terça-feira, 22 de abril de 2008

Caminhos, Mudanças & Praias

Neste final de semana, fui à praia. No sentido literal, mesmo; mas acabei me dando conta que não há comparação melhor para explicar as mudanças que estou fazendo na minha vida.


Obs: A melhor parte deste texto é a primeira. A segunda é apenas uma reflexão sobre a minha vida, que nem vem tanto ao caso.



Parte I – O caminho da praia


Pare para pensar: que sentido há em ir à praia, afinal? O caminho é longo e cansativo demais. Estressa, angustia. A estrada é esburacada, a gasolina é cara, o engarrafamento na ida ou na volta é quase garantido. As pernas doem, os banheiros são nojentos, e uma grande fração do feriado é gasto só neste ir-e-vir. Por que a gente sai de casa, afinal?
Eu vou dar uma resposta, mas ela é muito minha. Este texto como um todo é muito meu, na verdade. Mas eu deixo vocês o pegarem emprestado, se quiserem. Para interpretarem a comparação a seu modo e responderem as questões do seu jeito. Eu vou à praia pela calma. Pelo prazer de andar na areia e depois me jogar no mar, pela cheiro salino e pelo sol, delicioso apesar do estrago que faz na minha pele. Pelo modo como o céu fica de noite, inimaginável para quem nunca viu. As pessoas não imaginam que lá em cima há tantas estrelas, e que a lua cheia é capaz de clarear a noite. Vou também pelo vento e, principalmente, pelo silêncio. Um dia de silêncio praiano me cura meses de barulho de cidade. Eu nasci para morar perto do mar.
E o que isso tem a ver com mudanças? Tudo, ora! Porque tudo na vida deveria ser encarado como ir à praia: é preciso se descobrir o motivo que nos faz encarar as situações ruins. Por que se não descobrirmos nenhum... Então, obviamente não há sentido. E, se não há sentido, por que prosseguir? Parece um raciocínio óbvio, e é mesmo. Mas o fato de sê-lo não impede de ser também revolucionário. Pode ser tão difícil abandonar uma rotina, mesmo ela trazendo incômodos mil!


*Este é o fim oficial do texto*



Parte II – Ela disse adeus

Não sei se vocês repararam, mas o "quem rabisca aqui" mudou. Pois é, eu decidi parar de frequentar as aulas e encarar um novo vestibular; mudar de curso. Agora que me decidi, quero contar na maior velocidade isto para o maior número possível de conhecidos. Para não postergar mais um segundo os olhares surpresos e os julgamentos inevitáveis.
Sei que já estou bem grandinha, e que não devo explicações a quase ninguém. Ainda assim... ainda assim, quero falar.
Quero falar que não foi uma decisão súbita, como pode parecer. Ela vem me acompanhando desde o início do curso como uma possibilidade, e há quase seis meses como algo perfeitamente plausível. E o problemas não é apenas o caminho. Não se faz (ou ao menos não se deveria fazer) curso universitário pelo curso em si. Faz-se pela profissão vindoura. Ela é a praia. Demorei para me dar conta que estava indo rumo à praia errada. E quando eu digo “praia errada”, quero dizer praia errada para mim, mas certa para muita gente. Ainda estimulo, e muito. O mundo precisa de biólogos.
Quero agradecer por tudo. A biologia me ensinou tanta coisa! Sobre o mundo, e sobre mim. Sem falar nas pessoas maravilhosas que me permitiu conhecer. A questão é que ela é uma ciência de descoberta, e nisso eu sempre me senti meio deslocada. Eu gosto de resolver, criar, projetar. E de números. Nossa, que saudade eu tenho dos números!
Só perde tempo quem não sabe encarar a vida como um grande aprendizado. E é algo para que eu sempre me esforço. E eu não estava nos quarenta e cinco minutos do segundo tempo. O segundo tempo mal tinha começado. E esse era só meu primeiro jogo. Não duvido que trocar de camisa agora é o melhor a se fazer. Para mim.
Agora sim, vou achar minha praia.

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