"Lindo", eu pensei; "lindo", e acariciei-o. Todo o tempo dedicado, todo o carinho envolvido.
Sim, lindo.
Lindo mas chato, lindo mais banal, lindo de bom dia.
Ah, não gosto que minha vida seja feita de bom dia!
Lá fora, um dia lindo ensolarado.
Como se o tempo pedisse uma mudança como as mudanças de fases pedem, mesmo que a mudança seja uma volta - porque as voltas nunca são exatamentes voltas; porque o que volta é clichê e verdadeiramente sempre algo diferente do que foi.
Lindo, é hora de dizer adeus.
E assim, depois de um ano e meio... eu decidi mais uma vez cortar bem curto o meu cabelo.
E pode rir, mas essa é realmente uma decisão marcante na vida de uma mulher. (bom, pelo menos na minha)
Pela última vez olhei no espelho minhas madeixas compridas e escuras. Ah, como eu as adorava! Mas... Cansei.
Mudar o cabelo é sempre meio mudar de vida. No meu caso, perder um pouco dessa carinha de moça séria e tranquila; deixar no canto a estrangeira fofa par voltar a ser a paraense longe de casa estudando engenharia.
(Eu realmente acho que acabei de descrever alguém que aguenta porrada)
A cabeleleira, uma menina novinha de uns olhões azuis, braços tatuados, piercing na boca e um cabelo curto lindo, se empolgou muito comigo. Disse que adora grandes mudanças e que era o máximo ter um cabelão como o meu para brincar. E talvez por isso, ou talvez porque essa não foi a primeira vez que cortei o cabelo bem curto, meu coração não apertou na primeira tesourada jogando uma mecha enorme no chão.
- Você com certeza foi o corte mais legal que eu já fiz! - Disse ela, no final; e eu fiquei com vontade de chamá-la para um café.
Estou curtindo muito meu novo velho curto.