- Faz por R$42?
E as duas amigas se olharam se perguntando quem, raios, oferecia R$42.
Conseguiu por R$50, embora uma delas ainda achasse que sairia menos se ele não parecesse tão turista - a artesã tinha ficado mostrando as semestes pra ela, como se ela nunca tivesse visto sementes na vida!
E enquanto isso, no shopping, muitos algos que não tinham sido feitos únicos e à mão custava muito, muito mais.
Ele saiu de lá feliz da vida. Eu acho que a menina vai gostar.

sábado, 2 de julho de 2011

Só para registrar:

Duas pessoas vieram parar aqui no Riscos pesquisando no Google panela de fondue com vela.
Gambeta universitária rula!
(E é difundida pelo mundo, oh yeah)

Aniversário de criança

Mais importante que o palhaço e os balões; que os chapeuzinho e os brindes; que os pais e o próprio aniversariante - é A MESA. Uma instituição.
É a primeira coisa que todos olham ao chegarem. Colorida e bela, com um bolo gigante e temático. E os docinhos. Ah, os docinhos! Uvinhas mais verdes que os mais cálidos campos verdejantes; beijinhos brancos como a neve; casadinhos doces e agarrados como festival de comédia romântica e brigadeiros... Oh, brigadeiros! São meus favoritos e ao meu ver os reis de qualquer festa. Os outros doces são belos adornos. Distração para a concorrência.
Antes dos parabéns, a mesa é uma donzela virgem intocada. Mal sabe ela, entretanto, que todos os passantes espiam-na, desejosos. Cada um, das menores crianças aos mais sérios adultos, bola seu estrategema. Pois, quando as luzes se apagam, logo depois do ra-tim-bum e do nome do rebento - ou do futuro noivo dedurado no com quem será; talvez - é a hora do saque.
Há, é claro, a regra não escrita de que as crianças são as privilegiadas. Mas é claro que isso não é verdade. Pobres mães e pais; há que haver uma recompensa por se escutar Xuxa só para baixinhos volume 23453.
É essa recompensa é aquela almejada queijadinha, que está a esquerda da Barbie, entre os pirulitos e as jujubas.
Não a regras na guerra. Ganha quem tem braço mais comprido, ou quem é melhor em puxões de cabelo.
Claro que sempre há o tio ou tia que olha feio. Puro disfarce. Sempre acho que, debaixo daquela carranca, há uma mão cheia de uvinhas. E não se deixe seduzir por aquela criança de olhos grandes! Atrás dela, eu lhe garanto, há um pai com a pior das intenções...
Em cinco minutos tudo o que resta é um campo destruído. E então volta a haver civilidade na festinha.
Hora do mágico?