Um dos pontos positivos de 2011 foi que neste ano eu fiquei muito mais bonita. E queria compartilhar essa receita de sucesso com todos as queridas leitoras.
Antes deste ano, eu tinha quadris enormes. Sou gorda desde que me entendo por gente; na pré-escola havia no meu colégio uma sala de fantasias que as outras crianças adoravam, porque podiam ser o que quisessem. Eu só podia ser uma flor roxa, porque era a única roupa que cabia em mim. Aprendi o que era um lutador de sumô porque meus primos riam e me chamavam disso; daí não devia mesmo ser boa coisa e eu fui pesquisar. Crianças são criativas; na quarta série eu meti a mão na cara de um menino que disse que eu tinha afundado o Titanic. Foi a única vez que briguei. Meus pais ficaram orgulhosos. Eu era grandona, mas sempre chorava quando xingada.
Usava manequim 46. Não tinha coragem de sair usando shorts muito curtos (nem no calor absurdo que faz no verão em Campinas; e eu vou andando para a aula), porque eu tinha muita celulite. Ficava frustrada nas lojas porque não encontrava nada do meu tamanho. Ficava contando calorias e adorava conversar sobre elas. Reclamar sobre elas.
Havia também os óculos. Meu astigmatismo hardcore me obrigava a usar óculos. Eu bem que tentava usar lentes de contato, mas não existem lentes gelatinosas para meu grau e as outras me machucavam. A adaptação era um suplício. E eu ficava pensando como era chato me maquiar de óculos e viver de óculos e ter essa cara de nerd com o óculos e que eu teria de usar óculos na minha formatura, no meu casamento...
Aí algo revolucionário aconteceu. Diferentemente do que prometem essas transformações e dietas milagrosas, não foi do dia para a noite. Não dá para perder 20kg em uma semana (a não ser que você corte uma perna). Foi um longo processo que começou antes de 2011 e nem sei se está totalmente completo. O que sei é que funcionou.
Senhoras, a receita para o sucesso para mim se resumiu a uma pergunta. Pausa dramática. Abram as cortinas. Mas podem fcar tranquilas, que vocês não precisaram clicar em nada. Nem instalar vírus.
Eu me olhei no espelho. E me perguntei o que havia de errado com os meus quadris. E a mulher melancia e meu sangue latino e meu feminismo finalmente me responderam:
Nada.
Porque eu não nasci para Gisele. Porque eu jamais usarei manequim 38. Porque eu sou saudável e mesmo que fosse magra teria dificuldade nas minhas queridas lojas de departamento brasileiras, porque eu sou 10cm mais alta que a média (ah, como eu me dverti fazendo compras no intercâmbio!). Porque é tremendamente idiota achar que você só pode ser bonita se tiver IMC 18. Porque na verdade nunca faltou quem me achasse bonita; e minha maior crítica sempre fui eu mesma. Porque eu me dei conta que minha vida não mudaria radicalmente se eu perdesse 15kg.
Meu namorado, magrelo e lindo, insiste que eu não sou gorda. Porque gorda é um xingamento. Não deveria. Bom, eu uso manequim 46 e peso algo entre 75 e 78kg nos meus 1,75m. IMC um pouco acima do que deveria num corpo não-musculoso; logo gorda. Perguntei:
- E qual o problema de ser gorda?
Claro que tem a questão de saúde. Mas honestamente: você realmente acha que as pessoas usam "gorda" como um xingamento estão preocupadas com a saúde de alguém? Ninguém é xingado por ter câncer. O xingamento "gordo" é puramente estético. É de beleza que eu estou falando desde o começo do post. Era por beleza que eu sofria. Saúde, só mental (embora minhas amigas psicólogas fossem me dar uma bronca agora, porque saúde física e mental estão interligadas; são uma só saúde de uma só pessoa). E não a saúde que dieta cure. É uma questão de auto-estima. Quem tem que me achar bonita sou eu.
Eu resolvi que sou linda. E me dei conta do quanto é triste ver tanta gente bonita sofrendo por não se adequr a um ideal inatingível. Porque tem coisas a mais ou a menos. Querendo sempre perder mais 2kg. Encanada com o biquini na praia, e com como a água salgada va prejudicar o cabelo.
Eu amo a praia. E resolvi que me amo de biquini. Com minhas celulites, todas minhas. Com minha barriguinha típica de festas de final de ano. Com meu peito pequeno; porque eu não condeno, mas eu nunca teria coragem de me operar por razões estéticas.
Repensei também minha relação com meus óculos. Meu astigmatismo é hardcore; sem óculos eu não consigo fazer nada. Então se ficar sem ele é tão ruim, eu não deveria odiá-lo. Eu deveria amá-lo. Comecei a bater fotos de óculos.
É essa a minha dica de beleza para 2012: descobrir a sua beleza. Mudar? Nada ou por completo; mas sabendo que isso é detalhe e não essência (eu por exemplo adoro mudar o cabelo e fazer as unhas).
E minhas metas? Sair do atual sedentarismo e voltar a comer minhas verduras. Eu adoro comida saudável do mesmo jeito que adoro chocolate e pretendo continaur comendo os dois (em porções mais razoaveis; festas de fim de ano são mesmo uma orgia alimentar); e exercício sim é uma questão de saúde. Emagrecer? Se for consequência. Não meta.
Um lindo 2012 pra todo mundo!
Antes deste ano, eu tinha quadris enormes. Sou gorda desde que me entendo por gente; na pré-escola havia no meu colégio uma sala de fantasias que as outras crianças adoravam, porque podiam ser o que quisessem. Eu só podia ser uma flor roxa, porque era a única roupa que cabia em mim. Aprendi o que era um lutador de sumô porque meus primos riam e me chamavam disso; daí não devia mesmo ser boa coisa e eu fui pesquisar. Crianças são criativas; na quarta série eu meti a mão na cara de um menino que disse que eu tinha afundado o Titanic. Foi a única vez que briguei. Meus pais ficaram orgulhosos. Eu era grandona, mas sempre chorava quando xingada.
Usava manequim 46. Não tinha coragem de sair usando shorts muito curtos (nem no calor absurdo que faz no verão em Campinas; e eu vou andando para a aula), porque eu tinha muita celulite. Ficava frustrada nas lojas porque não encontrava nada do meu tamanho. Ficava contando calorias e adorava conversar sobre elas. Reclamar sobre elas.
Havia também os óculos. Meu astigmatismo hardcore me obrigava a usar óculos. Eu bem que tentava usar lentes de contato, mas não existem lentes gelatinosas para meu grau e as outras me machucavam. A adaptação era um suplício. E eu ficava pensando como era chato me maquiar de óculos e viver de óculos e ter essa cara de nerd com o óculos e que eu teria de usar óculos na minha formatura, no meu casamento...
Aí algo revolucionário aconteceu. Diferentemente do que prometem essas transformações e dietas milagrosas, não foi do dia para a noite. Não dá para perder 20kg em uma semana (a não ser que você corte uma perna). Foi um longo processo que começou antes de 2011 e nem sei se está totalmente completo. O que sei é que funcionou.
Senhoras, a receita para o sucesso para mim se resumiu a uma pergunta. Pausa dramática. Abram as cortinas. Mas podem fcar tranquilas, que vocês não precisaram clicar em nada. Nem instalar vírus.
Eu me olhei no espelho. E me perguntei o que havia de errado com os meus quadris. E a mulher melancia e meu sangue latino e meu feminismo finalmente me responderam:
Nada.
Porque eu não nasci para Gisele. Porque eu jamais usarei manequim 38. Porque eu sou saudável e mesmo que fosse magra teria dificuldade nas minhas queridas lojas de departamento brasileiras, porque eu sou 10cm mais alta que a média (ah, como eu me dverti fazendo compras no intercâmbio!). Porque é tremendamente idiota achar que você só pode ser bonita se tiver IMC 18. Porque na verdade nunca faltou quem me achasse bonita; e minha maior crítica sempre fui eu mesma. Porque eu me dei conta que minha vida não mudaria radicalmente se eu perdesse 15kg.
Meu namorado, magrelo e lindo, insiste que eu não sou gorda. Porque gorda é um xingamento. Não deveria. Bom, eu uso manequim 46 e peso algo entre 75 e 78kg nos meus 1,75m. IMC um pouco acima do que deveria num corpo não-musculoso; logo gorda. Perguntei:
- E qual o problema de ser gorda?
Claro que tem a questão de saúde. Mas honestamente: você realmente acha que as pessoas usam "gorda" como um xingamento estão preocupadas com a saúde de alguém? Ninguém é xingado por ter câncer. O xingamento "gordo" é puramente estético. É de beleza que eu estou falando desde o começo do post. Era por beleza que eu sofria. Saúde, só mental (embora minhas amigas psicólogas fossem me dar uma bronca agora, porque saúde física e mental estão interligadas; são uma só saúde de uma só pessoa). E não a saúde que dieta cure. É uma questão de auto-estima. Quem tem que me achar bonita sou eu.
Eu resolvi que sou linda. E me dei conta do quanto é triste ver tanta gente bonita sofrendo por não se adequr a um ideal inatingível. Porque tem coisas a mais ou a menos. Querendo sempre perder mais 2kg. Encanada com o biquini na praia, e com como a água salgada va prejudicar o cabelo.
Eu amo a praia. E resolvi que me amo de biquini. Com minhas celulites, todas minhas. Com minha barriguinha típica de festas de final de ano. Com meu peito pequeno; porque eu não condeno, mas eu nunca teria coragem de me operar por razões estéticas.
Repensei também minha relação com meus óculos. Meu astigmatismo é hardcore; sem óculos eu não consigo fazer nada. Então se ficar sem ele é tão ruim, eu não deveria odiá-lo. Eu deveria amá-lo. Comecei a bater fotos de óculos.
É essa a minha dica de beleza para 2012: descobrir a sua beleza. Mudar? Nada ou por completo; mas sabendo que isso é detalhe e não essência (eu por exemplo adoro mudar o cabelo e fazer as unhas).
E minhas metas? Sair do atual sedentarismo e voltar a comer minhas verduras. Eu adoro comida saudável do mesmo jeito que adoro chocolate e pretendo continaur comendo os dois (em porções mais razoaveis; festas de fim de ano são mesmo uma orgia alimentar); e exercício sim é uma questão de saúde. Emagrecer? Se for consequência. Não meta.
Um lindo 2012 pra todo mundo!
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