sábado, 23 de abril de 2011

Pelo meu direito de ficar à toa em casa em vez de aproveitar a oportunidade única e maravilhosa de conhecer os EUA de ponta a ponta

- Então você não vai viajar na Páscoa? - Perguntou uma das minhas Roomates, e pareceu estar com peninha de mim de verdade. Aí eu desandei a repetir a explicação que já havia dado para outras pessoas - eu não gosto de viajar sozinha. A maioria dos meus amigos "estudantes internacionais" (como eles se referem a gente aqui) tem ânsia de conhecer o máximo de Estados Unidos possível; e viaja em verdadeiras maratonas de 5 cidades por 9 dias. Sozinhos, na maior parte das vezes. Ah, sei lá, pode me chamar de esquisita; mas meu cérebro precisa de tempo para captar a cidade, ou tudo se mistura na minha cabeça e eu não sei dizer o que fica onde. Acho estressante viajar correndo, com horários e prazos. Gosto de sentir o local. E, bem... qual a graça de ver o mundo e não ter para quem apontar? Eu preciso de companhia.
Falei tudo meio que pedindo desculpas, porque no fundo eu estava me achando meio errada, como se eu tivesse a obrigação de fugir daqui. E esses dias agora estão me revelando que não. A melhor coisa que fiz foi fazer o que tinha vontade. Meu feriado em Fargo está sendo ótimo - ontem fui às compras com uma amiga; hoje fui correr na rua e aproveitar meus queridos raios de sol; mais tarde vou encontrar outros amigos para pizza... Dormi muito mesmo e estou me sentindo fantástica, arrumei a primeira das minhas malas de volta para o Brasil (agora faltam apenas 3 semanas, e vou para a casa desta Roomate final de semana que vem e depois tem as provas finais; e eu realmente tenho muitas tralhas) e provei que os corpos dos objetos são meus e ocupam o mesmo lugar no espaço se eu quiser e guardar coisas dentro de sapatos; joguei um monte de papel fora, fiz um trabalho com calma e carinho (é divertido fazer trabalho quando você tem tempo para fazer com calma e carinho), escrevi um monte, falei com família e namorado...
E hoje ainda é sábado.
Acho que uma coisa importante que aprendi nesse intercâmbio é me permitir sentir as coisas. Chorei quando tudo devia estar bem e agora estou feliz no que deveria ser chato. Quem foi que inventou como eu deveria viver o mundo? Eu gosto do que gosto e quero o que quero. A vida é minha, e não um comercial.

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