Parando para pensar, pode haver algo de ridiculamente engraçado em ficar triste.
Você, cabisbaixo. Seu interlocutor com os braços prontos para abraçá-lo, ou grudados à mesa, ao corpo, a qualquer lugar; inertes, paralisados, sem saber como agir.
Você lamenta que a vida é ruim e desanda a dar motivos. Seu interlecutor argumenta que não. E começa uma pequena discussão sobre a ruindade do mundo.
A parte cômica é que vocês dois querem que ele ganhe.
Porque você fala da ruindade do mundo porque acredita nela, mas não queria. No fundo, bem lá no fundo, todo mundo prefere nevens, coelhinhos cor-de-rosa, purpurina e borboletas.
(Pode definir felicidade de uma maneira mais máscula, se preferir)
E seu interlocutor fala dela; mesmo que ele mesmo a esteja desacreditando. Porque há um contrato social que diz que, exceto em grandes tragédias, alguém tem que saber jogar uma escada para o fundo do buraco. E tem escada de todo tipo como tem gente de todo tipo: corda bamba, escada rolante. E tem quem use molas nos sapatos, e quem faça o resgate com asas...
Quem resgata sempre se resgata um pouco, resgata mundo todo. Porque acredita mais no mundo fazendo o mundo um lugar mais esperançável.
Mas você contraargumenta e reclama e diz que são falsos os elogios e se aborrece com tanta disposição em te convencer a sorrir. E ele repete e interpela e também reclama, e ao fim por algum motivo você perde e ganha enfim.
Pausa para o comercial de margarina.
Ê vidão!
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