domingo, 9 de março de 2008

Colecionando causos: Assaltos


Uma pequena coletânea de historietas tão estranhas quanto em tese verídicas – causos de amigos e amigos de amigos, e...
Porque se a violência urbana é um já habitual mal cotidiano, deve-se ao menos de ter o direito de rir dela.
1
A menina tinha uns doze anos na época, embora talvez aparentasse mais. Subiu no ônibus com o celular no bolso traseiro da calça, como o habitual. E então sentiu o aparelho sendo sutilmente retirado. Leia-se: furtado.
Quando me contou a história,ela me disse que sua reação foi reflexo impensado. O fato é que virou-se para o homem da mão leve e disse, não em tom de súplica, mas de pedido a vendedor:
- Por favor, devolva meu celular.
E, não se sabe se por surpresa ou constrangimento, ele devolveu.
2
O grupo de amigos era pequeno, e tinha consciência de não ter optado pelo caminho mais seguro para atingir seu destino. Ainda assim, foi um susto serem abordados por um triozinho de moleques lhes pedindo dinheiro e celular. O menos mentalmente são das vítimas, entretanto, não hesitou em argumentar:
- Não, cara, somos amigos do Pretinho.
Mais tarde, quando ele e o grupo já tinham saído ilesos e com todos os seus pertences após os assaltantes mudarem de idéia, explicou a tática:
- Toda gangue tem um Pretinho.
- Queria ver se o Pretinho fosse da gangue rival, seu leso!
3


Ela entregou o celular ao assaltante, mas ele recusou:
- Eu não quer esta merda de celular velho! – Disse ele, atirando o aparelho no chão. E foi embora.
4
Ela tinha um assunto importante para tratar com uma amiga. Tão importante que estava o tratando pelo celular, à noite, na famigerada estação de ônibus da UFPA. Foi quando chegou o assaltante, também moleque, com uma faquinha na mão:
- Passa o telefone!
- Peraí, deixa só eu terminar esta ligação...
(Desta vez, a argumentação não funcionou – ele a ameaçou novamente e ela perdeu o celular. Mas ao menos ganhou um causo).
5

Ele estava indo para a faculdade quando o homem sentou-se a seu lado no ônibus e apontou a arma sem estardalhaço, pedindo-lhe o celular. A ele não restou outra opção além de entregar.
Menos de seis meses depois, na mesma hora e no mesmo ônibus, o mesmo homem sobe e repete a mesma abordagem. Dando origem a um diálogo memorável:
- Pô, cara, tu já me roubaste há menos de seis meses!
- Ah é, né? Achei que já tinhas comprado outro celular...
- Não, ainda não.
- Então tá.
Então o ladrão se levantou, e foi assaltar outrem.
6

Ela era conhecida pelos amigos por ser ingênua e meiga, e estava passeando mais de 22h pela Praça Batista Campos quando foi abordada com uma arma. Nervosa, desfez-se em lágrimas ao entregar o celular.
- O que tu estavas esperando? - Perguntou o ladrão – Andando por aqui por essa hora! Não sabe que é perigoso, não?
7

Ligou para a irmã, mas para a sua surpresa foi atendida por uma voz masculina e agressiva:
- Este celular não é mais dela, não! Eu roubei!


***(Seria bom se fosse o) FIM ***

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