quinta-feira, 19 de maio de 2011

Bye bye Fargo

~ Post escrito dia 15/05, no aeroporto de Minneapolis

Acabou.
Fechei a última das minhas três malas (e uma mochila; e eu não paguei excesso de bagagem!), inspecionei pela última vez o quarto, o banheiro e a cozinha. Levei o lixo para fora. Tirei a chave do meu chaveiro e a deixei em cima da mesa, conforme o combinado com o Hall Director, que fez meu check out no dia anterior porque a hora em que eu ia sair no domingo, 8:30h; era muito cedo. Fui a última a deixar o apartamento e depois de mim ele ficou vazio.
Estranho.
Acabou. Quatro meses e dez dias nos EUA, e agora estou voltando para o Brasil.
A sensação é por demais estranha. É a primeira vez que digo adeus verdadeiros; todas as minhas despedidas anteriores foram em tese até-logos (mesmo que algumas no fundo tenham sido adeus). Agora tenho amigos espalhados pelos quatro cantos do globo; e não sei se vou revê-los um dia. Espero que sim.
Sinto-me na obrigação de escrever um post sobre tudo o que vivi; e outros posts sobre coisas que eu queria escrever e não escrevi; mas agora estou sentada no aeroporto esperando meu avião e... Não sei, não me sinto no ânimo. Tenho pelo menos dois posts a acabar e não estou com vontade.
No fundo, não caiu a minha ficha que estou deixando Fargo.
Foram quatro meses difíceis. Eu quase morri de saudades.
Mas...
Criei saudades novas. Sei que vou sentir falta. Não de tudo - eu definitivamente não vou sentir falta da neve. Nem da comida - mas de muito: das conversas absolutamente aleatórias no apartamento, no refeitório, no Memorial Union e na Pink House; dos sotaques; das constantes surpresas com habitos diferentes e iguais; de falar com estranhos. Sim, o que eu mais gostei de Fargo foram as pessoas. Sim, o pior de Fargo foi estar longe das pessoas. Eu disse, eu gosto mesmo é de gente.
Foi bom. Muito bom. Sim, eu faria tudo de novo.
Sinto que ainda não sei tudo o que cresci e aprendi. Na vida tudo é processo, sabe? Acho que só chegando em casa vou perceber  o que mudou, o que mudei. Então é difícil fazer um post de memória, porque ainda estou vivendo tudo. Ainda está tudo muito real e vivo para falar como passado.
O avião vai sair e tenho que desligar o note. Podia continuar escrevendo depois, mas não sei o que.
Bye bye, Fargo.

Ou... Até mais.

Quem sabe?


~ Adendo de agora: o avião não saiu naquela hora. Nem na seguinte. De meia em meia hora eles adiavam. Foram ao todo 5 horas - três planejadas e duas extras. Cheguei em Nova York, desci do avião, vi que meu avião para Guarulhos estava embarcando, saí correndo carregando minha mochila e arrastando minha malinha, machuquei minha mão, entrei suada no avião, e então eles fecharam as portas. Lindo ouvir que o cara do meu lado falava português. Dormi maravilhosamente bem como sempre durmo, acordei já de manhã. Estava longe da janela, mas espiei as casinhas pobres perto do aeroporto que se aproximava. As casinhas pobres do meu país! Meu coração solavancou junto com o avião quando tocamos meu chão. Meu! País!
Depois de pegar as malas e do free shop, meu namorado me esperava para um dia feliz. E meus amigos compraram salgadinhos e fizeram brigadeiro para me esperar, de surpresa.

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