terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Melhores posts - Ano Um

~ Respeitável público! Este post faz parte da comemoração de aniversário de dez anos do Riscos e apresenta os melhores posts do longínquo primeiro ano desse blog: entre 20 de julho de 2007 e 19 de julho de 2008. Tem duas listas: uma seleção dos melhores melhores (na minha opinião de autora) e outra dos que não são os bam-bam-bam, mas que eu gosto muito também. Ambas estão em ordem cronológica de postagem. Aproveitem :)

(Curiosamente, todos os melhores e a maioria as menções honrosas são poemas.)


Links dos 10 melhores posts do ano:










Links menção honrosa:



O pato, a velhinha do piano e os malditos acomodados (Este texto entrou na lista porque lembro que na época uma tia minha gostou muito; e eu até hoje sou pouco acostumada a receber elogios dos meus textos e fiquei bem feliz)

A Colecionadora de Causos

Tomando uma dose de realidade com duas rodelas de limão

Caminho, Mudanças e Praias (Este texto não tem nada demais, mas gosto dele porque o escrevi quando resolvi mudar de curso na faculdade)



segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Carnaval

Fazia tempo que eu nao me sentia tao bonita quanto com aquela sainha de lantejoulas achado de brechó, há seis anos já minha companheira de fantasias; e o batom azul com cheiro de giz de cera que minha irma disse que me matará de câncer pelo cheiro e pelo tao pouco que custou numa lojinha atulhada de bugigangas perdida no comércio. Guardei o celular e o dinheiro no top, para fugir dos furtos festivos; e tomando uma cerveja pedi pra minha amiga cobrir meus olhos de bolinhas brilhantes. Era sábado de carnaval e ninguém pensava na reportagem que se tornou viral dizendo que purpurina destrói a vida marinha. Eu tinha olhos de assassina de peixinhos e lábios de paciente terminal exploradora de chineses; e seios de privilegiada que há alguns meses pode comprar outro celular imediatamente após ter perdido o seu e que ainda agora tinha dinheiro para as próprias drogas sem furto direto. Mas estava linda. Coloquei a coroa de flores na cabeça e pensei que o cabelinho curto realmente me deixava com cara de fada, e fadas morrem de falta de fé e nao de câncer. 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Pequenas observações sobre minhas primeiras semanas em Florianópolis

1) Floripa é uma ilha. A ilha é grande e espalhada e a cidade parece várias, com trechos de rodovia entre montanhas de mata que não faz sentido estarem dentro de uma capital e bairros que são tão diferentes entre si que não parecem estar tão perto. Algumas partes só parecem cidades normais. As partes que são bonitas são REALMENTE bonitas.
2) O trânsito é ruim como me disseram que seria, mas é melhor pegar engarrafamento olhando o mar.
3) Como não gosto de engarrafamento, estou morando pertíssimo da universidade, numa área que nem parece que é de cidade de praia, no alto de um morro que garante que eu nunca vou voltar dirigindo bêbada pra casa porque sou incapaz de subir aquele morro dirigindo meu carro 1.0 bêbada.
4) O bom de ter morado em Barão Geraldo é que todo apartamento parece enorme. Tenho a vastidão de 35m² só pra mim e estou realizando meu sonho burguês de ter um sofá. Sofá-cama, aliás. Estou aceitando visitas, chequem as economias de vocês e os apps de carona!
5) Floripa não é uma cidade barata, mas depois de São Paulo todos os preços parecem oks. Sim, dá pra viver de bolsa; tem muita família que vive com menos que isso (mas um reajuste pra cobrir as perdas da inflação não seria injusto nem caia mal, heim?)
6) O restaurante universitário da UFSC custa R$1,50 e abre para almoço e janta de domingo a domingo, mas está fechado nas férias. Eu não sei o que os pós graduandos estão comendo. Eu sugeriria botar fogo em tudo. Estou cozinhando em casa.
7) Diferente do que eu era acostumada em Barão Geraldo, aqui as redondezas da universidade são feitas de prédios e não casas. E tem um shopping Iguatemi. E tem bois na frente do Iguatemi.
8) Diferente da Unicamp, que é planejada, a UFSC parece ter sido construída no modo aleatório - olha, um espaço vazio, vou por um prédio aqui.
9) O laboratório onde farei meu trabalho pareceu bem legal.
10) O transporte público funciona se você não tiver pressa. Chegar em praia rica de ônibus é missão de horas, no tradicional projeto elitista de cidade. Mesmo sendo aluna de pós, pagarei meia. A passagem custa R$3,90.
11) Conheci pouca gente pra julgar, mas minha irmã (habitante de Curitiba) veio me visitar e achou que aqui todo mundo é simpático e sorri demais.
12) Tive que fazer um bate-volta em Curitiba para pegar as coisas na casa da minha irmã e fiquei chocada de ver como o clima das duas cidades é diferente. Alguém me disse que pra chegar em Curitiba é só dobrar depois da terceira nuvem, e é bem isso - aqui estava um lindo sol e lá chovia.
13) Está um calor de rachar e estou adorando (exceto na hora de subir a pé meu morro); nunca estive tão bronzeada na vida e a umidade me faz um bem danado.
14) Todo mundo usa roupas muito curtas o tempo todo - pra trabalho, pra sair, pra qualquer coisa - e eu estou amando isso.
15) Minha irmã comentou que aqui os homens tem alergia a camisas.
16) Eu mesma ando com alergia a camisas, sempre só de top nas áreas comuns do condomínio onde estou morando e na praia e redondezas. Fiz top less numa praia de naturalismo.
17) Comprei um chapéu e minha vida mudou.
18) Tem tanto argentino que na praia vende choripan (pão com linguiça, lanche típico argentino), as placas de aluguel tem escrito "alquila-se" e no shopping as placas sobre o estacionamento estão em português e espanhol. Tem  loja que aceita pesos argentinos.
19) Fui abordada no semáforo por um hippie loiro de dread vendendo poesia.
20) Todos os cachorros parecem muito pequenos. Acho que a Vivi será o maior cachorro da ilha. Penso nela em todo lugar que eu vou, "ela vai gostar de passear aqui". Meus pais irão trazê-la pra mim em março, no meu aniversário.
21) As pessoas não são todas atléticas, mas dá pra ver que tem a galera fitness. No fim da tarde de sábado tinha um casal sarado correndo arrastando um carrinho de bebê na orla.
22) Estou botando fé na cidade. Acho que serei feliz.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Bonita

Gostava de tomar banho de mangueira, de descobrir músicas desconhecidas, de acarinhar a gata velha da sua mãe, de planejar conversas que nunca aconteceriam de verdade, de sair com o cabelo molhado quando o dia estava quente, de batatas fritas, de filmes com final mais ou menos feliz - aquele feliz que você não imaginava no começo, sabe? Aquele feliz que parece mais real.
As pessoas estranhamente reparavam muito na parte das batatas fritas.
Dela, diziam que era simpática; e ela, como todos, sabia que simpatia não substitui beleza como salada não substitui fritura.
Dizia que não ligava. Era gente, e não comida.
A gata da sua mãe morreu de velha e foi como perder um ente querido. Depois que alguém morre, a gente aprende que as conversas que acontecem na nossa cabeça precisam ser jogadas no mundo. A gente entende que vai morrer, mas não vai ser disso.
Foi quando enterrou a gata no quintal que se apercebeu que fazia muitos anos que não tomava banho de mangueira, e aquilo era um estranho ritual de passagem.
Jogou as palavras e o corpo no mundo.
Descobriu que a simpatia era uma arma, afinal; mas a pior delas. A simpatia era um tapete vintage descoberto numa casa mofada alugada sem mobília.
Ninguém se importa.
As pessoas ligavam tanto para as batatas fritas que ela comprou a maior porção e comeu tudo sozinha com todo o molho que conseguiu, encarando de volta quem a encarava. Nunca tivera o coração partido por batatas fritas. Naquela época já estava fora de moda sofrer por amor; e foi a única vez que verdadeiramente lamentou não ser modelo. 
Só anos depois descobriu que mesmo as modelos sofrem, porque são todas dotadas de um coração e do medo de serem simpáticas. Naquele dia a gata morta já era saudade como água de mangueira e o primeiro coração partido era uma playlist dolorosa de tão boa. Naquele dia descobriu que não estava sozinha e a empatia mútua poderia ser dita mais bonita que o sorriso, mas essa era uma comparação irrelevante.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017