segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Carnaval

Fazia tempo que eu nao me sentia tao bonita quanto com aquela sainha de lantejoulas achado de brechó, há seis anos já minha companheira de fantasias; e o batom azul com cheiro de giz de cera que minha irma disse que me matará de câncer pelo cheiro e pelo tao pouco que custou numa lojinha atulhada de bugigangas perdida no comércio. Guardei o celular e o dinheiro no top, para fugir dos furtos festivos; e tomando uma cerveja pedi pra minha amiga cobrir meus olhos de bolinhas brilhantes. Era sábado de carnaval e ninguém pensava na reportagem que se tornou viral dizendo que purpurina destrói a vida marinha. Eu tinha olhos de assassina de peixinhos e lábios de paciente terminal exploradora de chineses; e seios de privilegiada que há alguns meses pode comprar outro celular imediatamente após ter perdido o seu e que ainda agora tinha dinheiro para as próprias drogas sem furto direto. Mas estava linda. Coloquei a coroa de flores na cabeça e pensei que o cabelinho curto realmente me deixava com cara de fada, e fadas morrem de falta de fé e nao de câncer. 

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