Capítulos anteriores:
Capítulo 1: Dos planejamentos (ou da falta deles)
Capítulo 2: Da (breve) volta à Campinas
Capítulo 3: Da poesia nublada e molhada de Montevideo
Capítulo 4: De mís diablos en Punta
Capítulo 5: De como o destino quis que eu passasse uma tarde em Valizas
Capítulo 6: Da vontade de virar um leão marinho em Cabo Polônio
Capítulo 7: Da longa caminhada de Punta a Punta atrás de um por-do-sol
Capítulo 8: Da minha exaustão em Piriápolis
Quando se está viajando, os dias viram semanas. Assim, sinto como se tivesse morado em Buenos Aires. No calendário, transcorreram seis dias. Mas meu tempo tornou-se o tempo da cidade; gigante como as ruas, corrido como metrópole. Houve muito e faltou tempo. Já me haviam dito que Buenos Aires é daquelas cidades que te encantam; mas eu, como de costume, só acreditei vendo.
Meu espanto já começou no ferry - venho dum lugar onde o rio é minha rua, mas nunca tinha entrado num barco daqueles, com tantas poltronas acolchoadas e free shop. Fiquei feito inseto preso rodeando lâmpada, andando em círculos. Sentei e em uma horinha estava na capital argentina. Enquanto esperava meu mochilão desembarcar na esteira igual de aeroporto (o esquema todo do ferry é que nem de aeroporto, da imigração à sala de embarque), encontrei de novo o Brunno, o cara que mochila com o longboard que eu conheci em Cabo Polonio. Fui puxar papo e logo outro mochileiro surgiu e se introduziu na conversa - reconheci pela mochila com capa amarela, justamente o moço que foi comigo no ônibus de Montevideo a Colonia, que eu pensei em falar mas a tontura não deixou! Mineiro com sotaque bão demais, mochileiro, simpático de tudo. Naquele final de semana, tornou-se meu melhor amigo; e eu me senti como criança, só que alcóolatra - em que momento a gente desaprende a gostar das pessoas de cara?
O Brunno precisava de internet pra falar com a mina do couchsurfing que o hopedaria. O moço de Minas é daqueles que depois de alguns mochilões já tem a certeza que não dormirá na rua, daí nem hostel reservado ele tinha. Eu tinha - o mais barato e mal avaliado, há uma meia horinha de pernada do porto. Ofereci wi-fi e a minha hospedagem com todos seus poréns e em ganhei companhia. O que foi ótimo, porque parecia que eu nunca tinha pisado numa cidade grande na vida, naquele misto de excitação e medo. Lembrei-me das primeiras vezes que fui a São Paulo capital, a sensação que a cidade poderia devorar-me com farinha. Embasbacada é uma palavra que enche a boca e descreve o espírito. As ruas de Buenos Aires são todas largas demais, com faixas que estendem-se ao infinito. Os prédios são muito altos no meu trajeto ao hostel pareciam quase todos charmosa e enormemente antigos. Vimos o tal do obelisco. E tinha gente na rua, tanta gente; indo e vindo em passos de metrô paulistano - e eu maravilhadamente olhando os prédios e as ruas e trombando nas pessoas enquanto tentava me localizar no maps.
Passamos o hostel porque ele não tinha placa. Voltamos ao endereço. Tocamos a campainha do prédio e era isso - o hostel estava escondido no segundo andar. Subimos num elevador "me sinto no Titanic", nas palavras do Brunno; e enquanto eu e o moço de Minas fazíamos check-in, Brunno conseguiu achar a moça do seu sofá. Nos despedimos e fui guardar as coisas no quarto.
Que. Caos.
Já era de noite, e estava mal-iluminado por uma luz amarela que ressaltava o ar de descuido. A porta era branca manchada de madeira descascando, e havia roupas e toalhas estendidas num varal no meio do quarto. A roupa de cama não era branca como a dos outros hostels, mas sim cada peça de um jogo diferente e parecia ter tido cores brilhantes um dia, mas agora estava tudo desbotadamente amarelado. Várias meninas conversavam em espanhol muito rápido e, quando eu quis guardar minha mochila num armário uma delas começou a tirar uns dez pares de sapato de dentro dele. Não tinha lugar pra por cadeado, e eu estou viajando com tudo o que tenho de valor na vida - notebook, câmera, dinheiro. A moça da recepção disse que guardaria minhas coisas até a fechadura do armário ser instalada. Agradeci e fiquei muito feliz que só passaria aquela noite ali. Lição pra vida: levar a sério as más recomendações de hostels.
Eu e o Mineiro não tínhamos um puto argentino no bolso, e perguntamos à recepcionista onde acharíamos casa de câmbio:
- Essa hora? Tudo fechado. Mas sabe aquela galeria? Viram que lá tem um cara gordo de bigode? Ele é confiável. Vão lá.
Eu estava em Buenos Aires há uma hora e já estava fazendo tudo o que tinha lido pra não fazer: hospedada no centro. Indo trocar dinheiro com cambista. No fim não achamos o tal gordo de bigode e acabamos trocando com um cara qualquer que gritava "Cambio! Cambio cambio cambio cambio dolares reais cambio!" na rua (reescuto mentalmente esses sons de rua, e agora me parecem uma ligação clandestina). No dia seguinte descobri que ele fez uma cotação bem pior que a oficial, porque eu e o Mineiro somos tão otários que nem tínhamos visto qual a oficial era. Mas naquele dia ainda não sabiamos disso, e apenas ficamos andando juntos sem rumo curtindo o encantamento da cidade grande, tomando cerveja, comentando que coisa louca era ter tanta família com criança na rua meia noite e tentando acostumar nossa cabeça ao novo dinheiro - um peso argentino vale quase dois pesos uruguaios, a primeira vista tudo parecia barato demais; aí a cabeça começou a dar nós de conversão de novo. Na realidade, Buenos Aires é mais caro que o Ururguai. Me chamou atenção como as notas argentinas são todas tão velhas, e como a inflação se sente nelas - a maior nota que vi foi a de 100 pesos, que vale um pouco mais que vinte reais e dá pra comprar mais ou menos as mesmas coisas. Disseram-me que recentemente foi lançada a nota de 500 pesos, mas não a vi. A primeira vez que quis comprar algo barato e só tinha aquela nota com dois zeros, fiquei sem jeito e perguntei se havia troco. Depois percebi que é banal.
Eu e o Mineiro estávamos viajando como bons moços há mais ou menos o mesmo tempo por mais ou menos e mesmos lugares, e por isso estávamos os dois precisando desesperadoramente dum rolê bem errado. Fomos pedir dicas pra recepcionista do hostel. Ela desandou a falar de boliches, e eu imaginei que a juventude de Buenos Aires era tipo o Fred Flinststone. Demorei uns minutos pra entender que boliche quer dizer balada em espanhol. Foi a primeira vez da viagem que eu passei batom. Foi a primeira vez da viagem que eu pus um sutiã (cheguei a encanar ligeiramente com meus mamilos em uma blusinha de malha particularmente fina, lá pelos meus primeiros dias; mas eu estava com a cabeça raspada, eu podia fazer qualquer coisa - inclusive não usar aquele incômodo sutiã #freethenipples). Estava mesmo com vontade de me arrumar. O porém foram meus pés inchados de viagem e ainda com algumas bolhas: recusaram-se terminantemente a entrar na sapatilha, e assim eu fui de tênis mesmo. Arranjamos entrada grátis até 2:30h (porque na Argentina 3h da manhã é a nossa meia noite no Brasil), conhecemos mais brasileiros no hostel (um menino de 18 anos que vai cursar medicina na Argentina e uma menina que eu não lembro o que estava fazendo lá - desculpa, miga), rachamos um uber e lá fomos nós. No fim da história eu gastei uma fortuna em bebida e lembrei porque não sou lá grande fã de baladas - gosto mais de lugares baratos onde eu consiga conversar sem ter que gritar mais que o normal, e eu nem conhecia as músicas pops argentinas pra dançar loucamente. O ponto alto da noite foi conhecer dois estudantes de moda da Guatemala que ficaram dizendo que a gente deveria ir ao país deles, que tem vulcões ativos e praias de areia negra. Voltamos pro hostel já com dia claro; e quando meu celular despertou 9:30h pra eu ter tempo de tomar café e um banho antes do check-out, eu ainda estava bêbada e com a cara toda borrada. Desci do beliche de cima com toda tranquilidade (em Buenos Aires perdi totalmente meu medo de dormir no beliche de cima e até me dei conta que ele tem uma vantagem: eu não bato a cabeça) e pensei que o hostel nem era ruim, afinal. Tinha um clima família gostoso. Deixei minhas coisas no hostel badaladinho e voltei pra encontrar as pessoas do holtel feioso. Um brasileiro fotógrafo estava aproveitando a estadia para fazer um portfolio, usando como modelos voluntários uma brasileira de 18 anos que agora estudava espanhol e antes morou um ano no Japão, e um argentino que tinha razão ao achar que Buenos Aires na verdade era uma cidade do Brasil (depois eu me dei conta que era feriadão de 15 de novembro, o que justifica em partes tantos brasileiros viajando; mas ouso dizer que ouvi mais português que espanhol nessa semana). Andamos juntos parte do percurso e me encantei com as fotos de quem sabe o que está fazendo; e depois eu e Mineiro nos separamos deles e andamos meia Buenos Aires a pé. Assim eu vi a Casa Rosada e o Banco da Argentina duas vezes maior do que ela a sua frente; Puerto Madero, que me fez entender o que o Almir Gabriel queria fazer na Estação das Docas em Belém; o bairro Boca, que tinham nos dito que era perigoso e que ao parar para comprar umas empanadas ficamos sabendo pelo vendedor que uma moça tinha sido assassinada há alguns dias sem motivo algum na praça em frente ao estádio do Boca Juniors, e quando passamos por lá estava havendo um protesto que ao mesmo tempo a homenageava e pedia mais policiamento; e por fim todas as cores do Caminito, onde sentamos para uma merecida breja, enamorados da cidade. São Paulo que me desculpe, mas Buenos Aires é mais legal.
Pegamos ônibus, voltamos a nossos hostels e eu fui tentar interagir. Fiquei meio decepcionada porque só havia brasileiros (uns paraenses, inclusive) e todos estavam de galera, o que dificultava minha apresentação. Mandei notícias para meus queridos que estavam na terrinha, cochilei algo como 30 minutos, tomei um banho e me montei e lá fomos eu, Mineiro e Brunno para Palermo, o bairro boêmio, em busca dum louco sábado porteño. Precisei começar com um energético, mas depois engatei. A despeito dos conselhos do Brunno, pedi um fernet com coca-cola, a caipirinha argentina. Aceitem meus conselhos e do Brunno. Não bebam aquilo. É horrível!
Pensamos em ir sentando de de bar em bar, mas os bares eram caros. Pensamos em entrar em alguma balada, mas as baladas eram caras e o Mineiro, como bom brasileiro, usava proibitivas bermudas. Ah, deusa, não tenho saúde pra lugar que tem código de vestimenta. Acabamos comprando várias bebidas em quiosques e por fim sentamos num deles. Eram oito da manhã e estávamos brincando de "eu nunca", feito quase adolescentes, falando sobre sexo e masturbação e viagens. Mineiro fez um balão de uma camisinha e todos compramos super panchos, baratíssimos hot dogs argentinos.
Voltamos para casa de ônibus. Mineiro quis bancar o macho forte, peludo e protetor e quis deixar-nos todos em casa. Bati o pé.
- Assim eu vou ficar mais preocupado! - Disse ele.
- Isso é problema seu, não meu. Estou viajando sozinha há mais de duas semanas, sei me virar.
- Que empoderada!
Rimos. Veja bem, adoro gentileza, mas gentileza é bilateral. Ele estava mais bêbado que eu. Estávamos no meio do caminho, quase meia hora de caminhada separavam nossos hostels, já estava claro e, como sempre na Argentina, tinha gente na rua. Descemos juntos do ônibus para ajudar o Brunno, que estava um tantinho mais perdido; e depois eu e Mineiro fomos cada um para seu lado.
Cheguei no hostel nove horas. Aproveitei o café da manhã. Achei que fosse morrer, mas meio-dia estava acesa e novo. Culpo o energético. Mandei mensagem para os rapazes e Mineiro me disse que tinha sido acordado e gentilmente expulso do hostel feioso - não havia vaga para ele lá aquela noite.
- Onde você vai dormir? - Me preocupei, mas ele já estava falando com uma argentina com quem tinha ficado na noite do boliche. Brasileiros tem sex appeal. Eu tinha achado que ele tinha uma namorada de Schroedinger, que simultaneamente existe e não existe. Ou que na verdade existia uma função que modela a existência ou não da namorada, variando diretamente à atratividade da moça que se aproxima. Mas acaba que ele era mesmo solteiro, curtindo o mochilão.
Quando fui encontrá-lo para me despedir, ele disse que estava exausto e só queria dormir.
- A reputação de um país está no seu pau, dedos e língua. Trate de fazer um bom trabalho e deixar a moça feliz. - Eu disse, e só depois me dei conta que estava reproduzindo machismo ao exigir que o rapaz estivesse sempre disposto. Ele riu.
Nos dias seguintes, explorei Buenos Aires sozinha. E, por mais divertido que tenha sido o final de semana, confesso que estava ansiosa para isso. Nesse mochilão, descobri o quanto gosto de andar sem rumo e sem companhia.
Ainda no domingo, fui à gigantesca feira de San Telmo e encontrei mais uma vez por acaso o Brunno. Ao longo da semana, nas minhas longas caminhadas solo, fui me apercebendo de outros aspectos da Argentina: a memória da ditadura tão viva, com várias placas indicando onde pessoas que sumiram moraram ou foram assassinadas. Os monumentos todos homenageando homens (como no resto do mundo que conheço, por sinal) e os muros com muitos pixos feministas. Os panfletinhos de prostitutas pregados em postes e lixeiras no centrão, e uma senhora de uns sessenta e muitos anos e cabelos pintados de vermelho vivo que os arrancava todos num dos dias. As muitas referências aos generais da guerra de independência, em especial o General San Martin (toda a Argentina tem monumentos ao General San Martin e ruas chamadas 9 de julio, o dia da independência). Os morrinhos que foram transformados em praças (grande novidade pra mim, praças não planas), e as pessoas aproveitando as praças até para pegar sol de biquini. As árvores todas floridas de roxo. Os carrinhos de supermercado vendendo suco de laranja espremido na hora. As construções lindas que surgem inesperadamente. As pessoas em situação de rua dormindo no chão. As infinitas lojas (neste mochilão tenho ficado quase sempre no centro ou próximo dele, e o número de coisas sendo vendidas salta mais à vista e a obviedade da superprodução capitalista também). Os sebos. As comidas típicas: o superpancho, as empanadas, o choripan, o bife de chorizo - que eu achava que era de chouriço e um dia pedi para matar a curiosidade e só então descobri que era um corte nobre de carne bovina, podem rir (e meu drama existencial carnívoro foi mais uma vez testado, porque olha, aquilo é uma delícia).
Depois de tantos dias em cidades praianas, eu continuava vendo conchas em tudo - até em espelhos.
Por distração, não anotei em qual igreja bati essa foto. Mas esse afresco me chamou muito a atenção. Acho que nca tinha visto uma representação da Eva grávida.
Num dos dias me dei conta que não tinha mais meias limpas. Pensei em comprar meias novas. Vi que estava usando a minha última calça "limpa", nessa flexibilização dos conceito de roupa limpa que a gente faz em viagem. Ok. Lá fui eu comprar um sabão de coco e usar o tanque do hostel, que tinha pintado na parede "hey ho, let's go!". Motivador. Enquanto tudo secava, saí de havaianas e shortinho. Tive que trocar dinheiro e a atendente do banco com a melhor cotação me olhou com um misto de dó e desprezo, dizendo que eles só trabalhavam acima de 100 dolares. Me senti quase a Júlia Roberts em Uma Linda Mulher ao abrir a carteira - era meu dinheiro para o resto da viagem; mas trate de trocar e tratar melhor seus turistas.
Noutro dia conheci dois franceses que estavam reclamando que turismo no Brasil é muito caro, e pela primeira vez constatei que todos esses viajantes europeus metidos a exploradores no fundo querem mais é que nossos países subdesenvolvidos continuem valendo pouco, e me doeu - eu mesma estava reclamando da Argentina me tomando como medida. Muito bonita essa história de ser cidadão do mundo, mas para quem deve ser o país?
Todos os dias minhas pernas doiam e eu chegava no hostel achando que não levantaria nunca mais. Todos os dias eu descobria lugares novos. Entrei no Cemitério da Recoleta e saí rápido - acho cemitérios pesados e honestamente já acho que vou ter muito tempo num deles quando morrer. Entrei naquela livraria bonita que já foi um teatro. Entrei em vários museus - um ferroviário só porque tropecei nele pelo caminho; o de arte da América Latina que achei pequeno, mas gostei de ver em destaque o trabalho de uma escultorA; o MALBA, que eu achava que seria mais um museu enorme e meio chato com aquelas obras de estilo europeu, mas na verdade é bem legal, com arte em movimento e de autores argentinos - gostei particularmente do Candido Lopez, um pintor que lutou na guerra do Paraguai e tem vários quadros que contam a história; e por fim o Museus da história da Argentina, que eu gostei bastante porque é bem explicadinho e não tem só história de homem, mas também de várias mulheres: a Micaela Bastildas, que lutou em uma das rebeliões andinas. As damas de sociedade que doaram suas jóias para financiar a revolução. A Juana Azurduy, que lutou pela independência da América espanhola.
Fui ao Museu da história da Argentina no meu último dia, já com passagem comprada para Mendoza. No caminho, havia morangos sendo vendidos por um preço ridiculamente barato - eu nem lembro quanto era, mas era muito pouco. Comprei e sentei na praça em frente ao museu - um lugar mais afastado do centro, com cara de "preste atenção". Comi os morangos feliz da vida. Cheguei ao museu com as mãos vermelhas - o guarda até achou que eu estivesse sangrando. Lavei-as, passei mais de uma hora vendo a exposição, sai e fui pegar meu celular para olhar o mapa.
Epa.
Cadê meu celular?
Esvaziei a bolsa. Nada. Perguntei no museu. Nada. Voltei ao banheiro onde lavei a mão dos morangos. Nada. Aí veio o estalo: morangos. Eu estava com o celular na mão quando sentei no banco da praça. Não o guardei na bolsa, só sentei e comi os morangos e levantei.
Voltei ao banco da praça onde sentei. Nada. Perguntei a uns guardas que passavam. Eles quase riram.
E assim eu perdi meu celular em Buenos Aires. Eram 14h e meu ônibus saia às 18h.
Fui quase correndo até o hostel, procurando no caminho algum lugar que vendesse eletrônicos. No hostel descobri o lugar mais próximo e fui quase correndo lá. Descobri que celulares na Argentina são mais caros que no Brasil. Ponderei ficar sem celular nas três semanas de viagem que me restavam, mas convenhamos: sem o maps, eu ainda estaria andando em círculos em Punta del Diablo; e minha mãe seria capaz de por a polícia internacional atrás de mim se não tivesse como me encontrar. Que grandessíssima bosta. Bom, eu tinha o enorme privilégio social de ter a grana não apenas para finalizar o mochilão (o que, mesmo viajando gastando pouco, pra uma realidade de Brasil é bastante), mas também para comprar outro telefone. Eu me senti muito estúpida e não queria gastar o dinheiro com isso, mas... me rendi. Comprei o smartphone mais barato disponível pelo preço que compraria um melhor no Brasil, e o projeto mochilão 2.0 foi defasado e meu cartão de crédito ganhou uma linda dívida a ser paga com grana da poupança. Comprei também um chip da Argentina e voltei mais uma vez correndo para o hostel, para carregar alguma coisa e dar sinal de vida a minha família. Descobri que a rodoviária ficava a 45min de caminhada, e não meia hora; e mais uma vez saí correndo, dessa vez com meus 20kg a mais de bagagem comigo. Eu estava bem irritada, mas pelo menos me dei conta que meu preparo físico já tinha melhorado muito. As mochilas faziam parte de mim.
Nenhum comentário:
Postar um comentário