segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Até ano que vem!

Canalhice das canalhices: Este post é Ctrl+c Ctrl+v do meu fotolog.
Não que 2007 tenha sido um ano ruim, mas fico feliz de atirá-lo ladeira abaixo. Sinto-me completando uma missão. Acho que extraí muito deste ano exaustivo. Emocionalmente, acadêmicamente e até financeiramente. ^^
E, cá entre nós, acho que 2008 me caí bem.


Feliz 2008, todo mundo!

domingo, 30 de dezembro de 2007

Promessa de Ano-Novo

Prometo prometer novamente todas as promessas do ano passado. E prometo que não cumprirei de novo, porque se não a virada de 2009 não terá a menor graça.
Afinal de contas, é assim que tradição funciona.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Um Post Natalino

Eu deveria ter escrito este post antes. Duvido que alguém o leia antes da meia-noite.
Enfim.


Eu gosto muito do Natal. Do simbolismo. Não tanto da parte do menino que nasceu na manjedoura - já não me declaro católica há algum tempo - mas da parte das pessoas reunidas, do fim de ciclo. Adoro as luzes, o vermelho, a correria, a pieguice, o gosto de panetone, os Papais Noéis. O consumismo. O que seria do Natal sem o consumismo? Presentear é um prazer impar; seja a quem se gosta, a quem se não gosta e a si mesmo.
O Natal foi feito para sorrisos e para abraços. Seja feliz, e só.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Comentando um livro: "Meninas Inseparáveis"

Já fazia algum tempo que eu não terminava de ler um romance, e tinha esquecido da saudade antecipada que as últimas páginas dão – nas últimas duas ou três semanas, as “meninas inseparáveis” do título fizeram-me companhia. Sinto-me só agora que fechei o livro.
A maior virtude da história é fugir do clichê e do melodrama. Oportunidades para tal surgem em diversas páginas, entretanto em nenhuma tal caminho é seguido. Para mim, isto é algo impressionante. A organização dos capítulos é interessante por não ter cronologia. Os personagens e situações são críveis (com exceção do capítulo sobre a Eslováquia) e cativantes. É um livro que dá vontade de ler e ler e continuar lendo. Envolvente, agradável, bem contado.
Defeitos? Uma ou outra imagem cansativa, a escrita igual das gêmeas. O título de mau gosto. Bobagens que não prejudicam, enfim.
Não tive vontade de ser uma gêmea siamesa, como disse Judy Clain, colunista do The Wall Street Journal (acho engraçado escrever “do The”, mas tudo bem), em uma daquelas terríveis citações de contracapa. Esse comentário merece gargalhadas, por sinal. Tive, isso sim, um grande carinho pelas personagens e uma vontade irresistível de recomendar a quem gosta de palavras, histórias e pessoas. É o que estou fazendo agora.

domingo, 2 de dezembro de 2007

"O fim tá próximo. Tá sentindo?"

Final de semestre na faculdade é aquele típico desespero, com horas de menos e deveres de mais. E lá estava eu, perdendo um pouco de tempo assistindo Brazil’s Next Top Model quando a minha tv, sem razão ou aviso prévio, muda para o Discovery Channel. O número do canal ainda era o mesmo; o sinal da Sony simplesmente sumiu e um documentário entrou no lugar.
Você percebe que o fim dos tempos se aproxima quando sua televisão vem lhe dar lições de moral.
Eu, heim!

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Memória seletiva

- Era um dia comum, tudo o que eu me lembro é de receber um papel... E depois acordei em uma banheira cheia de gelo.
- Pontos na costa e ausência de um rim?
- Oh, não, ponto nenhum. Olhei meu histórico escolar e todos os pontos de Seres Vivos 2 haviam sumido.

Trauma pós-prova.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Biologuices

- Acho que a gente deveria brincar de imagem & ação um dia.
- Tá, eu vou imitar um animal e vocês tentam adivinhar o que é.
- Mas é para fazer a identificação a nível específico ou de gênero?

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

determinAÇÃO

Falta de iniciativa me irrita. Comodismo é a pior coisa do mundo. Como desistir sem tentar?! Se for para algo dar errado, quero que seja doloroso, exaurido, espatifado... Nunca simplesmente abandonado e mal-cuidado. Eu quero ver no que dá. Não vou ficar sentada me lamentando do mundo numa cadeira macia vendo a vida passar. Eu posso passar noites em claro, posso me maltratar. Eu quero descobrir o que posso, quero ser capaz do que não sou. Eu quero o que quero, e quero tudo, e quero agora, e sei que posso. E vou.

Sobre livrarias e livros

Tenho um problema muito sério com livrarias: não consigo sair delas sem nada. É o lugar onde meu consumismo é mais ativado, com os sintomas mais típicos: fascínio; vontade de levar tudo, ansia, necessidade de ter. Posso passar um dia inteiro dentro de uma moderadamente grande, e sair de lá feliz, feliz.
O prazer da livraria começa ao se passear por ela, olhando aqueles volumes cheios de palavras. Eu amo as palavras. Passear em uma livraria me dá uma vontade imensa de escrever e publicar – ativação de sonho de infância. Se fossemos analisar de um modo mais psicólogo, acho que se poderia relacionar toda minha paixão por livrarias com minha infância, na verdade: meus pais sempre me levavam a elas, e sempre saiamos os três felizes: eu com um novo volume, eles por terem uma garotinha apegada à leitura. Eles realmente acreditavam que os livros me fariam uma pessoa melhor, e posso ao menos dar garantia de duas coisas: por gostar de ler perdi menos tempo vendo TV, e acabei aprendendo a escrever por inércia (por “aprender a escrever” entenda-se não juntar palavras em frases, como a maioria das pessoas faz; mas escrever textos com um português razoável e uma linguagem moderadamente interessante).
Há alguns passos a serem seguidos para a escolha de um livro: primeiramente olha-se todos, julgando pela aparência; ao se ver um interessante, analisa-se o conteúdo; e se for do seu agrado, arranjou-se, pois, companhia por algum tempo agradável. É quase como escolher ficante, rolo, caso, namorado. Dependendo do que você esteja procurando.
O julgamento pela aparência, no caso, é olhar a capa. Não sei se quem as faz já se deu conta de sua importância, mas marketing é fundamental. Como freqüentadora assídua de livrarias, tenho lá minhas implicâncias: não gosto de livros aonde o nome do autor vem maior do que o nome do livro, por exemplo - além de ser antiestético, não valoriza o produto em si. Também acho feias as capas aonde vem escrito “do mesmo autor de.”. Para mim, passa a impressão de não se estar lendo o livro mais interessante do autor. De uns tempos para cá, surgiu também a mania de se colocar citações de jornais da capa: coisas do tipo “um livro inesquecível”, etc. Outra coisa horrorosa, na minha reles opinião: é difícil por credibilidade em um comentário assim, tão seco e sem contexto, e exposto na capa do elogiado! Ainda mais sendo algo que está em todo lugar.
O título também é importantíssimo: marketing, sim; mas também um pouco do conteúdo. Penso que deve ser difícil dar um bom nome a um livro, tendo-se em vista que já acho difícil dar nomes a meus posts. Como sou fã de romances, gosto de títulos de efeito. Como exemplo, ocorreu-me agora “A menina que roubava livros”. É um título interessante, não? (O livro, que li há alguns meses, também é muito bom, por sinal – escrita bonita, apesar do tema clichê. Triste demais, mas encantador). Como contraposto, lembrei de “Quando Nietzsche chorou”. O título é ruim porque só é inteligível para quem já conhece algo de Nietzsche, e para quem já conhece algo de Nietzsche o livro é sem graça - sua virtude é expor alguns pensamentos do filósofo; sua sem-gracice é muitas vezes convertê-los em auto-ajuda. (Devo dizer que só li o livro porque minha mãe o tinha comprado e ele estava lá por casa. Gostei dele no geral, mas não particularmente).
Por último, a avaliação final: a leitura da contracapa e das primeiras páginas. As contracapas atuais já não dizem muito, cheias daqueles comentários de jornal que agora estão; mas pelo menos em livrarias os vendedores não são como os de algumas lojas, que lhe atacam na entrada perguntando em que poderiam ajudar e ficam lhe comendo com os olhos enquanto você passeia depois de dizer que está apenas olhando. As melhores livrarias são as que têm poltronas e lhe deixam totalmente em paz para escolher o quanto quiser: você se senta e lê o primeiro capítulo todo antes de decidir se a escrita é agradável e se o tema é interessante – nem clichês nem pedantes demais.
Além de escolher volumes que lhe agradam, outra coisa legal em livrarias é folhear o tipo de coisa que você jamais compraria: para isso, as que também são revistarias são particularmente divertidas. Aí vale tudo: horóscopo, dietas, auto-ajuda, moda. Convenhamos que há muita coisa que não vale nosso dinheiro. Uma boa livraria lhe deixa folhear a revista e não perturba.
Os sebos são uma categoria a parte de livraria, com um charme diferente. Eu gosto da poeira, das folhas amarelas, da história daquilo ali. Confesso que tenho uma queda por velharias. Os preços também são bem convidativos. E é bom também fugir um pouco dos lançamentos, dos mais vendidos. Leio menos clássicos do que seria recomendável; mas em sebos eles se tornam particularmente atrativos. É legal também poder escolher diferentes edições do mesmo livro. Outra coisa: nunca, sob hipótese alguma, alguém lhe ataca num sebo.
Uma vez, conversando com um amigo que é adepto de baixar tudo da internet, expliquei que tenho um certo fetiche por livros: o papel, a textura, o cheiro, a praticidade de se pode levar para todo lugar. A companhia. Ele concordou com meu interesse pelo cheiro de folhas novas, mas chamou meu gosto pelos antigos de perversão. Aquilo foi particularmente engraçado.
Marina, a pervertida dos livros.

PS: Recentemente li um interessante exercício de metalinguagem: “A arte de escrever”, de Schopenhauer. Até pensei em escrever um post sobre o assunto, mas faltou inspiração. Bem, aproveito então para recomendá-lo agora: trata-se de uma edição selecionando parte de um livro maior (cujo nome agora esqueci e estou com preguiça de procurar). É um livro de bolso, bem baratinho (eu ao menos imagino que seja, já que foi outro dos livros que minha mãe comprou e li porque achei lá por casa) e com uma edição cuidadinha. Traz uns pontos de vista bem interessantes e atuais, como a questão de autores normalmente se elogiarem entre si por cortesia (achei a parte em que ele fala que não se devia ter no mio literário o mesmo cuidado educado de não magoar o outro com criticas que se tem na vida real particularmente aplicável para blogs), a mania de se achar que o atual é sempre o melhor e não se ler os antigos, o hábito detestável de se usas palavras difíceis para se disfarçar a falta de conteúdo e se tentar parecer dizer mais do que realmente se diz. A visão da leitura excessiva como destruição da capacidade de raciocínio é bastante interessante. Os momentos em que ele fala mal das traduções me deram uma grande vontade de me dedicar mais o meu alemão e aprender latim, mas há de se convir que isso é puritanismo excessivo. E infelizmente atualmente não se pode mais viver só para algo, e sim de algo.

domingo, 11 de novembro de 2007

Relacionamentos

Uma vez um amigo meu (e também meu professor, mas prefiro referir-me a ele como um amigo) me disse que o relacionamento ideal era formado por duas pessoas que se gostassem da mesma maneira. Achei aquilo muito simples e, por isso mesmo, muito sábio. Afinal de contas, ter um relacionamento sério é complicado. Amar é complicado. E se divertir é simples. Então não há nada de demais em se viver la vida loca, desde que isso esteja claro para os dois lados e ninguém saia machucado.
E é nesse contexto que entram algumas frases marcantes destes últimos dias:
- Você acha que eu estaria namorando se não estivesse amando? Namorar dá trabalho! Namorar por namorar é chato, absurdo, uma obrigação!
- Enquanto há pessoas que demonstram que não estão prontas para um relacionamento não tendo um relacionamento, outras o fazem tendo relacionamentos superficiais. Estas pessoas gostam de namorar, e não necessariamente do namorado.
(Por estranho que pareça, elas são partes de conversas distintas com pessoas distintas).

Uma carta que você não irá ler

E mais uma vez a situação chega ao ponto em que prefiro escrever a dizer. Há algo de errado comigo? Talvez eu não seja boa em escolher amigas; há precedência na situação. É, eu gosto demais das pessoas. Começo a pensar que talvez seja um defeito.

Amiga, amiga...

E por algum motivo nosso suposto bom-mocismo lhe oprimia. Oh, quem diria? E o pior é que desde o início todos já havíamos reparado, e mesmo assim continuamos a seu lado. Por que? Porque nosso grupo é assim, e é nisso que consiste nossa magia. E você não soube aproveitar. Nossa união provém da cumplicidade e do não-julgamento, de poder dizer tudo. E é estranho pensar que, ao crer que iríamos julgá-la e não confiar em você, foi você que nos julgou e não confiou na gente. Que não dissesse tudo não havia problema, todos temos nossos segredos. A questão é outra. Você é outra. Você não é quem fingia ser com a gente, e displicentemente fingíamos não reparar. Porque tudo o que desejávamos era que você se sentisse segura para afinal tirar essa máscara. Mas você é a máscara, você não deve saber quem é você. Você foge da gente porque foge de si mesma, e uma hora a gente cansou de tentar lhe ajudar a se procurar. Você não quer se procurar, você prefere não ser você, não ser ninguém, ser um reflexo do que você acha que os outros queriam que você fosse. Nós queríamos que você fosse você, e só.
Ai, nosso bom-mocismo, maldito bom-mocismo que lhe impedia de ser você. Nós não somos meninas tão boas como parecemos, isso eu posso lhe garantir. Já aprontamos, apanhamos da vida, e ouvimos muitas histórias que – surpresa – não nós impediram de viver. Não julgaríamos seu presente, seus gostos, seu passado. Como você pôde não reparar que o tempo todo estávamos aqui, a seu lado? Não consigo entender. E o tempo todo, todos sabíamos que você não era quem fingia ser... E suas histórias mudavam, e a gente fingia e não ver. E suas desculpas urravam, e a gente relevava, porque você era uma de nós. E você magoou feio um de nós; revelou um segredo a um estranho, e ainda assim ele não disse nada, para protegê-la. Mas no final... No final não valeu a pena, você não é você, e isso é tudo. A gente demorou tanto a conversar e perceber! A gente protegia alguém que não era um alguém. E nós podemos superar tudo, menos o nada que agora é você.
E talvez ainda saiamos juntos, talvez a gente ainda lhe ligue, mas você deve inventar outra desculpa e mais uma vez não querer.
Eu realmente espero que um dia você encontre amigos em quem confie e descubra quem afinal é você.

sábado, 10 de novembro de 2007

Interrogação

Mais um daquos eles textinhos bobos escritos há milhões de anos achados largados pelos meus arquivos.

A Interrogação é o mais interessante dos pontos. Alta, magrela e torta, desdenha os mandos e desmandos do Ponto Final. Nada dos chiliques da fresca Exclamação, garota mimada; tampouco a indefinição desiludida das trigêmeas Reticências, líderes frustradas. Não. A interrogação é intrépida e independente, surgindo para mudar o que parecia ser uma sentença definitiva. A interrogação é um tanto anarquista. É uma revolucionária inabalável e ao mesmo tempo humilde, que sabe que nada está definido. A Interrogação não pára. A Interrogação é um coração ao meio e um grito de rebeldia.

Solidão?

Não é que eu seja anti-social. É só que me dou tão bem comigo mesma!

domingo, 4 de novembro de 2007

Papai Noel é puro marketing

Texto canalhamente copiado de conversas piradas e divertidas de uma tarde perfeitamente florida.

Papai Noel é puro marketing. Não falo pelo consumismo do Natal; eu sei que é o bom velhinho que entrega todos os presentes à meia noite e essa história de invenção da mídia objetivando meramente o lucro é balela. Falo pelos duendes. Você já parou para pensar nos duendes?
Não é o Papai Noel que faz os presentes, são os duendes. Eles passam pelo menos dois meses do ano trabalhando incessantemente para a felicidade das criancinhas de todo o mundo, enquanto o Noel... O que faz o Noel o ano todo? Esconde-se na Amazônia, onde é dono de uma madeireira? Acho que ele nem lê as cartinhas. Quem trabalha são os duendes.
Papai Noel só trabalha uma noite por ano, fazendo um rápido delivery. Poderia ser contratado para entregar pizza. Ou não; office-boys se contorcem no trânsito. Com renas mágicas, qualquer um conseguiria. Quem trabalha são as renas.
O que aconteceu, alguém achou que duendes não eram uma boa imagem para o imaginário infantil? Acharam que renas mágicas não poderiam fazer entregas sozinhas? Precisavam de uma figura humana? Daí pegaram um velho barbudo, barriga e cheiro de coca-cola, e contrataram para fazer capa? Papai Noel é modelo fotográfico, e só.
Puro marketing.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

O Poder de Uma Boa Briga

Uma falha grave na educação é a noção de que brigar é errado. Amores e amizades acabam diariamente por falta de brigas. O inverso de briga não é paz, é sentimento reprimido.
Sim, deve-se contar até 10. Mas se não for o suficiente... Grite. Agüentar calado não é sinal de amor ao outro, é falta de amor por si mesmo. Se nada for dito, o outro não vai perceber que há algo de errado. Isso não é falta de sensibilidade, é falta de mediunidade.
Mais vale uma tarde brigando em dupla do que uma noite chorando sozinho.
Tem coisas pelas quais não vale a pena se brigar. Para todas as outras, existem as palavras.

Dois fatos à toa

1 - Este blog poderia se chamar palavras não ditas.
2 - Eu deveria aprender a escutar meus próprios conselhos. Quando o faço, é ótimo.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Bizarrice

Por ser uma foto, esse post originalmente era do fotolog... Mas não ia dar para ler direito e ia perder parte da graça comigo narrando.
(Se não conseguir ler, clique na imagem e ela será ampliada em uma nova janela)





Se é sério mesmo eu não sei... mas que estava pregado em um quadro de avisos de um parque onde se faz caminhadas, ao lado de avisos sérios, ah estava.

sábado, 20 de outubro de 2007

Laboratórios São Cozinhas

E já que faço biologia, acho divertido e até instrutivo apresentar detalhes da minha vidinha acadêmica aos possíveis curiosos.

Laboratórios de verdade são bem diferentes do que se poderia esperar. Os de biologia, por exemplo, parecem-se mais com cozinhas do que com aquelas coisas de ficção científica. Ao menos os que eu conheço.
Todo laboratório tem mesas compridas, que em academiquês a gente chama de bancada. É onde se realizam parte dos experimentos, óbvio. Experimento é o termo acadêmico para muitas coisas, muitas delas bem parecidas com as que se faz em cozinhas: as técnicas são exatamente como receitas, e vão desde o prosaico “adicione 1ml de água destilada, depois agite...” até o “retire a parte externa da planta e inocule” ou “faça três pequenas incisões na cabeça do animal”. Não fossem os materiais usados, poderia ser um bolo, uma salada, um chazinho ou um churrasco. Desculpe ser eu a contar, mas o avanço da ciência depende de mais repetição do que inspiração.
Todo laboratório também tem uma ou mais geladeiras, que se chamam geladeiras mesmo e são exatamente como as que se tem em casa, com direito a imãs e tudo mais. A diferença começa com o que fica escrito nos imãs: nomes e telefones de lugares que fazem assistência técnica de pipetadores, por exemplo. O grande choque é abrir a geladeira; aposto que a maioria das pessoas ficaria surpresa ao dar de cara com muitos tubinhos cheios de sangue ou urina; ou com bichos mortos esperando classificação e pratinhos cheios de pontinhos coloridos.
Outros itens relativamente comuns em laboratórios são os microondas, muito usados na genética. O que, você jamais suspeitou que isso que esquenta sua comida congelada servisse para entender DNA? E não serve mesmo, mas é usado para reutilizar a substancia que parece uma gelatina que se usa para ver o dito-cujo.
Há também os banhos-maria. O nome me lembra minha tia fazendo ovos de páscoa, e o funcionamento, novamente, é o da culinária: deixar algo de molho a altas temperaturas. E os autoclaves, então? Com nome presunçoso e a nobre função de deixar tudo estéril, parecem-se com grandes panelas de pressão.
Às louças do laboratório, chamamos vidraria: copinhos e jarrinhas são beckers, canudinhos são pipetas, e por aí vai. A lavagem das louças começa em pias, como seria de se esperar.
São mundinhos à parte, oh se não! Cozinhas metidas a besta, com seus cozinheiros enjalecados se achando tremendamente importantes com suas luvinhas. Brincando de mudar o mundo.
Cientistas são bichinhos divertidos. Fascinam-me verdadeiramente.
Não foi à toa que escolhi essa vidinha pra mim.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Joguinhos Sentimentais

Eu acho a vida simples. Mais do que isso, eu me esforço para assim mantê-la. Porque acho que vale a pena.
Vida simples não é contemplação rural; nada de fugere urben. Meu estilo de vida simples não é material, é sentimental. Aliás, racional: o sentimental é às vezes bobo e sabe a verdade, mas não a entende. Ou entende, mas não a assimila. O sentimental é bastante inocente e espalhafatoso. O racional acaricia seus cabelos e o repreende. Como uma mãe. O racional cuida do sentimental.
A base da vida simples, explica o racional calmamente, é saber se relacionar de maneira simples. E o que isso quer dizer? Nada de joguinhos.
A verdade é que nunca entendi o porquê dos joguinhos sentimentais. Se eu gosto de você, gosto. Se não, não. Pronto, ponto, precisa de mais?
Ok, vamos com calma. Eu acho sim que todo mundo deveria ao menos tentar ser gentil com todo mundo. Por que? Porque não há boas razões para o contrário, ora. Até que haja motivos para o contrário, quero dizer. Porque assim a vida fica mais simples. Digamos que foi algo que eu aprendi.
A questão dos joguinhos é outra, mais relacionada com intensidade e vontade, e essa tal de vida em sociedade. A base dos joguinhos? Contradições entre palavras, atos, pensamentos e fatos. Dizer sim querendo dizer não é a antítese da vida simples. Agir contrariamente a seus pensamentos é complicar tudo. E não vale a pena complicar!

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

38 (ou: Mundo Moderno)

Eu queria ter dois 38.
Não revólveres; sapato e manequim de jeans.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Aluga-se esta

Aluga-se para curtos períodos (até um mês) casa de altos e baixos. Com cabeça arejada e quatro amplos membros. Terreno com 1,75m, muro branco e telhado recém-pintado castanho-avermelhado. Vista para a UFPA na maior parte do tempo. Bom estado de conservação, apenas com eventuais goteiras de lágrimas.
Valor a discutir. Aceitam-se trocas; a proprietária se interessa por passar períodos em lugares calmos. Interessados tratar aqui.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Desculpa esfarrapada

Se passo muito tempo sem postar é por respeito a quem lê o que eu escrevo por aqui. Porque a universidade está me matando e a imaginação anda ruim, e eu prefiro uma página em branco a textos banais e sem-graça.
E se a vontade de mim for grande assim (como sou pretensiosa!), recomendo meus arquivos e meu fotolog.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Protozoários Românticos

Os trechos abaixo são do livro “Zoologia de Invertebrados”, de Edward Rupert:

“Essa mudança de fase é vista em ondas, chamadas de ondas metacrônicas, que passam pela superfície da célula como o vento passa por ondas sobre um campo de trigo.”

“A grande, incolor e aberrante Noctiluca, sendo muitas espécies menores os principais contribuintes para a bioluminescência planctônica. De noite em mar calmo, as suas luzes esverdeadas brilham no rastro de um barco ou quando peixes assustados disparam em fuga como se fossem estrelas cadentes.”

“Nos Suctoria sésseis e fixos, a conjugação ocorre entre dois indivíduos adjacentes que se aproximam à semelhança com amantes em um banco de praça.”


O cara queria ser romancista?
Eu me divirto.
E a edição é descuidada. O segundo trecho tem uma gramática horrenda.

Doação de medula óssea

Esse post pode ser considerado uma continuação do anterior.

Ontem fui terminar minha perigrinação pelo hemocentro, fazendo meu cadastro para ser doadora de medula. Uma das coisas que entra na minha lista de “pequenas atitudes para melhorar o mundo”.
Basicamente, a medula é a responsável pela produção das células sanguíneas. Algumas doenças só podem ser curadas recebendo um transplante de medula, e o grande problema é a compatibilidade entre o doador e o receptor – raríssima entre pessoas não aparentadas. Daí a importância de haverem muitas pessoas cadastradas. Caso se descubra a compatibilidade entre um doador e quem precisa, o doador é contactado, consultado se ainda está disposto a doar, passa por uns exames, recebe uma anestesia e tem um pouco da medula retirada com uma agulha. Sua medula vai se regenerar, e o receptor receberá parte da sua. Nunca foram registrados maiores problemas com o doador depois de um transplante de medula.
Para se cadastrar é super rápido, eu até fiquei surpresa: chegar – falar os dados – tirar um pouco de sangue – ir embora.
Que tal, topam?

Ps: Lembram da campanha que eu mencionei da última vez? Pois acharam um doador para o menino. Legal, né? Mas ainda existem outras pessoas sem campanha.

sábado, 8 de setembro de 2007

Eu sou doadora de sangue. E você?

Eu sou doadora de sangue. Eu dizia que seria desde quase sempre, mas hoje o virei de fato – quase um ano e meio depois do meu décimo oitavo aniversário, um pequeno constrangimento para minhas promessas. Mas se antes tarde do que mais tarde ainda, agora finalmente o sou. Sinto-me feliz e realmente acredito que fiz algo de bom para o mundo; pode não parecer sempre, mas ainda sou muito crente no valor de pequenas atitudes. E pretendo assim continuar.
Foi minha primeira vez, então acho que é válido dividir a experiência. Quem sabe se eu não convenço alguém? E quem sabe se assim eu e esse alguém não ajudamos muitos alguéns?
Foram duas coisas que me fizeram finalmente partir da vontade para a ação: uma campanha e uma aula que durou quatro horas. A campanha é para ajudar um menino que sofre de leucemia e precisa de um transplante de medula (essas letrinhas cor-de-rosa são um link para a comunidade da campanha; eu devo falar mais dela em outro post ao longo da semana). A aula foi de imunologia, explicando como o corpo reconhece o que é seu e o que não é. É fascinante. E o professor fez uma boa propaganda de doações de sangue, órgãos e tudo o mais, e eu, que tenho interesse no assunto, fiquei depois da aula para fazer perguntas. Foi quando tive a confirmação de que poderia, sim, doar, apesar de ter tido hepatite aos 2 anos: em tese, só não pode doar as pessoas cuja hepatite C tornou-se crônica. Isso só ocorre em cerca de 30% dos casos, mas é difícil confirmar se a doença de fato se foi. Por que não se costuma deixar pessoas que sofreram outras hepatites (A e B) doarem? Porque não se tem certeza que as hepatites foram de fato A e B. Mas hepatite C só é transmitida sexualmente ou por sangue contaminado, então isso praticamente exclui doenças contraídas na infância.
Então hoje de manhã saí de casa decidida a passar no hemocentro depois de fazer o que tinha para fazer. Sozinha mesmo, porque nunca encontrei ninguém disposto como eu. E fui.
O guarda da entrada me indicou uma sala. Eu achava que teria que pegar algum tipo de fila, mas foi inocência da minha parte: fila para doar sangue, onde já se viu? Seria bom se houvesse. Fui atendida primeiramente por uma senhora sem muito entusiasmo; mas não é particularmente entusiasmante trabalhar sábado em horário de almoço, então relevei. Ela só pegou meus dados pessoais mesmo, e me encaminhou para outra sala. Antes de ir perguntei sobre os procedimentos para virar doadora de medula também, e fiquei chateada ao saber que isso só se faz dia de semana. Bem, voltarei lá algum dia desta semana.
Na sala seguinte começou o interrogatório maior, feito de modo mecânico. Certo, gente, é ruim trabalhar sábado em horário de almoço, mas custa mostrar um pouco mais de animação? Ela pediu meu braço esquerdo, pegou uma agulhinha descartável e sem aviso prévio colocou um aparelho ao redor do meu pulso e picou meu dedo indicador “para medir hemoglobinas”, segundo disse depois. Bobagem, não dói nada, mas é que eu esqueci de contar um detalhe fundamental: eu morro de medo de agulhas. Se eu já fiquei meio tensa ao ter o meu dedo furado, vocês podem imaginar o que vem a seguir.
As perguntas foram várias: das clássicas sobre o número de parceiros sexuais e se já tive algumas muitas doenças até se tinha saído de Belém nos últimos seis meses (para se saber se tinha estado em algum lugar onde era provável pegar malária, principalmente, acho), se tinha tomado vacinas recentemente, se estava menstruada, se tinha dormido bem. E então também se eu estava alimentada. Na minha cabeça eu estava, tinha tomado café e trazido uns biscoitos para comer antes de doar sangue. Mas ela me disse que eu não estava, não, e me mandou ir ao fim do corredor pegar um “lanche com sopa” e esperar meia hora antes de doar. E lá fui, perguntando-me “como assim”? Lanche com sopa, que coisa estranha. Eu sabia que eles davam comidinhas aos doadores, mas esperava uns biscoitinhos canalhas e só. Até por isso eu tinha me dado ao trabalho de “me alimentar”.
O carinha da cantina foi a primeira pessoa realmente animada do lugar, gentil e tudo. Eu me sentei em uma mesinha de um refeitório basicão e ele me trouxe o tal lanche. Que na verdade era uma refeição e tanto: uma grande porção de sopa, um sanduíche de queijo, uma maça e dois copos de um suquinho cítrico adocicado. Nem comi tudo. E então fui para outra salinha de espera, onde fiquei sentadinha esperando a meia hora passar, lendo avisos e vendo jornal.
Um dos avisos recomendava lugares gratuitos para onde deveria ir quem só queria fazer exame de AIDS. Isso é realmente importante porque o vírus tem um período de incubação no qual não pode ser detectado. Lembre-se disso se tomar alguma atitude imprudente e quiser saber logo no que deu. Uns panfletos falavam quem podia doar sangue: pessoas entre 18 e 65 anos, acima de 50kg. Também dizia que doar sangue é seguro, e não dói.
Ah, espere aí. Na hora, eu achei esse dado tremendamente apelão. Seguro é sim, mas... Como assim, não dói? Uma agulha enorme vai me furar e tiram muito do meu sangue e não vai doer? Duvidei.
De vez em quando alguma das pessoas responsáveis pela coleta vinha perguntar se o tempo tinha acabado. Elas eram animadas, também. Eu olhava do relógio à sala de coleta, com aquelas camas estranhas. Como poltronas alongadas, na verdade. Friozinho na espinha. É, eu tenho um medo muito idiota de agulhas.
Em algum momento nessa meia hora vi o que mais me deu medo: uma moça doando sangue, com uma espécie de mangueira presa na veia.
Ah, não... Iam colocar uma mangueira na minha veia? Que coisa horrível, que medo, eu odeio agulhas, isso vai doer muito...
Mas eu estava lá, e continuei. Até que a meia hora passou.
Fui a salinha de doação. Nossa, eu estava tensa. Uma senhora simpática checou minha identidade e me deu um papel e quatro bolsas plásticas para coleta, e me indicou a moça que coleta que estava livre.
Quatro bolsas. Quatro. Caramba, tanto assim? Eu ia mesmo ficar bem?
Deitei na cama esquisita... Estiquei o braço... A moça da coleta analisou minhas veias finas, escolheu uma... Tentei respirar fundo. E então ela furou.
Surpresa: não dói mesmo. Apenas quando a agulha entra e sai. E fiquei na caminha um tempo, abrindo e fechando a mão, respirando fundo, volta e meia olhando para a bolsa se enchendo com meu sangue. Minha cara não devia estar das melhores, porque a todo tempo me perguntavam se eu estava bem, mas eu estava. Só tensa com aquela agulha em mim, aquele sangue jorrando. Espero que ajude alguém, que o fruto do meu medo seja útil. A pessoa não saberá que o sangue corria nas veias de uma menina que tem medo de agulhas. O que é o medo de agulhas perto de uma vida humana?
E então acabou. Ela tirou a agulha, falou que eu tinha que repousar e dos exames que vão chegar e me mandou de volta ao refeitório. Onde me deram de novo toda aquela enormidade de comida. Forcei-me a comer a sopa, mesmo cheia. Eu não queria passar mal. Li o papel que tinha recebido, ele dizia que, caso eu fosse funcionária pública, estaria livre do trabalho neste dia – é um direito assegurado por lei.
E assim seguiu o dia. Senti-me apenas um pouco fraca nas primeiras horas, mas nada incapacitante. Uma pequena dor no braço da coleta e um orgulho bobo de mim mesma.

Doe sangue. É seguro, não dói, você ganha comida e um dia de folga, sente-se uma espécie de herói e ainda ajuda a salvar vidas.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Frase de Efeito

"Antes eu achava que era bom em todas as coisas que fazia. Foi quando me dei conta que só fazia as coisas nas quais era bom".

(Quem disse isso foi meu namorado. Mas como o que é meu é seu eu me apossei dela desavergonhadamente. É um pensamento que eu já tinha tido, mas não sabido expressar tão bem.)

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

As felicidades

Depois do pequeno chilique do último post e de uma semana deveras exaustiva que não me deixou um segundo sequer livre para escrever, estou de volta para falar do que todo mundo mais deseja.

- Você é feliz?
Perguntinha complexa essa, não? Fui por ela vitimada nesta semana, e este post nasceu de todas as coisas que eu poderia ter respondido.
Não considero a felicidade um estado de espírito, e sim um estilo de vida. Ao menos essa felicidade que tanto se persegue – a que deveria ser escrita com efe maiúsculo por ser quase um ser próprio. As outras são meramente felicidadezinhas.
Na minha semântica, as felicidades são muitas. É como se uma fosse o “bom”, e as outras fossem o “bem”. Não é à toa que se utilizam dois verbos distintos para elas: ser feliz não é o mesmo que estar feliz. Estar feliz é ganhar um presente do mundo; ser feliz é ver o mundo como um presente.
Não se trata de ignorar problemas. Quem é feliz também fica triste às vezes, é importante saber cuidar das próprias feridas. E feridas sentimentais são exatamente como feridas do corpo: as mais leves saram sozinhas, com o tempo e um beijinho; as outras precisam de cuidados especiais ou apenas irão piorar e continuar a doer. Talvez se deva chamar o médico. Talvez se precise mexer um pouco nelas, para tirar um espinho. Com muito cuidado, para não machucar ainda mais. Há tantas pessoas que insistem em se machucar ainda mais! Ser feliz não é não sofrer. É dar ao sofrer o valor exato que ele tem, sem agarrar-se a ele. Extrair seu aprendizado e seguir adiante. Sorrindo e mais leve. Às vezes é preciso aprender a ser feliz.

PS: À pergunta que me trouxe o tema à cabeça, respondi um mero sim. Que aqui reitero. Ser feliz foi uma das principais decisões que tomei para minha vida. Não é difícil e eu recomendo. Não há quem sempre diga que na segunda começará a fazer exercícios e dieta? Eu sugiro que se comece a sorrir mais e a ser mais feliz.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Blog? Argh...

Uma das razões que me fez criar um blog foi a vontade de fugir um pouco do mundo fotologger, que estava me cansando por demais. Estava cansada de tanto ego, tanta pose, tanto EU e tanto tudo. Queria mais paz, mais palavras e só.
Só que, nossa, começo a achar que eu estava errada. Nesse para mim novo mundo blogger não há tanta pose, mas há EU demais. É desgastante, nossa! Ver tanta gente falando de si. Seus problemas, sua vida, seus...
Dá vontade de gritar. Tanto EU me sufoca. E me envergonha de ter um lugar para falar do meu EU também. Quanto mais blogs eu visito, menos me dá vontade de manter e divulgar este aqui. Não sei mentir elogios. Não teria paciência para comentar.
Cansa, cansa e como! Sugar a vida alheia me desgasta! Tanta gente e tão pouca coisa de interessante a dizer, tão pouco a acrescentar! Por que tanta necessidade de exposição, necessidade do outro?
Não quero desgastar os outros com a minha vida. Gastar o precioso tempo alheio. Eu me sinto mal fazendo isso. Enfiando palavras inúteis na vida dos outros.
Meus pensamentos não tem nada de particular, não sei fazer bons poemas, não conto boas piadas, minha escrita é bem sem-sal, e sou só uma boa menina de dezenove anos que vive de mesada e bolsa de iniciação científica e que nunca irá escrever sobre trepadas. Nossa, a palavra “trepadas” me constrange.
Ter esse blog me constrange.
Primeira crise dele, primeira crise disso. Talvez precise de um tempinho longe daqui para me recompor.
(Ou talvez volte amanhã, quem sabe.)

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Movimento "Vale a pena ler de novo"

Fui convidada pela Adriana Araújo Adriana Araújo (Infinito Particular) para participar da deste movimento (abaixo da parte principal do post há uma explicação do que se trata). Eu quase decido não aderir, porque esse blog é muito novinho e nem tem nada de tão especial ainda; mas daí decidi contornar um pouco as regras e postar de novo algo do meu fotolog. Afinal ele também é meu e tem muito do estilo desse blog, basta revirar os arquivos para ver.

Bem, aí vai o post!

(Clique aqui para ler a versão original dele)


Cabeça borbulhando de projetos tolos e com insights de auto-ajuda travestida em pseudo-filosofia. Palavras que decidiram ficar em seqüência na cabeça e o no pc, com direito a breves rabiscos no papel para não se perderem no caminho:
A vida na verdade é simples, muito simples. Nós é que insistimos em a complicar. E, sabe de uma coisa? Isso é ótimo! A capacidade de complicar é o que nos torna humanos. Ou você acha que seu cachorro entra em crise existencial quem-somos-de-onde-viemos-para-onde-vamos-qual-o-sentido-disso-tudo? Ou você acha que ele fica chateado no final de um filme? Ou você acha que ele se preocupa com peso, com o que vão achar dele e com o pêlo?
Ah, faça-me um favor... Não leve tudo tão a sério! Ou leve, mas de um jeito leve. Sabendo que é a única fatalidade é o passado, que não se pode mudar; sendo o resto tudo escolhas... Sim, dá para largar tudo. E viver como? Decida-se. E se não se decidir é porque decidiu ficar como está.
Sinceramente, nada disso realmente importa. O que importa é com o que você se importa. Sem maiores justificativas. Viva e deixe viver.
(eu deveria repetir isso todos os dias em frente ao espelho)



Movimento entre Blogs – Vale a pena ler de novo -

1. Qualquer blog convocado pode participar

2. O blogueiro que participar deve escolher um de seus textos (de sua autoria) que você mais gostou (sabe? aquele que quando você acabou de postar você disse para si mesmo: eu estou inspirado hoje!), e então republicá-lo, podendo trocar foto, modificá-lo de algum jeito.

3 . Escrever a frase: ‘Movimento – Vale a pena ler de novo’ no final do texto, só para identificar como participante juntamente a essas regras.

4 . Convoque mais 5 blogs para esse movimento colocando os links deles no seu post republicado.


5 . Se você foi convocado mais de uma vez, se quiser, republique mais algum que você goste.
Criado pelo blog: A ótica de um míope.



Pois é, infelizmente terei de descumprir a regra número 4, porque ainda estou novinha nesse mundo blogger. Ainda não visitei muitos para decidir quais têm algo em comum com este aqui, ou algo de bem interessante, para linkar e repassar a campanha adiante. Fico devendo essa. Quem sabe mais tarde...
E se alguém que me visita têm um blog e quiser deixar um comentário para a gente ver se tem algo em comum para trocar link, sinta-se à vontade. Eu ficarei feliz.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Comentando um livro: “A Sobrevivência dos Mais Doentes”

Há umas três semanas atrás, quando comprei este livro, decidi que valeria a pena fazer um post sobre ele. Hoje terminei de lê-lo, e cá está o post.

Meu primeiro contato com este livro não poderia ser mais despretensioso: um simples passeio em uma livraria. Não sei porque me dei ao trabalho de pegá-lo para folhear, não com essa capa feia e título idiota: “A sobrevivências dos mais doentes”. Juro que pensei que se tratava de um volume de auto-ajuda. O subtítulo também não ajuda muito: “Um estudo radical das doenças como um fator de sobrevivência”. Nossa, o pessoal que faz as capas da Elsevier deveria estudar um pouco mais de marketing. Fundo branco, letra vermelha, nome do autor com título (“Dr”) na frente, cadeia de DNA. Feio e apelativo. Auto-ajuda, sem dúvida.
Na verdade, acho que foi o selo da Elsevier que me fez pegá-lo. É, eu sei que a Elsevier não publica auto-ajuda. E também as palavras em cima, comparando o livro com "Freakonomics". Eu não li "Freakonomics", mas também sei que não é auto-ajuda. E então li a contracapa. Era pouco atrativa e parecia escrita para crianças, mas definitivamente não era auto-ajuda. Menos mal. E então decidi folhear.
Surpresa: escrita atraente, idéias interessantes. Perspectiva evolutiva sobre doenças. Nossa, eu gosto disso. Bioquímica, genética, doenças, evolução, minha língua.
E então eu comprei o livro, e devo dizer que foi uma boa aquisição. Foi muito bom tê-lo na bolsa comigo, é realmente fascinante. Padece do mal típico dos livros feitos para leigos – explicações tediosas e simplistas a quem já entende algo do assunto, além de uma desagradável superlativação de teorias – algumas bem desacreditadas - , praticamente dadas como fatos. Ah, um tom criacionista na conclusão é desanimador também.
Mas agora que alertei-os quanto aos defeitos, recomendo-o pelas qualidades. Daria este livro a um estudante de Ensino Médio, caso o quisesse roubar para a minha área. Não tem como não achar a biologia absolutamente fascinante e ficar com a cabeça cheia de idéias enquanto se o lê.

“Está parecendo uma lata de sardinha.”

Uma das coisas que decidi quando criei este blog foi que não faria nele posts muito focados em mim e na minha vida. Mas acho que há situações que merecem exceções. (Quem costuma ler meus riscos aqui sempre já percebeu que já houve vezes em que caí em tentação...) Pensando bem, contar o que aconteceu hoje nem é se focar tanto assim na minha vida.

Eu estava chegando na UFPA quando meu celular tocou. Era um amigo meu do laboratório e eu já fiquei preocupada; telefonema de manhã de alguém do laboratório geralmente significa notícia ruim. E era mesmo:
- Marina, você já está vindo? É que aconteceu um acidente...
Nossa, como pensamento é uma coisa rápida. Nessa hora eu imaginei todo tipo de coisa, de explosão do LEIM a tragédias familiares.
- ...Caiu o teto do CB.
- O quê???
- Deu um vento mais forte ontem, daí... Você já viu aquelas cenas de furacão dos Estados Unidos? Daí estamos sem água e luz e...
Ai meu Deus.
Eu já estava a caminho mesmo, então fui lá, ver o ocorrido. Devo dizer que o estrago foi menor do que eu imaginara, mas ainda triste. É o terceiro acidente em o quê, quatro anos? É muita sorte ninguém ter se machucado ainda. Será que alguém só vai se preocupar com aquela estrutura quando alguém se machucar?
Havia mais alunos e professores espalhados pela entrada e estacionamento do que nunca, e os cartazes de “Não haverá aula hoje”. Não resisti e fiz algo tremendamente idiota: subi as escadas e fui ver de perto. Deveria ter batido uma foto. A melhor definição é a frase-título, dada por outro amigo meu: “Está parecendo uma lata de sardinha”. O teto enrolado, aberto...
Eu adoro meu curso, meu centro e minha universidade. Esforcei-me muito e me orgulho de estudar em uma universidade pública, tendo aula com pesquisadores e contato com laboratórios, vendo e fazendo ciência. Situações assim são broxantes; não dá para dizer “É a vida”... Mas ainda amo minha linda Federal.

PS: Acho que isso vai ser notícia de jornal... Devo adicionar links a esse post caso isso aconteça. Ou até fazer outro post, caso haja algo mais que eu queira comentar.

sábado, 25 de agosto de 2007

Final feliz?

É um final relativamente em comum para comédias românticas. Você com certeza já o viu pelo menos uma vez:
E então a mocinha ou o mocinho decide jogar tudo para o ar. Larga a cidade, os projetos, a família, os amigos e o trabalho e vai viver em outra época, ou no fundo do mar, ou em outro planeta, ou simplesmente em outro lugar. Tudo pela força do amor. Lindo, né?
Não. Lindo nada. Na verdade, é uma tremenda burrice.
Não me entenda mal, sou uma romântica e carteirinha e acredito piamente no amor. Mas também acredito no bom-senso. E jogar tudo para o alto não rima com bom-senso. Rima com burrice. E no final não há amor que resista a tanta abnegação. Imagine só, abrir mão de tudo para viver do outro! É muita responsabilidade para alguém ter todo o peso da felicidade de outrem nas costas. Não é saudável. Sua felicidade é sua. Dá-la a outra pessoa só causa frustração.
O casal do filme não vai viver feliz para sempre. Eles vão brigar um dia, desculpe ser eu a lhe dizer. Por uma razão boba, a tampa da privada ou um sorriso de um amigo. E então vai vir tudo à tona. O altruísta irá se sentir vítima: “Mas eu fiz tudo por você...”. O outro irá se sentir acusado injustamente. E tem toda a razão. Ou, pior ainda: o altruísta nada dirá e se remoerá por dentro. E o outro... Não vai entender nada, coitado.
Fim.

Explicação sobre os dois posts abaixo

Escrevi os dois posts abaixo literalmente ao mesmo tempo: Um pedaço desse, um pedaço daquele, outro pedaço desse... Eles deveriam ser um só, mas há tantas idéias envolvidas que achei que ficaria confuso demais. Para os mais curiosos, digo que não houve nenhuma razão específica para escrevê-los. Quer dizer: nenhuma além do meu vício por palavras e prazer em dizer o que penso.

Sobre o amor

Hoje caí no clichê de escrever sobre amor.

Amor é bom, amor machuca, amor enlouquece e tudo o mais. E amor também passa. E não mata. Pessoas matam, sentimentos não. Sentimentos mal são! Mesmo quando não são sãos.
Amor não é o momento, amor é construção. É muito fácil amar alguém bonito, bem-humorado e penteado. Amor só é amor quando permanece no mau-humor.
O problema do amor é que ele é mal-compreendido. A maioria das pessoas entende tudo errado. Vai para extremos. Acha que se deve mudar tudo, acha que não se pode mudar nada. Acha que não vão ser felizes antes de encontrá-lo. Amor não é pílula mágica que resolve problemas, amor às vezes traz problemas!
Amor envolve algumas pequenas abdicações, não sacrifícios. Há algo muito errado se for sacrifício. Não vai durar muito se for sacrifício. E, principalmente: amor não envolve mudar o outro! O outro é o outro, não uma projeção de você.
Amor envolve conversa, planos, risadas. Amor é prazeroso. Há algo muito errado se não for prazeroso.
Amor exige amor-próprio. Aprenda a se amar antes de amar o outro. E ame alguém, não o amor. Ou não ame ninguém. Não há nada de errado em não amar ninguém. Mas não diga “eu te amo” em vão.

domingo, 19 de agosto de 2007

“Ela não se encontra”

Disse a frase-título ainda há pouco, e imaginei uma pessoa perdida dentro de si mesma.
Oração interessante sendo desperdiçada para dispensar telefonemas.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Viva la revolución!

- Sério que você gosta, Marina?
- Ahan.
- Para falar a verdade, eu também não tenho nada contra. Qual o problema que as pessoas veêm?
- É porque não é bonito.
- É a eterna questão da sociedade querendo nos impor o que é bom e o que não é, baseado apenas na estética e não no conteúdo, e...
- Marina, é só um bolo sentado.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Observação

Manter um blog está sendo muito mais fácil do que manter um fotolog. É tão bom não ter que escolher foto, poder escrever muitas vezes ao dia e não ter que torcer para meu post não ser engolido!
Blogs detonam.

Um comentário sem contexto

Há pessoas com quem não discuto por pura preguiça. Tem coisa mais chata do que falar com alguém que vai morrer sem mudar de idéia?

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Comentários sobre o sétimo livro: “Harry Potter and the Deathly Hollows”

Aviso: texto livre de spoilers
(qual a graça que as pessoas vêem em fazer e ler spoilers? Eu realmente estava com medo de lê-los acidentalmente antes de terminar de ler o livro. Dá para acreditar que o final dele saiu na manchete
d’O Liberal? Eles acham que é como novela, que todo mundo quer saber o que acontece antes de ver? Eu iria ficar muito irritada se tivesse lido!)

Observação: Não, este não é um blog sobre Harry Potter.

Terminei de ler o livro nesta madrugada, após ser dominada pelo conhecido efeito já-estou-no-clímax-agora-tenho-que-saber-o-que-acontece. “E então, que tal o livro”? Eu gostei.
Ele é, como se poderia esperar, o mais movimentado dos livros da série. A quebra da estrutura tradicional casa dos Dursley – outro lugar – acontecimentos estranhos em Hogwarts – clímax deixa tudo mais tenso, aumentando também a vontade de se continuar lendo – quase toda hora acontece alguma coisa, e aqueles leitores que desenvolvem certa afeição pelos personagens vão sentindo as perdas espalhadas ao longo da história.
As respostas e explicações também são todas dadas, e é espantoso ver como a J. K. saiu plantando pistas em todos os livros, em seu estilo habitual. Por outro lado, embora satisfaçam curiosidades há muito despertas, elas acabam sendo um defeito muitas vezes – hora parecendo extremamente forçadas em seu contexto, como que caídas do céu em coincidências absurdas e deduções que são mais adivinhações; hora simplesmente quebrando o ritmo da narrativa e nos fazendo até duvidar da sanidade mental de alguns personagens, que ficam ouvindo histórias enquanto a ação acontece. Ainda assim, a série não poderia acabar sem elas.
Como todas as possibilidades de curso da história já haviam sido exploradas pela imaginação dos fãs, o livro não traz muitas surpresas – é mais como uma loteria, para se descobrir qual hipótese estava certa, no fim. Mas ela não é dada de bandeja, havendo chances para suposições erradas antes dos capítulos finais.
Achei um bom desfecho para a série, embora tenha ficado um pouquinho a sensação de que, afinal, cresci mais do que Harry e sua aura moralista infanto-juvenil. Há no livro personagens mais interessantes que nosso mocinho.
Minha mão agora coça para comentar o fim, então acho que é a hora de parar. Para fechar, confesso só que me senti meio órfã no fim, e que sentirei saudade da magia que acompanhou minha adolescência.

sábado, 28 de julho de 2007

Harry Potter e a Ordem da Fênix: Pseudo-review do filme que todo mundo já viu

Aviso a quem ainda não leu o livro: post com leves spoilers

Aviso a quem ainda não viu o filme: há comentários sobre cenas específicas que os mais rigorosos talvez não queiram ler

Aviso a todo mundo: não sei o nome dos atores, portanto falo deles citando os nomes dos personagens

Hoje finalmente consegui assistir Harry Potter e a Ordem da Fênix (um final razoavelmente feliz para minha aventura bastante longa e épica que incluiu queda de energia e má-vontade estúpida). Como fã da série desde meus 12 aninhos, eis que resolvi fazer minhas considerações sobre o filme antes de imergir novamente em minha leitura do sétimo volume, na tentativa de concluí-lo antes de acidentalmente ler algum spoiler idiota:
Em primeiro lugar, é claro que o livro é melhor do que o filme. Filmes melhores que os livros que lhes deram origem são praticamente ideais inatingíveis (a exceção fica para a trilogia “O Senhor dos Anéis”, que ficou linda e ganhou ritmo na tela, sem todas aquelas descrições). Tendo isso em mente, pode-se dizer que o longa-metragem é satisfatório. A condensação da história ficou coerente, sem as grandes lacunas que impedem os não-leitores de entenderem o que se passa na tela (cenas desconexas entre si são o grande pecado do terceiro filme, que parece uma colagem mal-feita). As explicações não dadas incomodam apenas os fãs, assim como as cenas que contradizem a história – o vôo de Harry sobre Londres é bonito na tela, mas um crime contra a regra básica de não se fazer mágica diante de trouxas; o fato de Luna e Cho aparecerem assistindo aula com quintanistas só deve ter surpreendido a mim. A essência da história foi mantida, assim como a da maioria dos personagens (exceção para o gigante Grope, que virou um Hagrid exagerado – grande, ingênuo e sem percepção de quando apresenta perigo. Mas esta mudança de temperamento não prejudicou a trama).
O desempenho dos atores varia bastante. Duda ficou péssimo, terrivelmente tolo e caricato. Bellatrix é também um pouco caricata, mas de um modo excelente, completamente louca. Daniel Radcliffe de fato melhorou ao longo dos filmes, mas seu Harry ainda me parece meio bobo – não sei se culpa dele ou do diretor. E tanto ele quanto a maioria dos outros estudantes parecem estar sempre com os braços amarrados ao corpo – linguagem corporal nula, que fica particularmente ruim na discussão entre Harry e Simas na sala comunal. Já os atores adultos continuam muito bons. Dolores Umbridge ficou perfeita, sai-se do cinema com raiva dela. A novata que faz Luna Lovegood também é excelente, e tem a aparência que eu imaginava!
O visual do filme é bem-feito, mas há no final falhas graves. As cenas de combate são apenas jatos de luz – o que talvez se justifique pelo fato do filme ser voltado para o público infanto-juvenil; entretanto decepciona saber que o livro tem mais ação – algo tão visual. (O público-alvo também justifica a ressalta de valores positivos, o que pode ficar chato). Fora isso, os cenários e figurinos são muito bons – ver o escritório da Umbridge, por exemplo, é ver a descrição da J. K.
Como fã, digo que é um filme divertido para uma tarde com pipoca. Nota? 8 de 10.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Observação Ctrl+C Ctrl+V do fotolog

Estou tendo dificuldade em achar o tom certo para o blog. Havia três textos que eu já queria escrever no próprio dia em que o criei, mas faltou tempo. Depois até comecei; terminei um deles até. Mas faltou net. Agora que ela está de volta, eu o reli e fiquei sem-graça. Ok, ninguém deve ler mesmo, mas ainda assim eu fiquei sem-graça. Eu me acho meio ridícula me fingindo de colunista de jornal. Não consigo me levar a sério. E o tema já está até meio velho, já que foi escrito semana passada. Ainda assim, respirei fundo e o postei. Seu título é “O desastre de vôo 3048, a mídia e o assessor do presidente”.

O desastre de vôo 3054, a mídia e o assessor do presidente

(Por bug na minha net, este post está bastante atrasado. Recomendo que se leia primeiro o post acima)

Foi uma tragédia e ninguém há de negá-lo. Fiquei estupefata quando liguei a tv e vi. Assustada. Querendo entender o quê e como aconteceu. Pensando na angústia dos parentes, que também devem ter visto primeiro pela tv. Que ensandecedor, que triste! E então pedi para meu namorado mudar seu vôo para Guarulhos ou Viracopos.
O choque tornou o acompanhamento das notícias uma necessidade. De saber quantas e quem eram as vítimas e me lamentar por elas. De saber qual o tamanho que uma pista deve ter, como devem ser as ranhuras e para que serve um reverso.
Comecei a ver e ler a mesma notícia várias vezes, em muitos lugares. Logo começou-se a chamar de “tragédia anunciada”. Anunciada? Onde? Nos fatos, sim. Mas... E logo surgiu quem já soubesse. Oh, sim, e de repente a própria mídia já sabia. Então, por que nunca me disseram nada? Jornalistas, vocês não têm a obrigação de ser videntes. Choquem-se como eu! Mas não digam que já anteviam. É uma colocação de extremo mal-gosto.
E então começou a busca pelos culpados. Mais do que isso, o apontamento dos culpados. Bem direto. Especulações veiculadas como fatos. Jornalistas, vocês não têm a obrigação de saber de tudo. E quem seria realmente o responsável? Particularmente não creio que sejam a lotação nem no reverso. Mas isso são chutes canalhas baseados em informações divulgadas.
(Breve parêntese para citar um professor meu, que é também pai de uma grande amiga. A observação foi feita no contexto da ciência e em outras palavras que não lembro ao certo, mas creio que pode ser extrapolada para outro âmbitos e assim explicada: “Todo mundo faz suposições quanto ao desconhecido. É muito fácil. E se você errar, será esquecido; mas se acertar gerará espanto por ser visionário.”)
E nesse contexto todo, surgem as imagens do assessor do presidente. Aquelas capturadas pela janela enquanto ele sabia, pelo Jornal Nacional, que um problema técnico poderia ser o responsável pelo acidente. “Comemorando”, disseram as manchetes indignadas.
Comemorando? Perdão, senhoras e senhores, mas não vi comemoração alguma ali. Vi apenas o tão comentado gesto obsceno e uma grande invasão de privacidade e campanha de difamação. E uma grande enrascada a ele, pois questionamentos nesse sentido o farão ser tachado de defensor da volta da censura. Não o conheço, não sei seus podres nem nada. Mas sei que não se pode culpar alguém por dizes que uma companhia aérea está f... em sua sala. Jornalistas, às vezes é complicado lidar com vocês.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Post Inaugural

Um blog novinho em folha.
Merece um post de apresentação, para que se saiba o que esperar dele.
Certo.
Pode-se esperar um pouco de tudo, já que aqui colocarei alguns pensamentos. Pode-se esperar pouca freqüência, já que sou meio ocupada. E pode-se esperar verborragia, já que palavras são meu vício desde criança. Pode-se esperar um pouco de polêmica, já que o criei para poder me expor um pouco. Pode-se esperar bobagens, porque não tenho a menor ambição de estar certa. Pode-se esperar risos, porque á algo que eu adoro e minha veia cômica às vezes aflora. Pode-se esperar clichês, porque tenho uma queda por eles. Pode-se esperar amor, porque sou apaixonada; e exageros, porque sou exagerada. Pode-se esperar poesia, nem sempre de boa qualidade. Pode-se esperar erros de digitação, porque a caneta ainda me é melhor amiga que o teclado (não que eu escreva nela antes de aqui, pelo amor de Deus). Pode-se esperar pê-esses, porque há sempre algo mais a se dizer. Pode-se também esperar futilidades. Pode-se esperar posts tristes, porque às vezes tropeço. Pode-se esperar textos em primeira pessoa, mas não focados na primeira pessoa. Pode-se esperar...
Eu só espero que alguém ao menos espere.
Bem vindo, Riscos no Guardanapo! Bem vindos ao Risco no Guardanapo!


PS: Este não foi o primeiro nome que pensei – eu queria “Última gaveta”. Mas alguém teve a idéia primeiro... Meu título perdeu a idéia de bagunça que queria dar a ele, mas acho que ganhou vontade e vício. E descontração. E um pequeno e talvez não valido possível trocadilho. Gostei.
PS2: E se quiserem saber da minha vida, visitem meu fotolog.