domingo, 12 de junho de 2011

Sobre absorventes e sacolas plásticas

E lá estava eu, em um dos programas mais mulherzinha do mundo: batendo perna no shopping com a minha irmã. E aí que eu tinha que comprar um pacote de absorventes, e fiz uma pausa na farmácia do shopping para fazer isso. Na fila, eu percebi que tinha esquecido de levar minha sacola renovável. Droga. Mas... paciência; eu precisava comprar aquele pacote, e embora eu não seja entusiasta de sacolas plásticas, eu as uso quando esqueço a minha e a compra não cabe na minha bolsa (como era o caso). 
Cheguei ao caixa, entreguei os absorventes à vendedora, que os ensacou e então pegou meu dinheiro. Aí ela me deu o troco e... Colocou minha sacola plástica dentro de outra sacola plástica!
- Não precisa, é bem levinho. - Disse eu na minha ingenuidade, achando que por algum motivo bizarro aquela vendedora tinha achado o enorme pacote com 32 absorventes pesado e por isso precisava de duas sacolas para ser transportado.
- Ah não, eu estava escondendo ele... - Ela me disse.
ElA, adultA; vendendo absorventes para mim, adultA; em um ambiente predominantemente feminino que é um shopping.
- Não precisa, obrigada. 
Ela me olhou surpresa e tirou a sacola de dentro da outra, e me deu apenas a sacola de dentro com meus absorventes. E quem saiu surpresa fui eu, que olhei para minha irmã, também surpresa, que disse:
- Nossa, vai ver elas são treinadas para isso, né? Esconder coisas tipo absorventes e tals...
- Mas gente, eu sou mulher! A maioria das pessoas aqui é mulher também! E, como metade da população mundial, a gente sangra uma vez por mês, é normal...
Minha irmã caiu na risada. E eu vi que vergonha de mestruação não é mesmo paranóia feminista (eu mesma me descupei no meu primeiro post sobre absorventes; e femininstas não costumam ter nada de paranóicas). Eu até entendo o desconforto de se ficar falando sobre fluidos corporais de um modo geral, porque não é habitual; mas daí a eu ter que esconder o meu pacote de absorventes, e ainda por cima produzir mais lixo por isso? Juro que quase saí segurando ele na mão depois disso (desisti da ideia porque seria extremamente não prático; e do jeito que eu sou distraída ia acabar o esquecendo).
Eu heim!

PS: Eu já linkei este texto no meu facebook (não sei se alguém clicou), mas ele é bem interessante para colocar as coisas sob perspectiva... Para pensar em menstruação como construção cultural.

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