sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Dica de beleza para 2012

Um dos pontos positivos de 2011 foi que neste ano eu fiquei muito mais bonita. E queria compartilhar essa receita de sucesso com todos as queridas leitoras.

Antes deste ano, eu tinha quadris enormes. Sou gorda desde que me entendo por gente; na pré-escola havia no meu colégio uma sala de fantasias que as outras crianças adoravam, porque podiam ser o que quisessem. Eu só podia ser uma flor roxa, porque era a única roupa que cabia em mim. Aprendi o que era um lutador de sumô porque meus primos riam e me chamavam disso; daí não devia mesmo ser boa coisa e eu fui pesquisar. Crianças são criativas; na quarta série eu meti a mão na cara de um menino que disse que eu tinha afundado o Titanic. Foi a única vez que briguei. Meus pais ficaram orgulhosos. Eu era grandona, mas sempre chorava quando xingada.
Usava manequim 46. Não tinha coragem de sair usando shorts muito curtos (nem no calor absurdo que faz no verão em Campinas; e eu vou andando para a aula), porque eu tinha muita celulite. Ficava frustrada nas lojas porque não encontrava nada do meu tamanho. Ficava contando calorias e adorava conversar sobre elas. Reclamar sobre elas.
Havia também os óculos. Meu astigmatismo hardcore me obrigava a usar óculos. Eu bem que tentava usar lentes de contato, mas não existem lentes gelatinosas para meu grau e as outras me machucavam. A adaptação era um suplício. E eu ficava pensando como era chato me maquiar de óculos e viver de óculos e ter essa cara de nerd com o óculos e que eu teria de usar óculos na minha formatura, no meu casamento...

Aí algo revolucionário aconteceu. Diferentemente do que prometem essas transformações e dietas milagrosas, não foi do dia para a noite. Não dá para perder 20kg em uma semana (a não ser que você corte uma perna). Foi um longo processo que começou antes de 2011 e nem sei se está totalmente completo. O que sei é que funcionou.
Senhoras, a receita para o sucesso para mim se resumiu a uma pergunta. Pausa dramática. Abram as cortinas. Mas podem fcar tranquilas, que vocês não precisaram clicar em nada. Nem instalar vírus.
Eu me olhei no espelho. E me perguntei o que havia de errado com os meus quadris. E a mulher melancia e meu sangue latino e meu feminismo finalmente me responderam:
Nada.
Porque eu não nasci para Gisele. Porque eu jamais usarei manequim 38. Porque eu sou saudável e mesmo que fosse magra teria dificuldade nas minhas queridas lojas de departamento brasileiras, porque eu sou 10cm mais alta que a média (ah, como eu me dverti fazendo compras no intercâmbio!). Porque é tremendamente idiota achar que você só pode ser bonita se tiver IMC 18. Porque na verdade nunca faltou quem me achasse bonita; e minha maior crítica sempre fui eu mesma. Porque eu me dei conta que minha vida não mudaria radicalmente se eu perdesse 15kg.
Meu namorado, magrelo e lindo, insiste que eu não sou gorda. Porque gorda é um xingamento. Não deveria. Bom, eu uso manequim 46 e peso algo entre 75 e 78kg nos meus 1,75m. IMC um pouco acima do que deveria num corpo não-musculoso; logo gorda. Perguntei:
- E qual o problema de ser gorda?
Claro que tem a questão de saúde. Mas honestamente: você realmente acha que as pessoas usam "gorda" como um xingamento estão preocupadas com a saúde de alguém? Ninguém é xingado por ter câncer. O xingamento "gordo" é puramente estético. É de beleza que eu estou falando desde o começo do post. Era por beleza que eu sofria. Saúde, só mental (embora minhas amigas psicólogas fossem me dar uma bronca agora, porque saúde física e mental estão interligadas; são uma só saúde de uma só pessoa). E não a saúde que dieta cure. É uma questão de auto-estima. Quem tem que me achar bonita sou eu.
Eu resolvi que sou linda. E me dei conta do quanto é triste ver tanta gente bonita sofrendo por não se adequr a um ideal inatingível. Porque tem coisas a mais ou a menos. Querendo sempre perder mais 2kg. Encanada com o biquini na praia, e com como a água salgada va prejudicar o cabelo.
Eu amo a praia. E resolvi que me amo de biquini. Com minhas celulites, todas minhas. Com minha barriguinha típica de festas de final de ano. Com meu peito pequeno; porque eu não condeno, mas eu nunca teria coragem de me operar por razões estéticas.
Repensei também minha relação com meus óculos. Meu astigmatismo é hardcore; sem óculos eu não consigo fazer nada. Então se ficar sem ele é tão ruim, eu não deveria odiá-lo. Eu deveria amá-lo. Comecei a bater fotos de óculos.

É essa a minha dica de beleza para 2012: descobrir a sua beleza. Mudar? Nada ou por completo; mas sabendo que isso é detalhe e não essência (eu por exemplo adoro mudar o cabelo e fazer as unhas).

E minhas metas? Sair do atual sedentarismo e voltar a comer minhas verduras. Eu adoro comida saudável do mesmo jeito que adoro chocolate e pretendo continaur comendo os dois (em porções mais razoaveis; festas de fim de ano são mesmo uma orgia alimentar); e exercício sim é uma questão de saúde. Emagrecer? Se for consequência. Não meta.

Um lindo 2012 pra todo mundo!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Mercês

Aviso: Eu sei que é Natal. Eu amo o Natal desde sempre. Mas este é um post muito triste. Eu precisei escrevê-lo. Você não precisa lê-lo. Não na antevéspera de Natal.


Ligaram do hospital dizendo que ela tinha tido uma parada cardíaca.
Minha mãe é medica. Ela sabia o que isso queria dizer. Depois de tanto tempo internada, duas cirurgias e um coraçãozinho que batia por uma medicação pesada. Não teriam ligado se fosse só uma parada cardíaca. Na UTI, paradas cardiacas acontecem o tempo todo.
Mas minha mãe também era tia (a genética diria um parentesco um pouco distinto; prima em algum grau estranho. Mas nós viemos de uma família grande e unida, onde os parentescos são definidos por diferença etária. Uns vinte anos de diferença automaticamente te transformam em tia). E minha mãe não era qualquer tia, mas a tia que não podia sair sem comprar um presente; a que levava para festinhas. A que viu nascer, e acompanhou muito de pertinho os quatro anos e onze meses da minha priminha.
Então quando a gente saiu correndo de casa para pegar minha tia avó e a sobrinha dela, prima da minha mãe e mãe da menininha no hospital; minha mãe ainda acreditava que tinha sido só uma parada cardíaca. Precisava acreditar.
O choro da mãe da minha priminha dizia que não.
- Falei com a médica. Eu queria ouvir dela. Ela confirmou.
Minha mãe só acreditou quando chegamos no hospital.
- Liga pro seu pai. Confirmaram. Evoluiu a óbito.
Evoluiu a óbito. Minha priminha de menos de cinco anos estava morta. E a gente tinha que ligar para as pessoas e contar isso. E enquanto a minha mãe se mantinha fortaleza com seu linguajar técnico, a mãe da minha priminha chorava e dizia isso das maneiras mais indiziveis a uma mãe:
- Meu fio de esperança acabou... Minha filhinha foi embora...Meu bebêzinho não está mais comigo...
Foi a primeira vez que eu vi de perto que morrer não é privilégio de quem tem netos. Nem mesmo de quem tem filhos. De quem teve o primeiro namorado, de quem aprendeu a ler.
Minha priminha ainda não tinha cinco anos. E estava há dois meses na UTI, decorrência de uma leucemia descoberta no início do ano. Uma leucemia que tinha 95% de chance de cura. E 5% de chance de...
Magrinha. Cabeça enfaixada. E o que mais me doeu foi ver que estava mais alta do que da última vez que eu a tinha visto, no meio do ano, quando ela nem parecia doente e correru comigo pela casa e eu e a minha irmã brincamos com os amigos imaginários dela e falamos de baleias, tubarões e vampiros.
E havia os aspectos práticos a serem cuidados. O avô da minha priminha arranjou a funerária. Duas tias avós foram pegar uma roupa. Minha mãe ajustou a vesti-la. E ela foi levada em uma maca sem colchão, dentro de um horrível saco funerário coberto por um lençol para o necrotério do hospital, até a van da funerária chegar para levá-la. E a minha mãe teve que lembrar o que a médica da UTI tinha dito:
- Cuidado ao arrumá-la. Ela está com escaras e a cabecinha machucada. Não mexam nos curativos.
Escaras. É o nome que se dá a feridas que as pessoas ficam por passar muito tempo deitadas.
- Pode ficar tranquila, a gente não vai tirá-la do saco, só escondê-lo. Vamos arrumá-la bem, fazer um trabalho bem digno pra vocês.
E a levaram naquele saco, e a gente foi à capela onde foi o velório, esperar arranjarem um caixão branco de criança - não o de 1,20m; que ela já tinha 1,20m; lá em outra funerária tem o de 1,40m... E depois de um tempo chegou aquele caixãozinho branco, e minha tia avó só deixou abrirem o visor
- Isso de querer abrir tudo é curiosidade do povo. Espera os pais chegarem e a gente decide o que faz.
Os pais. O pai dela estava em Marabá a trabalho e voltou sem ser oficialmente informado do ocorrido, apesar de ter sido enfiado pela empresa às pressas no primeiro avião. A mãe foi buscá-lo no aeroporto para contar. E eles chegaram. E choraram.
A noite foi passando. As pessoas foram chegando. Choro. Silêncio.
Tanta gente. Enfermeiras do primeiro hospital que ela ia, quando ainda corria e ria e conquistou todo mundo com suas histórias. Famílias enormes, amigos dos pais.
- Ela parece que está dormindo...
As pessoas falam isso como um consolo. Eu odeio esse comentário. Não, ela não está dormindo. Ela morreu. Uma tia disse que não queria ver, que preferia lembrar dela correndo. Achei bonito.
 Minha mãe me chamou num canto:
- Você sabe que eu não quero nada disso. Não quero velório, não quero as pessoas me olhando. Eu quero ser cremada. E não esquece de colocar as vitaminas que eu tenho que tomar junto...
- Mãe!
A gente riu. Isso das vitaminas é uma piada nossa - já que a minha mãe fez bariátrica e tem que tomar vitaminas "para o resto da vida e mais três dias".
Minha mãe ficou brava com quem chorou com os pais. Acha que a gente tem que consolá-los, não querer sem consolado.
Vi minha mãe chorar umas duas ou três vezes na vida.
As pessoas começaram a conversar. A morte é tão grande que ninguém quer encará-la. Então a gente vive. E conversa bobeira.
- Será que a fulana está com medo mesmo da Mercês???
Mercês era o nome da minha priminha.
A Fulana no caso é uma tia minha que morre de medo de fantasma e fica com medo de ver quando alguém da família morre. Ela também gosta de fazer careta pra criança. Eu retruquei:
- Eu teria mais medo da Mercês do que de adulto. Ela era criança. Vai que acha engraçado? "A tia me assustava, vou dar um susto nela"...
Rimos.
A noite continuou passando. Muita gente, café. 2h da madrugada, as pessoas foram indo embora. 3h fui também, dormir um pouco. Minha mãe ficou a noite inteira. Saiu só com a mãe da Mercês, para tomar um banho.
Na manhã seguinte foi o enterro. Havia tanta gente. Houve a reza. Os cantos. E o adeus a uma menininha de quatro anos. Na mesma jazida onde estão seus (meus) bisavós e sua avó.
Fomos almoçar. Mamãe finalmente dormiu. Perguntou sobre o Natal.
E há o agora.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

No msn...

Marina diz
oi Fulano

Fulano diz
olá
precisa de algo?


Marina diz
pouxa, vc acha que eu só falo com vc pra pedir alguma coisa?
=p

Fulano diz
nao... mas vc precisa de algo?

Planos para quando eu morrer

Aquela música dos Titãs, "Epitáfio", foi escrita pensando em mim. Nem tanto pelas coisas que o eu-lírico diz que deveria ter feito (porque, tirando a parte de se preocupar menos com problemas pequenos, acho que as faço bem), mas o refrão: "O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído..."
Eu ando sempre distraída.
A primeira vez na vida em que fiquei com os dois joelhos simultâneamente íntegros eu já devia ter quase quinze anos. Na realidade, na minha vida inteira, foram poucos os meses nos quais isso aconteceu. Agora, por exemplo, o esquerdo está em cascão.
- O que foi isso, Morango? - Perguntou meu amigo na sexta, quando o verão me permitiu sair de mini-saia. Meu namorado, que sabia das histórias, riu.
- Uma série de coisas... - Eu respondi. - Primeiro um dia eu estava andando com um pão de queijo na mão e tropecei. Salvei o pão de queijo. Depois eu estava andando para casa e tropecei em uma casca de banana. Sério, eu nem sabia que essas coisas aconteciam de verdade. Eu até vi, sabe; "olha, uma casca de banana; ops, vou pisar nela; ah, será que eu devia desviar? Aaaaaaaaaaaa!". E outro dia eu caí subindo a escada molhada do banheiro...
Meu namorado se preocupa. E agora brinca dizendo que amar é preservar os joelhos.
Uma amiga minha me disse que a gente não pode ter síndrome de Gabriela: "Eu nasci assim, eu cresci assim, vou morrer assim, Gabriela...", mas que eu me lembre eu sempre fui estabanada. Já quebrei cinco copos de uma vez só (quando fui puxar um de um porta-copos na casa da minha avó. O que eu puxei ficou na minha mão. Os outros foram ao chão).
Agora mesmo, também, meu braço direito está com três cicatrizes recentes: uma queimadura de passar meu dobok (o kimono do taekowndo); um corte profundo feito caminhando próxima ao portão da Unicamp que me fez ligar hipocondriaca para minha mãe médica para perguntar se eu ia morrer e se precisava correr ao hospital para tomar a antitetânica (felizmente minha antitetânica está em dia e o corte mortal fechou sozinho em uns 15 minutos, depois de ser bem limpo; e virou uma coisinha ridícula); e uma no pulso que aparou a queda da casca de banana (eu estava com uma caneca de café na mão, aparei a queda com o pulso; "ai meu Deus, meu pulso está sangrando, eu vou morrer! ... Ah, talvez não, parou de sangrar").
Minhas duas unhas do dedão do pé estão quebradas, um dos dedos está esfolado.
Estou no meu sexto celular desde que entrei na Unicamp (março de 2009). Nenhum deles foi roubado. Dois deles ficaram velhos demais (um porque era velho da minha mãe e veio pra mim de quebra-galho; outro porque era ruim demais e eu comprei de quebra-galho); um deles foi comprado e deixado nos Estados Unidos. Os outros dois eu afoguei. E o que mais doi é que eram novos. Menos de seis meses cada.
Já afoguei três celulares na vida: O primeiro foi o meu primeiro celular, quando fui jogada na piscina com ele no bolso; teve jeito, depois caiu na vala e morreu de vez. O segundo caiu na vala (uns sete anos depois, a mesma história). O terceiro eu tirei do bolso ao ir no banheiro, porque já tinha ouvido histórias de pessoas cujo celular cai do bolso na privada. Aí o celular escorregou da minha mão e... caiu na privada.
Que coisa.
Mas já estou com meu celular atual há seis meses. É um marco. Quando o comprei, o vendedor quis me empurrar garantia estendida; não aceitei:
- Você acha realmente que esse celular vai dar problema em dois anos e não vai ser culpa minha?
De fato: eu já joguei ele na privada de casa (tirei, limpei, desmontei e deixei secando); esqueci em restaurante (voltei e continuava lá); afoguei  em uma bolsa (me deram uma garrafinha de água mal tampada para guardar, a bolsa era impermeável e virou uma piscina. Desmontei, esperei secar e ele voltou ao normal); esqueci em um banheiro da faculdade antes de uma prova e quando eu sai meu namorado estava com ele (a pessoa que achou o celular levou para o achados e perdidos da unicamp, que ligou para minha mãe lá em Belém, que ligou de Belém para o meu namorado aqui em Campinas promover o resgate).
E ainda assim eu continuo com o celular. Isso sem falar que nunca quebrei um osso. Na verdade, meus machucados mais sérios foram meia dúzia de pontos e uma torção de tornozelo. O acaso me protege.
Por isso decidi que quero retribuir. Quando eu morrer, vou virar protetora de distraídos.

domingo, 27 de novembro de 2011

O dia em que choveu merda (ou: E o vento levou)

Eu costumo pensar que minha vida é uma comédia. Ontem, por exemplo, tive mais um capítulo. A Roomie disse que tinha que virar post. Mamãe também. Certo, vamos lá.
Como diz uma amiga minha: Deus tem um senso de humor bizarro.


O clichê é o seguinte: o mocinho está atolado em problemas. O mocinho senta em um banco da praça, leva o rosto as mãos, e diz, voz desolada no rosto caricato de comédia:
- Não tem como piorar.
E aí, chove.
Ontem o que aconteceu foi uma variação do tema.
Estávamos eu e a Roomie aqui na nossa kitnet, na tradicional tragédia que os finais de semestre são. Provas infinitas, prazos apertados, pouco sono, um calor dos infernos que dava sono e vontade de ir à praia (se estivéssemos em julho, eu estaria reclamando que estava frio, e que não dava pra sair de debaixo do edredon sem bater os dentes, que frio dava sono). Aí... chove.
Aliás, não chove. Preciso de um verbo maior. Tempestada.
Parecia que o mundo ia acabar. A gente mora numa kitnet no segundo andar, e de repente começou a alagar nossa casa. Entrava água pela janela fechada, numa fresta que a gente nunca tinha visto, e alagava a cama da Roomie e embaixo dela (e quando você mora em uma kitnet de 25m², alagar debaixo da cama é o mesmo que alagar seu guarda-roupa, dada a quantidade de coisas que estão lá). Entrava água pos três dimensões da porta (duas laterais e por baixo), em esguichos cada vez mais fortes. Isso porque tem telhado fazendo sombra e uma varanda na frente da nossa porta! Ventava, ventava, e a gente brigava com rodo e nossos poucos panos na tentativa de salvar tudo e ria nervosa se sentindo em uma tragédia de jornal. Tirava as coisas de perto da água, levantava o que estava no chão, tirava notebooks e microondas da tomada; enquanto mais água entrava, e a gente não tinha como limpar; piscava luz, a gente tirava as coisas do caminho e torcia os panos, e mais água, água água... Casa alagada, coisas espalhadas... Era o caos.
Ou era o que a gente achava na hora. Porque aí depois de uma meia hora a chuva amainou um pouco, e a Roomie abriu a porta para jogar a água com o rodo pela varanda enquanto eu espremia os panos molhados na pia do banheiro.
Acho que ouvi ela exclamar chocada antes de me chamar:
- Ma... Lembra do nosso lixinho que estava na varanda?
(Nota: a gente costuma tirar o lixo da casa e deixar na varanda, para descer ele quando for sair)
- Ah...
Casa alagada, coisas espalhadas, lixo no chão do quintal coletivo. Agora sim era o caos.
- Ele caiu lá pra baixo - ela continuou - E abriu. Esparramou. Era lixo de banheiro...
Faltava algo?
Catei rápido os panos torcidos e fui olhar a varanda. E ansiosa que estava para ver a varanda não olhei minha escrivaninha, e esbarrei num copo de vidro que estava lá. Cacos espatifados pelo chão.
Casa alagada de água marrom, coisas espalhadas por todo o canto, edredon e colchão molhado, vidro pelo chão.
E olhando pela varanda...
Papel higienico usado espalhado pelo quintal.
Que bosta. Literalmente.
Começamos pelos cacos de vidro. Catei os maiores, a Roomie usou a técnica da sua avó:
- Ma, pega pão.
Pão gruda os cacos.
Chão sem vidro, fomos à varanda. Dois vizinhos riam.
- Eu achei mesmo estranho. - Disse o que mora na kitnet debaixo da nossa - Vi aqueles papeis voando na minha janela...
É. Papel higiênico usado molhado caindo na janela dele. Que bom que ele achou engraçado.
- Olha, alguém usa absorvente da marca laranja! - Disse o outro.
(Engraçado ele achar que laranja é marca).
Tinha absorvente na caixa do gato de um deles.
(O gato é totalmente ilegal, o contrato da kitnet proíbe animais. Mas é um bom gatinho, ninguém implica. Só costuma fazer cocô no jardim que fica na janela do mesmo vizinho na qual o papel higiênico usado caiu...)
E eu e a Roomie catamos sacolas para usar de luvas e juntar a sujeira, apesar deles sugerirem deixar para a moça da limpeza, que vem... na quinta. Meus vizinhos são pessoas extremamente sossegadas.
Ainda chovia enquanto a gente catava o papel higiênico. Depois a gente lavou a mão com detergente e resolveu tomar um banho. Quase uma hora tinha se passado (e uma hora é tanto tempo quando uma semana com quatro provas te espera!)
Então fomos comer um hotdog para contar a história ao namorado e aos amigos e respirar.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Aquela velha opnião formada sobre tudo

Nao ter opnião formada sobre algo pode significar que aquele assunto não te interessa. O que pode ser muito ruim, porque não se interessar por um assunto não quer dizer que ele não te afete. É aquela história sobre política: se você não se interessar por política, vai ter quem se interesse. E essas pessoas podem não estar interessadas em você.
Mas não ter opnião formada não é sinônimo de estar alienado. Eu sou grande defensora da não-opnião. Para mim, ela pode significar que eu sei que não sou dona da verdade, que eu não estava presente na maioria dos lugares portanto tudo o que sei das situações é o que me foi contado, e todo relato é tendencioso (mesmo que se faça o possível para se abster; seus olhos serão sempre os seus). Significa que estou defasada de informações, sim; mas mais vale dizer "não sei" do que pegar uma opnião pronta das que estão por aí disponíveis o tempo todo sem pensar. Não ter uma opnião formada também significa que se está mais aberto a debates; porque quem está muito convicto ouve o outro com ressalvas. Vira aquela conversa imutável, discussão acalorada entre polos opostos ou chá de comadres. E chás de comadres são bons; assim como discussões entre polos acaloradas, mas se eu não sei o suficiente eu prefiro poder ouvir e pensar e ler mais. A gente se apega ao que acha; é mais difícil mudar. Cada caso é um caso... Em algumas situações, por hora ou para sempre, acho melhor não achar.

domingo, 20 de novembro de 2011

Roupa bonita

Nos Estados Unidos, conheci uma coreana, aluna de engenharia química, que em dia de prova fazia questão de colocar sua roupa mais bonita, arrumar bem o cabelo e pintar o rosto.
- É para dar auto-confiança. - Ela me disse, sorrindo - Eu me sinto bem e acho que vai dar tudo certo. Eu já cheguei a comprar um vestido para ir fazer a prova final!
Lembrei dela ontem, quando coloquei vestidinho e sapatilha para ir fazer prova e passar o dia estudando na Unicamp (sim, num sábado). Devo dizer que funcionou. Muito melhor me olhar no espelho e dar de cara com uma moça bem vestida, e não um zumbi de moletom GG e olheiras. Prova mais ou menos, estudo idem; mas comigo mesma ao menos eu me senti bem.
E não é pra isso que a gente se arruma?

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Meus sinceros pedidos de desculpas aos queridos (dez ou quinze) leitores

Eu queria escrever um texto sobre meus planos para quando eu morrer. Teria um tom cômico, uma piada.
Eu queria escrever um texto sobre a greve da Unicamp e tudo o que está acontecendo na Usp. Seria um texto cheio de achismos.
Eu queria escrever mais de um texto sobre os bons textos que eu tenho lido. Blogs que tenho visitado; e o livro "Persépolis", fantástico, que devorei semana passada.
Na realidade, todos os dias me surgem palavras. Ainda há pouco, por exemplo, enquanto para tirar um pouco a minha cabeça dos estudos eu lavava minha tradicional pilha de louça suja (é impressionante como eu sujo louça, considerando que eu quase não cozinho; ah, essa minha vida de dona de casa!), distraí-me pensando no cheiro do queijo. Porque eu acho realmente impressionante e digno de nota o fato de, mesmo depois de um dia de molho no detergente e já extremamente gosmento e cor-de-rosa de uma maneira inimaginavelmente bizarra, o queijo da pizza requentada do jantar de ontem ainda seja tão bom e comestível. Eu poderia devorar aquela gosma, mesmo. E senti uma vontade enorme de contar para vocês isso.
Então não se sintam abandonados. Nem você, Riscos. Eu penso muito em todos vocês. Só estou no tradicional final de semestre, e já se passaram alguns bons minutos depois que eu sentei para discorrer sobre o nada. Imaginem então se eu for discorrer sobre o tudo...
Logo volto a minha super produção de um texto semanal. Prometo.

domingo, 30 de outubro de 2011

Breakfast (and lunch, and dinner) at Tiffany´s

Estou cheia de ideias na cabeça, mas não estou conseguindo concluir textos - não como eu gostaria que eles ficassem. Para não passar o final de semana sem nada, tirei da cartola - AKA arquivos esquecidos, qualquer um que veja meu desktop vê essa montoeira de txts com nomes super explicativos do tipo "texto" ou "post"; e ainda tem muitos outros em pastas chamadas "palavras" dentro de pastas chamadas "rascunhos" - este aqui, da época do intercâmbio. Tive só que terminá-lo.


- O que você gosta de comer? - Me perguntou a Tiffany, minha roomate, enquanto estávamos no carro rumo à casa dela.
- Hm... Comida.
(É verdade. É realmente o que eu gosto de comer. O problema das coisas que eu como aqui nos EUA é que elas não são comida).
Ela riu.
- O que servem mesmo no dining center? - Dining center são os restaurantes da universidade, onde eu sempre como. Essa minha roomate tem asco a meu plano de alimentação. Bom, ele foi minha salvação quando o supermercado fica tão longe se você não tem carro e lá fora faz -10C, mas se eu fosse passar outro semestre aqui, certamente fugiria dele. - Ok, nada de hamburguers ou hot dogs. Hum... que tal spaguetti?
É, eu gosto de spaguetti. Quando chegamos na casa dela, a mãe dela estava diante do fogão preparando spaguetti pra gente.
E, enquanto não ficava pronto, ficamos conversando, eu respondendo às perguntas sobre o Brasil.
- E o que vocês comem lá?
- Arroz com feijão, basicamente. E carne, e uma salada. Quer dizer, a gente também come macarrão e etc; mas comida de todo dia é arroz com feijão.
- E no café da manhã?
- Pão com manteiga e café com leite.
- Sério???
Eu fiquei muito surpresa deles acharem surpreendente eu comer pão com manteiga.
O spaguetti ficou pronto, e elas me perguntaram se eu queria beber leite. Aí quem não se aguentou de surpresa fui eu:
- Leite???
Sim, leite. É o que americanos comem com spaguetti. Para amenizar o sabor picante.
Nos EUA, faça como os americanos...
No café da manhã seguinte comi leite com cereal muitíssimo açucarado com muito corante, bem padrão. O almoço foi hot dog; um hot dog bem normal. E no final da tarde, um jantar em um restaurante chinês.
Ah, restaurantes chineses. Conheci americanos que quando vieram ao Brasil ficaram muito felizes em encontrá-los. Porque eles são os mesmos em qualquer lugar do mundo.
Menos, é claro, na China.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Cuidado com o que você diz

(Pensamentos e eventos soltos, porém interligados)

1

Escrevo despretensiosamente neste blog há mais de quatro anos. E quatro anos é tempo demais na vida de qualquer pessoa, especialmente na de uma garota de dezenove anos, saindo da adolescência. Neste meio tempo eu mudei de cabelo, de namorado, de curso universitário, de casa, de cidade. Mais de uma vez. Aprendi e desaprendi milhões de coisas. E é claro que isso mudou a minha cabeça também. Acho excelente. Estou sempre tentando ser uma pessoa melhor. Nem sempre consigo, mas é um objetivo.

2

Tem algumas coisas que eu postei por aqui que hoje acho inadequadas. Tipo generalizar meninas, dizer que a gente (mulheres) diz não querendo dizer sim (a maior estupídez que se pode dizer para caras - no caso extremo há o cara que quebrou o braço da menina que não quis ficar com ele na balada; mas há tanto mais envolvido, de importunação desnecessária a desrespeito!).

3

Do mesmo jeito, acho que ainda haverá muitas coisas que direi aqui e depois mudarei de ideia. Faz parte. Mas estou me policiando para não perpetuar preconceitos ou falar coisas estúpidas (no sentido ruim, é claro. Quem lê o blog conhece meu forte para piadinhas ruins - ruins no sentido de bobas, não de preconceituosas ou algo do gênero)

4

Meu feminismo ainda é muito novo. Ainda não sei expressá-lo direito; mas minha tolerância com a intolerância alheia diminuiu exponencialmente. Mais do que igualdade de gênero, o feminismo trouxe para mim uma visão de igualdade ampla como eu nunca tinha tido.

5

O que está cada vez maior é a minha surpresa de me dar conta de como vivo num meio preconceituso. Como eu já disse, o primeiro e mais chocante preconceito foi o meu próprio. E estou tentando jogá-lo fora, todo, um por um.
Já quando esbarro no preconceito alheio, não sei o que fazer. Meu primeiro ímpeto ainda é ficar quieta - ou porque se trata de um desconhecido, ou porque se trata de alguém de quem gosto demais. Eu ainda preciso aprender a discutir sem alterar o tom de voz, sem ser desnecessariamente agressiva.

6

O pior do preconceito é que a maioria das pessoas não percebe que ele está lá. Acho que quase ninguém se considera preconceituso, e todo mundo é.
Acho que todo mundo devia pensar sobre preconceito. Talvez eu esteja sendo inocente, mas eu acho que (quase) ninguém se orgulha de ser preconceituoso. Então acho que o primeiro passo é descobrir os preconceitos em si.

7

Ontem meus amigos me contaram uma história escabrosa: há um menino da minha turma de faculdade que namora uma menina negra. E os amigos dele (da engenharia da Unicamp, galera jovem, classe média ou alta) brincam chamando-o de "senhor de engenho". Eles acham isso engraçado.
Eu, é claro, fiquei chocada. Mas são esses meus mesmos amigos - os meus, que também ficaram chocados; não os da piada escravocrata - que vivem fazendo piadas homofóbicas, o tempo inteiro. Não há xingamento mais ofensivo a um professor do que viado. A viadagem vira o tópico da conversa; a foto no facebook, a maneira de falar, de mover a mão. E há tantas risadas.

8

Não há maldade consciente nisso. Mas há todo um histórico de preconceito. Alguém gostaria que ser o que você é fosse usado como um xingamento?

9

E eu mesma ainda vivo dizendo que sou muito macho. E minha amiga chama os meninos de damas quando eles tem medo de algo.
Machismo? Não, que é isso...

10

Uma amiga minha já foi xingada de hétero em uma rodinha gay. Era brincadeira, é claro. Era engraçado. Há piadas que são piadas entre amigos. É totalmente diferente de quando se ridiculariza alguém não presente, ou uma classe inteira.
E nas piadas entre amigos os papeis sociais ficam bem claros. Homens precisam dizer que são gays para se abraçar.
No meu mundinho simplista de hétero, eu acho engraçado e rio junto. Mas por que tem que ser assim?
Igualdade quer dizer poder agir como você quiser, não como seu gênero manda.

11

Eu também já achei o politicamente correto estupidamente chato. Hoje ainda acho que algumas coisas são exagero. Mas entendo que há quem se ofenda com o que parece a outros inofensivo; e não acho que a ideia seja ofender. Sou a favor de fazer as pessoas se sentirem bem.

12

Ultimamente tenho achado um despropósito as pesquisas que classificam habilidades e defeitos por gênero. Claro que existem as diferenças de gênero. Mas, como já comentaram minhas amigas psicólogas (eu brinco dizendo que tanto ouvir minhas amigas psicólogas conversando eu deveria ganhar um diploma por correspodência. Na realidade eu jamais seria psicóloga, mas acho fascinante), há "profecias auto-realizadoras": se você se convence que algo será assim, é muito mais provável que você haja para que assim seja. Por exemplo: fico pensando na escassez de meninas nas exatas. A gente sempre escuta que meninas tem mais facilidade para comunicação. Mas será que se elas não escutassem isso, elas não se sentiriam mais estimuladas a se esforçar mais com os números?
(Eu estou no terceiro ano de engenharia e todos os dias acho que nunca desisti por pura teimosia. Eu adoro engenharia, mesmo apanhando tanto. Todo mundo deve fazer o que lhe fizer feliz; e eu sempre gostei do que me é difícil.)

13

Chama-se feminismo para opor-se ao machismo, mas podia chamar-se anti-sexismo, por se opor ao sexismo (que é sinônimo de machismo). Eu entendo os rapazes que sem conhecer o feminismo se sentem intimidados pelo nome da coisa; acham que são meninas querendo mandar nos rapazes e tals. Não tem absolutamente nada disso.
Eu só acho que as pessoas deveriam se informar antes de falar mal de algo. Estou realmente tentando trabalhar isso em mim.

14

Outro dia, outro amigo meu viu um cartaz da marcha das vadias na faculdade. Pela legalização do aborto.
- Querem matar os bebêzinhos! - Disse.
Argumentei. Eu sou pró-aborto de carteirinha, desde antes de ser feminista. Fetos não são bebês. E mulheres que não querem não devem ser mães.
- Acho que todo mundo tem bom senso e se previne. - Disse ele.
Meu amigo é mesmo muito inocente e vive em um mundo de sonho. Seria tão bom se todo mundo tivesse mesmo bom senso, e se não houvesse estupros!
- Eu até sou a favor do aborto, mas não acho legal ele ser uma opção. - Disse outro amigo.
- Mas já é uma opção. - Eu respondi. E toda aquela história que aborto mata. E eu não acho que nenhuma mulher goste de abortar. Não é fisicamente agradavel; já o moralismo fica por conta de cada um.

15

Li no facebook algo como "Enquanto Rafinha Bastos é processado por uma piada idiota que fez, os políticos continuam roubando em Brasília".
E não processar o Rafinha ia resolver a corrupção???
Enquanto mulher, eu me sinto ofendida de alguém dizer que estuprador merece um abraço.

16

De resto, sou hétero, branca para os padrões brasileiros, classe média alta. Há muito o que não entendo porque felizmente para mim não vivi, nunca me foi um risco.
Todo dia me surpreendo me lembrando como as pessoas vivem, pensam e são diferentes de mim.
Quero viver em um mundo com menos julgamentos e mais liberdade e possibilidades. Um mundo igual para tanta gente diferente.

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Eu poderia discorrer sobre esse assuntos eternamente, mas amanhã cedo tenho aula e ainda me falta muita leitura e organização (ficou ambíguo. Quero dizer leitura e organização sobre os assuntos do post. Embora precise para a aula, também). Espero ter revirado um pouco a terra na cabeça dos leitore com as minhas minhocas, para que a gente possa brotar plantas e trazer frutos
Termino com duas recomendações de leitura on-line:
1- Uma reportagem da bbc sobre crianças que "desafiam os padrões de gênero". Na verdade, sobre os pais dessas crianças fazendo o que deveria ser natural a todo mundo: aceitando-as e as fazendo ser aceitas, como as pessoas normais que elas são. Interessante que a reportagem fala "de filhos que gostam de brinquedos associados ao gênero oposto ou que desde pequenos se declaram como sendo do sexo oposto". Ou seja: o estereótipo de gênero é tão forte que simplesmente gostar dos brinquedos "errados" ainda pode gerar desepero.

2 - O blog da Lola, o qual venho lendo muito e muito me tem aberto a cabeça. Claro que eu não concordo com 100% (não concordo nem com 100% de mim!), mas mesmo que você discorde de tudo vai te fazer pensar. Ou é o que eu sinceramente espero.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Ovomaltine

Chegou no supermercado com objetivo específico, e nada de encontrar a embalagem laranja para adoçar nosso final de tarde. Depois de muito rodar, decidiu pedir ajuda à funcionária:
- Moça, onde fica o ovomaltine?
A moça apontou o final do corredor, e lá ela foi e andou andou e andou.
(Na verdade era um mercado meio pequeno, e nem sequer havia tanto assim o que se andar e andar e andar - foi o que ela me disse, eu nem estava lá. Mas as distâncias aumentam o drama, e vocês bem sabem que tenho as minhas licenças poéticas)
E nada.
Voltou a perguntar:
- Moça, não achei...
- Mas que ovo é esse que você está procurando?
- Aaaan... Não é ovo, é ovomaltine. De chocolate, sabe?
- Ah tá!
E a levou para... os kinderovos.


(Depois minha amiga disse que ainda não era isso, e uma supervisora foi chamada para encontrar o ovomaltine. Fim).

domingo, 9 de outubro de 2011

Pseudoprotesto no Facebook e auto-análise: personagens, princesas e heroínas

Semana passada começou a modinha no Facebook de substituir sua foto no perfil por de algum personagem de quem você gostava quando era criança. Embora o pretexto seja bem bobo ("Protesto contra a violência infantil". Existe esse termo, "violência infantil"? Porque, como eu postei lá, a primeira coisa que me veio a mente foi meu priminho de 4 anos batendo no de 3. E convenhamos que é até mais fácil esse tipo de protesto parar essa violência infantil - "fica quieto e não bata no primo, olha o desenhinho no computador!" - do que a violência contra a criança, mesmo porque eu não acho que alguém a favor da violência contra a criança que porventura esteja no Facebook vá se comover de alguma maneira pelo portesto.), a coisa pegou. Afinal, em primeiro lugar é divertido.
Escolher um desenho que representasse minha infância não foi algo que tenha saído de pronto. Como a Natália, minha cara amiga psicóloga, disse: há muito que se pode tirar das pessoas a partir dos personagens que elas escolheram (ou é isso que pensam as pessoas que pensaram antes de escolher seus personagens).
Antes disso eu lembrei de um post que li há um bom tempo já no Blogueiras Feministas, em que a autora dizia que a Bela (de "A Bela e a Fera") tem síndrome de Estocolmo - afinal, o Fera sequestra o pai dela; para libertá-lo a mantem refém e maltrata; mas por fim ela se apaixona por ele e vice versa e o amor o redime - uma esperança para todas as mulheres que tem relacionamentos violentos! Eu achei essa uma visão um tanto drástica; principalmente porque eu cresci assistindo desenhos da Disney, incluindo "A Bela e a Fera" e sempre gostei de ser respeitada em relacionamentos. Mas é algo que faz pensar nas mensagens que estão em toda a mídia e atividades que a gente participa; e que muitas vezes coisas e comportamentos inocentes podem sim trazer uma mensagem ruim embutida. Quer dizer que você vai se tornar uma pessoa pior? Não necessariamente. Mas eu acho sempre interessante entrar na discussão do que é ou não normal e aceitável; e qual a mensagem implícita.
Com isso na cabeça fiquei pensando nos desenhos que gostava quando criança. Antes de poder me lembrar, sei que gostava da Cinderella. Mas não me pareceu uma ideia condizente ser uma moça loura que canta para passarinhos e espera a fada madrinha ajudá-la a casar com o príncipe. Ainda na fase princesas clássicas, havia a Ariel. Como não querer ser uma sereia ruiva? Meu nome É Costa, Marina, cresci na praia e pincina; e não que eu ponha muita fé em zodiaco, mas sou pisciana. Adoro tudo que seja molhado. Mas... Eu ainda lembro lá pelo final da minha adolescência, quando em algum daqueles momentos aleatórios nos quais você pensa sobre o nada eu me dei conta que a Ariel é uma menina que desobece o pai em busca de um príncipe que ela nem conhece e vai se meter com uma bruxa! Quanta inconsequência, minha gente! Que menina mais desajuizada! Por outro lado, pensando agora, ela sempre teve curiosidade de conhecer a terra, e por mais que a burrada tenha sido em busca de um grande amor imaginário foi uma rebeldia. Ponto para ela pela coragem.
Minha última opção da Disney era a Mulan, minha ídola já de pré-adolescência. Sem dúvida a mais independente de todas as personagens da Disney que agora me ocorrem. Ela finge ser homem para proteger o pai, e se esforça muito para conseguir o que quer. Eu simplesmente amo até hoje a musiquinha do treinamento no acampamento. Ela é a única que conquista um grande feito, além de um grande marido. É até interessante pensar: Cinderella precisa do principe para salvá-la da pobreza; Ariel precisa do príncipe como âncora para a vida que sempre quis. Já Mulan quer é salvar primeiro o pai e depois toda China; o musculoso Xang aparece pelo caminho (que é como eu acho que os amores devem aparecer).
Só não escolhi a Mulan porque eu não tenho olhos puxados, e pelo jeito as pessoas estavam colocando personagens com alguma similaridade física. E que difícil encontrar uma heroina com olhos e cabelos castanhos!
Indo para o critério físico, desprezei rapidamente a Moranguinho - meu apelido de faculdade, pelos cabelos vermelhos que tinha ao entrar. Pensei na Velma do Scooby Doo, com seu jeitinho meio baranga, cabelos curtinho e óculos. Velma é a inteligente, Daphne é a bonita. A vida tem que ser assim? É uma pressão e tanto querer ser as duas coisas, mas mulheres bonitas tem que ser burras? Mulheres inteligentes tem que ser feias? E ainda se falam essas coisas. E, quando não se falam, se pensam. Mesmo sem querer.
Eu gostava mais de O Pequeno Scooby Doo, e não achei no Google nenhum desenho realmente de meu agrado da Velma. Resolvi mudar. As ideias começaram a escacear.
Pensei em outra princesa que gostava, a Anastasia. Bastante virada a moça, querendo descobrir sua família. Mas... Não sou eu.  Pensei na Meg do Hercules, com sua cintura finíssima e histórico de frustração amorosa. Não. Ela nem é a dona do desenho! Pensei na maravilhosa turma da Mônica, faltou identificação com algum personagem específico. Pensei em Pateta o Filme, no Laboratório de Dexter; mas eu gosto mesmo é dos personagens masculinos deles; e, sei lá, eu queria colocar uma garota.
Então eu lembrei da Super Pig. Nossa, como eu a adorava! Uma garota que se transforma em um super-heroi que é um porco. É super frustrada com a aparência, salva todo mundo o tempo inteiro, tem um grupo de amigos malucos. É. Eu não escolhi a Mulan pelos olhos puxados, mas subtamente me dei conta que me identifico com um porco.
Heroína escolhida.

PS: Em inglês, a música do acampamento da Mulan se chama "I´ll take a man out of you"; e os "vão vencer!" do português são "seja homem!" em inglês. A história toda gira sobre a Mulan, mulher, assumindo um papel masculino; mas a tradução brasileira tirou o caráter sexista dessa música. Achei interessante notar.

domingo, 2 de outubro de 2011

Como estudantes de engenharia consertam uma havaiana:

- Socorro, minha havaiana quebrou no meio da universidade! E agora?




(A ideia, pra variar, foi do meu namorado. Todas as fotos acima foram tiradas in loco. A sandália resistiu cerca de 2km, depois rompeu novamente. O reparo foi refeito, dessa vez usando um clip de metal para ajudar a sustentação dos grampos. Resistiu mais 2km, sem romper. Novos testes ainda não foram realizados.)

domingo, 25 de setembro de 2011

Das memórias

A memória prega peças
a vida só acontece mesmo uma vez?
vestidos sempre mudam de cor
e os comentários... evanecem
e os sonhos
ah, os sonhos!

sábado, 17 de setembro de 2011

- Eu acordo porque todo dia posso aprender uma coisa nova. - Ele respondeu assim a minha pergunta - Não academicamente, mas... aprender, sabe? Todo dia; fazendo qualquer coisa... andando para a aula eu descubro todo dia uma coisa diferente.
- É um modo bonito de ver as coisas.
- Não estou dizendo porque é bonito. Estou dizendo porque é verdade.


(Este post me fez lembrar deste aqui. Algum leitor ainda lembra da velhinha do piano?)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Sobre tudo (um insight)

Eu passo o tempo inteiro preocupada com o resultado, e na verdade o mais importante é o processo.

A finalidade é o fim. Preciso aprender a viver de meios.
E o que der errado, paciência. Por que se deveria viver pela (não) glória de instantes, se fazendo eu sorri?


(Numa incontível piada nerd - análise diferencial da felicidade)

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A pergunta que tento responder:

De verdade verdadeira - o que faz eu me levantar todo dia de manhã?
(Não, não é o despertador. Sem piadas. Mas pode por poesia.)

Sobre viados e putas:

Na boa: o que te diz respeito?
E o que o respeito te diz?


Ps: Também se poderia aplicar este post para muitas situações e classes... É tremendamente difícil, mas acho que não-julgamento desnecessário é um excelente exercício.
(Para muitas pessoas, a dificuldade está na definição de desnecessário. Mas há muito de simples hábito.)

domingo, 4 de setembro de 2011

Da bondade das pessoas e uma lembrança do Quintana

Como 90% ou mais das boas conversas, começou com pura e simples baboseira e papo fiado:
- Sabe como é - ela disse - 2012 tá chegando, e todas as pessoas ruins serão levadas embora; só vão restar as pessoas boas...
A outra riu:
- O planeta vai ficar vazio então. Não vai restar ninguém!
E nós três rimos juntas, mas depois começamos a discorrer sobre isso de dividir o mundo entre pessoas boas e más.
"Pessoas boas" está no meio de uma lista enorme de coisas nas quais eu não acredito. A parte positiva disso é que eu também não acredito em "pessoas más". Acho que as pessoas são só pessoas; e ser uma pessoa já é suficientemente complicado para ainda se ter que por em um catálogo. Pessoas fazem coisas boas e más, mesmo porque isso de "coisas boas e más" é algo tão relativo! A pior coisa na qual você pode pensar provavelmente já foi considerada se não boa, ao menos tolerável, para algum grupo de seres humanos que já passou por aqui.
- Mas isso é tremendamente desmotivante! - Disse a primeira. - Porque se não existem pessoas boas, quer dizer que eu não posso nunca ser uma pessoa boa! Então, para que eu vou querer me melhorar?
- Eu não me melhoro para os outros. Eu me melhoro para mim. Não estou querendo me comparar.
Eu achei aquilo tão bonito!
E além disso...
Eu tenho uma paixão por aquilo que é impossível. "O impossível só demora mais"... (É parachoque de caminhão?)
Eu concordo plenamente. E me fez lembrar o Quintana que tive que ler no meu primeiro ano do ensino médio:

DAS UTOPIAS

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!

Mario Quintana - Espelho Mágico

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Porque a maneira como você fala pode ser muito mais importante do que você fala:

Alguns instantes. Foi tudo o que demorou para o cara sentado no fundo da sala reformular o "Puta, é o dia do Rock in Rio!" gritado para os amigos para um comedido "Professora, eu tenho um compromisso no Rio e não poderei comparecer caso a data da prova seja adiada..."

(Uma amiga minha do tempo da Biologia uma vez conseguiu dispensa das aulas por uma semana dizendo aos professores que iria fazer um curso. Só não contou a ninguém que era um curso de circo...)

domingo, 21 de agosto de 2011

Aprendendo

Depois de dois anos e meio tentando porque tentando entrar em medicina, minha irmã - que coleciona revistas de moda e fotografia e já fez um milhão de alterações estéticas bem sucedidas e outras nem tanto no nosso paraense quartinho - tirou de si o peso do estetoscópio e decidiu que estudo das cores era um disciplina universitária, sim senhor!
E quando o nome dela saiu na lista de outro estado, ela consolidou sua paixão pelo tão detestado Enem.
E assim eu fui com ela e meus pais para Curitiba no final do mês passado, em uma versão diferente da imaginada das férias de família; para decidir onde ela iria morar e todos esses pormenores que você não imagina que existam até sua casa se tornar um conceito meio estranho porque se refere a mais de um lugar; e em um deles a água mineral acaba.
A mim é interessante me dar conta que eu já entendo desse processo de escolher moradia. Há sem dúvida um feeling envolvido; um gostar ou não gostar que só se entende com o tempo. Mas iluminação, proximidade com supermercado, qualidade de internet e condição de conservação de tudo são coisas que a gente aprende a valorizar mais. Eu digo que um dia eu vou rir ao lembrar que eu já dividi um apartamento de 25m²; e de todas as coisas absurdas que já aconteceram nele: a sujeira que caia do teto; a vez que eu e a Roomie chegamos em casa numa sexta-feira e a kitnet estava tomada por abelhas, e a gente ficou esperando do lado de fora enquanto a ajuda da imobiliária chegava, apenas para jogar baygon em cima das nossas louças; a eterna disputa pela máquina de lavar compartilhada pelos apartamentos; a chuva tão forte que invadiu meu apartamento pela porta; o portão elétrico automático com tempo errado que atacou meu carro mais de uma vez, uma das quais ele ficou preso e teve que ser erguido por uns quatro ou cinco pedreiros que trabalhavam na obra do lado; o encaixotar e desencaixotar de coisas e o fato de todos os nossos bens caberem em um palio; as reuniões de amigos em que cada um leva seu prato; as pizzas gigantes; o corporativismo de horários e telefonemas antecipados quando se trata de namorados; as soluções mais critativas e surreais dadas a tudo. E por mais que eu queira cair na vida como os meus amigos mais antigos já cairam ou estão caindo, eu ainda gosto muito de tudo isso que é o aqui.
E conversando com a minha irmã eu me divirto vendo ela descobrir também essa vida universitária; ter que procurar comida, mentir o curso no pedágio do trote para poder comprar cervejas ("diz que é medicina"), e testar - bem sucedida! - a habilidade da cafeteira de esquentar carne e fazer miojo.
Porque é para aprender essas coisas que a gente vai para a unviversidade. Eu realmente acho.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Voltando às artes marciais:

- E fulana, cadê?
- Não tá podendo lutar, né? Joelho estourado.
- Puuuutz.... Tá só na fisioterapia?
- Não, natação também.
- Ah é. Natação, o único esporte que você pode fazer quando tá estourado.
- É isso ou xadrez, né?
- Ah não, xadrez é muito violento. Com joelho estourado, só natação e damas.

Dieta séria:

- É claro que pipoca engorda! Já viu o tamanhinho do milho? E olha como ele fica depois de estourar!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Na volta às aulas, o professor:

- Eu vou passar a lista de presença toda aula. E vou bombar por falta! Porque se você não tem um amigo - unzinho! - para assinar a lista por você, você merece bombar.

Enquanto eu falava animadamente de verde piscina e amarelo festa, meu namorado:

- Eu queria entender porque vocês acham tão divertido mudar a cor da ponta dos dedos.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Agenda de uma bagulheira nômade

- Final de dezembro de 2010: arrumei uma mega mudança para ir embora de Campinas para Belém.
- Início de janeiro de 2011: arrumei uma mega mala para ir de Belém para o intercâmbio.
- Meio de maio de 2011: Arrumei duas megas malas e duas malinhas para voltar do intercâmbio para o Brasil.
- Meio de maio de 2011: Arrumei metade das coisas que eu tinha trazido do intercâmbio novamente em Campinas.
- Início de junho de 2011: Arrumei a outra metade das coisas que eu tinha trazido do intercâmbio em Belém. Arrumei também as coisas que eu tinha levado de Campinas para Belém antes do intercâmbio.
- Meio de julho de 2011 - Arrumei em Belém uma mega mudança de volta para Campinas.
- Início de agosto de 2011 - Arrumei a mega mudança que veio/voltou de Belém em Campinas.


~ Talvez tudo fosse mais fácil se eu não precisasse de quinze pares de sapato.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

- Psiiuuu - Ela sussurrou, chegando arrastando-se em casa nas suas roupas de noite; sapato na mão e cabelo desarrumado - Eu não vou escovar os dentes, não conta para as minhas cáries...

- E aí, como foi o intercâmbio?

Eu acho engraçado narrar cinco meses de vida em um esbarrão de corredor.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Aniversário

Meus pais dizem que, quando não se divorciaram na época do meu primeiro aniversário, deram-se conta que o casamento ia durar. Meu pai conta que havia toneladas de doces que demoraram semanas para ficarem prontos e exigirem o trabalho de oito ou dez mãos familiares; e que duas tias minhas que tinham vindo de outra cidade para a festa voltaram com o porta-malas do carro cheio de brigadeiros. Conta também que arrumou mesa com restos para lanches do departamento na faculdade por um tempo que aumenta a cada vez que ele conta a história (desconfio que, do jeito que a coisa vai, até hoje ele ainda serve bandejas de beijinhos e casadinhos daquela festa quando viaja ao Rio de Janeiro).
Mamãe diz que é exagero dele, é claro; mas conta que foi um estresse absurdo e que aquilo a deixou louca. E sorri lembrando do bando de adultos, amigos deles, com chapeuzinhos na cabeça.
Eu obviamente não lembro de nada disso. Festa de primeiro aniversário é para todo mundo, menos para o fofo aniversariante.
***

Lembro de muitas festas grandes quando criança,e de ajudar e comer docinhos de véspera no quintal da minha avó. De encher balão no sopro, ajudar na decoração e encher saquinhos com brindes. Da ansiedade pelo balão enorme entupido de doces. Não lembro qual o primeiro aniversário que não festejei. Mas sei que já há dois anos que apenas saio com a família. Eu nasci em março e honestamente ando angustiada achando que estou velha para a vida universitária que levo; mas estou com vontade de festa de aniversário.
***

E tudo isso para pedir desculpas ao Riscos porque pela primeira vez eu não fiz um post de aniversário. Quatro anos de blog (completos dias 20/7), e estou ficando relapsa! Desculpas aos queridos dez leitores; final de férias divertidamente ocupado para a blogueira aqui. Mas garanto que tudo rende post. Sempre rende.

E minha vó dizia que não se pode comemorar aniversário antes, mas nunca disse nada sobre depois.

Então...

FELIZ ANIVERSÁRIO ATRASADO, RISCOS \o/

domingo, 10 de julho de 2011

Presente para a namorada

Ele brasileiro, ela argentina. Conheceram-se - veja só! - na Alemanha. E depois que o curso acabou passaram um bom tempo sem se ver; e eis que o reencontro se aproximava. Ele quis levar para ela algo da sua terra; a sua mesmo - porque aos estrangeiros o Brazil é homogeneamente lindo e sujo e perigoso e maravilhoso; mas paraense é um bicho que, mesmo com todo o encantamento pelo sudeste, sempre acha que há coisas maravilhosamente maravilhosas que só se acha na estrelinha mais alta da bandeira nacional. Basta ver a quantidade de caixas de isopor que deixam o aeroporto de Belém...
Ele sabia onde procurar - Belém do Pará, domingo de manhã, Praça da República. Mas não sabia o que queria achar, e por isso chamou duas amigas.
- Ela gosta de coisas artesanais? - Uma delas perguntou.
- Eu acho que sim.
- Ela usa vestido? - A outra continuou, e a partir daí as duas se revezaram no interrogatório.
- ...
- Que tipo de roupa ela veste? Calça, short...?
- Bom, estava frio, e ela estava sempre de casaco e calça porque era mais prático...
- Ok. Ela usa brinco?
- Hã... Eu acho que sim...
- Pulseira?
- Hã...
- Colar?
- Não sei...
- Ela tem peitos grandes?
Ele abriu um sorriso sacana a acenou com a cabeça.
- Homem nunca repara no que a gente usa! - Disse uma, meio desiludida com a vida.
E os três foram olhar as barraquinas de artesanato.
- Quanto custa? - Ele perguntou em uma. E não gostou do preço.
- Você tem que barganhar. - Disse uma das garotas.
- E parar de falar que nem paulista. - Disse a outra.
Rodaram, rodaram. Ele gostou de um brinco, e de uma bolsa.
- R$55 é caro? - Ele perguntou.
- Uhum. - Uma delas acenou.
- Chega propondo RS40 - a outra sugeriu.
Mas ele achou R$40 uma ofensa de tão pouco, e perguntou à artesã:
- Faz por R$42?
E as duas amigas se olharam se perguntando quem, raios, oferecia R$42.
Conseguiu por R$50, embora uma delas ainda achasse que sairia menos se ele não parecesse tão turista - a artesã tinha ficado mostrando as semestes pra ela, como se ela nunca tivesse visto sementes na vida!
E enquanto isso, no shopping, muitos algos que não tinham sido feitos únicos e à mão custava muito, muito mais.
Ele saiu de lá feliz da vida. Eu acho que a menina vai gostar.

sábado, 2 de julho de 2011

Só para registrar:

Duas pessoas vieram parar aqui no Riscos pesquisando no Google panela de fondue com vela.
Gambeta universitária rula!
(E é difundida pelo mundo, oh yeah)

Aniversário de criança

Mais importante que o palhaço e os balões; que os chapeuzinho e os brindes; que os pais e o próprio aniversariante - é A MESA. Uma instituição.
É a primeira coisa que todos olham ao chegarem. Colorida e bela, com um bolo gigante e temático. E os docinhos. Ah, os docinhos! Uvinhas mais verdes que os mais cálidos campos verdejantes; beijinhos brancos como a neve; casadinhos doces e agarrados como festival de comédia romântica e brigadeiros... Oh, brigadeiros! São meus favoritos e ao meu ver os reis de qualquer festa. Os outros doces são belos adornos. Distração para a concorrência.
Antes dos parabéns, a mesa é uma donzela virgem intocada. Mal sabe ela, entretanto, que todos os passantes espiam-na, desejosos. Cada um, das menores crianças aos mais sérios adultos, bola seu estrategema. Pois, quando as luzes se apagam, logo depois do ra-tim-bum e do nome do rebento - ou do futuro noivo dedurado no com quem será; talvez - é a hora do saque.
Há, é claro, a regra não escrita de que as crianças são as privilegiadas. Mas é claro que isso não é verdade. Pobres mães e pais; há que haver uma recompensa por se escutar Xuxa só para baixinhos volume 23453.
É essa recompensa é aquela almejada queijadinha, que está a esquerda da Barbie, entre os pirulitos e as jujubas.
Não a regras na guerra. Ganha quem tem braço mais comprido, ou quem é melhor em puxões de cabelo.
Claro que sempre há o tio ou tia que olha feio. Puro disfarce. Sempre acho que, debaixo daquela carranca, há uma mão cheia de uvinhas. E não se deixe seduzir por aquela criança de olhos grandes! Atrás dela, eu lhe garanto, há um pai com a pior das intenções...
Em cinco minutos tudo o que resta é um campo destruído. E então volta a haver civilidade na festinha.
Hora do mágico?

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sintoma de férias:

Eu subo na balança, vejo o quanto estou GORDA e esse vira o PIOR PROBLEMA da minha vida.

Eu preciso urgentemente de algo para ocupar a cabeça.




(Primeiro foram as provas finais da engenharia, aí veio o Natal e Ano Novo, depois eu fui passa o semestre nos EUA e agora estou de férias... O resultado foram 4kg a mais, um peso que eu não tinha há literalmente mais de uma década; e meu IMC - ah, essa adorável medida arbitrária! - indo do meu tradicional limiar do saudável a quase 26. E cá estou eu, novamente tentando descobrir com quantas saladinhas se faz uma DIETA)

terça-feira, 21 de junho de 2011

Se algum dia eu fosse criar uma igreja, uma seita, uma ordem filosófica, uma empresa ou um carrinho de vender cachorro quente, toda a ética, as normas e preceitos seriam contidos numa frase: Não prejudique as pessoas conscientemente; e lembre que você é uma pessoa. O resto é apenas consequência.



(Mais um rabisco antigo recém-encontrado)

terça-feira, 14 de junho de 2011

O encontro

Marquei um encontro comigo mesma,
mas não fui.
Fiquei com medo de perder o platonismo da situação
e me dar conta que, afinal
sou
meramente
Eu.




~ Poema adolescente achado em meio a anotações antigas (estou em época de revirar velharias; o que sempre traz boas surpresas e muito cansaço); acho que nunca o postei aqui...

domingo, 12 de junho de 2011

Sobre absorventes e sacolas plásticas

E lá estava eu, em um dos programas mais mulherzinha do mundo: batendo perna no shopping com a minha irmã. E aí que eu tinha que comprar um pacote de absorventes, e fiz uma pausa na farmácia do shopping para fazer isso. Na fila, eu percebi que tinha esquecido de levar minha sacola renovável. Droga. Mas... paciência; eu precisava comprar aquele pacote, e embora eu não seja entusiasta de sacolas plásticas, eu as uso quando esqueço a minha e a compra não cabe na minha bolsa (como era o caso). 
Cheguei ao caixa, entreguei os absorventes à vendedora, que os ensacou e então pegou meu dinheiro. Aí ela me deu o troco e... Colocou minha sacola plástica dentro de outra sacola plástica!
- Não precisa, é bem levinho. - Disse eu na minha ingenuidade, achando que por algum motivo bizarro aquela vendedora tinha achado o enorme pacote com 32 absorventes pesado e por isso precisava de duas sacolas para ser transportado.
- Ah não, eu estava escondendo ele... - Ela me disse.
ElA, adultA; vendendo absorventes para mim, adultA; em um ambiente predominantemente feminino que é um shopping.
- Não precisa, obrigada. 
Ela me olhou surpresa e tirou a sacola de dentro da outra, e me deu apenas a sacola de dentro com meus absorventes. E quem saiu surpresa fui eu, que olhei para minha irmã, também surpresa, que disse:
- Nossa, vai ver elas são treinadas para isso, né? Esconder coisas tipo absorventes e tals...
- Mas gente, eu sou mulher! A maioria das pessoas aqui é mulher também! E, como metade da população mundial, a gente sangra uma vez por mês, é normal...
Minha irmã caiu na risada. E eu vi que vergonha de mestruação não é mesmo paranóia feminista (eu mesma me descupei no meu primeiro post sobre absorventes; e femininstas não costumam ter nada de paranóicas). Eu até entendo o desconforto de se ficar falando sobre fluidos corporais de um modo geral, porque não é habitual; mas daí a eu ter que esconder o meu pacote de absorventes, e ainda por cima produzir mais lixo por isso? Juro que quase saí segurando ele na mão depois disso (desisti da ideia porque seria extremamente não prático; e do jeito que eu sou distraída ia acabar o esquecendo).
Eu heim!

PS: Eu já linkei este texto no meu facebook (não sei se alguém clicou), mas ele é bem interessante para colocar as coisas sob perspectiva... Para pensar em menstruação como construção cultural.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Receita: fondue universitário

Ingredientes:
(Os ingredientes nos quais não consta a quantidade devem ser dosados de acordo com o número, vontade e bolso dos participantes do fondue)
- 3 latas de bebibas a escolha
- 1 copo de nutella (vazio)
- 8 velas que a sua mãe comprou há três anos atrás "para caso falte luz" e você nunca usou
- Fio dental
- 1 panela pequena (que era do cara que morava com você, foi embora e esqueceu. O detalhe é que a casa atual de vocês não tem fogão)
- 1 dente de alho
- Fondue de queijo (aquele que compra na caixinha, pra derreter na panela. Compre um decente, nisso vale gastar seus dinheiros)
- Fondue de chocolate (mesma coisa)
- Pão italiano
- Morangos
- Uvas
- Maças
- Limões
- Vodka
- Cachaça
- Açucar (É importante lembrar que casas de universitários são diferentes de casas de seres humanos normais. Em uma casa universitária, não há nada de inesperado em não haver coisas do tipo sal, açucar, fogão ou sala. Por isso, lembre-se de comprar o açucar, ou você terá de voltar ao mercado)
- Licor de cereja
- Sukita (Porque é mais barato que fanta)
- Um jogo de cartas
- Um colchão inflável

Modo de Preparo

No dia anterior:
- Beba o conteúdo das latas. Reserve as latas.

Na noite do fondue:
- Corte as velas na metade.
- Amarre quatro metades de vela com fio dental. Derreta a base das velas para fixá-las dentro do copo de nutella.
- Posicione as garrafas de modo a formar uma base triangular. O copo de nutella deve caber no espaço entre as latas. A panela deve se apoiar sobre as latas.
- Corte o pão em cubos.
- Passe o dente de alho na panela
- Coloque o foundue de queijo (a não ser que você goste de chocolate com alho. Aí você pode colocar o de chocolate) na panela.
- Acenda as velas dentro do copo de Nutella. (Não estranhe quando começar a sentir cheiro de menta; é do fio dental queimando). Quando as velas estiverem acabando, coloque outras quatro velas em cima. É bom porque mais cera derretida vai melhorando a fixação. Ao fim da noite, se você fizer tudo direitinho, seu copo de Nutella será transformado em uma vela.
- Mexa o fondue dentro da panela sobre as velas até ele estar quente e bom pra comer (Dica de otimização: coloque algo pesado dentro das latas, tipo pedrinhas ou areia, para poder apoiar a panela sobre as latas enquanto mexe o fondue). Quando o fondue atingir a temperatura e densidade desejadas, abaixe o fogo apagando uma das velas.
- COMAAAAA!!
- Após o término do fondue de queijo, apague as velas.
- Corte as frutas (exceto os limões. A não ser que você goste de comer limões. Mas aí você vai ter que comprar mais limões) em cubos.
- Lave a panela.
- Coloque o fondue de chocolate na panela. Coloque um pouco de licor de cereja também.
- Repita o procedimento de acender as velas e derreter o fondue.
- COMAAAAA!!!



~ Os limões, menos de um quarto da vodka e da cachaça, e açucar são para fazer caipirinhas antes. E a sukita e o restante das garrafas de vodka e cachaça são para fazer porradinhas depois.

Porradinha: sub. fem. Bebida feita misturando um dedo de vodka ou cachaça com um dedo de sukita em um copo de vidro. O nome da bebida se deve à finalização da mesma, feita batendo na perna o copo totalmente tampado com a mão, gritando "porradinhaaaaa!!!".
Nota da blogueira: É importante tampar o copo todo, porque o impacto faz a bebida espumar e sair voando para o rosto dos seus amigos, chão da casa e mesa caso haja espaço para tal.
E o barman da vez costuma ficar com a perna roxa.

~ O jogo de cartas é para diversão inocente antes do fondue e depois para dar desculpa para os shots.

~ O colchão inflável é para exatamente 22h, quando ninguém tiver bebendo nada ainda e a vizinha chata ligar perguntanto se vocês - que estão em seis, conversando sem música - já ouviram falar da Lei do Silêncio. Neste momento, vocês transferem a mesa para a sala e levantam o colchão inflável, que passa a ser usado de porta da sala e isolamento acústico.

sábado, 4 de junho de 2011

Dos cílios

- Faz um pedido. - Eu disse, segurando o cílio no meu indicador. Havia explicado para ele ontem as regras do jogo (quando eu expliquei que quem ficava com o cílio no dedo o guardava na camisa, ele me gozou perguntando se tinha que guardar para sempre).
Hoje ele ainda olhou meio desconfiado.- Faz como?
- Coloca o dedo aqui.
- Esse dedo? - Colocou seu indicador sob o meu.
- É, pode ser. Agora faz um pedido. Não me diz qual.
- Pera um pouco. Mais. Hm...
Enquanto ele pensava, eu fiz o meu desejo e esperei.
- Tá, já sei.
Separamos os dedos.
- Ficou com você?
- Não. Não ficou com você?
- Não.
- Então nenhum dos pedidos vai se realizar. - Expliquei. - Quer dizer, não agora; podem se realizar depois...
(Eu já tive uma discussão super filosófica com um amigo sobre desejos e cílios - então, se você não ficar com o cílio, o desejo não se realiza nunca? E você arriscaria desejá-lo?)
- Bom, não o meu.
- Não? Por que não?
- Eu tinha desejado ficar com o cílio.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Cócegas no soldado

Sinto-me pena
não leve, nem coitada
apenas desajeitadamente emplumada
dançando sob o nariz do soldado

Ele lindo, vestido de prata
e com o chapeu de uma rainha de virtudes que nem mesmo existem
neste mundo

Mas o heroi é bom e se cobra o mundo

Eu não fui criada para o mundo
Mas quero
ser capaz de limpar seus sapatos
sou dele cria

E nisso o soldado me inspira

não parece sério
Tem o sorriso de quem acha o mundo simples
e o estômago machucado de quem não sabe gritar

Meu bom herói
Adulto desde criança

Eu o chamei para dançar
(ou ele me chamou? Não sei)
mas de certa forma encaixamos
nossas pernas e braços e quadris

e encaixamos tão bem encaixado!
ele soldado, eu pluma
ele pedra, eu espuma

Uma pedra que quer voar

muito fácil ser mocinha,
mas quem salva o herói?

o soldado é bem mais que um soldado
não precisa estar soldado

não precisa segurar o mundo que serpenteia

e agora o que eu quero é lhe fazer cócegas
para arrancar mais um riso sincero e incomodado
(daqueles que fazem chorar, porque chorar é preciso
especialmente para quem tem riso leve e estômago machucado)
para tirá-lo do sentido
sem sentido

Tirar-lhe os sentidos

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Não é kitnet, é loft

Para quem não sabe, Barão Geraldo é o distrito de Campinas onde fica a Unicamp. E por ter a Unicamp eles cobram preços de alugueis absolutamente absurdos - acho que é um dos poucos lugares do Brasil em que é barato alugar uma kitnet por R$800 - as mais chiques passam de R$2000; as de R$600 costumam ser lugares horrendos.
Eu e a Roomie dividimos uma kitnet de uns 25m², quarto-cozinha-banheiro sem divisão de cômodos. Mas não é porque é pequena que não pode ser uma gracinha.
Aproveitando a maravilhosa combinação liquidação de adesivos para parede (comprei rolos por dois dolares!) e férias, resolvi dar uma redecorada na nossa casinha. E a Roomie se empolgou e se divertiu horrores também.
Não é mais uma kitnet, é um loft.

Vejam só:

Hall de entrada

Detalhe do interruptor

Sofá da sala (também atende pelo nome de minha cama)


Quarto da Roomie

Detalhe da cabeceira dela

Sala de estudos da Roomie

Minha sala de estudos

Nosso ventilador de teto

Nosso guarda-roupa (não, não cabe tudo aí dentro. Eu guardo algumas coisas nas minhas malas)

Detalhe do guarda-roupa

Nossa sala de jantar


Nossa cozinha

Detalhe da geladeira

O banheiro é branco só, então achei que ele nem merecia uma foto. E ainda temos a nossa varandinha de estender roupa.
Os 25m² mais bonitos de Barão Geraldo.

Bye bye Fargo - Parte 2


(Sim, isso tudo eram minhas malas. As grandes pesavam milagrosamente quase 32 quilos cada - onde 32kg era o limite de peso, ainda acho que a balança do aeroporto foi legal comigo -, as pequenas eu não pesei)

Tinha esquecido de postar as minhas fotos de antes e depois - o efeito que a primavera tardia finalmente causou naquele monte de neve que era Fargo quando eu cheguei e que continuou sendo Fargo até o início de abril.
E lá vamos nós!

Memorial Union (o prédio onde eu passava  a maior parte do tempo, tinha uns sofás bem legais e eu sempre esbarrava com gente conhecida):




Prédio da engenharia mecânica (sim, a FEM da Unicamp é muito mais legal):




 Uma rua qualquer (tinha esquecido desta foto, senão teria batido a nova foto da mesma rua):




Vegetação típica (só a primeira foto é do frio; eu finalmente entendi porque pinheiros são árvores de Natal - eles realmente são a única coisa verde e viva a -30°C):




Meu quarto:



Ir embora foi fechar o ciclo - eu fui a primeira a chegar e a última a sair, e o final pareceu o início. Espaço vazio com cabeça e coração cheios.

Fotos bônus:

Meu dormitório

Casas da vizinhança

Coisas do Campus 


Eu entendi porque lá o ano letivo começa em agosto - não faz mesmo o menor sentido chegar em um lugar que você não conhece quando é impossível andar lá fora; tive que aprender tudo na marra e batendo os dentes. Mas foi divertido.

PS: Sim, Fargo ainda encherá meus posts por muito tempo. Nunca postei tanto na vida e ainda tenho tanto a contar!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Bye bye Fargo

~ Post escrito dia 15/05, no aeroporto de Minneapolis

Acabou.
Fechei a última das minhas três malas (e uma mochila; e eu não paguei excesso de bagagem!), inspecionei pela última vez o quarto, o banheiro e a cozinha. Levei o lixo para fora. Tirei a chave do meu chaveiro e a deixei em cima da mesa, conforme o combinado com o Hall Director, que fez meu check out no dia anterior porque a hora em que eu ia sair no domingo, 8:30h; era muito cedo. Fui a última a deixar o apartamento e depois de mim ele ficou vazio.
Estranho.
Acabou. Quatro meses e dez dias nos EUA, e agora estou voltando para o Brasil.
A sensação é por demais estranha. É a primeira vez que digo adeus verdadeiros; todas as minhas despedidas anteriores foram em tese até-logos (mesmo que algumas no fundo tenham sido adeus). Agora tenho amigos espalhados pelos quatro cantos do globo; e não sei se vou revê-los um dia. Espero que sim.
Sinto-me na obrigação de escrever um post sobre tudo o que vivi; e outros posts sobre coisas que eu queria escrever e não escrevi; mas agora estou sentada no aeroporto esperando meu avião e... Não sei, não me sinto no ânimo. Tenho pelo menos dois posts a acabar e não estou com vontade.
No fundo, não caiu a minha ficha que estou deixando Fargo.
Foram quatro meses difíceis. Eu quase morri de saudades.
Mas...
Criei saudades novas. Sei que vou sentir falta. Não de tudo - eu definitivamente não vou sentir falta da neve. Nem da comida - mas de muito: das conversas absolutamente aleatórias no apartamento, no refeitório, no Memorial Union e na Pink House; dos sotaques; das constantes surpresas com habitos diferentes e iguais; de falar com estranhos. Sim, o que eu mais gostei de Fargo foram as pessoas. Sim, o pior de Fargo foi estar longe das pessoas. Eu disse, eu gosto mesmo é de gente.
Foi bom. Muito bom. Sim, eu faria tudo de novo.
Sinto que ainda não sei tudo o que cresci e aprendi. Na vida tudo é processo, sabe? Acho que só chegando em casa vou perceber  o que mudou, o que mudei. Então é difícil fazer um post de memória, porque ainda estou vivendo tudo. Ainda está tudo muito real e vivo para falar como passado.
O avião vai sair e tenho que desligar o note. Podia continuar escrevendo depois, mas não sei o que.
Bye bye, Fargo.

Ou... Até mais.

Quem sabe?


~ Adendo de agora: o avião não saiu naquela hora. Nem na seguinte. De meia em meia hora eles adiavam. Foram ao todo 5 horas - três planejadas e duas extras. Cheguei em Nova York, desci do avião, vi que meu avião para Guarulhos estava embarcando, saí correndo carregando minha mochila e arrastando minha malinha, machuquei minha mão, entrei suada no avião, e então eles fecharam as portas. Lindo ouvir que o cara do meu lado falava português. Dormi maravilhosamente bem como sempre durmo, acordei já de manhã. Estava longe da janela, mas espiei as casinhas pobres perto do aeroporto que se aproximava. As casinhas pobres do meu país! Meu coração solavancou junto com o avião quando tocamos meu chão. Meu! País!
Depois de pegar as malas e do free shop, meu namorado me esperava para um dia feliz. E meus amigos compraram salgadinhos e fizeram brigadeiro para me esperar, de surpresa.