domingo, 3 de abril de 2011

Primavera

Sinto que Fargo está tentando me agradar.
Só pode ser isso. Por que outro motivo o clima gélido começaria finalmente a ir embora, a neve derreteria absurdamente rápido e eu poderia sar de casa sem o meu casaco branco de neve - aquele dentro do qual, segundo os meus pais, eu pareço um urso polar?
É claro que é para me deixar feliz. Fargo sabe que daqui a seis semanas eu vou voltar para o Brasil, e quer que eu me lembre da cidade da melhor maneira possível, bonita e verde. Não quer que eu lembre do frio que fazia minhas unhas doerem, nem das tempestades de neve. Fargo sabe que, sinceramente, depois de ir embora eu nunca mais vou querer ver neve na vida. E que se dane que eu nunca construi um boneco!
Meu humor realmente muda com as estações. Gosto de sol, de ar livre; e semana passada, no primeiro dia em que tirei meu casaco e andei com ele na mão enquanto ao meu lado garotas passeavam de short em uma linda tarde ensolada de uns cinco graus celcius, encontrei por acaso um amigo que daquela maneira casual me perguntou:
- Como vai?
- Maravilhosa! O clima está tão bom! - Respondi, com meu maior sorriso na cara; e acho que ele me achou muito boba. Aqui também há quem comente esse meu jeito de rir de tudo.
Semana retrasada, no dia em que eu escrevi o post sobre estar chovendo água líquida, o clima ainda foi cruel comigo. Eu toda feliz, sem botas e sem roupa impermeável. E o clima... Quando eu saí da academia a chuva estava solidificando, e eu descobri que se tem uma coisa que eu gosto menos do que de neve é granizo - aquilo dói. E eu tinha que falar com uma professora, e não dava para esperar. E depois o granizo virou neve, muita neve; e eu fiquei ilhada na universidade por duas horas, esperando o ônibus, apenas para depois ficar 15 minutos pegando neve e me dar conta que o ônibus não ia passar, e então voltar andando debaixo de neve e chegar em casa com pés encharcados e casaco recém-lavado coberto de neve.  Ao menos um amigo estava comigo... E no dia seguinte minhas aulas foram canceladas pela manhã pela tempestade.
Mas agora isso é passado, apenas mais uma desventura climática. Agora o tempo é bom. Porque Fargo gosta de mim, e eu acho que gosto de Fargo também.
Que venham as flores!

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