segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Proseando

No meu passeio matinal com a Vivi, hoje fui interpelada por uma velhinha na frente de sua casa preocupada com seu gatinho que tinha fugido e impressionada com a fofura da minha cadelinha. Como não resisto a dois dedos de prosa, passei alguns minutos conversando com a senhora de sotaque forte e jeitinho simples.
- Você é daqui de Campinas? - Dada hora ela me perguntou.
- Não, sou de Belém, vim estudar.
- Longe, né?
- Sim.
- Estude, que faz muito bem.
- Pode deixar. E a senhora, é de onde?
- Sou italiana.
- E por que veio para o Brasil?
Ela olhou para cima, deu um risinho e respirou fundo:
- Por que eu vim? É uma boa pergunta, olha! Já faz tanto tempo... Eu vim porque os jovens gostam de passear pelo mundo, né?
Na despedida ela me perguntou se eu era católica. Respondi que não, mas que acreditava em Deus.
- Ah, nada disso importa, né? O que importa é as pessoas ajudarem umas as outras.
Voltei pra casa com um sorriso no rosto e um convite para um café um dia desses.

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