sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Sobre balada alternativa tocando axé:

- O que, R$10 a long neck? Cês tão doidos??? A gente não precisa de bebida, a festa é open bar de música risada.
(Dançando e cantando "carrinho de mão, bada-bada-baradá")

Ainda sobre a formatura

- Para mim o momento mais épico foi quando você saiu do ambulatório se apoiando em dois bombeiros, e as pessoas apontavam "Olha a Morango!"
- Não me arrependo de nada.
- Só faltava os bombeiros serem bonitos.
- E não eram? Claro que eram, eram lindos! Aliás, eram aqueles dançarinos fortões tipo gogo boys que estavam com a banda. E estavam só de sunga vermelha, chapéu de bombeiro e suspensórios. A falta de memória é minha e eu preencho como eu quiser!

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Formatura 3 - Meu discurso de homenagem aos pais

(Acho que fica mais bonito assim, escrito; do que na minha voz tremida e apressada angustiada porque o palanque era pequeno e minha coluna estava torta e procurando uma posição para deixar o papel sem ser coberto pelo microfone)


Em primeiro lugar, gostaria de dar boa tarde a todos - colegas formandos, mesa, família, amigos. Em nome dos formandos, agradeço por estarem aqui compartilhando mais este momento com a gente. Agradecemos também a todas as pessoas que gostariam de estar aqui hoje, mas que, por algum motivo, não puderam vir. E, principalmente, agradecemos a nossos pais - tanto os pais de quem herdamos os genes quanto aqueles que assumiram esse papel em nossas vidas.

Obrigada.

Agora enfim é verdade; verdade verdadeira - nós somos mesmo engenheiros!

Vazio ainda estará o canudo;
mas o envelope, ah envelope, estará cheio de um tudo!
Um tudo pelo qual nós lutamos um tanto!
E não só nós aqui na frente; mas vocês aí, com cara de encanto;
(um tantinho de olhos em pranto?)
Vocês aí no canto, vocês aí no fundo;
vocês que lutaram para nos dar o melhor e nos deram o mundo.

Agradecemos pelos conselhos valiosos,
pela gana quando faltou grana,
por nos mandarem arrumar a cama;
mesmo que nunca a tenhamos arrumado.
Agradecemos a pela noção de cuidado

Agradecemos por acreditarem em nosso potencial e capacidade
tantas vezes tão mais do que a gente;
ao mesmo tempo que um dia sem ligações os deixava doentes,
fazia vocês acharem que havíamos morrido ou mudado de cidade
e nossa capacidade de operar uma máquina de lavar os deixava descrentes

Ah, mães e pais, por sangue ou por colo!
Sim, crescemos, alçamos voo solo
Mas, pássaros que somos,
só chegamos onde chegamos
porque houve um ninho.
Tão protetor e tão sábio
que nos deu astrolábio
para procurar nossas próprias estrelas,
nosso próprio caminho
sabendo que, se necessário
sempre haveria um beijo nos lábios,
um cantinho, um carinho.

Amamos vocês

Formatura 2

Ninguém teve mais festas de formatura do que eu. Primeiro, um churrasco com a família em Belém. Três semanas depois, a colação festiva em Campinas. No dia seguinte, A Festa. Daí mais seis dias e... colação formal. Nossa, nem eu aguento mais colar grau!
Vou fazer um móbile com meus canudos (o da colação festiva, o da colação formal e o meu favorito - o rolo de papel toalha no qual a minha irmã escreveu "engenheira Maricotinha". Os três estavam vazios, porque o diploma vem num envelope).

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Formatura

Dizem que a formatura é um momento inesquecível. A minha foi imemorável. O que dizer? Eu estava com dois metros de altura - 1,75m meu, 10cm do salto e 15cm do meu topete ruivo enorme que o cabelereiro perguntou se podia fazer menor e as pessoas do salão olhavam escandalizadas de eu ter pago por aquilo; e que eu adorei totalmente. Eu estava me achando o máximo e papai disse que eu fui mal-educada ao dizer "não, obrigada" quando o fotógrafo perguntou se eu queria foto sem óculos. Oi, com licença, eu quero uma foto minha, e eu uso óculos e estou maravilhosa com ele.
As três horas que eu me lembro foram fantásticas, com tanta gente querida por perto, duas bandas ótimas, a valsa, decoração linda. E, depois de uma dose de rum, uma caipirinha, duas doses de uisque e um número de jager que aumenta cada vez que encontro alguém para tentar reconstituir a noite... o resto são as histórias que me contam.
- Não chorei pelo meu ex nem dei em cima de nenhum amigo, dei?
- Não.
- Ah, então tá ótimo!
Quer dizer, mais ou menos:
- Eu só percebi que você estava bêbada quando você caiu de cara e derrubou a mesa e quebrou o vaso.
- Isso foi depois de quase derrubar o espelho, lembra?
- Lembra do carinha desconhecido que você beijou no pub? Depois daquela conversa que a gente teve...
- Seu amigo ficou preocupado, mas foi depois que você foi parar no ambulatório. Agradece ele amanhã.
- Você não parava de rir.
- Eu não sabia que dava para ficar daquele jeito só com álcool.
- Você não conseguia falar nada. Menos nas três vezes nas quais tocou Valeska Popozuda. Aí você ficava "keep calm e deixa de recaaalque..."
- Queriam te levar pro hospital, mas eu não deixei e briguei com a cara da cozinha pra te darem sal quando você começou a ficar gelada.
- Você vomitou muito. Muito. Muito.
Acordei com o final da banda, o paletó do meu pai e o cheiro da dignidade perdida. E voltei ao nascer do sol, como eu queria.
Pretendo fazer de novo? Não. Eu nunca tinha ficado mal sem me dar conta. Mas eu nunca mais vou me formar na vida...
Domingo acordei com bem mais do que apenas olhos de ressaca. Mas muito, muito, muito, muito feliz.

Meu útero é um livro aberto

Eu acho o máximo ser filha de ginecologista e ter um papo tranquilo sobre sexo em casa. Mas às vezes até eu acho meio absurdo.
Os causos recentes:

1

Em junho, ao celular no meu tom de voz super singelo pelas ruas de Campinas:
- Mãe, to voltando da ginecologista nova. Pra ser sincera, não gostei dela, não. Ela esperou eu estar toda aberta em posição ginecológica para me avisar que não faz preventivo pelo plano! E disse que vai ter que fazer outro exame esquisito, porque talvez tenha que cauterizar meu útero. Eu achei isso meio bizarro..
- Filha, você tá pra vir pra Belém, a gente olha isso aqui. Ninguém vai cauterizar nada antes de eu dar uma olhada.

2

Na minha ginecologista de Belém, amiga da minha mãe:
- Marina, seu colo do útero está lindo! Não sei o que a outra profissional viu, não tem nada de errado aqui não. Super epiteliado, saudável, bonito mesmo de se ver. - Daí chamou a minha mãe, que esperava na ante-sala - Quer vir aqui dar uma olhada? O colo dela tá lindo!
E minha mãe foi lá averiguar.

3

No mesmo dia, meu pai chegando em casa:
- E aí filha, quais as novidades?
- Fui na gineco hoje e descobri que sou bonita por dentro. Sou tão linda que até meu colo do útero é lindo.
- Isso é falta de uso, é?

4

Ainda no mesmo dia, naqueles links patrocinados do facebook apareceram uns dois sites de relacionamento.
Facebook, vai cuidar da sua vida, tá bom?

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

20 razões pelas quais Vivi e Zuck sentirão saudades das férias

A primeira vista pode até ter havido estranhamento ou um certo ar blasé


 Mas esta já é a terceira casa para a qual eu levo a Vivi. E ela se sente em casa rápido.


 Daí o Zuck a sentiu em casa também


 Cochilando quando ela vigiava


 (Vigiava ele, inclusive)


 Ou cochilando junto.


 Dividindo colchão e osso.


 Fomos juntos para a praia!


 A Vivi nunca tinha visto nada tão grande.


 Tanto que não resistiu a um bom milanesa, com piscada de olho e língua sapeca.


 O Zuck já estava mais acostumado...


 ...a andar na beira do mar...


 ... ou molhar as patinhas.


 Chamou Vivi para a água


 Ela não se fez de rogada


 e eles correram muito.


 Até lugares inexplorados.


 Ela acabou encharcada.


Depois, um cochilo exausto.


 Mais junto.


Classe médias sofre também no avião

Todos os passageiros haviam embarcado. Atrás de mim nascia uma nova amizade entre um rapaz que queria privatizar a Petrobras, porque os aeroportos privatizados são um bom exemplo de sistema que funciona bem; e uma mulher que acha que nos Estados Unidos tudo é melhor, inclusive a saúde; e que político e tudo corrupto, mas a culpa é mesmo dos petralhas.
O tempo foi passando e nada do avião decolar.
- Atenção senhores passageiros, houve um problema no computador de bordo...
Meia hora. Uma hora. Uma hora e meia.
- Isso é um absurdo! - Disse a mulher. Concordei mentalmente, pensando se deveria acordar os dois passageiros do meu lado para pedir para descer do avião. Um pequeno tumulto começava a se formar. - Brasileiro é tudo acomodado mesmo, não faz nada, aceita tudo... - Ela resmungou, e continuou sentadinha no corredor.

(Bônus - direto do Fb: Não entendo de verdade esses comentários do tipo "brasileiro é desonesto" ou "a população é preguiçosa". Gente, quem é esse brasileiro genérico de quem vocês estão falando? Com esse tom impessoal, ele parece um alienígena que desceu do espaço ao nosso país para bagunçar tudo... O brasileiro é você, sou eu.
Não estou tirando de ninguém o direito (dever?) a autocrítica (apesar desse tipo de comentário nunca parecer autocrítica - não a mim, pelo menos). Só acho que a gente - eu também, óbvio - devia se responsabilizar mais por nossas ações e nosso meio, em vez de culpar entidades etéreas (e antes que digam: políticos estão longe de ser entidades etéreas. Mas nós somos a política; e dizer "todo político é ladrão" ou "sempre voto nulo" e tão efetivo quanto ir para uma ilha deserta e se isolar do mundo). "Ah, mas mudar sozinho não resolve quase nada". É, mas resolve algo; e juntar gente com atitude em vez de reclamação vazia de elevador muda muita coisa. No ideal? Muda tudo.)