domingo, 31 de agosto de 2008

Devolve meu prato!

Uma coisa que eu não entendo nos restaurantes belenenses é a obsessão que os garçons têm pela retirada da louça. Eu também não entendo de etiqueta, mas sempre me pareceu extremamente indelicado tirar os pratos de quem já terminou enquanto ainda há alguém comendo. Entretanto os donos de restaurante (ou seja lá quem seja o responsável pelo treinamento dos funcionários) não concordam comigo, porque é justamente o que se vê – mal se coloca na boca a última garfada e os garçons se amontoam, na ânsia de deixar a mesa limpa enquanto o comensal ainda mastiga.
Já ouvi algumas teorias na inútil tentativa de entender tal comportamento. São das mais diversas, de falta de louça na cozinha ao pressuposto de que as pessoas certamente comeram além da conta e o delicioso queijo que gratinava o brócolis agora provoca ânsia de vômito; passando inclusive por conspirações capitalistas para aumentar o consumo (e o que não serve de material para se presumir conspirações capitalistas nestes tempos?). Nenhuma das opções justifica algo ocorrido na época em que a minha irmã ainda era uma criança que colecionava figurinhas e o garçom, angustiado porque não conseguira limpar mais nada, passou na nossa mesa retirando as embalagens dela.
O mais tragicômico da mania é quando o que é retirado não é apenas a louça, e sim o melhor da refeição – aquele último pedacinho, tão cuidadosamente selecionado com o que havia de melhor no prato!; ou aquele último gole, justamente o deixado para depois do último pedaço! Já vi halterofilistas à beira das lágrimas depois de tamanha injustiça.
Nesse mundo árduo e incompreensível, só os brutos sobrevivem. É hora de deixar as boas-maneiras e tudo mais o que é supérfluo de lado, levantar o braço e gritar:
- Devolve meu prato!

Nenhum comentário: