~ Se meu corpo não é perfeito, meu jeans tem que ser.
Quando eu era mais nova e inocente, percorria shoppings inteiros entrando de loja em loja escolhendo modelos de calça jeans, para então perguntar:
- Tem 46?
Era como perguntar se eu podia começar a voar pelada na loja. Os olhos de choque. Quando não ofendidos. 46??? Por que alguém usaria manequim 46???
Pior do que a cara, só quando surgiam respostas do tipo:
- Não, mas a 42 tem molde largo... Com certeza entra em você.
Eu convivi comigo minha vida toda. Eu sei o que entra em mim. 42 nunca entrou em mim.
Duas vezes na vida, fiz dietas barra pesadas e emagreci uns 10 quilos. Fiquei magra mesmo. Aí eu podia entrar nas lojas e pedir... 44. Sim, é meu biotipo. Sou brasileira, meu bem.
(Aí depois eu engordei tudo de novo e voltei a meu corpo normal - onde normal qur dizer gordinha)
Cansada de escolher, eu comecei a já entrar nas lojas e perguntar qual a maior numeração coma qual eles trabalhavam. Não é a melhor das estratégias para a sua auto-estima, mas poupa tempo e diminui as expectativas. Eu ainda a adoto com sapatos. Sapatos também são um problema para mulheres que calçam 39-40.
Um belo dia, descobri uma loja de departamentos que faz calças jeans que me servem. Algumas vem com aquela etiquetinha "tamanho especial"; o que sempre me deprime e faz eu me perguntar qual a real necessidade de uma calça me chamar de gorda; mas ainda assim. Calças que me servem, que fantástico.
Fidelizei.
De três em três anos, mais ou menos; quando minhas calças jeans entram em estado avançado de deterioração, vou lá em busca de calças novas.
Este feriado foi dia.
Procedimento padrão: peguei um carrinho e saí percorrendo corredores e remexendo pilhas, em busca de bons modelos do meu número.
Dada hora, quando eu olhava uma arara, passou uma atendente perguntando:
- Ô fulana, - onde fulana era outra atendente - de quem é esse carrinho?
Tinha tanta calça jogada lá que ela achou que fosse de alguma atendente rearrumando. Eu corri para dizer que era meu.
Na hora de provar, o esperado:
- Só pode entrar com 5 peças.
Tranquilo. Deixei as calças lá e fui entrando e saindo, cada vez com 5 calças diferentes.
Eu entrei e saí umas 5, 6 vezes.
Minha irmã era minha consultora. E é realmente um problema. Caber todas cabiam, mas há muitas outras expectativas em uma calça jeans. Não gosto de cintura muito alta nem muito baixa. Tenho que poder sentar sem me preocupar com a visão de quem está atrás de mim. E quase sempre tenho que apertar a cintura depois.
Acho que as pessoas poe brilhos e detalhes demais em roupas, gosto de calças jeans lisas ou com pouca lavagem.
E como se não bastasse, eu ainda sou alta demais. Mais da metade das calças acabou antes dos meus tornozelos.
É o que sempre digo: a única hora em que pessoas fora do padrão se dão bem fazendo compras é em liquidação, porque as poucas peças que cabem na gente sempre encalham.
Ao fim, duas cairam muito bem. E uma foi a eleita e veio para casa comigo, e as atendendentes do provador me olharam mais feio ainda diante daquela pilha de roupas que não seriam compradas.
Daqui a uns três anos, volto lá de novo.
PS: Na saída da loja, vi uma mulher tirando o relógio de pulso para subir em uma balança. Isso me fez me sentir a pessoa mais desencanada quanto a peso e feliz com o próprio corpo do mundo; e eu e minha irmã rachamos um ovomaltine pequeno.
Quando eu era mais nova e inocente, percorria shoppings inteiros entrando de loja em loja escolhendo modelos de calça jeans, para então perguntar:
- Tem 46?
Era como perguntar se eu podia começar a voar pelada na loja. Os olhos de choque. Quando não ofendidos. 46??? Por que alguém usaria manequim 46???
Pior do que a cara, só quando surgiam respostas do tipo:
- Não, mas a 42 tem molde largo... Com certeza entra em você.
Eu convivi comigo minha vida toda. Eu sei o que entra em mim. 42 nunca entrou em mim.
Duas vezes na vida, fiz dietas barra pesadas e emagreci uns 10 quilos. Fiquei magra mesmo. Aí eu podia entrar nas lojas e pedir... 44. Sim, é meu biotipo. Sou brasileira, meu bem.
(Aí depois eu engordei tudo de novo e voltei a meu corpo normal - onde normal qur dizer gordinha)
Cansada de escolher, eu comecei a já entrar nas lojas e perguntar qual a maior numeração coma qual eles trabalhavam. Não é a melhor das estratégias para a sua auto-estima, mas poupa tempo e diminui as expectativas. Eu ainda a adoto com sapatos. Sapatos também são um problema para mulheres que calçam 39-40.
Um belo dia, descobri uma loja de departamentos que faz calças jeans que me servem. Algumas vem com aquela etiquetinha "tamanho especial"; o que sempre me deprime e faz eu me perguntar qual a real necessidade de uma calça me chamar de gorda; mas ainda assim. Calças que me servem, que fantástico.
Fidelizei.
De três em três anos, mais ou menos; quando minhas calças jeans entram em estado avançado de deterioração, vou lá em busca de calças novas.
Este feriado foi dia.
Procedimento padrão: peguei um carrinho e saí percorrendo corredores e remexendo pilhas, em busca de bons modelos do meu número.
Dada hora, quando eu olhava uma arara, passou uma atendente perguntando:
- Ô fulana, - onde fulana era outra atendente - de quem é esse carrinho?
Tinha tanta calça jogada lá que ela achou que fosse de alguma atendente rearrumando. Eu corri para dizer que era meu.
Na hora de provar, o esperado:
- Só pode entrar com 5 peças.
Tranquilo. Deixei as calças lá e fui entrando e saindo, cada vez com 5 calças diferentes.
Eu entrei e saí umas 5, 6 vezes.
Minha irmã era minha consultora. E é realmente um problema. Caber todas cabiam, mas há muitas outras expectativas em uma calça jeans. Não gosto de cintura muito alta nem muito baixa. Tenho que poder sentar sem me preocupar com a visão de quem está atrás de mim. E quase sempre tenho que apertar a cintura depois.
Acho que as pessoas poe brilhos e detalhes demais em roupas, gosto de calças jeans lisas ou com pouca lavagem.
E como se não bastasse, eu ainda sou alta demais. Mais da metade das calças acabou antes dos meus tornozelos.
É o que sempre digo: a única hora em que pessoas fora do padrão se dão bem fazendo compras é em liquidação, porque as poucas peças que cabem na gente sempre encalham.
Ao fim, duas cairam muito bem. E uma foi a eleita e veio para casa comigo, e as atendendentes do provador me olharam mais feio ainda diante daquela pilha de roupas que não seriam compradas.
Daqui a uns três anos, volto lá de novo.
PS: Na saída da loja, vi uma mulher tirando o relógio de pulso para subir em uma balança. Isso me fez me sentir a pessoa mais desencanada quanto a peso e feliz com o próprio corpo do mundo; e eu e minha irmã rachamos um ovomaltine pequeno.
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