Que ninguém venha me falar de turismo de aventura antes de andar de moto-táxi de chinelo, sem capacete, com um mochilão com uns 30kg nas costas (sei porque 30kg é quanto eu ainda consigo carregar; e o mochilão eu quase não erguia do chão - nota de volta das férias: preciso me render à academia), com sacos plásticos com frutas amarrados nele; em uma rua de barro esburacada, na chuva. Na moto da frente, também de chinelo, também sem capacete, uma mãe leva uma bebê linda; a coisa mais natural do mundo.
Mas valeu a pena, tudo vale a pena; e ir para um encontro de mulheres em Cotijuba foi legal demais. Me rendeu um maior repertório feminista, mais gosto por culinária vegetariana e fotos lindas - minha nova paixão.
Eu queria compartilhar aqui a paz de espírito que eu senti naquela casa de madeira pintada de verde-água; ali no meio das árvores, com tanto desenho na parede e mandalas e tanta rede de dormir. Ali, com os pés quase na praia, onde minha prima fez top less e a gente correu na chuva - único frio, e brando. Ali mulheres tinham pelos e nossos corpos era reais e amados. Ali as mulheres se tratavam de "mana", e a expressão típica paraense era a mais genuína expressão de sororidade. Ali tinha também mãe amamentando e criança se pendurando no tecido de circo e cadela com filhotes e era todo o amor e fofura deste mundo.
Compartilho o link do documentário sobre o clitóris. Não achei links para o também ótimo documentário sobre menstruação, nem para músicas cantadas. Mas deixo minhas fotos, e a sensação que nós mulheres devemos nos organizar e que eu não nasci para morar em lugar onde faça frio ou fique longe de praia.
Onde a vida está.
Interação entre filhotes
Overdose de fofura
As cores do barco
A floresta e as ruínas
PS: Na volta para casa, abri meus e-mails e vi que um congresso me respondera. "Prezado autor Marina"... Mulheres engenheiras, tão invisíveis que não valemos um "if"! Resolvi mandar e-mail. Exercício de escrita. Primeiro comecei me desculpando por se tratar de um problema menor, mas apaguei. Representividade é sim importante e eu não estou pedindo um favor (sou contra falsa simetrias; mas imagina o auê se os rapazes recebessem e-mails "Prezada João..."). Depois comecei a discorrer sobre a importância da luta feminista, mas embora a discussão seja fundamental, achei que não precisava me justificar para algo tão simples como ser tratada no feminino. No fim, apenas disse que me sentia desconfortável com o tratamento masculino, e que era algo simples de ser resolvido. Acho que não vai dar em nada, mas vejamos.





Nenhum comentário:
Postar um comentário