domingo, 21 de agosto de 2011

Aprendendo

Depois de dois anos e meio tentando porque tentando entrar em medicina, minha irmã - que coleciona revistas de moda e fotografia e já fez um milhão de alterações estéticas bem sucedidas e outras nem tanto no nosso paraense quartinho - tirou de si o peso do estetoscópio e decidiu que estudo das cores era um disciplina universitária, sim senhor!
E quando o nome dela saiu na lista de outro estado, ela consolidou sua paixão pelo tão detestado Enem.
E assim eu fui com ela e meus pais para Curitiba no final do mês passado, em uma versão diferente da imaginada das férias de família; para decidir onde ela iria morar e todos esses pormenores que você não imagina que existam até sua casa se tornar um conceito meio estranho porque se refere a mais de um lugar; e em um deles a água mineral acaba.
A mim é interessante me dar conta que eu já entendo desse processo de escolher moradia. Há sem dúvida um feeling envolvido; um gostar ou não gostar que só se entende com o tempo. Mas iluminação, proximidade com supermercado, qualidade de internet e condição de conservação de tudo são coisas que a gente aprende a valorizar mais. Eu digo que um dia eu vou rir ao lembrar que eu já dividi um apartamento de 25m²; e de todas as coisas absurdas que já aconteceram nele: a sujeira que caia do teto; a vez que eu e a Roomie chegamos em casa numa sexta-feira e a kitnet estava tomada por abelhas, e a gente ficou esperando do lado de fora enquanto a ajuda da imobiliária chegava, apenas para jogar baygon em cima das nossas louças; a eterna disputa pela máquina de lavar compartilhada pelos apartamentos; a chuva tão forte que invadiu meu apartamento pela porta; o portão elétrico automático com tempo errado que atacou meu carro mais de uma vez, uma das quais ele ficou preso e teve que ser erguido por uns quatro ou cinco pedreiros que trabalhavam na obra do lado; o encaixotar e desencaixotar de coisas e o fato de todos os nossos bens caberem em um palio; as reuniões de amigos em que cada um leva seu prato; as pizzas gigantes; o corporativismo de horários e telefonemas antecipados quando se trata de namorados; as soluções mais critativas e surreais dadas a tudo. E por mais que eu queira cair na vida como os meus amigos mais antigos já cairam ou estão caindo, eu ainda gosto muito de tudo isso que é o aqui.
E conversando com a minha irmã eu me divirto vendo ela descobrir também essa vida universitária; ter que procurar comida, mentir o curso no pedágio do trote para poder comprar cervejas ("diz que é medicina"), e testar - bem sucedida! - a habilidade da cafeteira de esquentar carne e fazer miojo.
Porque é para aprender essas coisas que a gente vai para a unviversidade. Eu realmente acho.

Nenhum comentário: