domingo, 24 de abril de 2011

Propaganda

Culturalmente falando, a coisa mais interessante de se ver na televisão americana são os comerciais.
(Digo isso porque os programas a gente já assiste no Brasil. Um amigo meu aqui de Fargo que foi intercambista em Campinas ano passado ficava puto com os outros rapazes da república onde ele estava morando, porque a tv ficava o dia inteiro passando "Two and a half men"... Da minha experiência televisiva aqui - que não é lá muito ampla, diga-se de passagem - posso falar apenas dos já conhecidos seriados e filmes. E de um milhão de reality shows que as minhas roomates adoram e passam na MTV. Para ser muito sincera, é tudo tão igual que eu ainda estranho o fato de não ter legendas).
Duas proibições da publicidade brasileira são aqui usadíssimas: citar o nome do concorrente e propaganda de remédio. A primeira não traz nada de mais na minha opnião - com a diferença que o suposto consumidor do vídeo não compara a marca vendida com a X; e sim a vendida com a outra. A segunda merece um parágrafo.
"Está se sentindo triste ultimamente? Já pensou que pode ser mais que apenas tristeza? Conhece alguém com depressão?" Sim, há comerciais que falam isso. E dizem para você falar com seu médico, mas ainda assim. "Tome o controle das suas escolhas!", diz o comercial do birth control (eu adoro o nome americano de pílula anticoncepcional). "O mesmo medicamento, com a mesma fórmula, agora sem receita!" é algo anunciado como incrível. E ainda há infinitos medicamentos para controle de peso e de colesterol... E se por um lado isso tudo faz parte da liberdade de expressão da qual eles tanto se vangloriam, eu acho meio assustador. Porque se no Brasil, onde é proíbido, sempre tem alguém que sabe um remedinho mágico para toda e qualquer coisa, imagina se fosse assim amplamente divulgado no intervalo da novela... Remédio é coisa séria. E o mais bizarro para mim é ver que às vezes se intercalam propagandas de remédio para emagrecer e colesterol e propaganda de comida. Eu ainda não estou convencida que há mais americanos gordos do que brasileiros gordos; mas os gordos americanos são certamente mais gordos. Parece que aqui ou há magros ou obesos - não existem gordinhos. E a alimentação é uma bagunça, pelo menos o que eles servem na universidade - que em tese reflete a alimentação do jovem de classe média, não? Fritura todo dia, bacon quase todo dia de manhã, cereais cheios de açucar e corante; tudo é doce ou salgado demais. Todo lugar tem refil de bebida, e em lugar nenhum se vê suco de verdade. Eu ainda acho que esse país vai morrer jovem, e eu constantemente tenho que lembrar que não posso deixar ele me matar também.
Vai ver é por isso - porque a comida é gorda - que ontem eu vi um comercial de biscoito para gato que, entre outras coisas, ressaltava... "menos de duas calorias por pedaço!". Eles estão preocupados com as calorias dos gatos??? Minha amiga falou que de fato há bichinhos obesos; e eu fiquei besta olhando a tv e pensando que sim, estou em uma terra de doidos.

Nenhum comentário: