Devo lembrar ao leitor que esta que vos escreve é uma garota mimada e tem apenas vinte primaveras; o que significa, entre outras coisas, que inflação alta para mim é matéria de escola; que a tão temida maquininha que reetiquetava os preços é história do tempo em que eu, se existia, não me dava conta disso (este “disso” ambíguo vale tanto para a maquininha quanto para a minha existência); e que “desvalorização do real” é uma expressão feia do casal Bonner que na minha vida tem um significado um pouco abstrato. Ou ao menos tinha até ontem.
A cena foi na fila do caixa eletrônico. O senhor na minha frente, cabelos brancos com pinta de aposentado simpático, virou-se para mim e disse, em tom de queixa:
- Você já veio antes nesse caixa aqui?
- Não – Eu respondi, porque era verdade.
- Ele não dá trocado. Se você pede R$ 100, ele te dá uma nota de R$ 100.
Eu acenei com a cabeça, achando que estava apenas usando a função fática da linguagem. Um passo a frente, eu era a próxima da fila; o senhor saca dinheiro e me mostra a nota de cem. Eu quase infarto pensando que devia mandá-lo guardar aquilo, porque não é seguro expor tanto dinheiro; ele diz:
- Sabe o que é isso? A desvalorização da moeda.
E foi-se embora, e eu fiquei pensando que era bem verdade. Há um tempo atrás era muito raro eu ver uma nota de R$100; agora é até freqüente. O tanto dinheiro do senhor não é mais tanto dinheiro quanto era antigamente.
A cena foi na fila do caixa eletrônico. O senhor na minha frente, cabelos brancos com pinta de aposentado simpático, virou-se para mim e disse, em tom de queixa:
- Você já veio antes nesse caixa aqui?
- Não – Eu respondi, porque era verdade.
- Ele não dá trocado. Se você pede R$ 100, ele te dá uma nota de R$ 100.
Eu acenei com a cabeça, achando que estava apenas usando a função fática da linguagem. Um passo a frente, eu era a próxima da fila; o senhor saca dinheiro e me mostra a nota de cem. Eu quase infarto pensando que devia mandá-lo guardar aquilo, porque não é seguro expor tanto dinheiro; ele diz:
- Sabe o que é isso? A desvalorização da moeda.
E foi-se embora, e eu fiquei pensando que era bem verdade. Há um tempo atrás era muito raro eu ver uma nota de R$100; agora é até freqüente. O tanto dinheiro do senhor não é mais tanto dinheiro quanto era antigamente.
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