Meu quarto está sendo redecorado, e por isso lá estávamos eu, minha mãe e minha irmã na loja de móveis modulados, esperando para ver o que a arquiteta tinha para nos propor. Conversando sobre o que já tínhamos visto em outras lojas. Mamãe:
- Achei engraçado lá ela dizer que achou difícil fazer o projeto porque o quarto era para duas pessoas.
Nisso chega a arquiteta da loja em que estávamos, olha para nós e repete, como se não pudesse acreditar no que tinha acabado de ouvir:
- O quarto é para duas pessoas?
- Sim – respondemos, sem entender o porquê daqueles olhos enormes na nossa direção.
- Para vocês duas? – A arquiteta pergunta para mim e para a minha irmã. A gente acena com a cabeça, ela parece estar diante de alguma aberração circense. Abismada.
- Qual é o prédio? – ela pergunta, sobrancelhas levantadas e meio arqueadas. Como que dizendo “quem teve a coragem...?”
- Ah, não é prédio, é casa. – diz a mamãe.
Os olhos ficaram maiores ainda. A arquiteta fica muda. Parece nunca ter ouvido nada mais incrível na vida. Uma casa! Quem diria que elas ainda existiam? E duas irmãs dividindo um quarto! Acho que na cabeça dela tínhamos galinhas no quintal e uma horta. E uma vaca, e mais uns dez irmãos para justificar dormirmos juntas. Deve ter imaginado nossas lamparinas acesas e a tina onde tomávamos banho, e aposto que só não pediu para bater foto porque teve medo que nós achássemos que o flash ia roubar nossa alma.
- Achei engraçado lá ela dizer que achou difícil fazer o projeto porque o quarto era para duas pessoas.
Nisso chega a arquiteta da loja em que estávamos, olha para nós e repete, como se não pudesse acreditar no que tinha acabado de ouvir:
- O quarto é para duas pessoas?
- Sim – respondemos, sem entender o porquê daqueles olhos enormes na nossa direção.
- Para vocês duas? – A arquiteta pergunta para mim e para a minha irmã. A gente acena com a cabeça, ela parece estar diante de alguma aberração circense. Abismada.
- Qual é o prédio? – ela pergunta, sobrancelhas levantadas e meio arqueadas. Como que dizendo “quem teve a coragem...?”
- Ah, não é prédio, é casa. – diz a mamãe.
Os olhos ficaram maiores ainda. A arquiteta fica muda. Parece nunca ter ouvido nada mais incrível na vida. Uma casa! Quem diria que elas ainda existiam? E duas irmãs dividindo um quarto! Acho que na cabeça dela tínhamos galinhas no quintal e uma horta. E uma vaca, e mais uns dez irmãos para justificar dormirmos juntas. Deve ter imaginado nossas lamparinas acesas e a tina onde tomávamos banho, e aposto que só não pediu para bater foto porque teve medo que nós achássemos que o flash ia roubar nossa alma.
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