Há algumas semanas atrás, quando eu estava triste a ponto de dizer a verdade e justificar longamente quando alguém me perguntava “e aí, tudo bem?”, uma das amigas que me deu colo e comidas absurdamente açucaradas disse que acreditava que tudo acontecia por um motivo, e que estavam querendo que eu aprendesse algo com aquilo tudo. Ela não especificou quem estavam; eu também não perguntei. Os deuses, os anjos, o cosmo, não sei. Mas fiquei pensando nisso.
Cá entre nós, eu devo confessar que sou totalmente cética quanto à existência de algo místico em algo como 25% do tempo. Em 30% eu estou dormindo, em outros 40% pensando em outra coisa, e em 5% acontece algo realmente curioso, ou alguém que eu amo morre (ok, isso felizmente acontece pouco), ou tenho um papo cabeça com um amigo espírita ou bruxo, ou minha prima surge com o tarô, ou alguém surge com uma simpatia engraçada que não exige muito material ou tempo e por falta do que fazer ou mudança de ano eu entro na brincadeira. Eu não faço o tipo chato que fica pondo falha na crença dos outros (mesmo porque o único efeito disso é se indispor com os outros) e sempre agradeço quando alguém diz que está rezando por mim, porque é no mínimo uma grande prova de bem-querência. Fui criada como católica não praticante (expressão que hoje acho estranhíssima, diga-se de passagem – como as pessoas declaram ser parte de uma religião e não praticá-la?), fiz primeira eucaristia e tudo; adoro visitar igrejas porque as acho lindíssimas e gosto de festas religiosas pelo espírito familiar e toda a tradição envolvida, mas realmente não compartilho dessa fé, mesmo nos momentos em que creio em algo. Quando eu creio em algo, é algo bem cômodo e alternativo. E eu prefiro pensar que Deus, ou o deuses, ou os anjos, ou os espíritos evoluídos, ou os gnomos, ou o cosmo, ou qualquer outra entidade existente tenha(m) mais o que fazer do que ficar pondo problemas na minha vida. Nada pessoal, por favor; é só que é um universo muito grande e existem bilhões de pessoas. Acho que eu consigo viver e me machucar sozinha, muito obrigada.
PS: Mas, a seu modo, a minha amiga estava certa. Eu realmente acho que eu tenho algo a aprender com o ocorrido. Não pelos deuses ou pelo cosmo, mas por mim. Tenho que aprender a ver as pessoas como elas são, não como eu queria que elas fossem. Para poder manter uma visão positiva da vida e não perder a fé nas pessoas de um modo geral. Menos ilusão, menos decepção; segue-se a vida.
2 comentários:
VocÊ continua escrevendo tãso bem quanto antes!!!Amo o seu ponto de vista,e como o expoe de forma clara e precisa!!^^
Uma contirbuição minha,de acordo com o meu ponto de vista ao que disse...é claro que falar na teoria é bem mais fácil...uma maquete de um prédio é mais simples de fazer do que o prédio real...
Acredito assim como você que devamos ver as pessoas como elas são,sem ilusões,mas na minha opiniao,sempre acreditando no melhor de cada pessoa e agindo assim,tentando estimulá-la ao máximo a agir do melhor jeito,fazendo acreditá-la que é capaz disso,isso dá certo...mesmo!^^
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