sábado, 25 de agosto de 2007

Final feliz?

É um final relativamente em comum para comédias românticas. Você com certeza já o viu pelo menos uma vez:
E então a mocinha ou o mocinho decide jogar tudo para o ar. Larga a cidade, os projetos, a família, os amigos e o trabalho e vai viver em outra época, ou no fundo do mar, ou em outro planeta, ou simplesmente em outro lugar. Tudo pela força do amor. Lindo, né?
Não. Lindo nada. Na verdade, é uma tremenda burrice.
Não me entenda mal, sou uma romântica e carteirinha e acredito piamente no amor. Mas também acredito no bom-senso. E jogar tudo para o alto não rima com bom-senso. Rima com burrice. E no final não há amor que resista a tanta abnegação. Imagine só, abrir mão de tudo para viver do outro! É muita responsabilidade para alguém ter todo o peso da felicidade de outrem nas costas. Não é saudável. Sua felicidade é sua. Dá-la a outra pessoa só causa frustração.
O casal do filme não vai viver feliz para sempre. Eles vão brigar um dia, desculpe ser eu a lhe dizer. Por uma razão boba, a tampa da privada ou um sorriso de um amigo. E então vai vir tudo à tona. O altruísta irá se sentir vítima: “Mas eu fiz tudo por você...”. O outro irá se sentir acusado injustamente. E tem toda a razão. Ou, pior ainda: o altruísta nada dirá e se remoerá por dentro. E o outro... Não vai entender nada, coitado.
Fim.

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