terça-feira, 4 de março de 2008

Cachoeira

Escrevo porque vivo
minha vida é escrever
Escrevidão

Palavras jorram
de dia me despertam
de noite me atormentam
Choro tinta de caneta
rio papela
Rios de papel

Letras-átomos se juntam
em palavras-moléculas
Nascem em mim
Correm em minhas veias
Morrem em meus lábios
a gaguejar

Ou viram água da vida
minha vida e minha morte
Cabe a ti decidir se a queres tomar
em cálices de celulose

Absorve-a
Absorve-me
Absolva-me
Ou condena-me à cruz

Já não mais importa
Antropofagia
Inimigo-amigo
Já tens contigo o melhor e o pior de mim

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