~Aviso: Este post não tem spoilers gritantes, mas se você é do tipo que não gosta de saber de nada, não leia. (Aliás, sem onfensa, mas... Se você não gosta de saber de nada, o que você está fazendo aqui?)
- Eu nunca vou sair da seção infantojuvenil. - Foi assim que a Paola, grande amiga, começou a me descrever a série "Jogos Vorazes". Foi ela quem me convenceu (sem muito a esforço) a ler os livros; foi ela quem me emprestou eles e assim comeu pouco mais de uma semana da minha vida - tempo que eu, jovem de férias e meio acamada por uma gripe, tomei para ler os três volumes de cerca de 400 páginas cada.
Acontece que ela estava mentindo.
"Jogos Vorazes" não é uma série infantojuvenil, apesar dos protagonistas adolescentes e da temática em um mundo fictício. É bastante violento e duro, e toca em temas sérios, como dominação governamental e influência da mídia. Acho que a leitura é pesada para a molecada mais novinha; e ok, eu posso não ser lá um exemplo de maturidade, mas a história me deixou bastante mexida. Recomendo para fãs de aventura de todas as idades, preferencialmente com mais de 14 anos.
Para quem caiu no post de para-quedas, uma sinopse: num futuro distante, a América do Norte (sim, sempre ela) foi destruída. Das cinzas se reergueram 13 distritos e uma capital que os governava com mão de ferro. Um dia, os distritos se rebelaram contra a capital, e, após uma guerra cívil, foram subjugados. Como punição, o distrito 13 foi destruído, e foram instituídos os jogos vorazes: um reality show sangrento anual, para o qual dois adolescentes - um menino e uma menina, entre 12 e 18 anos - de cada distrito são enviados como tributos para lutar até a morte. Katniss, a protagonista, é uma orfã de pai do distrito 12 que sobrevive caçando ilegalmente com seu arco e flecha e se candidata para ir lutar nos jogos vorazes no lugar da irmã caçula. Ela e Peeta, o outro tributo de seu distrito com quem ela teve pouco contato, mas a quem acha que deve um grande favor, são enviados à capital para serem produzidos e treinados para a arena, de onde apenas um competidor pode sair vivo.
Suzanne Collins, a autora dos livros, não tem dó nem piedade de fazer você se afeiçoar aos personagens e depois assassiná-los. Ela nem dá tempo de você se recuperar. A história é cheia de mortes, e ressalta as diferenças entre a fome nos distritos e a riqueza esbanjadora da capital; além de uma mídia que lida com naturalidade com adolescentes sendo mandados para a morte como um grande evento nacional. Os participantes dos Jogos Vorazes são sorteados, e adolescentes de famílias mais pobres colocam seu nome mais de uma vez em troca de surprimentos de comida. Enquanto isso, alterações corporais bizarras são feitas na capital para se adequar ao padrão vigente (lembra alguma coisa?). Propaganda governamental vende tragédia como sucesso, e a violência é banalizada. Todo o país assiste os jogos pela televisão.
Achei os livros também feministas, por serem protagonizados por uma garota bastante forte e ter muitas mulheres em ocupações tipicamente masculinas, como soldados; e em nenhum momento isso é apontado como atípico. As pessoas são pessoas, independente de seu sexo (chocante como isso pode ser surpreendente, não?). O personagem mais romântico da história é um rapaz; Katniss tem um estilista que não segue o estereótipo fútil; ao contrário, tem um posicionamento político importante; há também garotas frágeis e gentis e rapazes fortes e duros, e isso está relacionado com a história pessoal de cada um.
Eu estava bastante temerosa com a adaptação cinematográfica porque li em vários lugares que a série seria vendida como - ai meu Deus! - o novo Crepúsculo. Há de fato um triângulo amoroso entre Katniss, seu amigo de infância Gale e o tributo Peeta, mas este triângulo fica totalmente em segundo plano em uma história onde a prioridade é sobreviver. Eu tinha medo também do efeito Harry Potter - os livros HP são muito mais suaves do que Jogos Vorazes, e ainda assim todos os filmes HP foram atenuados para se adequar ao público alvo, enfraquecendo as cenas de ação e morte. Fui surpreendida de uma maneira bastante positiva com Jogos Vorazes. O filme é sangrento (não espere ver cabeças penduradas, mas as pessoas que morrem... morrem) e bem executado, e as adaptações necessárias à tela grande são todas bem colocadas (o que deve se explicar pela própria Collins, roteirista antes de ser escritora, ser uma das responsáveis pelo roteiro). Mesmo as minhas implicâncias estéticas eu deixei de lado - minha Katniss é morena e magrela; pintar de castanho os cabelos da loira e curvilínia Jennifer Lawrence (a Mística de "X-men - primeira classe") me pareceu apelação. E custava por uma lente cinzenta na moça? Mas ela se saiu muito bem, e para quem aguentou o Daniel Radcliffe em toda a saga Harry Potter, ter um protagonista que faz seu trabalho bem-feito é realmente uma benção. Meu Haymitch é gorducho e careca, mas o loiro Woody Harrelson ficou perfeito no papel. E de resto todos estão parecidos com o que eu pensava, e carismáticos e lindos (Eu ia comentar que não tinha jeito, o negócio era mesmo apelar para o efeito Malhação - Chaves? - e pegar os atores nos seus vinte e tantos anos para interpretar adolescentes; aí fui googlar e me senti uma velha ao descobrir que o trio Katniss - Gale - Peeta é interpretado por gente mais nova do que eu, nascida no início dos anos 90. Se eles não estiverem mentindo idade. Seus lindos.). Aliás, gostei muito da estética do filme - os livros descrevem as cores e excentricidades da capital a exaustão, e lá estavam elas.
Enfim: recomendo. Arrastei sete amigos para o cinema e todos gostaram. E vários quiseram ler o livro. E eu mesma quis reler os livros. Cadê a Paola quando eu preciso dela?
- Eu nunca vou sair da seção infantojuvenil. - Foi assim que a Paola, grande amiga, começou a me descrever a série "Jogos Vorazes". Foi ela quem me convenceu (sem muito a esforço) a ler os livros; foi ela quem me emprestou eles e assim comeu pouco mais de uma semana da minha vida - tempo que eu, jovem de férias e meio acamada por uma gripe, tomei para ler os três volumes de cerca de 400 páginas cada.
Acontece que ela estava mentindo.
"Jogos Vorazes" não é uma série infantojuvenil, apesar dos protagonistas adolescentes e da temática em um mundo fictício. É bastante violento e duro, e toca em temas sérios, como dominação governamental e influência da mídia. Acho que a leitura é pesada para a molecada mais novinha; e ok, eu posso não ser lá um exemplo de maturidade, mas a história me deixou bastante mexida. Recomendo para fãs de aventura de todas as idades, preferencialmente com mais de 14 anos.
Para quem caiu no post de para-quedas, uma sinopse: num futuro distante, a América do Norte (sim, sempre ela) foi destruída. Das cinzas se reergueram 13 distritos e uma capital que os governava com mão de ferro. Um dia, os distritos se rebelaram contra a capital, e, após uma guerra cívil, foram subjugados. Como punição, o distrito 13 foi destruído, e foram instituídos os jogos vorazes: um reality show sangrento anual, para o qual dois adolescentes - um menino e uma menina, entre 12 e 18 anos - de cada distrito são enviados como tributos para lutar até a morte. Katniss, a protagonista, é uma orfã de pai do distrito 12 que sobrevive caçando ilegalmente com seu arco e flecha e se candidata para ir lutar nos jogos vorazes no lugar da irmã caçula. Ela e Peeta, o outro tributo de seu distrito com quem ela teve pouco contato, mas a quem acha que deve um grande favor, são enviados à capital para serem produzidos e treinados para a arena, de onde apenas um competidor pode sair vivo.
Suzanne Collins, a autora dos livros, não tem dó nem piedade de fazer você se afeiçoar aos personagens e depois assassiná-los. Ela nem dá tempo de você se recuperar. A história é cheia de mortes, e ressalta as diferenças entre a fome nos distritos e a riqueza esbanjadora da capital; além de uma mídia que lida com naturalidade com adolescentes sendo mandados para a morte como um grande evento nacional. Os participantes dos Jogos Vorazes são sorteados, e adolescentes de famílias mais pobres colocam seu nome mais de uma vez em troca de surprimentos de comida. Enquanto isso, alterações corporais bizarras são feitas na capital para se adequar ao padrão vigente (lembra alguma coisa?). Propaganda governamental vende tragédia como sucesso, e a violência é banalizada. Todo o país assiste os jogos pela televisão.
Achei os livros também feministas, por serem protagonizados por uma garota bastante forte e ter muitas mulheres em ocupações tipicamente masculinas, como soldados; e em nenhum momento isso é apontado como atípico. As pessoas são pessoas, independente de seu sexo (chocante como isso pode ser surpreendente, não?). O personagem mais romântico da história é um rapaz; Katniss tem um estilista que não segue o estereótipo fútil; ao contrário, tem um posicionamento político importante; há também garotas frágeis e gentis e rapazes fortes e duros, e isso está relacionado com a história pessoal de cada um.
Eu estava bastante temerosa com a adaptação cinematográfica porque li em vários lugares que a série seria vendida como - ai meu Deus! - o novo Crepúsculo. Há de fato um triângulo amoroso entre Katniss, seu amigo de infância Gale e o tributo Peeta, mas este triângulo fica totalmente em segundo plano em uma história onde a prioridade é sobreviver. Eu tinha medo também do efeito Harry Potter - os livros HP são muito mais suaves do que Jogos Vorazes, e ainda assim todos os filmes HP foram atenuados para se adequar ao público alvo, enfraquecendo as cenas de ação e morte. Fui surpreendida de uma maneira bastante positiva com Jogos Vorazes. O filme é sangrento (não espere ver cabeças penduradas, mas as pessoas que morrem... morrem) e bem executado, e as adaptações necessárias à tela grande são todas bem colocadas (o que deve se explicar pela própria Collins, roteirista antes de ser escritora, ser uma das responsáveis pelo roteiro). Mesmo as minhas implicâncias estéticas eu deixei de lado - minha Katniss é morena e magrela; pintar de castanho os cabelos da loira e curvilínia Jennifer Lawrence (a Mística de "X-men - primeira classe") me pareceu apelação. E custava por uma lente cinzenta na moça? Mas ela se saiu muito bem, e para quem aguentou o Daniel Radcliffe em toda a saga Harry Potter, ter um protagonista que faz seu trabalho bem-feito é realmente uma benção. Meu Haymitch é gorducho e careca, mas o loiro Woody Harrelson ficou perfeito no papel. E de resto todos estão parecidos com o que eu pensava, e carismáticos e lindos (Eu ia comentar que não tinha jeito, o negócio era mesmo apelar para o efeito Malhação - Chaves? - e pegar os atores nos seus vinte e tantos anos para interpretar adolescentes; aí fui googlar e me senti uma velha ao descobrir que o trio Katniss - Gale - Peeta é interpretado por gente mais nova do que eu, nascida no início dos anos 90. Se eles não estiverem mentindo idade. Seus lindos.). Aliás, gostei muito da estética do filme - os livros descrevem as cores e excentricidades da capital a exaustão, e lá estavam elas.
Enfim: recomendo. Arrastei sete amigos para o cinema e todos gostaram. E vários quiseram ler o livro. E eu mesma quis reler os livros. Cadê a Paola quando eu preciso dela?
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