sábado, 30 de setembro de 2017

Melhores Posts - Ano Oito

~  Com algumas horas de atraso (por motivo de: esqueci completamente que o mês acabava hoje), orgulhosamente lhes apresento os melhores posts do oitavo ano do blog! Neste antepenúltimo post de comemoração pelos  dez anos do Riscos, apresento meus posts favoritos entre 20 de julho de 2014 e 19 de julho de 2015. Foi o ano em que criei o Talvez Fosse Amor (conto a história neste post), então tem vários posts dele na lista - muitos escritos em outros anos inclusive, mas que só tive coragem de desengavetar naquela época. Tem também vários posts do Riscos mesmo. Na verdade, acho que essa é minha lista mais longa - não consegui escolher só 10, então tem 12 melhores posts; e incríveis 20 menções honrosas. Devo dizer que fiquei feliz comigo mesma; espero que vocês gostem :D


Links dos melhores Posts:










Link das Menção honrosas






segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Borbotões

Estava aqui pensando com meus botões.
Botões de rosa desabrocham. Botões da apple são touch, assim como hoje tudo.
Seria botão de camisa, se usássemos camisas de botão. Seria aquele botão na casa errada, que desalinha todo o resto.
Quase nunca usamos camisa de botão, então isso é irrelevante. Meu desalinho não é culpa de casa.
Pensei em casas como miçangas coloridas, colares invadindo o morro como um pescoço de manequim de exposição. Morro sem cabeça, coabitam lares.
Colar eu uso, também como verbo de junção.
Minhas questões não são botões nem habitações, são hábitos. E já faz um ano que parti, e ainda não estou sequer totalmente desnuda.
Desabotoo, desabituo, encaro minhas cicatrizes e as tatuagens e o teto de casa. Tomo mais uma nota em uma tarde de sol e penso que subi mais um degrau na evolução humana e tenho pavor de altura e saudades.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Procrastinação

Mente cheia,
pia vazia.

Ideias
com cheiro
de água sanitária e pinho.

Ao menos
o branco
da tese
se espalha
nas minhas 
meias.

Estendo meias
ideias
brancas
espremo
pinga
escorre

Talvez se eu fizesse aquilo,
mas tem aquela...
aquela receita que eu nem sei pronunciar o nome, que dirá fazer.

Amanhã é só mais uma segunda
ideia e feira e página do que falta anotado

Um bolo.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Estrada

Dia desses minha mãe me contou que viajou gravidíssima de mim de ônibus do Rio de Janeiro a Belém, e que mamando no peito fui também de ônibus do Rio a Salvador. Deve explicar minha naturalidade com estrada. Sou paraense nascida no Rio de Janeiro, já nasci desterrada. Sempre penso em raízes, mas talvez seja a parte errada da planta. Talvez eu seja daquelas sementes felpudas, transportadas pelo ar.
Afasto-me num espirro.

Assim sendo, este foi só mais um feriado na vida.
Seis dias. Ao todo uns mil e quinhentos quilometros. Um dia de volante. Muita cafeína. Seis caronas.

De Floripa a Curitiba foram uma moça de poucas palavras e dois rapazes: um curitibano que mora em Florianópolis e um florianopolitano que quer se mudar para Curitiba. O curitibano de shorts, tatuagem a mostra e uma flauta na mão. O florianopolitano de roupa social, indo para entrevista de emprego.
- Não aguento mais morar em Floripa. Nada muda, nada acontece. O transporte público é uma droga e a vida cultural não existe.
- Sou o único curitibano que você vai ouvir falar mal de Curitiba. Estou Sempre quis me mudar pra Floripa, acho que a Ilha me prende e não quero sair por nada. Agora vou cuidar da casa de uma amiga que é palhaça e está fazendo um curso na Itália. É uma casa maravilhosa, no meio do mato, com banheiro seco, carro não chega.

De Curitiba a São Paulo foram minha irmã, um amigo e duas moças. Eu não queria lotar carro em viagem longa porque no carnaval eu fui caronista de Floripa a São Paulo e foram dez horas em três pessoas no banco de trás com nossas mochilas no colo e um dos caras tinha um monociclo e ficou meio desconfortável; mas uma das moças insistiu:
- Minha amiga está com medo de viajar sozinha com homem.
Aí eu tive que aceitar, porque sou mulher e sei o que é esse medo de homem que aprisiona.

De São Paulo a Campinas foram outras duas moças.
- São da Unicamp? - Perguntei, porque foi minha vida de viagem Unicamp-São Paulo que me introduziu no mundo das caronas.
- Eu fui. - Disse uma. - Mas estou indo visitar minha família mesmo.
- Eu estou indo ver meu namorado. - disse a outra.
- Eu também. - Disse eu, com um teco de orgulho.
- Você também estava indo ver o namorado dela? - Perguntou meu namorado, rindo, quando contei a conversa. - Disse "estou só esperando você ir embora"?.
- Não, disse que ia ficar com os dois juntos e estava avaliando ela, oras.

Gosto da sensação de tempo de viagem. Os dias viram aquelas borboletas de vida curta. Uma vida em alguns dias coloridos.

A volta foi parcelada. De Campinas a São Paulo numa manhã de domingo preguicenta e de caronistas silenciosos que acordaram ao ver que eu e meu namorado não conseguiamos seguir o GPS e corriamos o risco de rodar São Paulo inteiro cinco vezes antes de chegar ao metrô da Liberdade. De São Paulo a Curitiba à tarde, transportando um nó no peito de despedida, novamente minha irmã e o amigo e uma moça simpática e seu gatinho de estimação.
- Já namorei um maluco da BR. - Ela contou. - Eles não gostam que chame de hippie, hippie era outro rolê. Eu tinha 18 anos e ele 32, e ele queria que eu largasse tudo para virar a esposinha dele. Mega controlador. Sair do sistema não salva ninguém do machismo.
E enfim de Curitiba a Florianópolis na manhã de segunda, com um metaleiro dorminhoco e o mesmo curitibano da casa da montanha, que me contou que tem um primo pajé lá no Pará e pelo outro lado da família herdará um terreno de cinco milhões. Devo visitá-lo em breve.

Que viagem.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Às vezes acho que me apaixono apenas para escrever poemas (muitos de qualidade questionável).

Post da semana lá no Talvez Fosse Amor ;)