quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Blog? Argh...

Uma das razões que me fez criar um blog foi a vontade de fugir um pouco do mundo fotologger, que estava me cansando por demais. Estava cansada de tanto ego, tanta pose, tanto EU e tanto tudo. Queria mais paz, mais palavras e só.
Só que, nossa, começo a achar que eu estava errada. Nesse para mim novo mundo blogger não há tanta pose, mas há EU demais. É desgastante, nossa! Ver tanta gente falando de si. Seus problemas, sua vida, seus...
Dá vontade de gritar. Tanto EU me sufoca. E me envergonha de ter um lugar para falar do meu EU também. Quanto mais blogs eu visito, menos me dá vontade de manter e divulgar este aqui. Não sei mentir elogios. Não teria paciência para comentar.
Cansa, cansa e como! Sugar a vida alheia me desgasta! Tanta gente e tão pouca coisa de interessante a dizer, tão pouco a acrescentar! Por que tanta necessidade de exposição, necessidade do outro?
Não quero desgastar os outros com a minha vida. Gastar o precioso tempo alheio. Eu me sinto mal fazendo isso. Enfiando palavras inúteis na vida dos outros.
Meus pensamentos não tem nada de particular, não sei fazer bons poemas, não conto boas piadas, minha escrita é bem sem-sal, e sou só uma boa menina de dezenove anos que vive de mesada e bolsa de iniciação científica e que nunca irá escrever sobre trepadas. Nossa, a palavra “trepadas” me constrange.
Ter esse blog me constrange.
Primeira crise dele, primeira crise disso. Talvez precise de um tempinho longe daqui para me recompor.
(Ou talvez volte amanhã, quem sabe.)

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Movimento "Vale a pena ler de novo"

Fui convidada pela Adriana Araújo Adriana Araújo (Infinito Particular) para participar da deste movimento (abaixo da parte principal do post há uma explicação do que se trata). Eu quase decido não aderir, porque esse blog é muito novinho e nem tem nada de tão especial ainda; mas daí decidi contornar um pouco as regras e postar de novo algo do meu fotolog. Afinal ele também é meu e tem muito do estilo desse blog, basta revirar os arquivos para ver.

Bem, aí vai o post!

(Clique aqui para ler a versão original dele)


Cabeça borbulhando de projetos tolos e com insights de auto-ajuda travestida em pseudo-filosofia. Palavras que decidiram ficar em seqüência na cabeça e o no pc, com direito a breves rabiscos no papel para não se perderem no caminho:
A vida na verdade é simples, muito simples. Nós é que insistimos em a complicar. E, sabe de uma coisa? Isso é ótimo! A capacidade de complicar é o que nos torna humanos. Ou você acha que seu cachorro entra em crise existencial quem-somos-de-onde-viemos-para-onde-vamos-qual-o-sentido-disso-tudo? Ou você acha que ele fica chateado no final de um filme? Ou você acha que ele se preocupa com peso, com o que vão achar dele e com o pêlo?
Ah, faça-me um favor... Não leve tudo tão a sério! Ou leve, mas de um jeito leve. Sabendo que é a única fatalidade é o passado, que não se pode mudar; sendo o resto tudo escolhas... Sim, dá para largar tudo. E viver como? Decida-se. E se não se decidir é porque decidiu ficar como está.
Sinceramente, nada disso realmente importa. O que importa é com o que você se importa. Sem maiores justificativas. Viva e deixe viver.
(eu deveria repetir isso todos os dias em frente ao espelho)



Movimento entre Blogs – Vale a pena ler de novo -

1. Qualquer blog convocado pode participar

2. O blogueiro que participar deve escolher um de seus textos (de sua autoria) que você mais gostou (sabe? aquele que quando você acabou de postar você disse para si mesmo: eu estou inspirado hoje!), e então republicá-lo, podendo trocar foto, modificá-lo de algum jeito.

3 . Escrever a frase: ‘Movimento – Vale a pena ler de novo’ no final do texto, só para identificar como participante juntamente a essas regras.

4 . Convoque mais 5 blogs para esse movimento colocando os links deles no seu post republicado.


5 . Se você foi convocado mais de uma vez, se quiser, republique mais algum que você goste.
Criado pelo blog: A ótica de um míope.



Pois é, infelizmente terei de descumprir a regra número 4, porque ainda estou novinha nesse mundo blogger. Ainda não visitei muitos para decidir quais têm algo em comum com este aqui, ou algo de bem interessante, para linkar e repassar a campanha adiante. Fico devendo essa. Quem sabe mais tarde...
E se alguém que me visita têm um blog e quiser deixar um comentário para a gente ver se tem algo em comum para trocar link, sinta-se à vontade. Eu ficarei feliz.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Comentando um livro: “A Sobrevivência dos Mais Doentes”

Há umas três semanas atrás, quando comprei este livro, decidi que valeria a pena fazer um post sobre ele. Hoje terminei de lê-lo, e cá está o post.

Meu primeiro contato com este livro não poderia ser mais despretensioso: um simples passeio em uma livraria. Não sei porque me dei ao trabalho de pegá-lo para folhear, não com essa capa feia e título idiota: “A sobrevivências dos mais doentes”. Juro que pensei que se tratava de um volume de auto-ajuda. O subtítulo também não ajuda muito: “Um estudo radical das doenças como um fator de sobrevivência”. Nossa, o pessoal que faz as capas da Elsevier deveria estudar um pouco mais de marketing. Fundo branco, letra vermelha, nome do autor com título (“Dr”) na frente, cadeia de DNA. Feio e apelativo. Auto-ajuda, sem dúvida.
Na verdade, acho que foi o selo da Elsevier que me fez pegá-lo. É, eu sei que a Elsevier não publica auto-ajuda. E também as palavras em cima, comparando o livro com "Freakonomics". Eu não li "Freakonomics", mas também sei que não é auto-ajuda. E então li a contracapa. Era pouco atrativa e parecia escrita para crianças, mas definitivamente não era auto-ajuda. Menos mal. E então decidi folhear.
Surpresa: escrita atraente, idéias interessantes. Perspectiva evolutiva sobre doenças. Nossa, eu gosto disso. Bioquímica, genética, doenças, evolução, minha língua.
E então eu comprei o livro, e devo dizer que foi uma boa aquisição. Foi muito bom tê-lo na bolsa comigo, é realmente fascinante. Padece do mal típico dos livros feitos para leigos – explicações tediosas e simplistas a quem já entende algo do assunto, além de uma desagradável superlativação de teorias – algumas bem desacreditadas - , praticamente dadas como fatos. Ah, um tom criacionista na conclusão é desanimador também.
Mas agora que alertei-os quanto aos defeitos, recomendo-o pelas qualidades. Daria este livro a um estudante de Ensino Médio, caso o quisesse roubar para a minha área. Não tem como não achar a biologia absolutamente fascinante e ficar com a cabeça cheia de idéias enquanto se o lê.

“Está parecendo uma lata de sardinha.”

Uma das coisas que decidi quando criei este blog foi que não faria nele posts muito focados em mim e na minha vida. Mas acho que há situações que merecem exceções. (Quem costuma ler meus riscos aqui sempre já percebeu que já houve vezes em que caí em tentação...) Pensando bem, contar o que aconteceu hoje nem é se focar tanto assim na minha vida.

Eu estava chegando na UFPA quando meu celular tocou. Era um amigo meu do laboratório e eu já fiquei preocupada; telefonema de manhã de alguém do laboratório geralmente significa notícia ruim. E era mesmo:
- Marina, você já está vindo? É que aconteceu um acidente...
Nossa, como pensamento é uma coisa rápida. Nessa hora eu imaginei todo tipo de coisa, de explosão do LEIM a tragédias familiares.
- ...Caiu o teto do CB.
- O quê???
- Deu um vento mais forte ontem, daí... Você já viu aquelas cenas de furacão dos Estados Unidos? Daí estamos sem água e luz e...
Ai meu Deus.
Eu já estava a caminho mesmo, então fui lá, ver o ocorrido. Devo dizer que o estrago foi menor do que eu imaginara, mas ainda triste. É o terceiro acidente em o quê, quatro anos? É muita sorte ninguém ter se machucado ainda. Será que alguém só vai se preocupar com aquela estrutura quando alguém se machucar?
Havia mais alunos e professores espalhados pela entrada e estacionamento do que nunca, e os cartazes de “Não haverá aula hoje”. Não resisti e fiz algo tremendamente idiota: subi as escadas e fui ver de perto. Deveria ter batido uma foto. A melhor definição é a frase-título, dada por outro amigo meu: “Está parecendo uma lata de sardinha”. O teto enrolado, aberto...
Eu adoro meu curso, meu centro e minha universidade. Esforcei-me muito e me orgulho de estudar em uma universidade pública, tendo aula com pesquisadores e contato com laboratórios, vendo e fazendo ciência. Situações assim são broxantes; não dá para dizer “É a vida”... Mas ainda amo minha linda Federal.

PS: Acho que isso vai ser notícia de jornal... Devo adicionar links a esse post caso isso aconteça. Ou até fazer outro post, caso haja algo mais que eu queira comentar.

sábado, 25 de agosto de 2007

Final feliz?

É um final relativamente em comum para comédias românticas. Você com certeza já o viu pelo menos uma vez:
E então a mocinha ou o mocinho decide jogar tudo para o ar. Larga a cidade, os projetos, a família, os amigos e o trabalho e vai viver em outra época, ou no fundo do mar, ou em outro planeta, ou simplesmente em outro lugar. Tudo pela força do amor. Lindo, né?
Não. Lindo nada. Na verdade, é uma tremenda burrice.
Não me entenda mal, sou uma romântica e carteirinha e acredito piamente no amor. Mas também acredito no bom-senso. E jogar tudo para o alto não rima com bom-senso. Rima com burrice. E no final não há amor que resista a tanta abnegação. Imagine só, abrir mão de tudo para viver do outro! É muita responsabilidade para alguém ter todo o peso da felicidade de outrem nas costas. Não é saudável. Sua felicidade é sua. Dá-la a outra pessoa só causa frustração.
O casal do filme não vai viver feliz para sempre. Eles vão brigar um dia, desculpe ser eu a lhe dizer. Por uma razão boba, a tampa da privada ou um sorriso de um amigo. E então vai vir tudo à tona. O altruísta irá se sentir vítima: “Mas eu fiz tudo por você...”. O outro irá se sentir acusado injustamente. E tem toda a razão. Ou, pior ainda: o altruísta nada dirá e se remoerá por dentro. E o outro... Não vai entender nada, coitado.
Fim.

Explicação sobre os dois posts abaixo

Escrevi os dois posts abaixo literalmente ao mesmo tempo: Um pedaço desse, um pedaço daquele, outro pedaço desse... Eles deveriam ser um só, mas há tantas idéias envolvidas que achei que ficaria confuso demais. Para os mais curiosos, digo que não houve nenhuma razão específica para escrevê-los. Quer dizer: nenhuma além do meu vício por palavras e prazer em dizer o que penso.

Sobre o amor

Hoje caí no clichê de escrever sobre amor.

Amor é bom, amor machuca, amor enlouquece e tudo o mais. E amor também passa. E não mata. Pessoas matam, sentimentos não. Sentimentos mal são! Mesmo quando não são sãos.
Amor não é o momento, amor é construção. É muito fácil amar alguém bonito, bem-humorado e penteado. Amor só é amor quando permanece no mau-humor.
O problema do amor é que ele é mal-compreendido. A maioria das pessoas entende tudo errado. Vai para extremos. Acha que se deve mudar tudo, acha que não se pode mudar nada. Acha que não vão ser felizes antes de encontrá-lo. Amor não é pílula mágica que resolve problemas, amor às vezes traz problemas!
Amor envolve algumas pequenas abdicações, não sacrifícios. Há algo muito errado se for sacrifício. Não vai durar muito se for sacrifício. E, principalmente: amor não envolve mudar o outro! O outro é o outro, não uma projeção de você.
Amor envolve conversa, planos, risadas. Amor é prazeroso. Há algo muito errado se não for prazeroso.
Amor exige amor-próprio. Aprenda a se amar antes de amar o outro. E ame alguém, não o amor. Ou não ame ninguém. Não há nada de errado em não amar ninguém. Mas não diga “eu te amo” em vão.

domingo, 19 de agosto de 2007

“Ela não se encontra”

Disse a frase-título ainda há pouco, e imaginei uma pessoa perdida dentro de si mesma.
Oração interessante sendo desperdiçada para dispensar telefonemas.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Viva la revolución!

- Sério que você gosta, Marina?
- Ahan.
- Para falar a verdade, eu também não tenho nada contra. Qual o problema que as pessoas veêm?
- É porque não é bonito.
- É a eterna questão da sociedade querendo nos impor o que é bom e o que não é, baseado apenas na estética e não no conteúdo, e...
- Marina, é só um bolo sentado.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Observação

Manter um blog está sendo muito mais fácil do que manter um fotolog. É tão bom não ter que escolher foto, poder escrever muitas vezes ao dia e não ter que torcer para meu post não ser engolido!
Blogs detonam.

Um comentário sem contexto

Há pessoas com quem não discuto por pura preguiça. Tem coisa mais chata do que falar com alguém que vai morrer sem mudar de idéia?

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Comentários sobre o sétimo livro: “Harry Potter and the Deathly Hollows”

Aviso: texto livre de spoilers
(qual a graça que as pessoas vêem em fazer e ler spoilers? Eu realmente estava com medo de lê-los acidentalmente antes de terminar de ler o livro. Dá para acreditar que o final dele saiu na manchete
d’O Liberal? Eles acham que é como novela, que todo mundo quer saber o que acontece antes de ver? Eu iria ficar muito irritada se tivesse lido!)

Observação: Não, este não é um blog sobre Harry Potter.

Terminei de ler o livro nesta madrugada, após ser dominada pelo conhecido efeito já-estou-no-clímax-agora-tenho-que-saber-o-que-acontece. “E então, que tal o livro”? Eu gostei.
Ele é, como se poderia esperar, o mais movimentado dos livros da série. A quebra da estrutura tradicional casa dos Dursley – outro lugar – acontecimentos estranhos em Hogwarts – clímax deixa tudo mais tenso, aumentando também a vontade de se continuar lendo – quase toda hora acontece alguma coisa, e aqueles leitores que desenvolvem certa afeição pelos personagens vão sentindo as perdas espalhadas ao longo da história.
As respostas e explicações também são todas dadas, e é espantoso ver como a J. K. saiu plantando pistas em todos os livros, em seu estilo habitual. Por outro lado, embora satisfaçam curiosidades há muito despertas, elas acabam sendo um defeito muitas vezes – hora parecendo extremamente forçadas em seu contexto, como que caídas do céu em coincidências absurdas e deduções que são mais adivinhações; hora simplesmente quebrando o ritmo da narrativa e nos fazendo até duvidar da sanidade mental de alguns personagens, que ficam ouvindo histórias enquanto a ação acontece. Ainda assim, a série não poderia acabar sem elas.
Como todas as possibilidades de curso da história já haviam sido exploradas pela imaginação dos fãs, o livro não traz muitas surpresas – é mais como uma loteria, para se descobrir qual hipótese estava certa, no fim. Mas ela não é dada de bandeja, havendo chances para suposições erradas antes dos capítulos finais.
Achei um bom desfecho para a série, embora tenha ficado um pouquinho a sensação de que, afinal, cresci mais do que Harry e sua aura moralista infanto-juvenil. Há no livro personagens mais interessantes que nosso mocinho.
Minha mão agora coça para comentar o fim, então acho que é a hora de parar. Para fechar, confesso só que me senti meio órfã no fim, e que sentirei saudade da magia que acompanhou minha adolescência.