quinta-feira, 15 de maio de 2008

Carta ao Porvir

Digo-te de antemão
(não falo por crueldade)
que busques a perfeição
só não a creias verdade

Não que a vida seja como
os ingênuos fazem crer
pois felicidade é pomo
farto e fácil de colher

É apenas a mania
que se tem de ter razão
tola ingênua fobia
de ser simples e de ser são!

Verdade. simples é a vida
como aos outros animais
morte de rã não é lida
em manchetes de jornais

Nós apenas a tingimos
cinza, azul, rosa ou carmim
e depois cantamos hinos
a nossos fardos sem fim

Oh meu bem, não leve a sério
quem tão sério finge ser
ria, diga um impropério
faça o que quiser fazer

Creia no que achar crível
quem sou eu a dizer não?
Mas sempre faça o cabível
por seu arroz com feijão

Vá e escolha seu caminho
(sim, sei, tem olhos vendados;
todos temos, meu docinho
sonhe tateando os lados)

Então busque a perfeição
tua impossível meta
jamais a terás na mão
mas planeje, aponte a seta!

Então pegue seu pincel
e planeje sua cor
decida qual o seu céu
todo seu, prazer e dor

E como sonharás alto
e como a vida é bela
tu verás num sobressalto
qual incrível é tua tela

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