Eu não entro no facebook para discutir tópicos sérios. Acho até interessante quando um emerge; mas meu objetivo geral é só ver as bobeiras que meus amigos compartilham, ver fotos e jogar conversa fora. Mas às vezes eu me deprimo. Ou me irrito, mesmo. O post vai ser gigante, então vou dividindo em categorias
1 - Homofobia
Para começar com o caso mais exdrúxulo: sabem aquela imagem que sempre circula com três casais - um hetero, um gay e um lésbico - escrito "isso é uma família" ao lado de cada um deles, e termina com o outdoor de um cara homofóbico e ao lado os dizeres "isso é um idiota"? Pois sim. Um amigo de facebook compartilhou a versão homofóbica dela. Dizendo que apenas o casal hétero é uma família, que o cara do outdoor é alguém com coragem de proteger as famílias e que os casais gays não são uma família e vão contra a vontade divina.
Sério.
Eu mal conheço o cara que compartilhou a foto, na verdade. Mas sei que ele é jovem, e que estuda. Aí eu fiquei mal. O senso comum é homofóbico, fato; mas é raro ver alguém com menos de quarenta anos que realmente levante a sério a bandeira da homofobia (ou pelo menos é o que eu acho, tendo em mente as pessoas que eu conheço). As piadas homofóbicas são repetidas a exaustão, mas se você chamar alguém de preconceituoso, ele vai dizer que não é e vai se sentir ofendido. E eu concordo que as pessoas na maioria das vezes nem fazem a piada com a intenção de ofender um grupo. Lembro de u
m post que eu fiz reclamando das piadas homofóbicas dos meus amigos, que gerou uma conversa interessante com uma amiga minha:
- Poxa, Ma, eu não gostei do que você disse. Eu não sou homofóbica. Eu não gosto do fulano especificamente, e pela pessoa que ele é, e não por ele ser gay. Pra mim, "viado" é um xingamento como outro qualquer, tipo filho da puta. Eu não tenho nada contra as putas!
Eu pedi desculpas por não ter falado com ela antes do post. Depois desse dia, essa minha amiga nunca mais xingou ninguém de viado perto de mim. E eu pensei que realmente preciso de xingamentos novos, porque eu também não tenho nada contra as putas.
(Se alguém tiver curiosidade:
Neste post a Lola discute insultos politicamente corretos. Algum dia eu talvez escreva algo a respeito, quem sabe).
Mas voltando, que eu já me afastei muito do tema: eu fiquei muito chocada de ver que aquele garoto mais novo que eu realmente fazia questão de levantar a bandeira anti-gay. O que ele ganhava com isso? Perdão de um Deus intolerante?
Eu nunca vi nenhum comentário "a favor da família" que não fosse homofóbico. Porque vocês sabem: com essa história de casamento gay, heteros serão queimados, assim como suas roscas. (Sei, piada péssima, mas não deu pra perder).
2 - Machismo
O que mais me chateia é que vejo muitas mulheres compartilhando variações no tema "mulher gosta mesma é de dinheiro". Olha, você querer um cara rico que te sustente é um direito seu. Torço para você encontrar, e que vocês sejam muito felizes juntos. Mas eu estudo que nem uma condenada e me orgulho disso. E eu procuro algo diferente em um relacionamento. Tipo companheirismo, papo e pegada, sabe? E - pasme! - eu quero muito ganhar minha grana, e dividir despesas e tals.
Eu não acho errado mulher ser sustentada, muito menos ser dona-de-casa (porque dona-de-casa e um dos trabalhos mas exaustivos e não reconhecidos do mundo). Acho inclusive que homem devia ter aceitação social sendo dono-de-casa, ou de sustentado pela mulher, na boa. Cada um sabe da sua vida.
O problema é a generalização. Foram décadas de batalha para a gente poder trabalhar fora. Nossos salários ainda são menores. Dizer que todas nós gostamos é de dinheiro é nos colocar em busca do macho provedor, desvalorizando a conquista da independência. É diferente ser livre para ser sustentada de ser obrigada a ser sustentada. Fora a pressão para os rapazes. Sim, os rapazes também perdem. Por terem que obrigatoriamente ter dinheiro bancar a moça. E a gente perde de novo por eles acharem que ter o dinheiro para bancar a moça é o suficiente.
Eu sei que as pessoas também falam isso fazendo piada. Mas eu não acho engraçado.
3- Campanhas estranhas
Hoje mesmo eu vi uma dessas campanhas reacionárias, dizendo que as grandes redes de supermercado de São Paulo estão fazendo o consumidor de palhaço ao cobrar pelas sacolinhas. De fato elas lucrarão com a venda de sacolinhas, mas há algum outro jeito de diminuir substancialmente a utilização delas? Eu duvido muito. O ganho ambiental das sacolinhas não usadas é enorme; e as pessoas se colocam no lugar de vítimas. Achei feio. A campanha expoe dados tirados sabe-se lá de onde, e exige desconto. Desconto em meio ambiente não vale.
Lembro também das campanhas pró-Rafinha Bastos, dizendo que ele estava sendo processado enquanto os políticos roubavam em Brasília. Afinal, todos sabem que o processo ao Rafinha era o que impedia o fim da corrupção.
E por aí vai...