quarta-feira, 8 de abril de 2020

Diário de quarentena - parte 3

Nesta quarentena tenho me dedicado a observar as coisas que precisam que eu as deixe quietas; as que acontecem sem minha interferência e tem seus próprios tempos e vontades.

Ligo para os meus pais todos os dias de manhã.

Arranco os matos que nascem debaixo das pedras da minha garagem, vejo minhas plantas crescerem.

Quero essa curva bem achatada; eu tenho medo de altura, afinal.

Meu tomate está ficando maduro.

Desisti de discutir com meu primo liberal preocupado com a economia. Nem eu nem ele faremos as políticas públicas; era orgulho então.

Asso um bolo.

Escuto meu vizinho adulto perguntando aos pais idosos se eles sabem quantas galinhas tem no mundo.

Marco vídeo-conferências, escrevo minha tese.

Converso com o David. Case com alguém cuja companhia te alivie a quarentena e a vida.

Deixo o amendoim de molho por 8h, depois bato, daí espero 24h  o "queijo" de amendoim fermentar. Checo as bolhinhas.

E tiro cochilos com a Vivi no fim do mundo.

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