O feminismo me ajudou a construir um amor que me tentaram roubar - o amor próprio. Pelos quadris tamanho especial, pés quase numeração exclusivamente masculina, óculos. Pelos meus desejos, todos eles. Pelo que eu quero e posso ser.
Me dar conta que a minha busca pelo amor romântico era em grande parte busca por validação foi um dos meus maiores choques de auto-conhecimento. Afinal, amor não me falta na vida. Nem companhia. Eu queria alguém para dizer que eu valho a pena; e escrever isso é tão bobo que dá até vergonha. Que sentido há em deixar nas mãos de outra pessoa o julgamento sobre a minha importância?
Eu felizmente nunca tive um relacionamento abusivo; meus ex-namorados são (quase todos) pessoas ótimas pra quem eu de verdade desejo tudo de bom. Ainda assim, quando eu paro para pensar, eu vejo todas as vezes que eu doei partes de mim que eu não dava conta; que concordei com situações que não me faziam bem por medo de perder aquela pessoa que colocava minha vida no eixo; que mesmo depois de terminar fiquei pensando se não devia ter insistido mais, sido mais tolerante. Como se querer uma relação que se encaixasse nos meus desejos fosse intolerância! Meus grandes términos foram também rupturas de vida, porque eu realmente não fazia ideia do que fazer em nenhum sentido.
Numa sociedade onde meninas crescem vendo histórias sobre ser salvas por príncipes, descobrir que se pode ser feliz sozinha é um empoderamento.
Às vezes eu me sinto uma fraude, com esse cabelo curto pintado de vermelho e braço recém tatuado, vestidinho curto florido e discurso tão bem resolvido. (Quando alguém diz que eu sou bem resolvida eu considero um tremendo elogio). Mas é essa que eu quero ser, então continuo tentando. Mesmo que eu me pegue com inseguranças tão bobas que de novo dá vergonha de escrever.
Hoje sou mais segura de mim; hoje eu sei o que eu quero de um relacionamento amoroso porque sei que não preciso de um relacionamento amoroso, então não preciso ficar me contorcendo para encaixar na caixinha de alguém ou retorcer a realidade para alguém caber na minha caixinha. Mas eita exercício difícil! Um belo dia eu esbarro em alguém com um discurso mais bonito e pegada mais encaixada; e quando dou por mim estou me perguntando se eu devia ter bancado a difícil ou não ter ido àquela festa com meus amigos ou insistido mais do que já insisti. Aí me dá o estalo: Não! Eu não devia nada, absolutamente nada. As pessoas se interessam pelas outras pelos motivos mais diversos; e bem, se me quiser eu sou assim. E se julgou "fácil" é um babaca. E meu interesse já está claro, se me quiser agora tem meu telefone. E se ainda não me chamou pra sair de novo... o mundo está cheio de experiências a serem vivenciadas.
Acho que amar é um desafio pra todo mundo, independente do que você acredita - monogamia ou amor livre, hétero ou homo, feminista ou não. O feminismo é um escudo contra violência e abuso e uma ferramenta de auto-respeito e libertação (meu corpo, minhas regras); então eu quero mais é que todo mundo seja feminista e que (se) ame e (se) respeite mais. Acho que é um bom passo para um mundo com mais amor.
PS: Fiquei com vontade de escrever esse texto depois de um bate-papo/chororô-sobre-rapazes com uma amiga feminista. Concluímos que nossas vidas são bem maiores que isso e que depois de desabafar era melhor mudar de assunto.
Me dar conta que a minha busca pelo amor romântico era em grande parte busca por validação foi um dos meus maiores choques de auto-conhecimento. Afinal, amor não me falta na vida. Nem companhia. Eu queria alguém para dizer que eu valho a pena; e escrever isso é tão bobo que dá até vergonha. Que sentido há em deixar nas mãos de outra pessoa o julgamento sobre a minha importância?
Eu felizmente nunca tive um relacionamento abusivo; meus ex-namorados são (quase todos) pessoas ótimas pra quem eu de verdade desejo tudo de bom. Ainda assim, quando eu paro para pensar, eu vejo todas as vezes que eu doei partes de mim que eu não dava conta; que concordei com situações que não me faziam bem por medo de perder aquela pessoa que colocava minha vida no eixo; que mesmo depois de terminar fiquei pensando se não devia ter insistido mais, sido mais tolerante. Como se querer uma relação que se encaixasse nos meus desejos fosse intolerância! Meus grandes términos foram também rupturas de vida, porque eu realmente não fazia ideia do que fazer em nenhum sentido.
Numa sociedade onde meninas crescem vendo histórias sobre ser salvas por príncipes, descobrir que se pode ser feliz sozinha é um empoderamento.
Às vezes eu me sinto uma fraude, com esse cabelo curto pintado de vermelho e braço recém tatuado, vestidinho curto florido e discurso tão bem resolvido. (Quando alguém diz que eu sou bem resolvida eu considero um tremendo elogio). Mas é essa que eu quero ser, então continuo tentando. Mesmo que eu me pegue com inseguranças tão bobas que de novo dá vergonha de escrever.
Hoje sou mais segura de mim; hoje eu sei o que eu quero de um relacionamento amoroso porque sei que não preciso de um relacionamento amoroso, então não preciso ficar me contorcendo para encaixar na caixinha de alguém ou retorcer a realidade para alguém caber na minha caixinha. Mas eita exercício difícil! Um belo dia eu esbarro em alguém com um discurso mais bonito e pegada mais encaixada; e quando dou por mim estou me perguntando se eu devia ter bancado a difícil ou não ter ido àquela festa com meus amigos ou insistido mais do que já insisti. Aí me dá o estalo: Não! Eu não devia nada, absolutamente nada. As pessoas se interessam pelas outras pelos motivos mais diversos; e bem, se me quiser eu sou assim. E se julgou "fácil" é um babaca. E meu interesse já está claro, se me quiser agora tem meu telefone. E se ainda não me chamou pra sair de novo... o mundo está cheio de experiências a serem vivenciadas.
Acho que amar é um desafio pra todo mundo, independente do que você acredita - monogamia ou amor livre, hétero ou homo, feminista ou não. O feminismo é um escudo contra violência e abuso e uma ferramenta de auto-respeito e libertação (meu corpo, minhas regras); então eu quero mais é que todo mundo seja feminista e que (se) ame e (se) respeite mais. Acho que é um bom passo para um mundo com mais amor.
PS: Fiquei com vontade de escrever esse texto depois de um bate-papo/chororô-sobre-rapazes com uma amiga feminista. Concluímos que nossas vidas são bem maiores que isso e que depois de desabafar era melhor mudar de assunto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário