A família estava dividida, mas a parte que apoiava o candidato A predominava no grupo de whatsapp e dizia coisas de corar meme e comentarista de portal. No segundo turno eu apoiava a candidata C, mas com ressalvas o suficiente para não entrar em briga com primo distante (mesmo porque eu sempre tive recalque de ser a prima distante; então ler atrocidades meio que alimentava a desajustada dentro de mim - sério que era por essas pessoas que eu queria tanto ser aceita e vista como igual?). Discuti -bem de leve- apenas com comentário machista; porque alguém tinha que dizer que aquilo não era ok.
Depois de uma montagem onde o candidato A espancava a candidata C, meu pai não deu conta, xingou muito no twitter reclamou dos absurdos e saiu do grupo, seguido por uma prima que vota em A, mas achou que aquilo estava passando dos limites. Adorei ver. Pensei em pegar o bonde e sair também - eu dizia mesmo que gostava mais de muitas daquelas pessoas quando as via apenas no Natal! - mas respirei fundo. Tinha me posto como meta não me fechar em uma bolha; e havia a alimentação para minha desajustada... Calada como sempre, fiquei. Mas vibrei, confesso.
Na véspera da eleição, todos nos encontramos em uma cidade para onde tivemos que pagar caras passagens de avião, para a linda e caríssima festa de casamento de um primo. Nos abraçamos, batemos foto para postar no facebook e em vez de votar justificamos nossos votos no dia seguinte.
(Obviamente não me orgulho de nada disso. Mas tinha que compartilhar)
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