quinta-feira, 10 de julho de 2008

Fazer Amor

Eu já escrevi antes um post sobre eufemismos, mas me esqueci deste aqui. Daí ele acabou ganhando um texto próprio. O que talvez seja merecido.

Cada vez que eu escuto alguém falando a expressão “fazer amor”, tenho vontade de apontar o dedo, levar a outra mão à barriga e me contorcer em uma risada barulhenta – aquela que, de tão escandalosa, é mais vexatória a quem ri do que ao alvo. É uma expressão tão televisa, novelesca ou Sessão da Tarde! Ouço-a na voz do narrador da Globo, o mesmo que diz “da pesada” e “confusões que até Deus duvida!” com aquele hilário tom de quem está falando sério. Gente de verdade não diz “da pesada” ou “confusões que até Deus duvida!”. Mas não é que eu já escutei dizendo “fazer amor”!?
Como bom eufemismo, a expressão esconde seu significado pecaminoso. O que no caso quer dizer que carece de erotismo. Só que apesar de conter a palavra “amor” ela também carece de romantismo. Porque é uma expressão tão contida! Romantismo exige exagero, o do tipo verdadeiro de quem morreria, largaria tudo, derrotaria o mundo. Daí... “Fazer amor”? O amor já está pronto!
Quem fala “fazer amor” não transa, quem fala “fazer amor” não ama, quem fala “fazer amor” fica em casa assistindo televisão.

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