quarta-feira, 25 de julho de 2007

O desastre de vôo 3054, a mídia e o assessor do presidente

(Por bug na minha net, este post está bastante atrasado. Recomendo que se leia primeiro o post acima)

Foi uma tragédia e ninguém há de negá-lo. Fiquei estupefata quando liguei a tv e vi. Assustada. Querendo entender o quê e como aconteceu. Pensando na angústia dos parentes, que também devem ter visto primeiro pela tv. Que ensandecedor, que triste! E então pedi para meu namorado mudar seu vôo para Guarulhos ou Viracopos.
O choque tornou o acompanhamento das notícias uma necessidade. De saber quantas e quem eram as vítimas e me lamentar por elas. De saber qual o tamanho que uma pista deve ter, como devem ser as ranhuras e para que serve um reverso.
Comecei a ver e ler a mesma notícia várias vezes, em muitos lugares. Logo começou-se a chamar de “tragédia anunciada”. Anunciada? Onde? Nos fatos, sim. Mas... E logo surgiu quem já soubesse. Oh, sim, e de repente a própria mídia já sabia. Então, por que nunca me disseram nada? Jornalistas, vocês não têm a obrigação de ser videntes. Choquem-se como eu! Mas não digam que já anteviam. É uma colocação de extremo mal-gosto.
E então começou a busca pelos culpados. Mais do que isso, o apontamento dos culpados. Bem direto. Especulações veiculadas como fatos. Jornalistas, vocês não têm a obrigação de saber de tudo. E quem seria realmente o responsável? Particularmente não creio que sejam a lotação nem no reverso. Mas isso são chutes canalhas baseados em informações divulgadas.
(Breve parêntese para citar um professor meu, que é também pai de uma grande amiga. A observação foi feita no contexto da ciência e em outras palavras que não lembro ao certo, mas creio que pode ser extrapolada para outro âmbitos e assim explicada: “Todo mundo faz suposições quanto ao desconhecido. É muito fácil. E se você errar, será esquecido; mas se acertar gerará espanto por ser visionário.”)
E nesse contexto todo, surgem as imagens do assessor do presidente. Aquelas capturadas pela janela enquanto ele sabia, pelo Jornal Nacional, que um problema técnico poderia ser o responsável pelo acidente. “Comemorando”, disseram as manchetes indignadas.
Comemorando? Perdão, senhoras e senhores, mas não vi comemoração alguma ali. Vi apenas o tão comentado gesto obsceno e uma grande invasão de privacidade e campanha de difamação. E uma grande enrascada a ele, pois questionamentos nesse sentido o farão ser tachado de defensor da volta da censura. Não o conheço, não sei seus podres nem nada. Mas sei que não se pode culpar alguém por dizes que uma companhia aérea está f... em sua sala. Jornalistas, às vezes é complicado lidar com vocês.

Nenhum comentário: