sábado, 31 de março de 2012

Diário de Bicicleta

Prólogo

Quando eu aprendi a andar de bicicleta, fiquei tão feliz que pedi para meus pais uma de presente de Natal. O incomum dessa história é que eu tinha 23 anos.
Papai Noel se atrasou no caminho; mas nesta segunda-feira meu presente chegou. Ou melhor: eu fui buscá-lo.
Convidei o Namorado e a Roomie para irem comigo a uma loja de esportes e depois ao shopping, e depois de várias análises de custo e benefício (e muita diversão aleatória vendo artigos esportivos dos mais diversos), comprei uma bike boa, um tanto quanto metida a besta; e uma corrente para prendê-la. E outra só para o banco.
E aí a aventura começou.

1 - Segunda-feira

A primeira parte dela foi transportar a bicicleta. Eu estava de carro; e para mim meu palio 2007 é uma picape - qual é, eu já guardei todas as coisas da minha kitnet dentro dele na minha mudança de 2009/2010. Mas acontece que eu sou meio alta e tenho pernas compridas; então a minha bicicleta é um pouco grande. E bicicletas não são coisas compactas (E não, eu não comprei uma bike dobrável).
Ok. Como faz...?
- Qualquer coisa, eu posso voltar de ônibus - sugeriu o Namorado.
- Você é pequeno. - Respondi. - Quem é grande é a bike.
Baixa o banco de trás e coloca pelo porta-malas. Ops, não cabe. Ajeita melhor. Ainda não. Tira e poe do outro jeito... Puxa pela frente... É, não vai funcionar. Baixa o banco do passageiro e põe nele. Ai, como baixa o banco do passageiro? Assim. Ok... Droga, também não cabe!
Fomos (ou melhor, a Roomie e o Namorado foram. Eu sou totalmente inexperiente em bicicletas e estava tentando ajudar, mas...) tentar tirar a roda. Em tese saia com facilidade, mas na prática... Conseguiram tirar a da frente, mas ainda não cabia de nenhuma posição.
A essa altura, já estávamos há uns bons vinte minutos fazendo estrepulias no estacionamento do shopping, e um guardinha simpático apareceu. Ajudou a tirar a roda de trás e a encaixar a bicicleta. E assim nós três e ela voltamos para casa.
Mas ainda não tinha acabado. Tinhamos que devolver as rodas, e colocar os acessórios. E estava de noite. E minha casa está sendo pintada, então aquela poeira branca estava em todo lugar. E o Namorado é essa pessoa extremamente gentil e cismada, que quando encasqueta com algo não para até terminar. Pega a chave de fenda, carrega a bike...
Gente, obrigada pela ajuda. Mesmo.

2 - Terça-feira

Então terça foi o meu primeiro dia indo de bicicleta para a Unicamp.
E o céu absolutamente ensolarado e escaldantemente quente que vinha sendo constante deu lugar a algumas nuvens de chuva.
- Chuva não combina com bicicleta. - Tinha comentado a Roomie.
Mas depois de toda a novela que foi a compra e a montagem, eu ia ficar muito triste se não usasse meu brinquedo novo.
Ok.
Decidi que ia acordar mais cedo. Falhei. Mas me arrumei correndo e saí antes da hora habitual.
Eu nunca morei tão perto da Unicamp. Tiro andando cinco minutos da minha casa até a portaria; dez até as salas de aula e o bandejão.
Mas eu venho andando em ruas íngremes com asfalto ruim onde passam carros, e minha capacidade ciclística ainda não é tão alta. Eu só tinha pedalado no pouco movimentado gramado da praça do ciclo básico da Unicamp, em frente à biblioteca central; e em Belém, em ruas absolutamente planas e também com pouco fluxo de automóveis. Então o Namorado me recomendou pegar um caminho bem maior, pela ciclovia (da Avenida 2). E foi o que eu fiz.
Medo. Hora de ir pra aula, vários estudantes indo e vindo. Aprendi a pedalar em uma bicicleta meio ruim; a minha é boa e acelera rápido. Rápido demais, me atrapalhei com as marchas.
E o medo de estar sendo ridícula. Descendo da bike para atravessar a rua. Parando bruscamente ao me aproximar de pedestres, em vez de simplesmente contorná-los. Penando em subidas.
Respirei. Eu já estava tendo trabalho demais para me equilibrar, pedalar, não machucar ninguém e não me machucar. Eu não precisava de nervosismo por vergonha. As pessoas estavam ocupadas demais vivendo a vida delas para me julgar. E se me julgassem, problema delas. Eu ainda estou aprendendo. Elas deveriam aprender mais também.
Acabei perdendo uma entradinha (a da biologia, perto do bandejão); e transformei o caminho longo em um maior ainda. Cheguei a FEM (Faculdade de engenharia mecânica) depois da Roomie, que saiu de casa depois de mim. Suada. Mas viva. E sem machucar ninguém.
A chuva prometida caiu durante a minha última aula do dia, de tarde. Um toró, com vento forte e árvores farfalhantes. E eu com dó do primeiro banho de chuva da bicileta.
- É o primeiro de muitos - Minha amiga tranquilizou.
Voltei pedalando para casa debaixo de chuvisco. Fui pelo caminho mais curto, para molhar menos. E não dei conta da subida final.

3 - Quarta-feira

Mais uma vez o dia amanheceu cheio de nuvens, e mais uma vez eu fui pedalando mesmo assim. Foi mais tranquilo (menos desesperador?) do que o dia anterior, o que me deu esperanças. Lembrei de quando aprendi a dirigir. Para você pode ter sido simples, mas pra mim deu um puta trabalho. Precisei de uns dois meses de prática constante para conseguir conversar e dirigir ao mesmo tempo. Precisei de três provas para ser aprovada e conseguir a carta. Então eu digo que, se eu aprendi a dirigir, qualquer um consegue. E meus pais sempre foram muito legais comigo, me jogando no transito. Porque confiança a gente só adquire na prática.
Encontrei um amigo pedestre no caminho para a Unicamp e conversamos um pouco; o final do percurso foi mais complicado - a tal da entradinha da biologia é uma descida estreita, e eu não dei conta. Fui pela grama molhada, e me atrapalhei mais. O tempo todo repetindo para mim mesma que eu não devia ter vergonha de não conseguir. Na hora de prender a bike eu não prestei muita atenção. O resultado disso foi que um dos amigos que moram com o Namorado chegou pouco depois de mim e me mandou descer as escadas do bloco de aula:
- Morango, você não prendeu a bike.
Cheguei lá e o Namorado estava vigiando ela. Eu simplesmente tinha prendido o quadro na roda e a roda... No nada. Não amarrei na placa.
Estúpida!
Foi sorte ninguém ter reparado. É uma biciclceta metida a besta, e Barão Geraldo é um lugar com muitos furtos.
Obrigada, gente.
Voltei para casa, a chuva já tinha passado, mas tudo ainda estava molhado. Fui pelo caminho mais longo, mas cheguei bem. Depois eu voltei à Unicamp para o taekwondo, mas ainda não me arrisquei a voltar pedalando de noite.

4 - Quinta-feira


Eu e a Roomie tinhamos que resolver uns problemas na imobiliária na hora do almoço, então fomos de carro para a aula. Não andei de bicicleta. Foi o único dia da semana que não choveu.

5- Sexta-feira

Fui pedalando pelo caminho mais longo; me senti um pouco melhor na bicicleta. Encontrei gente pelo caminho e ainda assim prendi a bicicleta direito. Ganhei o sorriso "Morango, de bike!", e isso foi legal.
Fui para o taekwondo e voltei pedalando. Morri, morri, morri. Minhas pobres pernas não me davam conta e eu mal conseguia manter uma linha reta. As subidinhas foram sofríveis. E no final eu desisti e fui arrastando a bicicleta.
Exausta.

6- Sábado


Decidi que andaria uma hora por dia no final de semana, para praticar. Meu plano inicial era pedalar de manhã, mas não consegui acordar cedo e minhas pernas ainda estavam meio estouradas do dia anterior. Fui no final da tarde.
O Namorado me sugeriu ir para a Praça da Paz, na Unicamp; que tem umas trilhazinhas de terra entre árvores. E lá fui eu. Desci pela minha rua acidentada (quase deserta no final de semana) e percebi que preciso fazer isso mais vezes - a descida é uma delícia! Fui para a praça e fiquei pedalando entre árvores e pessoas fazendo caminhada e passeando com o cachorro. Pai e filho passaram por mim - o menino, de uns 8 anos, estava de caapcete; e dessa vez eu só achei engraçado eu estar na mesma situação (um pouco pior, talvez) que o moleque. Mamãe bem que quer que eu compre um capacete...
Não consegui completar uma subidinha de terra de primeira e encasquetei que a tentaria até dar certo. Funcionou e fiquei satifeita. Parei bruscamente umas duas vezes com medo de bater em pedestres, mas consegui contorná-los outras também. Passei em espaços pequenos, desci, passei por desníveis, fiz curvas. Fui fazer uma mais fechada e me estatelei no chão com bicicleta e tudo para me desviar de um coqueiro. Só um arranhão no joelho... Levantei, espanei e continuei pedalando. E me dei conta que nessa semana surgiram uns hematomas misteriosos na minha perna, que eu não sei explicar... E aí um dosrefletores do pneu quebrou. Ok, eu compro um novo...
Foi uma hora bem gostosa pedalando. Passou rápido. Fiquei com medo de ser pega pela chuva, mas não choveu. Me irritei com meu cabelo voando na cara e decidi que preciso de uma faixa.
Mas eu estou cada vez gostando mais dessa história de pedalar.

domingo, 25 de março de 2012

"Jogos Vorazes": resenha dos livros e do filme por uma fã não-fanática

~Aviso: Este post não tem spoilers gritantes, mas se você é do tipo que não gosta de saber de nada, não leia. (Aliás, sem onfensa, mas... Se você não gosta de saber de nada, o que você está fazendo aqui?)

- Eu nunca vou sair da seção infantojuvenil. - Foi assim que a Paola, grande amiga, começou a me descrever a série "Jogos Vorazes". Foi ela quem me convenceu (sem muito a esforço) a ler os livros; foi ela quem me emprestou eles e assim comeu pouco mais de uma semana da minha vida - tempo que eu, jovem de férias e meio acamada por uma gripe, tomei para ler os três volumes de cerca de 400 páginas cada.
Acontece que ela estava mentindo.
"Jogos Vorazes" não é uma série infantojuvenil, apesar dos protagonistas adolescentes e da temática em um mundo fictício. É bastante violento e duro, e toca em temas sérios, como dominação governamental e influência da mídia. Acho que a leitura é pesada para a molecada mais novinha; e ok, eu posso não ser lá um exemplo de maturidade, mas a história me deixou bastante mexida. Recomendo para fãs de aventura de todas as idades, preferencialmente com mais de 14 anos.

Para quem caiu no post de para-quedas, uma sinopse: num futuro distante, a América do Norte (sim, sempre ela) foi destruída. Das cinzas se reergueram 13 distritos e uma capital que os governava com mão de ferro. Um dia, os distritos se rebelaram contra a capital, e, após uma guerra cívil, foram subjugados. Como punição, o distrito 13  foi destruído, e foram instituídos os jogos vorazes: um reality show sangrento anual, para o qual dois adolescentes - um menino e uma menina, entre 12 e 18 anos - de cada distrito são enviados como tributos para lutar até a morte. Katniss, a protagonista, é uma orfã de pai do distrito 12 que sobrevive caçando ilegalmente com seu arco e flecha e se candidata para ir lutar nos jogos vorazes no lugar da irmã caçula. Ela e Peeta, o outro tributo de seu distrito com quem ela teve pouco contato, mas a quem acha que deve um grande favor, são enviados à capital para serem produzidos e treinados para a arena, de onde apenas um competidor pode sair vivo.

Suzanne Collins, a autora dos livros, não tem dó nem piedade de fazer você se afeiçoar aos personagens e depois assassiná-los. Ela nem dá tempo de você se recuperar. A história é cheia de mortes, e ressalta as diferenças entre a fome nos distritos e a riqueza esbanjadora da capital; além de uma mídia que lida com naturalidade com adolescentes sendo mandados para a morte como um grande evento nacional. Os participantes dos Jogos Vorazes são sorteados, e adolescentes de famílias mais pobres colocam seu nome mais de uma vez em troca de surprimentos de comida. Enquanto isso, alterações corporais bizarras são feitas na capital para se adequar ao padrão vigente (lembra alguma coisa?). Propaganda governamental vende tragédia como sucesso, e a violência é banalizada. Todo o país assiste os jogos pela televisão.

Achei os livros também feministas, por serem protagonizados por uma garota bastante forte e ter muitas mulheres em ocupações tipicamente masculinas, como soldados; e em nenhum momento isso é apontado como atípico. As pessoas são pessoas, independente de seu sexo (chocante como isso pode ser surpreendente, não?). O personagem mais romântico da história é um rapaz; Katniss tem um estilista que não segue o estereótipo fútil; ao contrário, tem um posicionamento político importante; há também garotas frágeis e gentis e rapazes fortes e duros, e isso está relacionado com a história pessoal de cada um.

Eu estava bastante temerosa com a adaptação cinematográfica porque li em vários lugares que a série seria vendida como - ai meu Deus! - o novo Crepúsculo. Há de fato um triângulo amoroso entre Katniss, seu amigo de infância Gale e o tributo Peeta, mas este triângulo fica totalmente em segundo plano em uma história onde a prioridade é sobreviver. Eu tinha medo também do efeito Harry Potter - os livros HP são muito mais suaves do que Jogos Vorazes, e ainda assim todos os filmes HP foram atenuados para se adequar ao público alvo, enfraquecendo as cenas de ação e morte. Fui surpreendida de uma maneira bastante positiva com Jogos Vorazes. O filme é sangrento (não espere ver cabeças penduradas, mas as pessoas que morrem... morrem) e bem executado, e as adaptações necessárias à tela grande são todas bem colocadas (o que deve se explicar pela própria Collins, roteirista antes de ser escritora, ser uma das responsáveis pelo roteiro). Mesmo as minhas implicâncias estéticas eu deixei de lado - minha Katniss é morena e magrela; pintar de castanho os cabelos da loira e curvilínia Jennifer Lawrence (a Mística de "X-men - primeira classe") me pareceu apelação. E custava por uma lente cinzenta na moça? Mas ela se saiu muito bem, e para quem aguentou o Daniel Radcliffe em toda a saga Harry Potter, ter um protagonista que faz seu trabalho bem-feito é realmente uma benção. Meu Haymitch é gorducho e careca, mas o loiro Woody Harrelson ficou perfeito no papel. E de resto todos estão parecidos com o que eu pensava, e carismáticos e lindos (Eu ia comentar que não tinha jeito, o negócio era mesmo apelar para o efeito Malhação - Chaves? - e pegar os atores nos seus vinte e tantos anos para interpretar adolescentes; aí fui googlar e me senti uma velha ao descobrir que o trio Katniss - Gale - Peeta é interpretado por gente mais nova do que eu, nascida no início dos anos 90. Se eles não estiverem mentindo idade. Seus lindos.). Aliás, gostei muito da estética do filme - os livros descrevem as cores e excentricidades da capital a exaustão, e lá estavam elas.

Enfim: recomendo. Arrastei sete amigos para o cinema e todos gostaram. E vários quiseram ler o livro. E eu mesma quis reler os livros. Cadê a Paola quando eu preciso dela?

sábado, 10 de março de 2012

Dia da mulher e Feminismo

Nesta semana foi o dia da mulher, e eu nem pretendia escrever um post sobre isso. Dei uma passada de olho em alguns blogs feministas e as ideias todas me eram bem conhecidas; e eu infelizmente ainda tenho a minha cabecinha pequena de achar que todo mundo pensa igual a mim. Não queria fazer um post senso-comum.
Mas aí fui para a aula e recebi parabéns por ser mulher, muito gentis, de dois amigos. Até zoei que preferia ganhar chocolates, porque parabéns eu não como. Depois abri o facebook e vi várias mensagens enaltecendo como as mulheres são lindas e importantes e etc; e um amigo mais metido a engraçado postando a foto de um fogão com "feliz dia da mulher" e outrs figura com um "manual para entender as mulheres", um livro gigantesco. Por último, hoje vi o post no facebook de uma amiga de uma amiga minha, que repete, de maneira muito bem escrita, o que realmente se espera do dia da mulher. E alguns amigos dela (e voltamos a minha ladainha de sempre: gente jovem, classe média, ensino superior. E gente simpática, também, pelos comentários) não entenderam muito bem o texto. Aquela história de que feminismo é o contrário do machismo, que feministas querem dominar o mundo, etc. Aí não teve jeito. Cá estou eu, mais uma vez em um post gigante explicando o meu feminismo.

1- A Origem do Dia da Mulher

Quando eu estava na escola, uma professora muito querida apresentou à turma a história da fábrica de Nova York onde trabalhadoras em greve protestavam por melhores salários e condições de trabalho. A solução encontrada por seus patrões? Incendiar a fábrica. Mais de uma centena de mulheres morreram. E anos depois o dia foi instituído como o Dia da Mulher.
Fui pesquisar no Google enquanto escrevia esse texto, para dar informações mais precisas. O que encontrei foi um desencontro: A data do incêndio variava entre meados de 1850 aos anos de 1910; às vezes é dita 8 de março, outras não... Tomei vergonha na cara e fui dar uma olhada no Google Acadêmico; mas ainda assim encontrei mais de uma versão. O incêndio de fato ocorreu, mas não foi (obviamente, parando para analisar) o único fato. Ideia socialista; ideia de feministas dentro do socialismo, ideia de feministas fora do socialismo; adotado pela Onu em 1975 ou 1977... O fato é que 8 de março surgiu como uma data de luta, não como um dia de chamar mulheres de "suas lindas". É um dia para reflexão de desigualdades sociais, e não para reafirmá-las.

2- O problema da rosa


Eu mesma devo dizer que adoro rosas. Acho bonito, profundo. Mas no Dia da Mulher, dar rosas é vazio. "Parabéns" também são vazios. Porque parece só mais um dia comercial à toa.
Muitas das mensagens que vejo enaltacem a beleza feminina, a maternidade, sua doçura, sua capacidade de acumular papeis. O problema?
1- É que enaltecer a tal "beleza feminina" coloca a mulher no papel de objeto decorativo. Exemplificando algo que lembrei agora e queria comentar há algum tempo: a Uol sempre se refere à mulheres como musas. "Musa do MMA fez isso"; "Musa do tênis fez aquilo"; "Eleja a executiva mais bonita"; "Veja o protesto das fulanas sem roupa" (e mostra fotos de peitos e bundas e nem diz na manchete sobre o que as fulanas estão protestando). Isso tudo deixa a seguinte mensagem: mulher, o mais importante é você ser bonita. Deixando características muito mais importantes em segundo plano, se é que em algum plano (qual a importância de uma executiva ser bonita? Isso interfere de alguma maneira no trabalho que ela exerce?). E se você for feia, você é um fracasso. E haja auto-estima destruída, dieta de fome e remédio pra ruga!
E se você acha que é paranóia, pense em todas as suas amigas que se acham gordas. Sim, elas realmente sofrem por isso. Não é charminho. E me diga se você ver em algum meio de comunicação algum homem ser referido como "muso". Galã, só mesmo ator de tv ou filme.
2 - Maternidade. Todos temos uma mãe, muitas de nós são ou querem ser mães. Mas... e as que não querem? Qual o problema de "ficar pra titia"? A maternidade ainda é vista por muitos como a grande missão de vida da mulher, e há cobrança social nesse sentido. Como se não ter filhos fosse um grande fracasso.
Além disso, vale lembrar que óvulos não se fecundam sozinhos. E que muitas vezes as mães ficam sobrecarregadas, cabendo aos pais "ajudar" . A m(p)aternidade deve ser compartilhada. E nisso entra a parte de acumular muitos papeis. Isso não é um talento ou dádiva, é um trabalho gigantesco!
3- Doçura. Por que diabos eu tenho que ser doce? Eu posso ficar irritada e ser extremamente agressiva, e não quero ninguém me dizendo que isso não é coisa de boa moça. Por que existem características femininas e masculinas?

3- Esse tal de feminismo

Feministas não querem mandar nos homens. Querem igualdade de direitos e que cada um possa levar sua vida como achar melhor, sem ser julgado. O machismo não prejudica só mulheres. E há também muitas mulheres machistas. Homens também dever poder chorar, e ter uma licença paternidade maior que lher permita participar mais da vida dos filhos.
Feministas não são todas lésbicas. Mas qual o problema de ser lésbica?
Feministas não são todas peludas. Os pelos são seus e você faz com eles o que bem entender.
Feministas não são todas mal-amadas. Nem ninfomaníacas. Mas querem o direito de exercer sua sexualidade sem ser tachada de puta (aliás: há homens dizem que não entendem as mulheres, mas estes mesmos insistem em chamar meninas de difícil e cú-doce ou fácil e puta. Categorizando-as. E tratando sexo e romance como se fosse uma guerra, com a mulher no papel passivo de ser conquistada) . E de usar roupa curta sem que isso signifique que qualquer um pode passar a mão. E de andar sozinha à noite sem ter medo de ser estuprada.
Enfim, feministas são gente, e querem que mulheres sejam vistas como gente.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Você percebe que o seu amigo não tem uma mínima noção de planejamento quando...

...Nas férias ele diz que vai se mudar para a cidade onde você está morando; aí você toda empolgada com o fato diz que ele pode passar os primeiros dias na sua casa. Então um belo dia umas 16h você abre o facebook e ele pede pra ficar e avisa que está indo. AMANHÃ.
Você entra em pânico, seus outros amigos te acham uma maluca (principalmente a sua Roomie - que você só encontra à noite-, e que fica sabendo com umas 12h de antecedência que um cara de quase 1,90m vai ocupar o pequeno espaço que existe entre as camas de vocês), mas ainda assim você vai ser legal com o cara. E pede pra ele avisar que horas ele vai chegar, para você buscá-lo. Você vai dormir 1h e não tem resposta. Acorda às 7:30h e vê uma nova mensagem no face (porque ele NÃO TEM CELULAR):
-Chego às 8h em Campinas.

Amizade: Desde o princípio da humanidade garantindo a sua vaga no céu.
(E no inferno também, em outras ocasiões...)