- Faz um pedido. - Eu disse, segurando o cílio no meu indicador. Havia explicado para ele ontem as regras do jogo (quando eu expliquei que quem ficava com o cílio no dedo o guardava na camisa, ele me gozou perguntando se tinha que guardar para sempre).
Hoje ele ainda olhou meio desconfiado.- Faz como?
- Coloca o dedo aqui.
- Esse dedo? - Colocou seu indicador sob o meu.
- É, pode ser. Agora faz um pedido. Não me diz qual.
- Pera um pouco. Mais. Hm...
Enquanto ele pensava, eu fiz o meu desejo e esperei.
- Tá, já sei.
Separamos os dedos.
- Ficou com você?
- Não. Não ficou com você?
- Não.
- Então nenhum dos pedidos vai se realizar. - Expliquei. - Quer dizer, não agora; podem se realizar depois...
(Eu já tive uma discussão super filosófica com um amigo sobre desejos e cílios - então, se você não ficar com o cílio, o desejo não se realiza nunca? E você arriscaria desejá-lo?)
- Bom, não o meu.
- Não? Por que não?
- Eu tinha desejado ficar com o cílio.
sábado, 4 de junho de 2011
Dos cílios
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