segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
Dezembro
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Temática(s): Eu sinto muito
terça-feira, 12 de dezembro de 2017
Sobre o final de semana que passei ajudando a construir uma casa em uma aldeia Guarani
Tem amigo que te convida pro bar. A Júlia também, mas só nos dias de tédio. A gente se conheceu no coletivo de mulheres da engenharia da UFSC, e desde então já fomos: 1) discutir revolução brasileira com possível candidato à presidência; 2) tentar ajudar a reerguer movimento social que luta por mobilidade urbana; 3) tentar fundar coletivo de esquerda nas exatas; 4) passear com cachorro, comer no RU e pra bar e festinha, porque afinal somos universitárias.
Pois bem.
Era quinta, tínhamos saído de um picnic do coletivo e estávamos sentadas na grama da universidade, aproveitando essa coisa maravilhosa que é o sol, quando ela me diz:
- Vou passar esse final de semana em uma aldeia guarani, em um rolê de bioconstrução. Quer ir junto?
E é óbvio que eu disse sim.
E foi assim que fui parar na aldeia Piraí, perto de Joinville.
Eu e mais oito pessoas chegamos na aldeia sábado de manhã. Quem tinha feito o convite à Júlia tinha sido a Nat, uma bióloga carioca que passou o último ano morando com os guaranis, dando aula na escola de lá.
- O que você aprendeu de mais importante nessa experiência? - Alguém perguntou dada hora.
- É difícil dizer. - ela disse. - Sinto que tudo ainda vai reverberar em mim por muitos anos. Mas acho que o que fica mais forte é a noção do privilégio branco, todas as coisas que para mim são comuns e aqui não são. A gente não tem ideia, não tem ideia. E que o ritmo da cidade vicia.
A aldeia me era estranhamente familiar, como estar em uma vila do interior do Pará. O chão de terra e as casas de pau a pique, madeira ou tijolo sem tintura me lembravam a vizinhança do sítio do meu finado bisavô. As casas não tem banheiro, mas há alguns coletivos espalhados pela aldeia. Os traços indígenas me são tão caseiros; e eles escutavam bregas que eu ouvia na infância/adolescência. Foi uma surpresa ouvir tecnobrega em uma aldeia indígena em Santa Catarina; e a Laís, a moça de Sergipe que nos deu carona reconheceu mais músicas que eu.
Na aldeia moram cerca de 300 pessoas distribuídas em 25 famílias. O cacique me disse que o que eles mais precisam é que a terra deles seja demarcada - gostariam de poder viver de agricultura e caça, e não da venda de artesanato nas cidades e doações da FUNAI.
- A terra nos dá tudo: planta, quati, capivara. Quati foi o primeiro animal que Nhanderu nos deu pra comer. Hoje temos que ir no supermercado comprar carne e frango...
Eles criam galinhas e patos. Fiquei chocada de ver galinhas empoleiradas em árvores realmente altas, me perguntei como bichos que não voam chegaram ali. Além disso, há muitos cachorros e gatos pela aldeia - vários são abandonados pelas redondezas, e, como não há controle, eles proliferam. Não há a relação de pet, o que talvez seja até uma questão de saúde porque muitos bichos parecem bem doentes; mas eles recebem restos de comida e algumas crianças brincam com eles.
Chamaram-me a atenção o texto em guarani na porta da geladeira (um versículo da Bíblia, explicaram-me depois), os trabalhos nas paredes e a linha histórica correta na frente dos livros, desde a invasão portuguesa em 1500.
Juruá, é como eles chamam os brancos. Juruá, é o que sou.
Os indígenas que nos receberam disseram palavras muito simpáticas, com seu português com forte sotaque guarani. Perguntei se era o mesmo guarani que se fala no Paraguai, mas me disseram que não - os guaranis da aldeia Piraí são Guaranis Mbya, que não são os mesmos do Paraguai. Por outro lado, são os mesmos de várias aldeias dos arredores, e eles costumam se mudar - o Cacique Ronaldo, por exemplo, contou que nasceu no Rio Grande do Sul; e o Gabriel, um dos guaranis que acompanhou a gente, é da Argentina.
- Essas divisões foram inventados por Juruá. - Nos disse o Cacique na noite seguinte, na Casa de Reza. - Brasil, Argentina, Paraguai. Nada disso existe. O que existe é a terra. Juruá chegou, chamou de Brasil, inventou bandeira. O que é uma bandeira? Algo que você toca fogo e destrói tão rápido. Nossa bandeira é o chão, a terra, algo que não vão conseguir destruir.
A terra. Nessa mesma noite, a Tainara, uma menina de uns dez ou doze anos, tinha me mostrado os trabalhos que eles faziam nas aulas de artes. Ela e a melhor amiga tinham desenhado a terra coberta de muitas árvores e rios e algumas casas esparsas. Ela tinha me explicado que aquela era a bandeira Guarani.
Todos os guaranis tem nomes em português, porque tem que ser registrados ao nascer. As mulheres grávidas continuam trabalhando normalmente até dar a luz, porque as crianças são vistas como continuação dos pais e uma mãe em repouso geraria um filho preguiçoso. O nome verdadeiro os bebês ganham em uma cerimônia de "batismo" ("batismo" é como chamamos nós que somos juruás, o cacique me explicou que várias palavras do guarani não tem equivalentes em português e mesmo a Nat, que aprendeu um pouco de guarani morando na aldeia, disse que a língua é muito mais sentida do que explicada. Li num dos livros guaranis que, por ser apenas falada, a língua não tem escrita unificada), que ocorre uma vez por ano. Nela o pajé olha a criança e fica sabendo quem ela realmente é, e é assim que ela recebe seu nome - não como algo escolhido, mas algo que ela é, e que guiará sua criação e seu futuro.
Troncos de bambu foram cortados para fazer o trançado que segura o barro das paredes. E então a parte mais divertida, o barro; feito apenas cavando terra do chão, jogando água e pisando para a mistura ficar homogênea.
- Isso pedia uma música. - eu comentei, pisando forte em círculos e com lama até nos recantos mais escondidos da alma.
- Existem músicas guaranis pra isso, mas eu não sei cantar. - Disse a Júlia. - Acho que o coco do nordeste é pra isso também.
- Eu não sei cantar coco, mas posso cantar carimbó lá do Pará. Não é pra isso, mas pelo menos é animado...
E assim ficamos pisando enquanto eu desafinava no "embarca morena embarca/molha o pé mas não molha a meia"...
Por fim, colocamos o barro no trançado de bambu. Eram 19h, a casa estava pronta pra secar e eu só pensava que quem inventou a história dos três porquinhos nunca fez uma casa na vida; e lembrei de quando eu era criança e brincava com os tijolos no quintal da minha avó.
Nas duas noites que passei lá fomos à Casa de Reza, uma grande construção de pau a pique sem janelas onde a comunidade se reúne todo fim de dia. Eu me sentia exausta do sol e construção e pequenos machucados. Havia cheiro da fumaça do cachimbo e fiquei descalça no chão de terra batida.
A aldeia estava bastante esvaziada porque vários indígenas estavam viajando para outras aldeias. Ainda assim, na primeira noite um indígena albino que estuda na UFSC fez um pequeno discurso, pedindo desculpas pelo seu português. Depois as crianças chamaram nós juruás para dançar. Havia uma musiquinha em guarani e alguns passos ritmados, e depois ficamos em círculos no que parecia uma brincadeira. Um dos meninos passava com o chocalho e tínhamos que pulá-lo, depois passar por baixo. Um a um, fomos chamados para o centro da roda, num desafio de se encarar e saltar. Tivemos que saltar um menino abaixado. E, por fim, ficar pulando em roda feito sapinho. A dança terminou e eu fui sentar suada e feliz pensando que todo rito religioso devia ser assim. Só então explicaram que essa era a versão mirim da dança do guerreiro, feita para treinar. Lembrei de um comentário feito pelo meu namorado há algumas semanas:
- O catolicismo é uma religião que desconecta as pessoas de seus corpos. Toda religião tem algo de físico. Veja as filosofias orientais, ligadas a artes marciais e a modos de vida. Faz muito mais sentido.
Ali, no meio dos guaranis, pensei em todo o meu sangue apagado; "Weyl" parece tão metido, mas não sei qual nome é de fato meu. No mato, divindades ancestrais parecem fazer mais sentido - a pedra não é uma representação de deus; a pedra É deus.
A bandeira dos guaranis é a terra; sinto-me tão desconectada do meu corpo, eu preciso me aterrar.
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Marina
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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017
Melhores Posts - Ano Dez
~ Enfim, com algum atraso, concluo a comemoração pelos dez anos do Riscos e apresento meus melhores posts entre 20 de julho de 2016 e 19 de julho de 2017. Por serem posts mais recentes, essa foi uma lista mais difícil de ser feita - ainda tenho muitas das emoções em mim e não consigo avaliar os textos com distanciamento.
Devo dizer que o processo de organizar o Riscos foi muito bom - reler dez anos de textos me permitiu ver as mudanças na minha escrita, e me motiva a continuar postando (eu tinha escrito "me motiva a continuar escrevendo; mas escrever me é como respirar). Sem dúvida isso e a frequência dos posts é algo que levo de mudança positiva de 2017, e fico feliz de ver que tem mais gente vindo aqui também. Um dos objetivos dessa organização toda era descobrir sobre o afinal que são os meus textos, e hoje posso afirmar que agora sei: tenho uma escrita autobiográfica, e falando sobre mim acho que falo sobre o mundo. É pessoal, mas quero que seja cada vez mais público.
Obrigada a todas e todos que me apoiam. O Riscos existe por vocês. E vai continuar sempre crescendo, um post por semana às segundas; e agora uma coletânea de melhores posts em cada aniversário.
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Marina
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21:04
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Temática(s): Editorial
segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
O que morar em uma cidade de praia está me ensinando sobre a vida
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Marina
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Temática(s): Sobre a Ciência e a Academia
quinta-feira, 30 de novembro de 2017
Por motivo de: estou surtando na universidade em final de bimestre, a lista dos melhores posts do décimo ano do Riscos será postada apenas sexta que vem, dia 08/12. Agradeço a compreensão :)
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Marina
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Temática(s): Editorial
segunda-feira, 27 de novembro de 2017
Compilação (ou: papo político do final de semana)
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Marina
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Temática(s): Comentando, Feminismo
segunda-feira, 20 de novembro de 2017
Flerte universitário
Escolher um curso universitário traz a fantasia de ter escolhido o conjugue num encontro às escuras.
A universidade faz do conjugue a pessoa mais chata do mundo.
A universidade sistematiza o conhecimento e o apresenta a mim como um catálogo.
Aprender apenas a reproduzir é como aprender apenas a reproduzir é como aprender apenas a reproduzir é.
A universidade destrói o tesão pelo conhecimento porque dá aos estudantes apenas os pedaços dos cadáveres dissecados e lhes exige um Frankstein.
Eu não quero mais costurar entediada pedaços de cadáveres de ideias e fingir que aquele morto-vivo tem algo do meu sangue. Nunca quis.
O conhecimento, senhoras e senhores, não é um cadáver. Ele está muitíssimo vivo. Seu sangue pulsa, e ele é sexy.
Você não vai estudar o amor da sua vida obcecado em responder perguntas que já tem resposta trancado numa sala por 2h sem consulta.
É o amor da sua vida.
Não importa quem já o descobriu antes. Não somos esse tipo de puritano. O conhecimento já existia antes e somos gratos. O conhecimento irá dormir com a cidade inteira e é isso que quero. Mas queremos também desnudá-lo com toda atenção e cuidado.
Todos os conhecimentos passeiam distraídos indo a bancos e a festas e deitados na grama num dia de sol.
Nos encontramos pela primeira vez.
Quero olhar o conhecimento nos olhos e quase enrubescer ao me dar conta que estou diante da questão mais fascinante de todo o universo - viva, pulsante e misteriosa; e não um membro pálido e disforme de algo que já foi.
Eu a desejo!
Quero aquela paixão quase obsessiva.
O conhecimento é desconhecido e belo e quero pensar nele 24h por dia.
Quero descobrir como abordá-lo. Como começar a conversa. Como descobri-lo.Como chamá-lo prum café.
Quero fazer mil perguntas e fotos dele com o ex não vão me responder.
Quero fazer mais mil perguntas até vê-lo como ninguém nunca viu.
Aquela pinta.
Quero decifrá-lo antes de despi-lo, entendê-lo e absorvê-lo em cada célula de mim.
Quero ter um filho do conhecimento; quero conhecê-lo tão a fundo que minha alma gerou dele algo nosso, algo novo. Algo que a universidade não esquartejará. Algo que encontrará inteiro seu lugar no mundo e eu procurarei outro conhecimento para me apaixonar.
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Marina
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Temática(s): Sobre a Ciência e a Academia
segunda-feira, 13 de novembro de 2017
O dia em que descobri que não precisava gostar de todas as pessoas
A amabilidade é uma daquelas características ditas femininas; e uma das quais tenho mais dificuldade de me livrar do peso.
(Características ditas femininas são como depilação:
1) algo que aprendemos desde cedo que é bonito e correto;
2) algo que muitas vezes vai contra nossa natureza e que só pode ser alcançado com dor e/ou despesa;
3) algo que seremos julgadas por não cumprir;
4) algo que podemos optar por seguir mesmo sabendo de tudo isso. Desde que sabendo que se pode desistir)
Pois enfim.
E queria dizer só coisas boas das pessoas. O mal eu sabia que existia; mas estava distante como links. Do mal eu falava, mas não dos maus. Não sou Deus para julgar os maus, mas me julguei Deus para amar.
Fracassei.
O que eu mais gosto é de ouvir histórias e de abraços. A casa era como um parquinho de jardim-de-infância, e desenhei solidão com giz de cera.
Ele construiu ao redor de si um fosso de silêncio e eu cai. Eu dizia que não, mas queria ser que nem aquelas modelos da revista, aquela indiferença tão cool.
...
Não é mau, não precisa ser para eu desgostar. Não farei mal, não preciso me justificar.
ENTÃO EU QUIS GRITAR.
Enfim descobri que não preciso gostar de todas as pessoas, e agora posso ser amável como uma metralhadora:
-Não gosto dele. - Disse, em voz alta.
E então ele tornou-se uma cadeira qualquer e não estou mais com medo que a música pare e eu saia da festa porque fiquei em pé.
Eu gosto é de dançar.
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Marina
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23:16
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Temática(s): Eu sinto muito
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
Post da semana: Día de Los Muertos, um poema lá no Talvez Fosse Amor.
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Marina
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Temática(s): Editorial
terça-feira, 31 de outubro de 2017
Melhores Posts - Ano Nove
~ Penúltimo post da comemoração pelos dez anos do Riscos; orgulhosamente apresento meus posts favoritos entre 20 de julho de 2015 e 19 de julho de 2016. A lista é gigantesca porque eu gosto de muitos posts e espero que vocês também :)
A máquina do tempo
Priminhos-sobrinhos
[Sem título 1]
Cítrico
Leidenschaft
[Sem título 2]
Fome
Sobre Cotijuba e manas
Sobre muiraquitãs e morte
"A morte é a melhor conselheira"
Educação
Aprendizado
Tudo mais que eu trouxe da Bahia
Portaria
Liberal
[Sem título 3]
Das despedidas
Melhor
Cerca
Música
Sobre ajudar a amiga arte-terapeuta na mudança
Coisas de mãe
Sobre trabalho e brigadeiro de nutella
"Qualquer coisa eu te aviso"
Eu lidando com meus problemas
Bateu na porta é missão
Militância amorzinho
Nós
Multa
[Sem título 4]
~ todos os textos de fevereiro, que são causos de quando morei no Paraguai
Depois de tanto tempo
Lições que aprendi nesses dois anos e meio de solteira
Sobre ideais, métodos e caráter
Algumas conversas sobre o dia da mulher
Como alegrar uma galinha branca
Medos
Medos (texto expandido)
Fotopost e alguns causos: Amsterdã e Praga
Ansiedade
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Marina
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Temática(s): Editorial
segunda-feira, 30 de outubro de 2017
Chuva
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Temática(s): Eu sinto muito
segunda-feira, 23 de outubro de 2017
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Temática(s): Editorial
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
Hey, Sexy Frida! (Ou: Relato antropológico-feminista da Oktoberfest em Blumenau)
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Temática(s): Feminismo
segunda-feira, 9 de outubro de 2017
Sonho de criança (cuidado com o que você deseja)
Dente do siso é a prova de que juízo só serve para ser arrancado pela raíz, e então se entupir de sorvete.
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Marina
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Temática(s): Curtos
segunda-feira, 2 de outubro de 2017
Gatilho
Ideias e pessoas são maiores que memes.
O shopping fica há poucos minutos a pé da minha casa, e parece que nada aconteceu.
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Temática(s): Comentando, Eu sinto muito, Sobre a Ciência e a Academia
sábado, 30 de setembro de 2017
Melhores Posts - Ano Oito
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Marina
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Temática(s): Editorial
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
Borbotões
Quase nunca usamos camisa de botão, então isso é irrelevante. Meu desalinho não é culpa de casa.
Pensei em casas como miçangas coloridas, colares invadindo o morro como um pescoço de manequim de exposição. Morro sem cabeça, coabitam lares.
Colar eu uso, também como verbo de junção.
Minhas questões não são botões nem habitações, são hábitos. E já faz um ano que parti, e ainda não estou sequer totalmente desnuda.
Desabotoo, desabituo, encaro minhas cicatrizes e as tatuagens e o teto de casa. Tomo mais uma nota em uma tarde de sol e penso que subi mais um degrau na evolução humana e tenho pavor de altura e saudades.
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Marina
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Temática(s): Crescer e alguns outros versos, Eu sinto muito
segunda-feira, 18 de setembro de 2017
Procrastinação
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Temática(s): Crescer e alguns outros versos, Sobre a Ciência e a Academia
segunda-feira, 11 de setembro de 2017
Estrada
Dia desses minha mãe me contou que viajou gravidíssima de mim de ônibus do Rio de Janeiro a Belém, e que mamando no peito fui também de ônibus do Rio a Salvador. Deve explicar minha naturalidade com estrada. Sou paraense nascida no Rio de Janeiro, já nasci desterrada. Sempre penso em raízes, mas talvez seja a parte errada da planta. Talvez eu seja daquelas sementes felpudas, transportadas pelo ar.
Afasto-me num espirro.
Assim sendo, este foi só mais um feriado na vida.
Seis dias. Ao todo uns mil e quinhentos quilometros. Um dia de volante. Muita cafeína. Seis caronas.
De Floripa a Curitiba foram uma moça de poucas palavras e dois rapazes: um curitibano que mora em Florianópolis e um florianopolitano que quer se mudar para Curitiba. O curitibano de shorts, tatuagem a mostra e uma flauta na mão. O florianopolitano de roupa social, indo para entrevista de emprego.
- Não aguento mais morar em Floripa. Nada muda, nada acontece. O transporte público é uma droga e a vida cultural não existe.
- Sou o único curitibano que você vai ouvir falar mal de Curitiba. Estou Sempre quis me mudar pra Floripa, acho que a Ilha me prende e não quero sair por nada. Agora vou cuidar da casa de uma amiga que é palhaça e está fazendo um curso na Itália. É uma casa maravilhosa, no meio do mato, com banheiro seco, carro não chega.
De Curitiba a São Paulo foram minha irmã, um amigo e duas moças. Eu não queria lotar carro em viagem longa porque no carnaval eu fui caronista de Floripa a São Paulo e foram dez horas em três pessoas no banco de trás com nossas mochilas no colo e um dos caras tinha um monociclo e ficou meio desconfortável; mas uma das moças insistiu:
- Minha amiga está com medo de viajar sozinha com homem.
Aí eu tive que aceitar, porque sou mulher e sei o que é esse medo de homem que aprisiona.
De São Paulo a Campinas foram outras duas moças.
- São da Unicamp? - Perguntei, porque foi minha vida de viagem Unicamp-São Paulo que me introduziu no mundo das caronas.
- Eu fui. - Disse uma. - Mas estou indo visitar minha família mesmo.
- Eu estou indo ver meu namorado. - disse a outra.
- Eu também. - Disse eu, com um teco de orgulho.
- Você também estava indo ver o namorado dela? - Perguntou meu namorado, rindo, quando contei a conversa. - Disse "estou só esperando você ir embora"?.
- Não, disse que ia ficar com os dois juntos e estava avaliando ela, oras.
Gosto da sensação de tempo de viagem. Os dias viram aquelas borboletas de vida curta. Uma vida em alguns dias coloridos.
A volta foi parcelada. De Campinas a São Paulo numa manhã de domingo preguicenta e de caronistas silenciosos que acordaram ao ver que eu e meu namorado não conseguiamos seguir o GPS e corriamos o risco de rodar São Paulo inteiro cinco vezes antes de chegar ao metrô da Liberdade. De São Paulo a Curitiba à tarde, transportando um nó no peito de despedida, novamente minha irmã e o amigo e uma moça simpática e seu gatinho de estimação.
- Já namorei um maluco da BR. - Ela contou. - Eles não gostam que chame de hippie, hippie era outro rolê. Eu tinha 18 anos e ele 32, e ele queria que eu largasse tudo para virar a esposinha dele. Mega controlador. Sair do sistema não salva ninguém do machismo.
E enfim de Curitiba a Florianópolis na manhã de segunda, com um metaleiro dorminhoco e o mesmo curitibano da casa da montanha, que me contou que tem um primo pajé lá no Pará e pelo outro lado da família herdará um terreno de cinco milhões. Devo visitá-lo em breve.
Que viagem.
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Marina
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Temática(s): Colecionando Causos, Viagem






















