domingo, 14 de dezembro de 2008

Os problemas gostam de mim. E quem há de culpá-los, se eu os vejo mesmo escondidos e lhes dou tanta atenção? Convido-os para ir para casa, dou um cantinho na cama. Sou uma boa anfitriã de problemas, mesmo quando os problemas não são meus.
Alguns problemas eu guardo em armários. Às vezes os levo para dar uma volta e adornar-me a cabeça; em outras consigo deixá-los a mim invisíveis. Eu me afeiçoo a meus problemas. Isso já vale como um problema, mais um para eu me afeiçoar.
Eu cuido tão bem dos problemas que não consigo mandá-los embora. E quando o faço, eles parecem adivinhar o caminho de casa. Batem a porta, e eu os deixo entrar. E ainda há os que eu não deixo e simplesmente invadem. Pego uma vassoura, tremo. Ao menos nunca aconteceu de não conseguir acertar uma cacetada. Problema feio assim não cabe no armário, não passa pela porta por onde entrou, fica no meio da casa. E para não olhá-lo, jogo o tapete em cima. Fico com uma montanha no meio da minha sala; e tenho que escalá-la para abrir a janela ou sair. O vento não entra direito, e eu saio torta e amassada. Problema assim tem que ser descoberto, mas ele morde e dói. Tem-se que convencê-lo a se mexer. Dá trabalho. Problemas tendem a ser teimosos.
Problemas não se resolvem. Quem se resolve é a gente, que os manda embora ou os convence a mudar de roupa. Quando um problema se arruma, às vezes até se esquece que era um problema. Ele e a gente.

Um comentário:

TIAGO JULIO MARTINS disse...

Preconceito idiota que tive com o teu orkut...
Escreves muito bem, mesmo.
Li uns posts antigos, li sem perceber que tava lendo muito. Como quando leio um livro... É, bem raro.
Parabéns.