Fingi que a viagem não existiria até o último segundo possível; seguindo meu (péssimo) jeito de lidar com meus medos. Seis semanas são tempo demais para ficar longe de quem se gosta e tempo de menos para ocupar novos corações. Decidi que este será meu último semestre em Campinas e me vejo novamente naquele desespero de aproveitar a vida que eu tinha em 2013, meu quinto ano de graduação. Com a diferença que agora sei que quero ir embora, de verdade; depois de toda a vida linda e insana que esse mestrado me proporcionou.
Ainda restam uns bons meses para minha despedida formal da Unicamp; mas eis que antes disso surgiu essa estadia no Paraguai. Claro que não soube lidar. Fiz despedidas como quem vai pra guerra. E me senti super querida por tanta gente ter comprado minha loucura e me abraçado como se não houvesse amanhã.
Enquanto meu amigo que veio comigo preparou a mala dele meticulosamente ao longo da semana, eu joguei tudo dentro da minha no dia da viagem. Eu nem tinha toalhas limpas; sorte que Campinas tinha um belo sol pra me ajudar a secar. Minhas pernas tinham pelos e eu não tinha lâmina de barbear; e dane-se, porque até a Barbie ganhou um corpo humanamente possível e eu não sou feita de plástico.
- Você comprou cota extra de bagagem? - Perguntou o amigo que me deu carona até a rodoviária, para pegar o ônibus para Guarulhos.
- Não precisa. Viagem internacional, duas malas de 32kg.
- Sério? Pro Paraguai?
Aí eu me dei conta que tinha tirado essa informação da minha cabeça, e que estava com meu malão de viagem. Meio vazio, verdade; mas eu já tinha levado 32kg nele uma vez.
Fila da passagem de ônibus, fui procurar a regra tarifária do avião na internet e... uma mala de 23kg. Putz. Revisei mentalmente o que poderia ser deixado. Putz, não tinha porque ter trazido aquela saia; mas eu adoro aquela saia. Precisava mesmo do edredon? Lembrei quando cheguei nos EUA, com zero roupa de cama, e passei uma primeira noite horrosa, toda encolhida de frio. No Paraguai mal faz frio, e essa época do ano é verão. Ah, mas eu adoro esse edredon... Necessaire. Se precisar, eu deixo a necessaire. Abri o malão e mudei uns livros pra mala de mão. Fiz meu teste pessoal - consigo carregar com um braço só? Consigo. Deve pesar menos de 20kg. Putz, eu tenho feito uns exercícios, será que estou mais forte? Pff! Quem eu quero enganar, só faço flexões de joelho e olhe lá. Vamo na fé.
Na esteira do check-in, sanei a dúvida: 19,7kg. Eu mando muito bem em fazer mala! Vida leve.
Já dentro da área de embarque internacional, recebo uma ligação da minha irmã, que até onde eu sabia tava voltando de Belém pra Curtiba:
- Mana, tu tás onde? Pra variar a gol atrasou meu voo e eu perdi minha conexão. A parte boa é que ganhei comida e em vez de Viracopos eu to aqui em Guarulhos.
- Sério? Onde cê tá? Ficaí que eu vou te ver!
Eu não via minha irmã desde o início de janeiro, e calhei de viajar pro Paraguai no dia seguinte ao aniversário dela. Gol, seu problema com horários me foi um baita dum presente! Sair do embarque internacional depois de já embarcada foi uma bela duma aventura; mas depois de gastar minha lapidada cara dura pedindo liberação pra trocentas pessoas, consegui. Todo mundo se comove com um reencontro familiar.
Abraçar irmã!!!
Ainda restam uns bons meses para minha despedida formal da Unicamp; mas eis que antes disso surgiu essa estadia no Paraguai. Claro que não soube lidar. Fiz despedidas como quem vai pra guerra. E me senti super querida por tanta gente ter comprado minha loucura e me abraçado como se não houvesse amanhã.
Enquanto meu amigo que veio comigo preparou a mala dele meticulosamente ao longo da semana, eu joguei tudo dentro da minha no dia da viagem. Eu nem tinha toalhas limpas; sorte que Campinas tinha um belo sol pra me ajudar a secar. Minhas pernas tinham pelos e eu não tinha lâmina de barbear; e dane-se, porque até a Barbie ganhou um corpo humanamente possível e eu não sou feita de plástico.
- Você comprou cota extra de bagagem? - Perguntou o amigo que me deu carona até a rodoviária, para pegar o ônibus para Guarulhos.
- Não precisa. Viagem internacional, duas malas de 32kg.
- Sério? Pro Paraguai?
Aí eu me dei conta que tinha tirado essa informação da minha cabeça, e que estava com meu malão de viagem. Meio vazio, verdade; mas eu já tinha levado 32kg nele uma vez.
Fila da passagem de ônibus, fui procurar a regra tarifária do avião na internet e... uma mala de 23kg. Putz. Revisei mentalmente o que poderia ser deixado. Putz, não tinha porque ter trazido aquela saia; mas eu adoro aquela saia. Precisava mesmo do edredon? Lembrei quando cheguei nos EUA, com zero roupa de cama, e passei uma primeira noite horrosa, toda encolhida de frio. No Paraguai mal faz frio, e essa época do ano é verão. Ah, mas eu adoro esse edredon... Necessaire. Se precisar, eu deixo a necessaire. Abri o malão e mudei uns livros pra mala de mão. Fiz meu teste pessoal - consigo carregar com um braço só? Consigo. Deve pesar menos de 20kg. Putz, eu tenho feito uns exercícios, será que estou mais forte? Pff! Quem eu quero enganar, só faço flexões de joelho e olhe lá. Vamo na fé.
Na esteira do check-in, sanei a dúvida: 19,7kg. Eu mando muito bem em fazer mala! Vida leve.
Já dentro da área de embarque internacional, recebo uma ligação da minha irmã, que até onde eu sabia tava voltando de Belém pra Curtiba:
- Mana, tu tás onde? Pra variar a gol atrasou meu voo e eu perdi minha conexão. A parte boa é que ganhei comida e em vez de Viracopos eu to aqui em Guarulhos.
- Sério? Onde cê tá? Ficaí que eu vou te ver!
Eu não via minha irmã desde o início de janeiro, e calhei de viajar pro Paraguai no dia seguinte ao aniversário dela. Gol, seu problema com horários me foi um baita dum presente! Sair do embarque internacional depois de já embarcada foi uma bela duma aventura; mas depois de gastar minha lapidada cara dura pedindo liberação pra trocentas pessoas, consegui. Todo mundo se comove com um reencontro familiar.
Abraçar irmã!!!
Tomar bronca da irmã por tar bancando a louca indo pra guerra quando só vou ficar fora seis semanas, e tem amigo indo juntoooo!
Anotar encomenda de bebida da irmãaa!!!
E depois que a irmã foi embora, voltar pra minha espera. E aí o meu amigo que veio comigo tinha acesso a uma sala vip que eu nem sabia que existia e podia levar acompanhante. Mandei mensagem prazamiga. O que dizer dessa viagem que eu nem tinha embarcado e já tava curtindo pacas? Fiquei super deslumbrada com sanduiches e massa e doces e máquina de café liberada: #PobretonaFeliz
Então uma hora passou uma moça recolhendo as bandejas. A moça era negra. Teste do pescoço. A única negra da sala vip do aeroporto. Não, Marina, pobreza é outra coisa; você é só mais uma moça classe média universitária brincando de riqueza. A questão do luxo é que ele não brota do chão, e não, eu não me esforcei mais na vida do que a moça das bandejas.
Depois do encantamento e problematização da sala vip, embarque. Asunción é mais perto que Belém e fiquei meio chocada das comissárias não falarem espanhol no voo. Uma horinha e meia e... olá, Paraguai!
E depois que a irmã foi embora, voltar pra minha espera. E aí o meu amigo que veio comigo tinha acesso a uma sala vip que eu nem sabia que existia e podia levar acompanhante. Mandei mensagem prazamiga. O que dizer dessa viagem que eu nem tinha embarcado e já tava curtindo pacas? Fiquei super deslumbrada com sanduiches e massa e doces e máquina de café liberada: #PobretonaFeliz
Então uma hora passou uma moça recolhendo as bandejas. A moça era negra. Teste do pescoço. A única negra da sala vip do aeroporto. Não, Marina, pobreza é outra coisa; você é só mais uma moça classe média universitária brincando de riqueza. A questão do luxo é que ele não brota do chão, e não, eu não me esforcei mais na vida do que a moça das bandejas.
Depois do encantamento e problematização da sala vip, embarque. Asunción é mais perto que Belém e fiquei meio chocada das comissárias não falarem espanhol no voo. Uma horinha e meia e... olá, Paraguai!
Nenhum comentário:
Postar um comentário