"A resposta para a pergunta que todo mundo está se fazendo — “Quando isso vai acabar?” — é simples é óbvia, mas difícil de engolir. A resposta é nunca." (Aisha S. Ahmad)
Final de semana passado eu teria estado em São Paulo, entregando os "reserve a data" do casamento. Mostrei por vídeo chamada para os amigos mais próximos, porque está bonito; e não falei para reservar data nenhuma.
Voltei a usar minha agenda e anotar meus compromissos e rotina.
-Regar as plantas
- Exercício
- Ligar para meus pais
- Corrigir o artigo
- Escrever um texto
Como de costume, anoto mais compromissos do que sou capaz de cumprir. O que me dá uma paz estranha, ter compromissos inacabados para amanhã.
Retomamos os encontros do Mulheres na Engenharia, agora virtual. Nos primeiros encontros, falamos do corona apenas. Agora voltamos ao livro da Sabrina Fernandes.
Tive até videochamada com o comitê científico da RNC e com meu orientador, e devo participar de uma live sobre mulheres na engenhara esta quarta.
Eu e o David nos perguntamos como será o carnaval ano que vem.
- Todo mundo de máscara, só tira para beijar na boca de desconhecidos.
(Faz tanto sentido quanto as regras do governo do estado de SC e da prefeitura de Floripa, que reabriram restaurante desde que as pessoas usem máscaras, exceto para comer).
No sábado fizemos um date. Ele buscou uma pizza pra gente, eu me arrumei e colocamos uma luz bonita e um jazz e abrimos um vinho. A Vivi queria ir ao banheiro e abrimos o portão de casa, e fomos até a esquina vazia, recolher o cocô com taças na mão. Outro vizinho também escutava jazz e a noite estava bonita. Foi o mais perto possível de passear pela cidade, e foi mágico.
As vizinhas terminaram de fechar a casa e eu não terei mais que regar as plantas delas, o que me deixou triste.
Tem outra pessoa alimentando os gatinhos, colocou pote e tudo. Nunca mais os vi, acompanhava a ração sumindo. Ontem ela parecia intocada.
- Será que foram movidos? - perguntou o David
- Acho mais fácil terem sido morridos. Podem até ter virado comida de coruja.
- Nesse caso é o ciclo da vida apenas.
Em Belém a crise do covid estourou. Vários familiares com vizinhos contaminados e óbitos conhecidos. Tio com suspeita, sistema de saúde esgotado. Eu estou preocupada, e não há nada que eu possa fazer além de telefonar e ficar em casa.
São 8h, vou fazer café.
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