Certo, certo, eu já escrevi várias vezes que acho que todo mundo deveria se esforçar para ser gentil. E sim, eu sei que não é porque algo é verdade que se deve necessariamente dizê-lo; e que há modos e modos de se falar as mesmas coisas. Mas, nossa, há uns eufemismos que eu acho horrorosos.
“Forte”, por exemplo. “Forte”, para mim, é o cara que malha e tem o bíceps do tamanho de uma bola de basquete, não aquele tiozinho esperando para fazer cirurgia bariátrica. O tiozinho é gordo.
Outro: “Dar a luz”. Eu nem sei se é considerado eufemismo, mas eu invariavelmente penso: a mulher por acaso é um poste? Ela pode ter o filho, parir...
E “aqueles dias”? Nossa, outro dia eu ri até ficar sem ar quando um doutourando na área de biologia perguntou a uma voluntária de uma pesquisa, sua amiga:
- Quando você fez a coleta, você estava... - seguiu-se um longo momento de silêncio consternado – ...naqueles seus dias de mulher?
A palavra é menstruação. É engraçado que dizê-la seja meio que tabu! Eles falam pau, boceta, rabo, trepada e congeneres; mas não menstruação. Como se a palavra fosse pesada e eles, meninos de 10 anos. Que coisa.
Outra palavra: “falecer”. Para que inventar eufemismo para a morte? Sim, o verbo morrer é forte. E justamente por isso deve ser pronunciado por inteiro. Quem faleceu está morto, isso não vai mudar. Trocar o verbo é quase uma ofensa, uma farsa falida.
Agora não recordo de nenhum outro, mas certamente há mais. Talvez este post tenha parte 2.
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