~ Este post gigantesco na verdade é muitos em um
Neste exato momento, estou sobrevoando o oceano, quase entrando nos EUA. segundo a televisãozinha em frente à minha cadeira (a qual me encantou deveras - tem filmes para serem assistidos - tipo "scott pelgrin" e "a rede social"; e séries e músicas e mesmo joguinhos. Isso é que é entretenimento à bordo! Não que eu tenha aproveitado, já que possuo o dom de dormir feito pedra e o voo saiu de Brasília meia noite e vai chegar em Atlanta o equivalente à 9h da manhã).
A longa viagem está sendo surpreendentemente curta - em parte pelo supracitado sono, em parte pelas tarefas a serem executadas - filas de check in, interrogatórios ameriacanos ("Você está levando armas?"), ir ao banheiro do aeroporto para colocar a calça de lã por baixo da jeans e a segunda meia; percorrer todas as lojinhas do aeroporto de Brasília em busca de crédito para meu celular e no final ter que pedir a meu pai para carregá-lo de Belém, porque não tinha crédito em lugar nenhum (!!!), comer, passear em livraria, falar com namorado e família, escrever para o Riscos...
Meu percurso está sendo o seguinte: às 13h de Belém (que não tem horário de verão) saí rumo à Brasília, com escala em Marabá. (Dormi o voo inteiro. Brasília é logo ali). Cheguei em Brasília 18h de lá (17h de Belém), fiquei executando as já mencionadas tarefas (o detalhe é que o check in da companhia só abriu 20h). Meia noite de Brasília parti rumo a Atlanta, devo chegar 5:55h de lá (8:55h de Brasília e 7:55h de Belém). Lá retiro minha bagagem e passo pela Alfândega. 7:30h de Atlanta pego outro avião rumo à Minneapolis, onde chego 9:23h (como se esses horários fossem realmente tão exatos para serem dados tão quebradinhos. Tsc tsc, empresas aéreas não estudam algarismos significativos); então 11:30h pego mais um avião rumo a Fargo, onde finalmente chego 12:37h de lá. O pessoal da universidade vai me buscar no aeroporto e me levar ao alojamento estudantil, que é onde vou morar estes 5 meses.
Nesta primeira semana vou assistir várias apresentações para estrangeiros (não é russa, mas é reversal - nos EUA, que é gringo é você!) sobre a universidade e o american way of life (sim, isso estava escrito assim no panfleto que ganhei, onde constava também informações climáticas e sobre vestuário dos estudantes, descrito em detalhes como calça jeans e suéter e dito casual), fazer teste para tuberculose, ser apresentada a bancos e seguro de saúde, levada às compras para adquirir roupas de cama e um bom casaco e participar de boliche e pizza. Estou ansiosa.
O avião começa a pousar, escrevo mais mais tarde.
~ Mais tarde: Let it snow!
Agora já estou em Minneapolis, esperando ser (brevemente) chamado para o último voo do dia e chegar a Fargo. É, fiz piada com a minha irmã: "Far, far go..."
A chegada aqui foi uma das coisas mais bonitas que já vi.
Mais uma vez dormi o voo inteiro (alguém está surpreso? Pausa para uma observação: Quando cheguei dei um pulo no banheiro, esperando me deparar com uma cara amassada e indisposta; e foi uma feliz surpresa ver que estou muito bem apresentável, com uma bela cara de saúde - com excessão dos cabelos terrivelmente oleosos, que pedem urgentemente um banho, mas ainda assim estão bonitos; eu adoro meus cabelos que continuam a ser legais comigo independente do que eu faça com eles - nem parecia que eu estava a quase um dia fazendo uma viagem intercontinental. Aí eu me lembrei que, antes de ser uma garota em viagem intercontinental, e sou uma garota que passou o último dia paticamente dormindo. Impressionante a cara boa que descanso dá pra gente!). Acordei quase com a comissária de bordo avisando que os procedimentos de pouso iam começar, e olhei para a janela. Lá embaixo tudo branco, como se fosse areia de praia, da minha querida Ajuruteua... Quis perguntar para o homem sentado a meu lado se aquilo era areia, um enorme deserto?, ou... ou era neve, a primeira vez que eu via neve, tão branca!; mas ele tinha caras de poucos amigos - especialmente porque eu cheguei correndo na última chamada do voo por causa da parada na alfândega e nem pude guardar minhas infinitas coisas no compartimento superior, então era um armário ambulante com casacão e mochila e netbook e pasta com passaporte; e um armário que senta na janela. Eu fiquei olhando intrigada lá para baixo; neve, será mesmo que tudo isso é neve? E bati essa foto aqui:
Neste exato momento, estou sobrevoando o oceano, quase entrando nos EUA. segundo a televisãozinha em frente à minha cadeira (a qual me encantou deveras - tem filmes para serem assistidos - tipo "scott pelgrin" e "a rede social"; e séries e músicas e mesmo joguinhos. Isso é que é entretenimento à bordo! Não que eu tenha aproveitado, já que possuo o dom de dormir feito pedra e o voo saiu de Brasília meia noite e vai chegar em Atlanta o equivalente à 9h da manhã).
A longa viagem está sendo surpreendentemente curta - em parte pelo supracitado sono, em parte pelas tarefas a serem executadas - filas de check in, interrogatórios ameriacanos ("Você está levando armas?"), ir ao banheiro do aeroporto para colocar a calça de lã por baixo da jeans e a segunda meia; percorrer todas as lojinhas do aeroporto de Brasília em busca de crédito para meu celular e no final ter que pedir a meu pai para carregá-lo de Belém, porque não tinha crédito em lugar nenhum (!!!), comer, passear em livraria, falar com namorado e família, escrever para o Riscos...
Meu percurso está sendo o seguinte: às 13h de Belém (que não tem horário de verão) saí rumo à Brasília, com escala em Marabá. (Dormi o voo inteiro. Brasília é logo ali). Cheguei em Brasília 18h de lá (17h de Belém), fiquei executando as já mencionadas tarefas (o detalhe é que o check in da companhia só abriu 20h). Meia noite de Brasília parti rumo a Atlanta, devo chegar 5:55h de lá (8:55h de Brasília e 7:55h de Belém). Lá retiro minha bagagem e passo pela Alfândega. 7:30h de Atlanta pego outro avião rumo à Minneapolis, onde chego 9:23h (como se esses horários fossem realmente tão exatos para serem dados tão quebradinhos. Tsc tsc, empresas aéreas não estudam algarismos significativos); então 11:30h pego mais um avião rumo a Fargo, onde finalmente chego 12:37h de lá. O pessoal da universidade vai me buscar no aeroporto e me levar ao alojamento estudantil, que é onde vou morar estes 5 meses.
Nesta primeira semana vou assistir várias apresentações para estrangeiros (não é russa, mas é reversal - nos EUA, que é gringo é você!) sobre a universidade e o american way of life (sim, isso estava escrito assim no panfleto que ganhei, onde constava também informações climáticas e sobre vestuário dos estudantes, descrito em detalhes como calça jeans e suéter e dito casual), fazer teste para tuberculose, ser apresentada a bancos e seguro de saúde, levada às compras para adquirir roupas de cama e um bom casaco e participar de boliche e pizza. Estou ansiosa.
O avião começa a pousar, escrevo mais mais tarde.
~ Mais tarde: Let it snow!
Agora já estou em Minneapolis, esperando ser (brevemente) chamado para o último voo do dia e chegar a Fargo. É, fiz piada com a minha irmã: "Far, far go..."
A chegada aqui foi uma das coisas mais bonitas que já vi.
Mais uma vez dormi o voo inteiro (alguém está surpreso? Pausa para uma observação: Quando cheguei dei um pulo no banheiro, esperando me deparar com uma cara amassada e indisposta; e foi uma feliz surpresa ver que estou muito bem apresentável, com uma bela cara de saúde - com excessão dos cabelos terrivelmente oleosos, que pedem urgentemente um banho, mas ainda assim estão bonitos; eu adoro meus cabelos que continuam a ser legais comigo independente do que eu faça com eles - nem parecia que eu estava a quase um dia fazendo uma viagem intercontinental. Aí eu me lembrei que, antes de ser uma garota em viagem intercontinental, e sou uma garota que passou o último dia paticamente dormindo. Impressionante a cara boa que descanso dá pra gente!). Acordei quase com a comissária de bordo avisando que os procedimentos de pouso iam começar, e olhei para a janela. Lá embaixo tudo branco, como se fosse areia de praia, da minha querida Ajuruteua... Quis perguntar para o homem sentado a meu lado se aquilo era areia, um enorme deserto?, ou... ou era neve, a primeira vez que eu via neve, tão branca!; mas ele tinha caras de poucos amigos - especialmente porque eu cheguei correndo na última chamada do voo por causa da parada na alfândega e nem pude guardar minhas infinitas coisas no compartimento superior, então era um armário ambulante com casacão e mochila e netbook e pasta com passaporte; e um armário que senta na janela. Eu fiquei olhando intrigada lá para baixo; neve, será mesmo que tudo isso é neve? E bati essa foto aqui:
O gringo que conheci semestre passado disse que achava engraçado as pessoas dizerem que tinham vontade de ver neve, porque a ele, criado em Fargo, neve era a última coisa que desejava ver na vida. Mas a mim, criada em Belém do Pará... Eu amo calor, amo baía, rio, igarapé e praia; mas tenho em mim aquela gigantesta atração pelo novo e desconhecido. Neve! Gelo caindo do céu! Meus amigos de Campinas já riram de mim quando eu disse que queria ver granizo...
Então descemos um pouco, e vi as primeiras casas. Areia não sobe em casas. Neve!!!
Bati essa foto:
Então descemos um pouco, e vi as primeiras casas. Areia não sobe em casas. Neve!!!
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O avião começou a pousar de verdade e tive que desligar a câmera, e fiquei com um enorme sorriso besta na cara, vendo todo aquele branco se aproximar e a cidade surgir, feita de brinquedo. Árvores, casinhas. Um rio congelado! Neve.
Eu estava mesmo indo para a neve. Quis agradecer à pessoa que fez minha reserva de voo, e me pos na janela.
Ainda não pisei na neve, não a toquei. Mas ela está lá, do outro lado desse janelão onde está também meu avião. E quando eu desci daquele voo, mesmo naquele corredor de minhoca no qual a gente desembarca isolado do mundo, bateu um vento muito gelado, e eu o atravessei rindo e soprando para ver a fumacinha saindo da boca.
Eu estava mesmo indo para a neve. Quis agradecer à pessoa que fez minha reserva de voo, e me pos na janela.
Ainda não pisei na neve, não a toquei. Mas ela está lá, do outro lado desse janelão onde está também meu avião. E quando eu desci daquele voo, mesmo naquele corredor de minhoca no qual a gente desembarca isolado do mundo, bateu um vento muito gelado, e eu o atravessei rindo e soprando para ver a fumacinha saindo da boca.
~ Mudando de assunto: detalhes de viagem
Tem várias coisas que me sinto na obrigação de relatar sobre essa viagem. Estou levando essa história de relatora de intercâmbio a sério - ah, é divertido! E sempre pode servir de dica (embora antes de tudo seja divertido). Planejava escrever neste post detalhes de toda a aventura que foi conseguir o intercâmbio em primeiro lugar; acaba que meu sono não deixou (não que isso seja um problema, foi realmente muito bom conseguir dormir tão bem)... Vamos ver o que consigo contar.
Sobre a saída de Belém não há nada peculiar, apenas o abraço forte da família. Em Brasília as curiosidades já foram narradas. Até chegar a hora do segundo embarque.
Gente, que coisa mais fora da realidade é voo internacional. É minha segunda vez saindo do Brasil, nunca tinha vindo aos EUA. Um pouco antes do meu voo, estava saindo outro rumo a Miami. Quantas madames indo às compras! Contei quatro MALAS Louis Voitton. Duas das quais estavam com a mesma moça (ela não deveria ser muito mais velha do que eu, e usava também uma bolsa Channel). Na minha frente no avião estava sentada uma menina que devia ter uns 13 anos e estava discutindo com os pais se era a quinta ou sexta vez que ia à Disney. Eita Brasilzão desigual, de luxo e lixo!
Dei a gigantesca sorte de não sentar ninguém na cadeira do meio, então eu e a garota sentada no corredor fomos quase de primeira classe na nossa executiva, ê vidão. Tenho certeza também que as cadeiras são mais espaçadas do que em voos nacionais, meus joelhos adoraram.
Na hora de fechar as portas, primeiro sinal de saída do país! A aeromoça falou um português enrolado, americana. E eu acostumada com o nosso inglês ruim!
O jantar estava muito gostoso, um franguinho bom. E o copo de bebida já era maior que o brasileiro. E a viagem (e os sonhos) começaram, depois dos formulários de imigraçãoe alfandega serem entregues.
Não bati fotos deste voo porque ele foi todo noturno, e embora nisso haja um charme - por vezes parece que estamos no espaço, como se as cidade lá embaixo fossem estrelas - eu estava por demais perto da asa. E cansada. Tirei meus desconfortáveis coturnos de couro (os que eu usava no senai - nós, alunos de engenharia mecânica da unicamp, fazemos um semestre de técnico basiquíssimo, apenas para nos familiarizarmos com maquinaria), que meus pais me convenceram a vir usando por ser impermeável à neve (em Fargo compro algo mais adequado e confortável), e desabei. Acordei com o café da manhã sendo servido no dia seguinte, e comi a banana com gosto, porque é minha fruta favorita e acho que não verei muitas boas por aqui... Já o café americano é terrível.
A chegada em Atlanta foi uma correria, eu tinha menos de uma hora para passar pela alfandega, pegar minhas malas e embarcar em um novo voo. Felizmente deu tempo. Fila de chegada é algo muito interessante, aquela torre de babel. Um homem que trabalhava no aeroporto foi extremamente gentil comigo, me ajudando com minha mala de 30kg. Eu tive que tirar meus coturnos novamente para passar pelo raio x e caminhei um percurso de meias, para ganhar tempo. E que coisa absurda é o tamanho destes aeroportos! Tantas lojas! E metrô para ir de um canto a outro.
Como disse, embarquei correndo. Mas embarquei. E a chegada foi linda.
Com mais calma, passeei em lojas e gastei meus primeiros dólares em uma bota lindíssima de lã, meio caseira (tive que abrir minha agnda para descobrir meu número); e em café da manhã, porque a banana já tinha sido digerida. Comi um pão com chedar e ovo, que é pão com chedar e ovo em qualquer lugar do mundo, então não há o que dizer; e um café, outro café horroroso e aguado, é, creio que terei de arranjar um novo vício.
Queria ligar para meus pais para dizer que estava bem, mas não consegui me entender com telefones. Então fiqui sentadinha escrevendo e esperando o tempo passar, e torcendo para a minha mãe não morrer de coração nem me matar.
Dentro do aeroporto o clima estava agradável, nada do meu tão temido frio. Abri a camisa e enrolei as mangas. Começo a crer queme disseram a verdade quanto a caleifação, e quem passa frio no inverno é brasileiro, que não tem aquecedor.
Fiquei olhando os americanos com meus olhos de turista, tentando vê-los louros e gordos, tão diferentes de nós. Mas não são. Nem tão louros, nem tão gordos (certamente mais louros que nós, mas não mais gordos). Apenas gente. Talvez porque seja aeroporto, e aeroporto não é amostra boa; mas talvez... Talvez aconteça comigo o mesmo que aconteceu com agora não lembro quem (meu amigo gringo, talvez?), e as maiores surpresas não sejam as diferenças, e sim as semelhanças.
Enquanto escrevia embarquei. Mais uma olhada na neve; ela estava no cantinho do corredor-minhoca, eu poderia pisá-la... Daqui a pouco pego meu último céu. Último por enquanto...
~ Alguns minutos depois: mudança.
Qual a probabilidade de uma pessoa pegar 4 voos consecutivos e todos serem pontuais? Bem pequena, eu acho; então na minha viagem estava faltando emoção. Alfândega e imigração foram por demais tranquilas...
Emoção acaba de chegar. Fomos todos convidados a sair do avião (que a essa hora já devia estar chegando em Fargo, que é logo ali); a aeromoça fica dando avisos. Aparentemente teremos outra aeronave, ela daqui a cinco minutos dará notícias novas...
Vamos ver.
Fico pensando se não deveria estar aproveitando agora para me aclimatar, acostumar essa minha cabecinha brasileira a pensar em inglês. Tenho tantas coisas a dizer e tantas coisas por viver!
Tem várias coisas que me sinto na obrigação de relatar sobre essa viagem. Estou levando essa história de relatora de intercâmbio a sério - ah, é divertido! E sempre pode servir de dica (embora antes de tudo seja divertido). Planejava escrever neste post detalhes de toda a aventura que foi conseguir o intercâmbio em primeiro lugar; acaba que meu sono não deixou (não que isso seja um problema, foi realmente muito bom conseguir dormir tão bem)... Vamos ver o que consigo contar.
Sobre a saída de Belém não há nada peculiar, apenas o abraço forte da família. Em Brasília as curiosidades já foram narradas. Até chegar a hora do segundo embarque.
Gente, que coisa mais fora da realidade é voo internacional. É minha segunda vez saindo do Brasil, nunca tinha vindo aos EUA. Um pouco antes do meu voo, estava saindo outro rumo a Miami. Quantas madames indo às compras! Contei quatro MALAS Louis Voitton. Duas das quais estavam com a mesma moça (ela não deveria ser muito mais velha do que eu, e usava também uma bolsa Channel). Na minha frente no avião estava sentada uma menina que devia ter uns 13 anos e estava discutindo com os pais se era a quinta ou sexta vez que ia à Disney. Eita Brasilzão desigual, de luxo e lixo!
Dei a gigantesca sorte de não sentar ninguém na cadeira do meio, então eu e a garota sentada no corredor fomos quase de primeira classe na nossa executiva, ê vidão. Tenho certeza também que as cadeiras são mais espaçadas do que em voos nacionais, meus joelhos adoraram.
Na hora de fechar as portas, primeiro sinal de saída do país! A aeromoça falou um português enrolado, americana. E eu acostumada com o nosso inglês ruim!
O jantar estava muito gostoso, um franguinho bom. E o copo de bebida já era maior que o brasileiro. E a viagem (e os sonhos) começaram, depois dos formulários de imigraçãoe alfandega serem entregues.
Não bati fotos deste voo porque ele foi todo noturno, e embora nisso haja um charme - por vezes parece que estamos no espaço, como se as cidade lá embaixo fossem estrelas - eu estava por demais perto da asa. E cansada. Tirei meus desconfortáveis coturnos de couro (os que eu usava no senai - nós, alunos de engenharia mecânica da unicamp, fazemos um semestre de técnico basiquíssimo, apenas para nos familiarizarmos com maquinaria), que meus pais me convenceram a vir usando por ser impermeável à neve (em Fargo compro algo mais adequado e confortável), e desabei. Acordei com o café da manhã sendo servido no dia seguinte, e comi a banana com gosto, porque é minha fruta favorita e acho que não verei muitas boas por aqui... Já o café americano é terrível.
A chegada em Atlanta foi uma correria, eu tinha menos de uma hora para passar pela alfandega, pegar minhas malas e embarcar em um novo voo. Felizmente deu tempo. Fila de chegada é algo muito interessante, aquela torre de babel. Um homem que trabalhava no aeroporto foi extremamente gentil comigo, me ajudando com minha mala de 30kg. Eu tive que tirar meus coturnos novamente para passar pelo raio x e caminhei um percurso de meias, para ganhar tempo. E que coisa absurda é o tamanho destes aeroportos! Tantas lojas! E metrô para ir de um canto a outro.
Como disse, embarquei correndo. Mas embarquei. E a chegada foi linda.
Com mais calma, passeei em lojas e gastei meus primeiros dólares em uma bota lindíssima de lã, meio caseira (tive que abrir minha agnda para descobrir meu número); e em café da manhã, porque a banana já tinha sido digerida. Comi um pão com chedar e ovo, que é pão com chedar e ovo em qualquer lugar do mundo, então não há o que dizer; e um café, outro café horroroso e aguado, é, creio que terei de arranjar um novo vício.
Queria ligar para meus pais para dizer que estava bem, mas não consegui me entender com telefones. Então fiqui sentadinha escrevendo e esperando o tempo passar, e torcendo para a minha mãe não morrer de coração nem me matar.
Dentro do aeroporto o clima estava agradável, nada do meu tão temido frio. Abri a camisa e enrolei as mangas. Começo a crer queme disseram a verdade quanto a caleifação, e quem passa frio no inverno é brasileiro, que não tem aquecedor.
Fiquei olhando os americanos com meus olhos de turista, tentando vê-los louros e gordos, tão diferentes de nós. Mas não são. Nem tão louros, nem tão gordos (certamente mais louros que nós, mas não mais gordos). Apenas gente. Talvez porque seja aeroporto, e aeroporto não é amostra boa; mas talvez... Talvez aconteça comigo o mesmo que aconteceu com agora não lembro quem (meu amigo gringo, talvez?), e as maiores surpresas não sejam as diferenças, e sim as semelhanças.
Enquanto escrevia embarquei. Mais uma olhada na neve; ela estava no cantinho do corredor-minhoca, eu poderia pisá-la... Daqui a pouco pego meu último céu. Último por enquanto...
~ Alguns minutos depois: mudança.
Qual a probabilidade de uma pessoa pegar 4 voos consecutivos e todos serem pontuais? Bem pequena, eu acho; então na minha viagem estava faltando emoção. Alfândega e imigração foram por demais tranquilas...
Emoção acaba de chegar. Fomos todos convidados a sair do avião (que a essa hora já devia estar chegando em Fargo, que é logo ali); a aeromoça fica dando avisos. Aparentemente teremos outra aeronave, ela daqui a cinco minutos dará notícias novas...
Vamos ver.
Fico pensando se não deveria estar aproveitando agora para me aclimatar, acostumar essa minha cabecinha brasileira a pensar em inglês. Tenho tantas coisas a dizer e tantas coisas por viver!
~ Uma semana depois: um desfecho para o post, um começo de semestre
O avião atrasou duas horas; fiquei com medo de não ter ninguém me esperando. Mas tinha, uma mesa com NDSU (minha faculdade aqui) escrito; uma garota indiana veio falar comigo, me dar o material da orientação (uma bolsinha amarela com papelada dentro). Peguei minha mala, e ficamos esprando uma coreana que veio no mesmo voo que eu. Ela logo chegou e era uma menina bonita miúda com uma mala muito maior do que a minha e outras duas já meio grandes (durante a semana conversamos várias vezes; e ela contou que estava em Nova York e que o excesso de bagagem foi mais caro que a passagem). Então um garoto coreano nos guiou até lá fora; e era tudo tão gelado e lindo. Entramos em um carro enorme, e eu não conseguia parar de sorrir.
Eu. Em uma universidade americana. Falando inglês. Na neve.
Surreal.
~ Amanhã quero acordar cedo para resolver algumas coisas; as aventuras desta semana ficam para o próximo post. Mas não consigo resistir a vontade de postar mais uma foto:
Apenas um prédio no campus... Lindo. Branco. Gelado.
3 comentários:
Linda, saudades de ti. Não sei???? , mas acho que tens a cara do sucesso. Te adoro. Muitos beijos.
Irene
AAAAAAAh Vc já se foi! Conte o máximo q der! Vou estar acompanhando tudo! ^^ Que a aventure comece!
Queria tanto saber mais detalhes do Aeroporto de Atlanta! Estarei saindo de Brasília e seguindo pra Atlanta dia 24/07, numa conexão para Seattle.
Soube que o Aeroporto é enorme. Conte mais como foi... até pegar o outro vôo...
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