quarta-feira, 1 de junho de 2011

Cócegas no soldado

Sinto-me pena
não leve, nem coitada
apenas desajeitadamente emplumada
dançando sob o nariz do soldado

Ele lindo, vestido de prata
e com o chapeu de uma rainha de virtudes que nem mesmo existem
neste mundo

Mas o heroi é bom e se cobra o mundo

Eu não fui criada para o mundo
Mas quero
ser capaz de limpar seus sapatos
sou dele cria

E nisso o soldado me inspira

não parece sério
Tem o sorriso de quem acha o mundo simples
e o estômago machucado de quem não sabe gritar

Meu bom herói
Adulto desde criança

Eu o chamei para dançar
(ou ele me chamou? Não sei)
mas de certa forma encaixamos
nossas pernas e braços e quadris

e encaixamos tão bem encaixado!
ele soldado, eu pluma
ele pedra, eu espuma

Uma pedra que quer voar

muito fácil ser mocinha,
mas quem salva o herói?

o soldado é bem mais que um soldado
não precisa estar soldado

não precisa segurar o mundo que serpenteia

e agora o que eu quero é lhe fazer cócegas
para arrancar mais um riso sincero e incomodado
(daqueles que fazem chorar, porque chorar é preciso
especialmente para quem tem riso leve e estômago machucado)
para tirá-lo do sentido
sem sentido

Tirar-lhe os sentidos

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