quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Daniel, seu lindo!

Eu estava indo para o dentista quando meu celular tocou. Número confidencial; atendi e era a cobrar. Cara dura tem limite, né? Desliguei.
Alguns minutos se passaram, e recebi a seguinte mensagem:

"Oi Daniel porque vc nao atendeu?Esta tudo bem com voce colega"

Pobre Daniel, não recebeu sua mensagem (ou talvez rico Daniel, já que pelo jeito ele sempre atendia as tais chamadas a cobrar). Eu geralmente mando uma mensagem de volta avisando quando recebo sms por engano (bendita seja, oh promoção de sms infinitos!), mas ainda estava com problemas em achar a clínica, então por hora deixei por isso mesmo.
Tinha acabado de entrar e deixar meu nome com a recepcionista quando chegou a mensagem seguinte, do mesmo número:

"Olha hoje eu to com vontade de comer Banana kkkkk"

Ora ora, Daniel! Eu tive uma crise de Riso. Com R maiúsculo, que nem a Banana. Devo ter matado os outros pacientes de curiosidade, porque passei o celular para a minha irmã entre gargalhadas.
Mal ela me devolveu o celular, a terceira mensagem chegou:

"Onde vc esta?Vem aqui a noite"

Ok, eu tinha que tomar uma atitude além de rir. Não se pode frustras assim as expectativas das pessoas. Mandei:

"Vc esta mandando msgs p o numero errado"

E qual não foi a minha surpresa ao receber uma resposta!

"Ha que vergonha,kkkk eu pensei que estivesse certo o numero desculpe pelas mensagens"

Me arrependi de não ter respondido. Eu devia ter dito que não precisava de desculpas. Graças a ela (ou ele) e seu Daniel, sala de dentista nunca foi tão comicamente divertida.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Mentiram pra mim sobre virar adulta

Quando eu era criança, achava que aos dezoito anos eu seria muito adulta. Madura, independente; morando sozinha no meu apartamento com o meu cachorro.
Aí eu fui crescendo, o prazo foi se encurtando e eu me dei conta que não era bem por aí. Aos dezessete eu era só mais uma vestibulanda enfiada nos livros; então toda minha esperança de crescimento consistia em ser aprovada na droga daquela prova (engraçado pensar agora como na época do vestibular parece que ele é o fim do mundo). Passei, continuei morando com meus pais; mas ao menos algumas esperanças eu ainda tinha do meu décimo oitavo aniversário. Título de eleitor eu tirei aos dezesseis, mas aos dezoito pude tirar a carteira de motorista. O machismo brasleiro me livrou da encheção de saco do alistamento militar. Mas minha esperança mais antiga, cultivada desde os dez anos de idade, era estética.
Cheguei quase batendo na mesa do oftalmologista:
- Quero operar meus olhos e parar de usar óculos.
Ele riu:
- Você está com quantos anos, mesmo?
- Acabei de fazer dezoito.
- Ninguém opera antes dos vinte e um.
"Como assim???", eu pensei, indignada; "como assim ninguém opera antes dos vinte e um???" Eu, tão adulta aos meus dezoito anos, do alto do meu metro e setenta e cinco ainda nem tinha terminado de crescer.
Mais três anos se passaram, e eu tive duas surpresas: a primeira foi o dia em que nasceu uma espinha na minha cara. Não foi bem surpresa; é verdade, eu sabia que o efeito da isotreitinoína que destruiu meus lábios aos dezessete não ia durar para sempre. Verdade seja dita, depois dela eu nunca tive mais do que três espinhas simultâneas no rosto, e só em tpms esporádicas. Mas ainda assim... É como diz a Roomie: devia ter uma lei que proibisse a gente de ter espinha depois dos dezoito anos. Eu assino embaixo. Eu sou adulta, poxa! Espinha não é coisa de adolescente?
A segunda surpresa foi minha visita dos vinte e um ao oftalmologista:
- Marina, eu não recomendo você operar. Seu astigmatismo é muito alto.
- Não vou poder operar nunca??? - Perguntei, fazendo biquinho.
- Bom... não com as técnicas que existem hoje.
Saí do oftalmo me sentindo muito enganada.
Daqui a um mês eu vou fazer vinte e quatro anos, e meu oftalmologista ainda não mudou de ideia (eu é que tive que mudar de ideia, para viver melhor com essa parte de mim que são meus óculos). Não tenho lá muita esperança, mas pelo menos achei que as surpresas tinham acabado.
Já moro sozinha desde os vinte; ainda vivo de mesada e acho que assim permanecerei por algum tempo; e minha kitnet é tão pequena que mal cabemos eu e a Roomie, que dirá um cachorro. Mas sou feliz com as escolhas que fiz.
Aí no início do ano eu fui à dentista, e ela me pediu uma radiografia de siso. "Radiografia de siso?". Dos meus dentes do juízo, só um deu as caras até hoje; e de vez em quando eu sinto eles doerem, mas achei que é porque eles estavam crescendo...
Not.
Poisé. Eu, que nem aparelho usei, vou ter que arrancar os quatro sisos. E só com vinte e três eu descubro isso.
Mas isso a gente não faz aos dezoito??? Eu achei que já tinha passado dessa fase!!!
Desisto. Tiraram de mim a ilusão de crescer e criar juízo.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Ah, gente...

Agente, tudo junto, é agente do FBI.
Mas a gente, separado, morre é de saudade...



(Repita rápido: "Aqui com a gente há gente, agente!")

domingo, 29 de janeiro de 2012

Não curti no Facebook

Eu não entro no facebook para discutir tópicos sérios. Acho até interessante quando um emerge; mas meu objetivo geral é só ver as bobeiras que meus amigos compartilham, ver fotos e jogar conversa fora. Mas às vezes eu me deprimo. Ou me irrito, mesmo. O post vai ser gigante, então vou dividindo em categorias

1 - Homofobia

Para começar com o caso mais exdrúxulo: sabem aquela imagem que sempre circula com três casais - um hetero, um gay e um lésbico - escrito "isso é uma família" ao lado de cada um deles, e termina com o outdoor de um cara homofóbico e ao lado os dizeres "isso é um idiota"? Pois sim. Um amigo de facebook compartilhou a versão homofóbica dela. Dizendo que apenas o casal hétero é uma família, que o cara do outdoor é alguém com coragem de proteger as famílias e que os casais gays não são uma família e vão contra a vontade divina.
Sério.
Eu mal conheço o cara que compartilhou a foto, na verdade. Mas sei que ele é jovem, e que estuda. Aí eu fiquei mal. O senso comum é homofóbico, fato; mas é raro ver alguém com menos de quarenta anos que realmente levante a sério a bandeira da homofobia (ou pelo menos é o que eu acho, tendo em mente as pessoas que eu conheço). As piadas homofóbicas são repetidas a exaustão, mas se você chamar alguém de preconceituoso, ele vai dizer que não é e vai se sentir ofendido. E eu concordo que as pessoas na maioria das vezes nem fazem a piada com a intenção de ofender um grupo. Lembro de um post que eu fiz reclamando das piadas homofóbicas dos meus amigos, que gerou uma conversa interessante com uma amiga minha:
- Poxa, Ma, eu não gostei do que você disse. Eu não sou homofóbica. Eu não gosto do fulano especificamente, e pela pessoa que ele é, e não por ele ser gay. Pra mim, "viado" é um xingamento como outro qualquer, tipo filho da puta. Eu não tenho nada contra as putas!
Eu pedi desculpas por não ter falado com ela antes do post. Depois desse dia, essa minha amiga nunca mais xingou ninguém de viado perto de mim. E eu pensei que realmente preciso de xingamentos novos, porque eu também não tenho nada contra as putas.
(Se alguém tiver curiosidade: Neste post a Lola discute insultos politicamente corretos. Algum dia eu talvez escreva algo a respeito, quem sabe).
Mas voltando, que eu já me afastei muito do tema: eu fiquei muito chocada de ver que aquele garoto mais novo que eu realmente fazia questão de levantar a bandeira anti-gay. O que ele ganhava com isso? Perdão de um Deus intolerante?
Eu nunca vi nenhum comentário "a favor da família" que não fosse homofóbico. Porque vocês sabem: com essa história de casamento gay, heteros serão queimados, assim como suas roscas. (Sei, piada péssima, mas não deu pra perder).

2 - Machismo

O que mais me chateia é que vejo muitas mulheres compartilhando variações no tema "mulher gosta mesma é de dinheiro". Olha, você querer um cara rico que te sustente é um direito seu. Torço para você encontrar, e que vocês sejam muito felizes juntos. Mas eu estudo que nem uma condenada e me orgulho disso. E eu procuro algo diferente em um relacionamento. Tipo companheirismo, papo e pegada, sabe? E - pasme! - eu quero muito ganhar minha grana, e dividir despesas e tals.
Eu não acho errado mulher ser sustentada, muito menos ser dona-de-casa (porque dona-de-casa e um dos trabalhos mas exaustivos e não reconhecidos do mundo). Acho inclusive que homem devia ter aceitação social sendo dono-de-casa, ou de sustentado pela mulher, na boa. Cada um sabe da sua vida.
O problema é a generalização. Foram décadas de batalha para a gente poder trabalhar fora. Nossos salários ainda são menores. Dizer que todas nós gostamos é de dinheiro é nos colocar em busca do macho provedor, desvalorizando a conquista da independência. É diferente ser livre para ser sustentada de ser obrigada a ser sustentada. Fora a pressão para os rapazes. Sim, os rapazes também perdem. Por terem que obrigatoriamente ter dinheiro bancar a moça.  E a gente perde de novo por eles acharem que ter o dinheiro para bancar a moça é o suficiente.
Eu sei que as pessoas também falam isso fazendo piada. Mas eu não acho engraçado.

3- Campanhas estranhas

Hoje mesmo eu vi uma dessas campanhas reacionárias, dizendo que as grandes redes de supermercado de São Paulo estão fazendo o consumidor de palhaço ao cobrar pelas sacolinhas. De fato elas lucrarão com a venda de sacolinhas, mas há algum outro jeito de diminuir substancialmente a utilização delas? Eu duvido muito. O ganho ambiental das sacolinhas não usadas é enorme; e as pessoas se colocam no lugar de vítimas. Achei feio. A campanha expoe dados tirados sabe-se lá de onde, e exige desconto. Desconto em meio ambiente não vale.
Lembro também das campanhas pró-Rafinha Bastos, dizendo que ele estava sendo processado enquanto os políticos roubavam em Brasília. Afinal, todos sabem que o processo ao Rafinha era o que impedia o fim da corrupção.

E por aí vai...

domingo, 22 de janeiro de 2012

Fotografia

Estava vendo fotos antigas, e me peguei naquele pensamento tão clichê do quanto eu era feliz. 
Não a felicidade dos sorrisos forçados, mas aquela felicidade tão genuína de estar do lado daquelas pessoas, e não se dar conta do quanto éramos todos tão novinhos, e não saber que algumas delas não estariam comigo no ano que vem.
Eu só tenho vinte e três anos na cara; mas são séculos de saudosismo dentro de mim.
De repente, todas as poses são ridículas, e todas as fotos são lindas.
Éramos todos lindos.
Vendo os lugares que eram diferentes, os cabelos, as roupas que eles usavam, que eu usava. Engraçado como objetos tem história. E como tanta coisa muda tanto; e sempre tem o que permanece igual. E como a gente se parece entre si - as pessoas da mesma época com os mesmo cabelos, as pessoas de épocas diferentes com as mesmas caras que seus pais e avós.
Vendo a alegria de gente que eu nem pude conhecer, porque foi embora antes que eu cheguei. Vendo amigos que há tanto tempo não vejo, mas que ainda assim ainda representam tanto! Há tanto deles em mim; no que sou e mesmo - ou talvez até mais - em tudo o que eu não me tornei.
Pensando que todas as fotos de hoje um dia serão fotos antigas. Medo do que é passageiro? Não, não mais acredito em eternidade. Mas ah! Como é gostoso viver e reviver.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

É como andar de bicicleta

Era dezembro. Quase a segunda quinzena, na época em que mesmo os exames (recuperação, para os paraenses) estão terminando. Quase férias. Eu estava andando pela FEM (Faculdade de Engenharia Mecânica) quando um amigo me vê e me aborda:
- O que você está fazendo aqui?
Ele estava surpreso. Eu sorri, muito animada:
- Eu estou aprendendo a andar de bicicleta! Eu venho todo dia aqui na Unicamp pra isso.
Ele continuou me olhando com a mesma cara. Há que se dizer que esse meu amigo é meio cínico.
Depois de uns instantes, ele se rendeu:
- Droga! Eu não sei se você está falando a verdade ou não!
Aí eu ri mesmo.
- É sério! Olha pra mim - Eu estava de tênis, camiseta e shorts de ginástica. Isso não quer dizer muita coisa, na verdade; em dezembro Campinas está sempre quente demais e como a Unicamp é tão perto de casa, eu, como muita gente, me sinto super dentro de casa. Todo mundo usa short/bermuda e chinelo. Já vi gente descabelada, com a roupa que dormiu na fila do bandejão. Mais de uma vez. Aí usar roupa de ginástica não é nada tão revelador. Mas havia a minha cara. Vermelha, muito vermelha. E suada. Eu estava até meio nojenta, pra ser honesta. Eu não tenho culpa. Estava quente demais. E eu estava aprendendo a andar de bicicleta.
Ele finalmente acreditou:
- Mas como???
Eu contei pra ele uma versão reduzida da históra. Agora eu vou contar para vocês a extendida:
Eu era uma criança bem grande, gorda e desajeitada. Eu não aprendi a andar de bicicleta quando as outras crianças aprenderam. E depois... Eu ficava com medo do "mas como?". Eu morria de vergonha de não saber andar de bicicleta. Achava que era a única no mundo. E esse era meu segredo.
Só lá pelos 18 eu fui conhecer outras pessoas com mais de seis anos que também não sabiam andar de bicicleta. Me senti muito menos esquisita, menos sozinha no mundo.
Meu pai aprendeu a andar de bicicleta adulto. Minha mãe sempre me repetia isso: ela, ele, uma bicicleta, um dia de chuva. Tenho na cabeça uma ideia bem romântica, filme antigo.
Eu cresci. Virei uma adulta, grande, um pouco menos gorda porém igualmente desajeitada. Mas em algum momento eu decidi que eu também queria aprender a andar de bicicleta. Em algum momento...
Quando eu passei na Unicamp, isso da bicicleta veio mais à tona. É um meio de transporte mega utilizado pelos alunos; acho até que a Unicamp devia se vangloriar disso - limpo, saudável. O mundo estudantil se divide entre quem vai andando e quem vai de bicicleta. Há também quem vá de ônibus. E a minoria que vai para a aula de carro (a maioria porque não mora no distrito onde a Unicamp fica; mas claro que tem também quem tenha preguiça de andar. Uma vez um vizinho meu me disse que eu era a única pessoa que ele conhecia que tinha um carro e ia andando. Mas parece muito errado. Eu pago uma fortuna para morar num lugar perto da Universidade, onde dá pra ir a pé. Pra que eu ia pegar o carro? É anti-ecológico e nada saudável. Sem falar que eu acordo andando pra aula, e me distraio conversando com a Roomie). E aí quem vai de bicicleta pergunta aos pedestres se eles pretendem arranjar uma bicicleta um dia. E muitos de nós somos forçados a responder:
- Não... EU não sei andar.
Nossa, somos muitos mesmo. Eu fiquei surpresa. Mas decidi mudar minha resposta:
- Não, eu não sei andar... Ainda.
Houve no primeiro ano de unversidade uma tentativa rápida de me ensinar, mas foi um evento isolado. Depois que comecei a namorar, o Namorado sempre dizia que ia me ensinar. Mais de um ano se passou, roubaram a bike do Namorado (pois é, Campinas não é só flores; longe disso), e eu não fui ensinada. Até um dia de outubro ou novembro, não lembro ao certo. O Namorado tinha que ir ao banco depois do almoço; nós e a rodinha de amigos que almoçamos juntos fomos com ele emprestar uma bicicleta para ele fazer o percurso mais depressa - nesse ano, a Unicamp começou um projeto muito legal e promissor chamado Mobic, que empresta bicicletas aos alunos para fazerem percursos dentro do Campus. E alguém surgiu com a ideia:
- Marina... Você quer andar de bicicleta?
Pensei rápido:
- Sim!
E foram uma ou duas horas hlárias no grande gramado na frente da biblioteca central, em plena Praça do Ciclo básico, com pessoas indo e vindo e me olhando, e meus amigos tentando:
1 - Me convencer que sim, é possível se manter sobre uma coisa que tem duas rodas tão finas
2 - Me convencer a pedalar
3 - Me empurrando e me segurando, me acompanhando enquanto eu tentava pedalar sozinha
4 - Me convencer que eu não ia cair quando eles me soltassem
5 - Me convencer a continuar pedalando quando eles me soltassem, e não simplesmente colocar os dois pés no chão.
5 - Inventando as técnicas mais criativas para me fazer começar a pedalar sozinha; "sai com a esquerda" (sou destra de mão, olho e pé), "pedala para trás", " se empurra do chão", "começa com o pedal embaixo", etc.
14h, eu estava conseguindo sair sozinha algumas vezes e dar umas voltas inseguras. Me sentindo a pessoa mais capaz do mundo - você se sente tão bem quando descobre que pode fazer o que antes não podia! - E muita suada, com calos nas mãos de me segurar com força como se isso fosse impedir minha queda, hematomas de bater a perna no pedal de metal e com os ombros muito vermelhos e ardidos do sol.
Muito feliz.
Um amigo meu que vive dizendo que vai para o inferno disse que ganhou créditos no céu. Do céu eu não entendo. Ele certamente ganhou pontos comigo.
Foi minha primeira aventura de bicicleta. Aí eu tomei gosto pela coisa. Convenci o namorado a me ajudar outras vezes.
Muito obrigada, Mobic! A mocinha responsável pelo empréstimo sorria pra mim, simpática. Ela não sabia que eu estava aprendendo. Imagino que se perguntava por que raios eu pegava a bicicleta e saia arrastando ela, e porque voltava tão suada e sorridente.
Eu caí.
Eu me cortei.
Minha perna ficou horrível de tão roxa.
Minhas mãos ficaram cheias de calos.
Eu me lembrei de sempre passar protetor no rosto e pescoço e de usar camisetas com manguinhas.
Na praça do Ciclo Básico. Verdade seja dita, não estava assim tão movimentado. Mas as pessoas passavam e olhavam.
O namorado me dizia para não apertar o guidon com tanta força. Para não morder os lábios, porque se eu caísse eu ia me machucar. Me mandou cantar.
Dizia para eu não jogar o corpo na curva. Para controlar o quadril. Para não freiar direto com os pés.
E sempre dizia que eu estava indo muito bem.
E eu fui acreditando.
Porque dizem que tem coisa que a gente só aprende criança. Nosso cérebro está mais maleável, sei lá. Há ciência nisso, mas... Tem tanta coisa que a gente não aprende porque se priva de tentar!
Não sei se quando eu era criança eu tinha mais facilidade. Não lembro. O que sei é que agora, adulta, tive que aprender o que as crianças sabem: tive que perder o medo de cair.
E eu pedalei.
Especialmente naquelas semanas em que eu já estava de férias e meu amigo se surpreendeu ao me encontrar, pedalei. Cantando.
E agora posso dizer cheia de orgulho: anda não sou uma exímia ciclista. Não sei se o Namorado já vai fazer pra mim a habilitação de bike-escola que me prometeu (enquanto eu treinava, ele dizia que faria uma camiseta de instrutor para ele; e eu faria uma para mim "não ria. VOcê já passou por isso. (Pode ser que não lembre, mas passou)". Mas se me perguntarem, eu respondo:
- Sim, eu sei andar de bicicleta.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Tu já és adulta?

A pergunta-título me foi feita por minha priminha de seis anos. Na praia; depois de ela com toda a sua adorável trania infantil me fazer carregá-la, e me contar que tinha medo do escuro depois de eu confessar meu medo de altura enquanto ela se pendurava na varanda do segundo andar (eu a segurando). Ela também deve ter me dado uns hematomas novos, batendo na minha perna e dizendo que ela é muito grossa e apontando para celulites e perguntando o que elas são.
E eu, que achei a pergunta-título por demais divertida, resolvi perguntar ao invés de responder:
- Não sei. O que você acha? Acha que eu já sou adulta?
Ela me avaliou, rindo:
- Acho que não! Acho que tu ainda é criança!
- Mesmo?
- Sim! Tu és no máximo adolescente.
Eu caí na risada.
- O que tu é? - Ela inqueriu de novo.
- Eu? Bom... Eu já tenho mais de dezoito anos, então eu sou adulta... Por isso eu posso fazer essas coisas que as pessoas grandes fazem, tipo... - Ai meu Deus, o que me define como uma pessoa grande? - tipo dirigir carros; fui eu que vim dirigindo até aqui. É por isso também que eu tenho um namorado... - minha priminha adorou meu namorado na única vez que o viu em julho; sempre que me vê pergunta dele.
- Uh... - Ela não me pareceu muito crédula. Acho que é porque ela sempre me vê com meu pai e minha mãe, e acho que isso me define como gente pequena. Ou talvez tenha sido para poder continuar me fazendo correr atrás dela, dizendo que eu sou uma múmia.