Eu costumo pensar que minha vida é uma comédia. Ontem, por exemplo, tive mais um capítulo. A Roomie disse que tinha que virar post. Mamãe também. Certo, vamos lá.
Como diz uma amiga minha: Deus tem um senso de humor bizarro.
O clichê é o seguinte: o mocinho está atolado em problemas. O mocinho senta em um banco da praça, leva o rosto as mãos, e diz, voz desolada no rosto caricato de comédia:
- Não tem como piorar.
E aí, chove.
Ontem o que aconteceu foi uma variação do tema.
Estávamos eu e a Roomie aqui na nossa kitnet, na tradicional tragédia que os finais de semestre são. Provas infinitas, prazos apertados, pouco sono, um calor dos infernos que dava sono e vontade de ir à praia (se estivéssemos em julho, eu estaria reclamando que estava frio, e que não dava pra sair de debaixo do edredon sem bater os dentes, que frio dava sono). Aí... chove.
Aliás, não chove. Preciso de um verbo maior. Tempestada.
Parecia que o mundo ia acabar. A gente mora numa kitnet no segundo andar, e de repente começou a alagar nossa casa. Entrava água pela janela fechada, numa fresta que a gente nunca tinha visto, e alagava a cama da Roomie e embaixo dela (e quando você mora em uma kitnet de 25m², alagar debaixo da cama é o mesmo que alagar seu guarda-roupa, dada a quantidade de coisas que estão lá). Entrava água pos três dimensões da porta (duas laterais e por baixo), em esguichos cada vez mais fortes. Isso porque tem telhado fazendo sombra e uma varanda na frente da nossa porta! Ventava, ventava, e a gente brigava com rodo e nossos poucos panos na tentativa de salvar tudo e ria nervosa se sentindo em uma tragédia de jornal. Tirava as coisas de perto da água, levantava o que estava no chão, tirava notebooks e microondas da tomada; enquanto mais água entrava, e a gente não tinha como limpar; piscava luz, a gente tirava as coisas do caminho e torcia os panos, e mais água, água água... Casa alagada, coisas espalhadas... Era o caos.
Ou era o que a gente achava na hora. Porque aí depois de uma meia hora a chuva amainou um pouco, e a Roomie abriu a porta para jogar a água com o rodo pela varanda enquanto eu espremia os panos molhados na pia do banheiro.
Acho que ouvi ela exclamar chocada antes de me chamar:
- Ma... Lembra do nosso lixinho que estava na varanda?
(Nota: a gente costuma tirar o lixo da casa e deixar na varanda, para descer ele quando for sair)
- Ah...
Casa alagada, coisas espalhadas, lixo no chão do quintal coletivo. Agora sim era o caos.
- Ele caiu lá pra baixo - ela continuou - E abriu. Esparramou. Era lixo de banheiro...
Faltava algo?
Catei rápido os panos torcidos e fui olhar a varanda. E ansiosa que estava para ver a varanda não olhei minha escrivaninha, e esbarrei num copo de vidro que estava lá. Cacos espatifados pelo chão.
Casa alagada de água marrom, coisas espalhadas por todo o canto, edredon e colchão molhado, vidro pelo chão.
E olhando pela varanda...
Papel higienico usado espalhado pelo quintal.
Que bosta. Literalmente.
Começamos pelos cacos de vidro. Catei os maiores, a Roomie usou a técnica da sua avó:
- Ma, pega pão.
Pão gruda os cacos.
Chão sem vidro, fomos à varanda. Dois vizinhos riam.
- Eu achei mesmo estranho. - Disse o que mora na kitnet debaixo da nossa - Vi aqueles papeis voando na minha janela...
É. Papel higiênico usado molhado caindo na janela dele. Que bom que ele achou engraçado.
- Olha, alguém usa absorvente da marca laranja! - Disse o outro.
(Engraçado ele achar que laranja é marca).
Tinha absorvente na caixa do gato de um deles.
(O gato é totalmente ilegal, o contrato da kitnet proíbe animais. Mas é um bom gatinho, ninguém implica. Só costuma fazer cocô no jardim que fica na janela do mesmo vizinho na qual o papel higiênico usado caiu...)
E eu e a Roomie catamos sacolas para usar de luvas e juntar a sujeira, apesar deles sugerirem deixar para a moça da limpeza, que vem... na quinta. Meus vizinhos são pessoas extremamente sossegadas.
Ainda chovia enquanto a gente catava o papel higiênico. Depois a gente lavou a mão com detergente e resolveu tomar um banho. Quase uma hora tinha se passado (e uma hora é tanto tempo quando uma semana com quatro provas te espera!)
Então fomos comer um hotdog para contar a história ao namorado e aos amigos e respirar.
Como diz uma amiga minha: Deus tem um senso de humor bizarro.
O clichê é o seguinte: o mocinho está atolado em problemas. O mocinho senta em um banco da praça, leva o rosto as mãos, e diz, voz desolada no rosto caricato de comédia:
- Não tem como piorar.
E aí, chove.
Ontem o que aconteceu foi uma variação do tema.
Estávamos eu e a Roomie aqui na nossa kitnet, na tradicional tragédia que os finais de semestre são. Provas infinitas, prazos apertados, pouco sono, um calor dos infernos que dava sono e vontade de ir à praia (se estivéssemos em julho, eu estaria reclamando que estava frio, e que não dava pra sair de debaixo do edredon sem bater os dentes, que frio dava sono). Aí... chove.
Aliás, não chove. Preciso de um verbo maior. Tempestada.
Parecia que o mundo ia acabar. A gente mora numa kitnet no segundo andar, e de repente começou a alagar nossa casa. Entrava água pela janela fechada, numa fresta que a gente nunca tinha visto, e alagava a cama da Roomie e embaixo dela (e quando você mora em uma kitnet de 25m², alagar debaixo da cama é o mesmo que alagar seu guarda-roupa, dada a quantidade de coisas que estão lá). Entrava água pos três dimensões da porta (duas laterais e por baixo), em esguichos cada vez mais fortes. Isso porque tem telhado fazendo sombra e uma varanda na frente da nossa porta! Ventava, ventava, e a gente brigava com rodo e nossos poucos panos na tentativa de salvar tudo e ria nervosa se sentindo em uma tragédia de jornal. Tirava as coisas de perto da água, levantava o que estava no chão, tirava notebooks e microondas da tomada; enquanto mais água entrava, e a gente não tinha como limpar; piscava luz, a gente tirava as coisas do caminho e torcia os panos, e mais água, água água... Casa alagada, coisas espalhadas... Era o caos.
Ou era o que a gente achava na hora. Porque aí depois de uma meia hora a chuva amainou um pouco, e a Roomie abriu a porta para jogar a água com o rodo pela varanda enquanto eu espremia os panos molhados na pia do banheiro.
Acho que ouvi ela exclamar chocada antes de me chamar:
- Ma... Lembra do nosso lixinho que estava na varanda?
(Nota: a gente costuma tirar o lixo da casa e deixar na varanda, para descer ele quando for sair)
- Ah...
Casa alagada, coisas espalhadas, lixo no chão do quintal coletivo. Agora sim era o caos.
- Ele caiu lá pra baixo - ela continuou - E abriu. Esparramou. Era lixo de banheiro...
Faltava algo?
Catei rápido os panos torcidos e fui olhar a varanda. E ansiosa que estava para ver a varanda não olhei minha escrivaninha, e esbarrei num copo de vidro que estava lá. Cacos espatifados pelo chão.
Casa alagada de água marrom, coisas espalhadas por todo o canto, edredon e colchão molhado, vidro pelo chão.
E olhando pela varanda...
Papel higienico usado espalhado pelo quintal.
Que bosta. Literalmente.
Começamos pelos cacos de vidro. Catei os maiores, a Roomie usou a técnica da sua avó:
- Ma, pega pão.
Pão gruda os cacos.
Chão sem vidro, fomos à varanda. Dois vizinhos riam.
- Eu achei mesmo estranho. - Disse o que mora na kitnet debaixo da nossa - Vi aqueles papeis voando na minha janela...
É. Papel higiênico usado molhado caindo na janela dele. Que bom que ele achou engraçado.
- Olha, alguém usa absorvente da marca laranja! - Disse o outro.
(Engraçado ele achar que laranja é marca).
Tinha absorvente na caixa do gato de um deles.
(O gato é totalmente ilegal, o contrato da kitnet proíbe animais. Mas é um bom gatinho, ninguém implica. Só costuma fazer cocô no jardim que fica na janela do mesmo vizinho na qual o papel higiênico usado caiu...)
E eu e a Roomie catamos sacolas para usar de luvas e juntar a sujeira, apesar deles sugerirem deixar para a moça da limpeza, que vem... na quinta. Meus vizinhos são pessoas extremamente sossegadas.
Ainda chovia enquanto a gente catava o papel higiênico. Depois a gente lavou a mão com detergente e resolveu tomar um banho. Quase uma hora tinha se passado (e uma hora é tanto tempo quando uma semana com quatro provas te espera!)
Então fomos comer um hotdog para contar a história ao namorado e aos amigos e respirar.
Um comentário:
Como dizemos aqui no Pará: égua!!!!
irene weyl
Postar um comentário