quinta-feira, 26 de maio de 2011

Não é kitnet, é loft

Para quem não sabe, Barão Geraldo é o distrito de Campinas onde fica a Unicamp. E por ter a Unicamp eles cobram preços de alugueis absolutamente absurdos - acho que é um dos poucos lugares do Brasil em que é barato alugar uma kitnet por R$800 - as mais chiques passam de R$2000; as de R$600 costumam ser lugares horrendos.
Eu e a Roomie dividimos uma kitnet de uns 25m², quarto-cozinha-banheiro sem divisão de cômodos. Mas não é porque é pequena que não pode ser uma gracinha.
Aproveitando a maravilhosa combinação liquidação de adesivos para parede (comprei rolos por dois dolares!) e férias, resolvi dar uma redecorada na nossa casinha. E a Roomie se empolgou e se divertiu horrores também.
Não é mais uma kitnet, é um loft.

Vejam só:

Hall de entrada

Detalhe do interruptor

Sofá da sala (também atende pelo nome de minha cama)


Quarto da Roomie

Detalhe da cabeceira dela

Sala de estudos da Roomie

Minha sala de estudos

Nosso ventilador de teto

Nosso guarda-roupa (não, não cabe tudo aí dentro. Eu guardo algumas coisas nas minhas malas)

Detalhe do guarda-roupa

Nossa sala de jantar


Nossa cozinha

Detalhe da geladeira

O banheiro é branco só, então achei que ele nem merecia uma foto. E ainda temos a nossa varandinha de estender roupa.
Os 25m² mais bonitos de Barão Geraldo.

Bye bye Fargo - Parte 2


(Sim, isso tudo eram minhas malas. As grandes pesavam milagrosamente quase 32 quilos cada - onde 32kg era o limite de peso, ainda acho que a balança do aeroporto foi legal comigo -, as pequenas eu não pesei)

Tinha esquecido de postar as minhas fotos de antes e depois - o efeito que a primavera tardia finalmente causou naquele monte de neve que era Fargo quando eu cheguei e que continuou sendo Fargo até o início de abril.
E lá vamos nós!

Memorial Union (o prédio onde eu passava  a maior parte do tempo, tinha uns sofás bem legais e eu sempre esbarrava com gente conhecida):




Prédio da engenharia mecânica (sim, a FEM da Unicamp é muito mais legal):




 Uma rua qualquer (tinha esquecido desta foto, senão teria batido a nova foto da mesma rua):




Vegetação típica (só a primeira foto é do frio; eu finalmente entendi porque pinheiros são árvores de Natal - eles realmente são a única coisa verde e viva a -30°C):




Meu quarto:



Ir embora foi fechar o ciclo - eu fui a primeira a chegar e a última a sair, e o final pareceu o início. Espaço vazio com cabeça e coração cheios.

Fotos bônus:

Meu dormitório

Casas da vizinhança

Coisas do Campus 


Eu entendi porque lá o ano letivo começa em agosto - não faz mesmo o menor sentido chegar em um lugar que você não conhece quando é impossível andar lá fora; tive que aprender tudo na marra e batendo os dentes. Mas foi divertido.

PS: Sim, Fargo ainda encherá meus posts por muito tempo. Nunca postei tanto na vida e ainda tenho tanto a contar!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Bye bye Fargo

~ Post escrito dia 15/05, no aeroporto de Minneapolis

Acabou.
Fechei a última das minhas três malas (e uma mochila; e eu não paguei excesso de bagagem!), inspecionei pela última vez o quarto, o banheiro e a cozinha. Levei o lixo para fora. Tirei a chave do meu chaveiro e a deixei em cima da mesa, conforme o combinado com o Hall Director, que fez meu check out no dia anterior porque a hora em que eu ia sair no domingo, 8:30h; era muito cedo. Fui a última a deixar o apartamento e depois de mim ele ficou vazio.
Estranho.
Acabou. Quatro meses e dez dias nos EUA, e agora estou voltando para o Brasil.
A sensação é por demais estranha. É a primeira vez que digo adeus verdadeiros; todas as minhas despedidas anteriores foram em tese até-logos (mesmo que algumas no fundo tenham sido adeus). Agora tenho amigos espalhados pelos quatro cantos do globo; e não sei se vou revê-los um dia. Espero que sim.
Sinto-me na obrigação de escrever um post sobre tudo o que vivi; e outros posts sobre coisas que eu queria escrever e não escrevi; mas agora estou sentada no aeroporto esperando meu avião e... Não sei, não me sinto no ânimo. Tenho pelo menos dois posts a acabar e não estou com vontade.
No fundo, não caiu a minha ficha que estou deixando Fargo.
Foram quatro meses difíceis. Eu quase morri de saudades.
Mas...
Criei saudades novas. Sei que vou sentir falta. Não de tudo - eu definitivamente não vou sentir falta da neve. Nem da comida - mas de muito: das conversas absolutamente aleatórias no apartamento, no refeitório, no Memorial Union e na Pink House; dos sotaques; das constantes surpresas com habitos diferentes e iguais; de falar com estranhos. Sim, o que eu mais gostei de Fargo foram as pessoas. Sim, o pior de Fargo foi estar longe das pessoas. Eu disse, eu gosto mesmo é de gente.
Foi bom. Muito bom. Sim, eu faria tudo de novo.
Sinto que ainda não sei tudo o que cresci e aprendi. Na vida tudo é processo, sabe? Acho que só chegando em casa vou perceber  o que mudou, o que mudei. Então é difícil fazer um post de memória, porque ainda estou vivendo tudo. Ainda está tudo muito real e vivo para falar como passado.
O avião vai sair e tenho que desligar o note. Podia continuar escrevendo depois, mas não sei o que.
Bye bye, Fargo.

Ou... Até mais.

Quem sabe?


~ Adendo de agora: o avião não saiu naquela hora. Nem na seguinte. De meia em meia hora eles adiavam. Foram ao todo 5 horas - três planejadas e duas extras. Cheguei em Nova York, desci do avião, vi que meu avião para Guarulhos estava embarcando, saí correndo carregando minha mochila e arrastando minha malinha, machuquei minha mão, entrei suada no avião, e então eles fecharam as portas. Lindo ouvir que o cara do meu lado falava português. Dormi maravilhosamente bem como sempre durmo, acordei já de manhã. Estava longe da janela, mas espiei as casinhas pobres perto do aeroporto que se aproximava. As casinhas pobres do meu país! Meu coração solavancou junto com o avião quando tocamos meu chão. Meu! País!
Depois de pegar as malas e do free shop, meu namorado me esperava para um dia feliz. E meus amigos compraram salgadinhos e fizeram brigadeiro para me esperar, de surpresa.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Mais preparação de adeus

Quanto mais lugares eu conheço, mais eu percebo que do que eu gosto é de gente.
E como gosto! Gosto fácil e rápido e depois continuo gostando.
Meu mundo é grande por todo mundo.

domingo, 8 de maio de 2011

Preparação de adeus

Ontem no shopping, procurando uma lembrancinha para presente, vi uma caneca com uma daqulas frases que te fazem sorrir. Algo como:


"Viva intensamente as pequenas coisas. Porque depois, quando você lembrar delas, verá que foram grandes."

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Cortando

"Lindo", eu pensei; "lindo", e acariciei-o. Todo o tempo dedicado, todo o carinho envolvido. 
Sim, lindo.
Lindo mas chato, lindo mais banal, lindo de bom dia.
Ah, não gosto que minha vida seja feita de bom dia!
Lá fora, um dia lindo ensolarado.
Como se o tempo pedisse uma mudança como as mudanças de fases pedem, mesmo que a mudança seja uma volta - porque as voltas nunca são exatamentes voltas; porque o que volta é clichê e verdadeiramente sempre algo diferente do que foi.
Lindo, é hora de dizer adeus.
E assim, depois de um ano e meio... eu decidi mais uma vez cortar bem curto o meu cabelo.
E pode rir, mas essa é realmente uma decisão marcante na vida de uma mulher. (bom, pelo menos na minha)
Pela última vez olhei no espelho minhas madeixas compridas e escuras. Ah, como eu as adorava! Mas... Cansei.
Mudar o cabelo é sempre meio mudar de vida. No meu caso, perder um pouco dessa carinha de moça séria e tranquila; deixar no canto a estrangeira fofa par voltar a ser a paraense longe de casa estudando engenharia.
(Eu realmente acho que acabei de descrever alguém que aguenta porrada)
A cabeleleira, uma menina novinha de uns olhões azuis, braços tatuados, piercing na boca e um cabelo curto lindo, se empolgou muito comigo. Disse que adora grandes mudanças e que era o máximo ter um cabelão como o meu para brincar. E talvez por isso, ou talvez porque essa não foi a primeira vez que cortei o cabelo bem curto, meu coração não apertou na primeira tesourada jogando uma mecha enorme no chão.
- Você com certeza foi o corte mais legal que eu já fiz! - Disse ela, no final; e eu fiquei com vontade de chamá-la para um café.
Estou curtindo muito meu novo velho curto.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Shirtless

Roomate 1 - Olha, Marina, você podia ficar com aquele cara!
(Apontando cara randômico passando na rua enquanto estávamos no carro)
Eu - Ahn... Não, obrigada, eu tenho um namorado.
Roomate 2 - Sim, ela tem um namorado! E ele está sempre sem camisa.
Roomate 1 -Sem camisa?
Roomate 2 - Sim, sempre que eu vejo eles falando no Skype ele está sem camisa.
Eu - É quente lá e ele mora com 2 outros caras. Eles costumam ficar sem camisa.
Roomate 1 - Sério?
Eu - Bom, é tão quente que até na universidade tem caras sem camisa.
Roomate 1- Na universidade???
Eu - Uhum.
Roomate 2 - Quão longe é o Brasil, mesmo? Eu tenho que ir pra lá.
Roomate 1 - Nós temos.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Aprendendo sua língua com a língua dos outros

Claro que eu sei o que é um tesoureiro; mas sempre que a palavra me vem a mente eu não posso evitar imaginar tesouras. E tesouras de costura, não me pergunte porque. Pra mim tesoureiro era palavra prima de alfaiate.
Agora estava lendo um capítulo do meu livro de public speaking para a prova e me deparei com a palavra "treasurer". E matutei: "Olha, é parecido! Será que tem a mesma origem? Treasurer vem de treasure; tesoureiro vem de... tesouro!"
Sim, foi realmente uma surpresa.

(Eu nunca tinha me dado conta do quanto inglês e português são parentes não tão distantes até ver coreanos, chineses e japoneses se virando. Uma amiga minha coreana - sim, sempre coreanos - comentou como deve ser simples ter palavras quase iguais, que você só tem que mudar umas letras. Eu percebo a dificuldade deles cada vez que me deparo com um termo técnico novo que é cognato e sigo lendo normalmente enquanto para eles é uma enorme pausa. Para mim já é tão impressionante eles dominarem mais de um alfabeto! - ok, o deles não chama alfabeto, mas acho que posso chamar assim para me explicar - Nossa gramática portuguesa é muito parecida com a inglesa também; a posição de sujeitos, verbos e complementos - e eu acho que está ficando cada vez mais parecida, já que cada vez mais lemos textos em português traduzidos do inglês que usam portanto a gramática dura deles; o que eu mais gosto da gramática da minha língua é como ela é fluida e me permite inverter a ordem das palavras, suprimir sujeitos e me perder nas minhas ideias...)