Nesta quarentena tenho me dedicado a observar as coisas que precisam que eu as deixe quietas; as que acontecem sem minha interferência e tem seus próprios tempos e vontades.
Ligo para os meus pais todos os dias de manhã.
Arranco os matos que nascem debaixo das pedras da minha garagem, vejo minhas plantas crescerem.
Quero essa curva bem achatada; eu tenho medo de altura, afinal.
Meu tomate está ficando maduro.
Desisti de discutir com meu primo liberal preocupado com a economia. Nem eu nem ele faremos as políticas públicas; era orgulho então.
Asso um bolo.
Escuto meu vizinho adulto perguntando aos pais idosos se eles sabem quantas galinhas tem no mundo.
Marco vídeo-conferências, escrevo minha tese.
Converso com o David. Case com alguém cuja companhia te alivie a quarentena e a vida.
Deixo o amendoim de molho por 8h, depois bato, daí espero 24h o "queijo" de amendoim fermentar. Checo as bolhinhas.
E tiro cochilos com a Vivi no fim do mundo.
quarta-feira, 8 de abril de 2020
Diário de quarentena - parte 3
Rabiscado por
Marina
às
18:03
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